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Sábado completar-se-ão 56 dias desde a lesão de Messi. 26 de setembro, 16h03, 73 mil espetadores nas bancadas, Messi entra na área sobre o lado direito, puxa para dentro e, no momento em que ia a rematar, um defesa coloca o pé à frente da bola, fazendo o remate sair prensado. Messi saltita quatro vezes, apoiando-se apenas na perna direita e cai. Pior: fica caído. Um adepto de apenas dez anos dá um ligeiro toque com o cotovelo para chamar a atenção do pai e faz-lhe sinal com a cabeça, apontando para o local onde está o argentino. Todo o estádio olha. O Camp Nou fica em silêncio por um segundo. A dor que o argentino sente no joelho esquerdo, os adeptos sentem-na no peito.

O jovem começa a gritar “Messi, Messi, Messi” e todo o estádio junta-se a ele, ajudando o seu craque da  única forma que pode. Passados uns momentos, Messi levanta-se e sai pelo seu próprio pé. “Uff”, ouve-se o Camp Nou suspirar. O argentino reentra em campo pouco depois e o estádio festeja como se de um golo se tratasse. Puro engano. Enquanto andava, ia calcando a relva, testando o joelho, e a sua cara anunciava más notícias. Pediu a bola, recebeu-a e devolveu logo a Piqué, de pé direito, fazendo o gesto definitivo: “Não dá”. Entregou a braçadeira de capitão ao central e sentou-se no chão a massajar o joelho.

Entre 73 mil caras apreensivas, o realizador não captou as duas únicas que estavam tranquilas: as de Neymar e Suárez, que já sabiam o que aí vinha. Nos nove jogos sem Messi (contando com o jogo frente ao Las Palmas, em que o argentino saiu logo no início), a dupla Neymar-Suárez foi responsável por 20 golos e quase fez esquecer Messi, não fora isso impossível.

Neymar e Suárez juntos frente ao Las Palmas Fonte: FC Barcelona
Neymar e Suárez juntos frente ao Las Palmas
Fonte: FC Barcelona

56 dias passados, o provável regresso do melhor marcador da história dos clássicos é um dos pontos de maior interesse do Real Madrid FC – FC Barcelona. O argentino deverá começar o jogo no banco e, quando, no início da segunda parte, se levantar para aquecer, um adepto de apenas dez anos dará um ligeiro toque com o cotovelo para chamar a atenção do pai e far-lhe-á sinal com a cabeça, apontando para o local onde está o argentino. Todo o estádio olhará. O Bernabéu ficará em silêncio por um segundo. Messi calcará o relvado e todo o estádio tremerá.

O jovem começará a gritar “Ronaldo, Ronaldo, Ronaldo”, mas mais ninguém se juntará a ele. Pode ser que o português o ouça, pegue na bola e, depois de fazer o golo, diga “Calma, que eu estou aqui”, enquanto aponta o próprio umbigo. Pode ser. Mas, se tivesse de apostar, diria que o que se vai passar será ligeiramente diferente: à entrada de Messi, Benítez responderá com muitas indicações gestuais a que ninguém fará caso e, depois, usará um pequeno lenço para secar o suor da testa. Entre os madridistas, especialmente os que estarão dentro de campo, não haverá um único tranquilo, porque já saberão o que aí vem. O Real vai recuar, recuar, e vai sofrer, tal como já aconteceu esta época frente ao Atlético de Madrid e frente ao Sevilha FC.

Assim sendo, à 12.ª jornada, o Real arrisca-se a ficar a seis pontos, tendo desaproveitado estes dois meses de ausência de Messi e o período em que Arda Turan e Aleix Vidal ainda não estão inscritos. A partir de janeiro, será ainda mais difícil travar o Barça.

Foto de Capa: L.F.Salas

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