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O seu apelido não é detentor do sufixo -aard, -berg ou -ensen. À boa maneira portuguesa, chama-se Ferreira, Pedro Ferreira. Desde a temporada passada, estabeleceu-se na Dinamarca, onde joga ao serviço do Aalborg. Durante o Euro 2020, a seleção do país onde atua imergiu num verdadeiro conto de fadas com um enredo que poderia muito bem ter sido escrito por Hans Christian Andersen. O jogador com formação no Sporting e com experiências no Mafra e no Varzim analisa o percurso da seleção nórdica no Europeu, onde só caíram nas meias-finais, aos pés da Inglaterra.

Bola na Rede: Como sentiste que o país viveu a campanha da seleção dinamarquesa?

Pedro Ferreira: Viveu com muita esperança. Com a situação do Christian Eriksen, a derrota com a Finlândia e, no segundo jogo, com a Bélgica, todos pensaram que estavam fora. Depois, quase por milagre, passaram com três pontos, em segundo no grupo, e começaram a acreditar. Foram ganhando e chegaram à meia-final. Num jogo tudo é possível e, como é óbvio, acreditaram que podiam chegar à final. Os adeptos viveram bastante. Muitas vezes, estava aqui em casa e, quando era golo, ouviam-se os gritos pela cidade inteira.

Bola na Rede: Qual é a relação do povo dinamarquês com o futebol?

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Pedro Ferreira: São muito apaixonados e gostam realmente do futebol. Em Portugal, na Primeira Divisão, muitas vezes as equipas ditas mais pequenas têm os estádios um pouco vazios. Aqui, os estádios são todos enormes e têm sempre muita gente.

Bola na Rede: Com o regresso do campeonato, como vão gerir a lotação dos estádios?

Pedro Ferreira: Até dia 1 de agosto vamos ter um terço da capacidade, o que dá à vontade 3 mil pessoas. A partir de dia 1 de agosto, já vamos ter os estádios cheios, o que é muito bom. As pessoas, basicamente, já estão todas vacinadas. Aqui, a vacinação está a ir muito bem.

Bola na Rede: Tu já estás vacinado?

Pedro Ferreira: Não, vou tomar a primeira dose depois do primeiro jogo, com o Copenhaga, no dia 19 de julho, e em agosto tomo a segunda.

Bola na Rede: Pelo que conhecias da seleção dinamarquesa, estavas à espera de uma campanha como esta?

Pedro Ferreira: Obviamente que não. Acho que foi a seleção surpresa do Europeu. Se formos a ver, eles têm muito bons jogadores. O onze inicial joga nas melhores ligas do mundo, Inglaterra, Itália, Alemanha… Têm muito boas individualidades, mas não estava à espera que chegassem onde chegaram.

Bola na Rede: Aquilo que a Dinamarca joga reflete o que é a sua liga nacional?

Pedro Ferreira: Sim. Costumo dizer que as seis melhores equipas gostam de jogar futebol, bola no chão, apoiado, e as seis piores jogam um futebol mais direto, de aproveitamento de segundas bolas, um pouco mais físico. É uma mistura. A seleção dinamarquesa jogava muito bem em futebol apoiado. É um pouco como o que fazem as melhores equipas aqui.

Bola na Rede: Sentes que a Dinamarca consegue encontrar um equilíbrio entre esse lado mais físico do futebol nórdico e uma boa dose de qualidade técnica?

Pedro Ferreira: Sim. Acho que o demonstraram bem. Quando o jogo pedia algo mais físico, eles sabiam fazê-lo, e quando pedia algo com mais qualidade, também o faziam muito bem. Estiveram preparados para o que o jogo pedia.

Bola na Rede: A Dinamarca jogou a fase de grupos toda em casa. Consideras que isso foi um fator preponderante?

Pedro Ferreira: Preponderante não digo, porque o pior momento deles foi a fase de grupos. Foi importante para o país se unir um pouco mais. A infelicidade do Eriksen deu-lhes uma motivação extra para jogarem.

Bola na Rede: Em termos de jogo jogado, o que é que gostaste mais de ver na seleção da Dinamarca?

Pedro Ferreira: Era uma equipa compacta, sempre a tentar jogar bem. Depois, tinham o Martin Braithwaite na direita, muito rápido, e o Mikkel Damsgaard, que também apareceu muito bem, foi das maiores surpresas do Europeu, o Pierre-Emile Hojbjerg também esteve muito bem. Foram boas surpresas e fizeram um excelente Europeu.

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