– A jovem com a responsabilidade de jogar no SL Benfica –

«Quando se entra no SL Benfica o objetivo é ganhar sempre. Seja que jogo for, seja que competição for. Isso é uma das místicas do clube e um ponto chave para quem veste a camisola do SL Benfica»

BnR: Como chegou ao SL Benfica? Foi por algum convite do clube ou por captações para os escalões de formação?

SF: Foi por convite do clube. Tive indecisa porque jogava em seniores e, na altura, já estava no principal campeonato, que era o distrital de Lisboa. O objetivo da equipa que estava a jogar em Alverca já não era manter, mas, sim, fazer o melhor resultado possível. Vencer mesmo até o SL Benfica. Mas era muito nova ainda. No SL Benfica havia um grupo tão bom, eram campeãs há tanto tempo e fez-me hesitar porque podia vir e não jogar. Acabaram por criar a equipa de juniores e pela primeira vez pude jogar com jogadoras da minha idade. Apesar de não ter feito os jogos todos porque estava nas seniores, tive a oportunidade de jogar. Tive na dúvida se vinha ou não vinha, mas tinha de arriscar. Era a oportunidade de jogar no clube do coração. Tentar evoluir para jogar com as melhores porque já sonhava com isso. Consegui, estou muito feliz por aqui estar e fico contente por ter surgido esse convite.

Sara Ferreira chegou com 16 anos aos Pavilhões para jogar nas seniores e nas juniores do SL Benfica
Fonte: Tiago Lourenço/Bola na Rede

BnR: Chegou com 16 anos aos Pavilhões da Luz, quais foram as principais dificuldades com as quais se deparou?

SF: Era um ambiente completamente diferente. Nas outras equipas lutávamos para ganhar, mas sabíamos que, e temos de ser realistas, era quase impossível ganhar o SL Benfica. Naquela altura, o campeonato era completamente diferente do atual. Tinham uma equipa muito forte que eram candidatas ao título e havia apenas a CRC Quinta dos Lombos, que era a única equipa que criava dificuldades. Quando se entra no SL Benfica o objetivo é ganhar sempre. Seja que jogo for, seja que competição for. Isso é uma das místicas do clube e um ponto chave para quem veste a camisola do SL Benfica. É incutido isto de uma maneira saudável. Uma pessoa entra aqui, está no clube e sabe que tem de ganhar. Ao início, foi difícil de encontrar o meu espaço porque eram jogadoras mais velhas e mais experientes, mas foi conquistando-o. Fui ouvindo o que as minhas colegas e os treinadores diziam. Sabia que mais tarde ou mais cedo a minha oportunidade ia surgir. Acho que foi uma boa experiência ter aguentado tantos anos.

A jogadora é uma das que está há mais tempo no SL Benfica e tem a ambição de ganhar ainda mais títulos com a camisola “encarnada”
Fonte: Tiago Lourenço/Bola na Rede

BnR: Qual foi a grande diferença que sentiu na passagem dos juniores para o escalão sénior?

SF: A competição é diferente. Nas juniores, podemos pensar quando temos a bola no pé, jogar para o lado ou ir para frente ou para trás e nas seniores era praticamente impossível. Assim que recebíamos a bola já tínhamos o adversário em cima. Isso foi uma das principais diferenças que senti. Para não falar do físico. Elas [jogadoras seniores] tinham muito mais físico do que nós. Fazia jogos nas juniores ao sábado e nos seniores ao domingo juntamente com a Ana Catarina. Éramos as duas que fazíamos isso. Treinávamos todos os dias da semana e muitas vezes duas vezes por dia, porque treinávamos com as juniores e as seniores. Acho que nunca me senti cansada nessa altura. Queria jogar e divertir-me.

BnR: Acabaste por fazer algum treino específico para integrares a equipa A?

SF: Não, treinei normalmente com elas. Tive ausente durante quase um mês, porque fui para as sub-19 de futebol 11. Mas não fiz nenhum trabalho específico. Simplesmente treinava e sentia que treinava um pouco mais do que as outras, porque fazia dois treinos por dia. Era a única diferença e era a única coisa que sentia que poderia também me ajudar.

BnR: Jogou com a Rita Martins, uma jogadora marcante no futsal português e do SL Benfica e uma inspiração para si. Qual foi a sensação de partilhar o campo com a Rita?

SF: A Rita era a mulher dos cabritos [movimento técnico no futsal]. Gostava muito do estilo de jogo dela por ser muito criativa e é uma coisa que admiro. Às vezes o público pedia para fazer o cabrito e ela fazia. Tinha coragem para o fazer e sabia quando podia fazer. Foi uma das pessoas que me lembro que teve uma qualidade de passa extraordinária. Conseguia meter a bola onde queria. Não era tão rápida, mas a qualidade de passe que tinha podia ajudar qualquer equipa.

Rita Martins foi uma das melhores jogadoras do SL Benfica e da Seleção Portuguesa. Hoje, ainda está ligada aos “encarnados” como Team Manager
Fonte: FPF

BnR: Hoje, o quão importante é a Rita Martins manter-se na equipa, como Team Manager, para as jogadoras recém-chegadas?

SF: Acho que ajuda. Por exemplo, algumas raparigas mais novas não se lembram de ver a Rita a jogar, mas sabem que jogou. Sabem também que teve um papel importante tanto no SL Benfica como no futsal em geral. É sempre importante ter uma referência destas dentro do clube e na equipa técnica.

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