Numa altura em que o Desporto, no geral, passa pelas “ruas da amargura” no que diz respeito à aposta nos valores mais humanos, como o respeito pelo adversário, a ADESL decidiu organizar um colóquio no passado dia 28 de fevereiro, cujo principal tema de debate foi a importância dos valores e desafios do desporto universitário.

O evento começou com a assinatura do protocolo de cooperação entre a entidade que gere o desporto universitário lisboeta e o PNED (Plano Nacional de Ética no Desporto), com vista a cimentar a promoção dos valores de união, respeito e camaradagem em torno da prática desportiva, para assim se sensibilizar os envolvidos nos campeonatos universitários a terem comportamentos positivos no decurso dos jogos das distintas modalidades.

Com um painel de intervenientes de enorme peso – destacando-se as presenças de Duarte Gomes (ex-árbitro internacional) e Jorge Braz (atual selecionador de Futsal e vencedor do Europeu 2018) -, o debate primou-se pela exposição dos pontos de vista de cada um dos oradores face à dimensão da ética no desporto, relacionando o tema em discussão com a sua experiência nas diferentes áreas em que destacaram, como o Futebol, Futsal e Hóquei em Patins (representado por Luís Sénica, presidente da Federação Portuguesa de Patinagem).

Além da vertente desportiva, o elenco continha a presença da Dr.ª Paula Madeira Santos, psicóloga clínica especializada em desporto, que falou da influência da participação dos atletas em eventos desportivos, de forma a prepará-los da melhor maneira para a vida pessoal e profissional devido aos inúmeros desafios.

O painel de oradores
Foto: Inês Catarino/ADESL

Além da exposição dos pontos de vista, o colóquio promoveu a interação do público, com a colocação de questões pertinentes ao tema central, desde a forma de impedir comportamentos inadequados nos eventos até à forma como é gerido o tempo entre o desporto de alto rendimento e universitário com o mundo académico, com Manuel Mesquita (atleta de Futsal pela Quinta de Lombos e sua faculdade, a Universidade Europeia) a dar o seu testemunho de como consegue conciliar de forma eficaz os dois mundos altamente exigentes.

Com uma boa dinâmica entre os convidados e a plateia presente, o tempo passou a voar, ficando a sensação de que o tema deveria ser alvo de maior debate na sociedade, sendo essa uma das maiores falhas na atualidade portuguesa, em que é dado mais tempo de antena aos conflitos existentes do que propriamente ao lado mais humano do desporto em si.

É urgente que todos os agentes desportivos (clubes, dirigentes, jogadores e adeptos) façam uma reflexão crítica sobre o método mais adequado de se comportarem nos diversos eventos, e creio que a organização de palestras ou ações de formação poderá colmatar essa lacuna no desporto português a médio-longo prazo.

Foto de Capa: Inês Catarino/ADESL

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