O segundo dia do “World Scouting Congress” seria composto por seis painéis diferentes que teriam, todos eles, temas diferentes de discussão.

Futebol com Talento

O primeiro painel de oradores foi composto por Vítor Matos, José Gomes e por Sónia Gomes e a conversa seria à volta do tema: “Futebol com talento”.

Vítor Matos, desenvolvedor de talentos do Liverpool FC realçou que acredita no desenvolvimento individual e pessoal, ou seja, acredita que o talento não nasce com a pessoa. Para o jovem treinador, uma equipa tem que ser organizada para existir criatividade. Outra das questões que Vítor Matos abordou foi a necessidade de haver um estreitamento de relações entre treinador, scout e diretor desportivo dentro de um clube, já que vê a comunicação entre estes três elementos como alo fundamental para o desenvolvimento desportivo de qualquer equipa. Antes de dar a palavra a José Gomes, o representante do Liverpool falou ainda da importância que, para ele, têm as equipas B, sendo que permite a jovens competir já a um nível alto e tornam-se, assim, espaços bons para dar continuidade ao processo de formação.

José Gomes, ex-treinador de Rio-Ave e Reading foi o elemento mais ativo deste painel e abordou variados temas como: soluções para aumentar a espectacularidade da nossa liga, das críticas ao futebol praticado nos relvados portugueses, investidores deterem clubes e o futebol feminino. No dia em que José Gomes foi dado como certo como treinador do CS Marítimo, o treinador marcou presença neste evento e começou por dizer que “os jogadores que chegam a um plantel são escolhidos ou, pelo menos deveria ser esse o caso, para encaixarem no modelo tático e nas ideias do treinador”. O treinador chegou até mesmo a referir que a realidade do futebol inglês neste momento é que “há um distanciamento tão grande ente dono/diretor desportivo de um clube e scout/treinador que chegam jogadores ao plantel que não foi o treinador que pediu”. Tendo em conta outro dos temas abordados por José Gomes, este sugeriu que “se deve cair na tentação de estar constantemente a inferiorizar o futebol português por comparação com o futebol estrangeiro, porque a verdade é que as condições estrangeiras também são muito melhores e que os clubes lá também têm outra dimensão financeira”. Quanto ao futebol feminino, José Gomes seguiu a sua linha de honestidade e subilnhou que “enquanto se disser “futebol feminino”, é mau sinal para as jogadoras e que se deveria apenas dizer “futebol”, porque é isso que é”. Por fim, o ex-treinador de Rio Ave lançou o desafio às jogadoras de merecerem o estatuto que os jogadores conseguiram.

Sónia Carneiro, diretora da liga começou por dizer que “a liga tem incapacidade económica para reter talento” e que “a liga tem feito um esforço para cada vez ter mais credibilidade. A diretora da liga chega até mesmo a dizer “que Itália oferece boas condições aos jogadores estrangeiros”, deixando do no ar que essa teria sido a razão para a mudança de CR7 para Turim. Quanto ao futebol femino a representante máxima da liga referiu que está a haver uma aposta cada vez maior no futebol feminino e que se espera uma grande evolução do mesmo nos próximos anos.

O Scouting no Futebol Profissional:

Neste segundo painel estiveram nomes como Jorge Tello, Abel Pimenta, Sandro Orlandelli e Oliver Seitz.

A conversa neste painel foi mais específica com todos os elementos do plantel a relatarem qual a situação atual dos clubes que representam.

Assim, Jorge Tello, scout da seleção mexicana destacou que “o jogador mexicano é mexicano é muito competente” e que “o projeto é chegar ao top oito no mundial de 2026”. O mexicano disse ainda que, neste momento, não há nenhuma seleção com objetivos tão bem definidos como a do México e decidiu destacar um nome que poderá vir a ser o próximo grande jogador do México: Eugenio Pizzuto, internacional pelas camadas jovens da seleção mexicana.

Abel Pimenta voltou a referir o que já tinha sido dito no primeiro painel, nomeadamente que “as relações entre o elementos de clube precisam de ser mais estreitas” e admitiu que “tem alguns portugueses debaixo de olho” para o Sevilha. Finalmente, destacou o momento do Sevilha, dizendo que “o Sevilha se econtra bem, mas que vai precisar de reforçar algumas posições como a de lateral direito, pois Jesús Navas, embora seja um grande jogador, já tem 34 anos”.

A palavra foi depois dada a Sandro Orlandelli, Chief scout do Manchester United. Sandro Orlandelli começou por abordar a importância que Portugal tem no futebol mundial, passando depois para o tema Mourinho e admitindo que “Mourinho, na minha opinião, teve pouco teve para consolidar o seu perfil no Manchester United”. Quanto à situação atual do plantel do clube de Manchester, Sandro disse que “o Manchester precisa de reforçar todas as posições está, neste momento, numa fase de reestruturação”. Sandro Orlandelli acabou o seu discurso ao referir que o “jogador brasileiro só aprende a defender quando vem para a Europa” que isso tem a ver com um problema cultural”.

Oliver Seitz, scout do Atlético Paranaense falou aos presentes do despedimento do de Tiago Nunes, admitindo que, para ele “ foi uma surpresa” e que “o perfil do próximo treinador já está traçado. Quanto a Yoni Gonzalez, nome apontado ao SL Benfica, Oilver foi sucinto: “tem golo”.

O Perfil do jogador Português

Este último painel na parte da manhã teve os seguintes oradores: Sá Pinto, Carlos Carneiro e Luís Freitas Lobo.

Para Sá Pinto “o jogador português nunca será robusto como os alemães, nunca rematará como os ingleses, mas tem, definitivamente, outras vantagens”. Para o treinador do SC Braga, o profissionalismo no futebol mundial aumentou exponencialmente e que chegou a um ponto que “os jogadores deixaram de ser jogadores, passando a ser ativos”. O técnico dos minhotos realçou o facto de a qualidade do jogador português contribuir para o aumento do preço do mesmo e que, por isso, “se torna mais fácil contratar estrangeiros”. O ex-jogador diz também que “é preciso dar tempo aos jogadores para atingirem o seu máximo, mas que, no futebol, não há espaço para todos”.

Carlos Carneiro teve um discurso mais curto que os outros dois elementos deste painel. O diretor desportivo do Paços de Ferreira concordou com Sá Pinto quanto à dificuldade dos clubes portugueses em comprar jogadores portugueses e que por isso “o Paços tem tantos brasileiros, são mais baratos”. O argumento de Carlos Carneiro para esta evolução do jogador português é o facto de “termos os melhores treinadores do mundo”.

Quanto a Luís Freitas Lobo, o perfil do jogador português é auto-esclarecedor, “basta olhar para os nossos Bola de Ouro, a qualidade sempre esteve cá”. Para o comentador desportivo “houve sempre um complexo de inferioridade que os jogadores portugueses tinham quando olhavam para as seleções adversárias, mas que hoje em dia está quase ultrapassado”. Quanto ao mais recente Bola de Ouro português, Cristiano Ronaldo, Freitas Lobo afirmou que “Ronaldo é uma criação de si próprio e que se nasce Ronaldo”, deixando no ar que não acredita no desenvolvimento de talento. Por último, referiu-se à incapacidade económica dos clubes portugueses como “incapacidade de gestão de dinheiro” dos mesmos.

Da parte da tarde, o congresso teve seguimento com mais três painéis, três assuntos distintos, e muito futebol à mistura.

Os intervenientes em ação no primeiro painel do segundo dia do WSC
Fonte: Bola na Rede

Agenciamento vs intermediação

O quarto painel do dia foi moderado por Rémulo Marques e teve como oradores Ulisses Santos, CEO da US11, Jorge Teixeira, CEO da Global Sports, e Vítor Gonçalves, CEO da Pro Eleven.

Neste debate, os três oradores ilustraram o que é ser um agente, dando exemplos da carreira, falaram de como tratam os seus agenciados e contrapuseram, ainda, a opinião que por vezes se tem de que foram os agentes quem estragou o futebol. Referiram que, pelo contrário, os agentes trouxeram mais dinamismo ao mercado e por isso mais vivacidade à indústria do futebol. Ao longo das declarações, todos os oradores foram exemplificando com exemplos práticos, como o caso de Emídio Rafael no Steaua de Bucareste, clarificando deste modo o papel do agente perante os presentes.

Gestão de ativos no futebol 

O quinto painel contou com a moderação de Pedro Couto e teve como oradores Miguel Ribeiro, do FC Famalicão, Carlos Freitas, do Vitória SC, e Luís Campos, do Lille OSC.

Este painel resumiu-se a um ensinamento de gestão de clubes, de gestão de ativos e de obtenção de lucro, seja desportivo ou financeiro.

Miguel Ribeiro abordou a situação atual do FC Famalicão, que conta com muitos jogadores emprestados, tendo referido que foi a situação possível para o clube e que espera que daqui a três/quatro anos, os famalicenses estejam consolidados.

Carlos Freitas abordou também a situação do Vitória SC, o momento da sua chegada e as dificuldades e processos por que teve de passar quando chegou ao clube. O dirigente reiterou ainda a ideia de que o Vitória SC deve manter-se ligado a Guimarães, e deixou largos elogios aos adeptos vitorianos, os quais comparou com os adeptos do Marselha e Nápoles.

Luís Campos abordou a sua chegada ao Mónaco, a forma de gestão do clube que, depois de épocas de muito investimento, foi impedido pelo fair-play financeiro da UEFA de ver injetado mais dinheiro pelo seu investidor. Agora no LILLE OSC, o dirigente português referiu que o seu crescimento do seu atual clube a nível desportivo, económico e estrutural e deixou ainda reparos ao futebol português, considerando que este deve sofrer um rápido crescimento.

Como é que o futebol muda a vida das pessoas

O World Scouting Congress terminou com um painel de luxo, composto por Costinha, Pedro Mendes, Rui Costa e Júlio César,  com Pedro Azevedo como moderador.

Neste painel, e de acordo com o propósito do evento, os ex-jogadores começaram por referir quem foram os seus scouts, como traçaram o início da sua carreira. Depois, entre muitas histórias de futebol e do mundo do futebol, os convidados abordaram os seus planos atuais e como tomaram a decisão acerca do seu futuro depois de pendurar as chuteiras. Com muito humor e fair-play à mistura, foram chamadas à conversa, entre muitos outros eventos, a final do Euro 2004, a final da Liga dos Campeões de 2005, que Rui Costa perdeu e os dérbis em Itália entre Júlio César e Rui Costa. Os ex-craques falaram ainda sobre as estrelas com quem e contra quem jogaram, numa conversa à moda antiga, sobre futebol, com fair-play e com muito boa disposição.

Assim terminou o World Scouting Congress, evento que reuniu muitas personalidades ilustres do futebol nacional e internacional e que, segundo Miguel Canedo, Brand Manager da Quest, organizadora do evento, em declarações ao BnR, se manterá, em princípio, na cidade Invicta.

Artigo de Pedro Diniz e João Brandão

Foto de capa: Bola na Rede

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