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Depois de uma época quase perfeita, o Liverpool começaria a atacar o título novamente esta época; pelo menos, deveria.

Em primeiro lugar, usar a ausência de Suárez como desculpa. É certo que o uruguaio deixou um enorme vazio no ataque de Rodgers, mas deixou também nos cofres de Anfield mais de 80 milhões de euros.

Em segundo lugar, a longa lesão de Sturridge. Depois da tremenda época atacante do ano passado, na primeira metade da época restava apenas Sterling, um jovem que aos 20 anos se viu como abono de família de uma equipa que tinha o título em mente. Muito curto. Se Sturridge e Sterling tivessem jogado juntos todo o campeonato, acredito que a sua história pudesse ter sido um pouco diferente.

Em terceiro lugar, o azar na defesa. As temporadas soberbas de Mignolet no Sunderland, e mesmo a boa estreia no Liverpool, não faziam sequer pensar na possibilidade de este jogador se revelar tão inseguro durante grande parte da temporada. O pior é que a insegurança à sua frente era pior: Lovren está bem longe de valer os mais de 25 milhões de euros pagos pela sua transferência ao Southampton.

Em quarto lugar, a tática dos três centrais e dos três extremos. Foi assim o melhor período da época do Liverpool, mas esta equipa não pode jogar assim. É quase impossível pensar no título da Premier a jogar sem um ponta de lança e com três centrais na defesa, muito menos quando se abdica de um extremo para o meter a jogar no meio: extremos como Sterling, Markovic e Lallana.

Em quinto lugar, o principal problema do falhanço desportivo desta temporada: saber gastar dinheiro. Podemos dizer que o Liverpool sofreu do síndrome Gareth Bale. Lembram-se da primeira época do Tottenham pós-Bale? Com 100 milhões frescos, os responsáveis londrinos preferiram gastar 30 milhões em dois ou três jogadores de qualidade mas que não faziam em nada diferença em relação ao galês. No Liverpool passou-se exactamente a mesma coisa: com os 80 milhões de Suárez, adquiriram Markovic, Balotelli, Rickie Lambert, Lallana, e ainda Origi, que permanece por empréstimo no Lille, pela módica quantia de 94 milhões de euros, ou seja, ficaram tão deficitários em termos de qualidade como em termos financeiros.

Ainda não é desta que o Liverpool vence o campeonato, mas esta pode ter sido uma época muito importante para o clube de Anfield. Espero que o enorme erro que foi esta temporada sirva de exemplo a não seguir e que melhorem daqui em diante. Recuperar o dinheiro gasto vai ser difícil, mas um investimento num jogador de top mundial em vez de um em três ou quatro apenas bons seria uma boa maneira de atacar a época seguinte. Marco Reus é o jogador ideal para substituir Suárez. Goleador e bom a partir da esquerda para o meio, formaria uma tripla atacante de morte com Sturridge no meio e Sterling à direita.

Eu gostava que todos estes erros não existissem mais e que os adeptos do YNWA fizessem finalmente a festa inglesa, mas, tratando-se de um clube que ainda há poucos anos gastou mais de 40 milhões de euros num avançado chamado Andy Carroll, duvido de que consiga voltar ao que foi em 2013/14.

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