“O jogo com o FC Porto acabou por nos dar prejuízo.”

BnR: Agora uma questão inevitável: o jogo para a Taça de Portugal frente o FC Porto nesta temporada. Costuma falar-se muitas vezes no “trabalho invisível” que se faz na preparação de um jogo frente a um grande. Fale-nos um pouco sobre esse “trabalho invisível” e da preparação que exigiu ao clube para receber um grande português?

FC: Como sabe, o sorteio saiu na sexta e o jogo era oito dias depois. Foi de domingo até sexta à noite, foi dia e noite a trabalhar. Eu tinha uma equipa boa a trabalhar sobre esse assunto e tinha muito medo que corresse mal, era noite e dia a trabalhar, perdeu-se muita hora de sono, dormíamos duas a três horas por noite. Mas felizmente correu tudo bem.

BnR: Sentiu que no dia do jogo, a 19/10/2018, fez-se a festa da Taça?

FC: Fez-se, sem dúvida. Ainda por cima aqui na nossa casa e não podia ser doutra forma, porque a festa da Taça tinha de ser na nossa cidade, no nosso campo, para os nossos associados, não fazia sentido jogar para Chaves nem para lado nenhum. Só era fora se o FC Porto não autorizasse o campo, eles vieram testar e tanto eles como a Federação disseram que tinha condições. Mas foi muito caro, só para a iluminação gastamos 51300€. O jogo com o FC Porto acabou por nos dar prejuízo.

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Fonte: FC Porto

BnR: Através de poucas palavras, consegue-nos dizer como vê atualmente o futebol português?

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FC: Eu vejo o futebol português como uma indústria. É só empresários, só jogadores estrangeiros, não se sabe para onde vão as verbas. Por exemplo, se para aqui vier um jogador estrangeiro, tal como aconteceu no ano anterior, têm de deixar uma verba, não é apenas para o jogador ter o rendimento dele e ir embora sem deixar cá nada. Temos de salvaguardar sempre o clube, quem estiver cá, tem de servir o Vila Real e não a servir-se dele, como se viu até agora. Tanto é que esta época estamos a recolher frutos.

BnR: Como é que chegou à presidência do clube?

FC: Eu via o clube sempre na miséria, com dívidas, os resultados não apareciam e eu meti-me nisto, primeiro em 2014 porque as contas eram pouco claras. Dois anos depois entrei nas eleições, não ganhei à primeira porque houve muita vigarice, houve cartões a votar quatro a cinco vezes. Eu perdi as eleições e recorri. O tribunal deu-me razão e houve eleições um ano depois. Éramos três candidatos e como eu já disse, apesar de eu só ter ganho por dois votos ao segundo, foi o Vila Real que ganhou e estamos aqui de corpo e alma para servir o clube.

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Fonte: Luís Barros/Bola na Rede

BnR: Quantos anos ainda tem na presidência do clube e quais são os objetivos para o tempo que resta? 

FC: São dois anos em cada mandato. Queremos alterar os estatutos para mais um ano, porque os estatutos atuais são antigos e não tem sentido ser conforme são. Tenho mais um ano e o objetivo principal é subir de divisão.

BnR: O que é que sente que falta a este Vila Real para poder dar o próximo passo?

FC: Faltam mais onze ou doze vitórias, para sermos campeões e darmos a vitória aos sócios que tanto merecem.

BnR: Até onde acha que este Vila Real pode chegar?

FC: Há muita gente que me diz que só paramos na primeira divisão, mas eu não. Tenho os pés assentes na terra porque o clube não tem estrutura para chegar à primeira liga. Não vale a pena sonhar com isso, só se sair o Euromilhões, como saiu ao presidente do GD Chaves. Se me saísse a mim, não diria que não faria uma loucura.

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Fonte: Luís Barros/Bola na Rede

BnR: Que imagem gostaria que os adeptos guardassem de si?

FC: Ainda me falta acabar este mandato. Tenho que dar uma imagem de transparência, que o Vila Real não tinha e credibilidade. Transparência, acima de tudo.

Foto de Capa: Luís Barros/Bola na Rede