cab premier league liga inglesa

A pressão exerce sobre nós uma força estranha. Dependendo das personalidades (moldáveis, sempre!) de cada um, pode ser motivadora ou repulsiva. Há quem apenas consiga trabalhar se se vir “apertado” e, depois, cumprir prazos de entrega quando o relógio bate a meia-noite do dia designado e há aqueles que não dispensam a organização e que submetem os referidos trabalhos com muita antecedência depois de planear etapas que lhe permitam trabalhar com tranquilidade.

As primeiras pessoas sentir-se-ão mais aptas a agir no caso de uma emergência, por estarem habituadas à invasão do sentido de urgência, já as segundas poderão sentir mais dificuldade. Ambas se deparam com o famosíssimo dilema “luta ou fuga”. Umas são precavidas, e apesar de atingirem os objectivos tranquilamente, não conseguiram lutar contra uma adversidade inesperada, as outras serão mais flexíveis, ainda que seja preciso “apertar” com elas.

O futebol não escapa a esta analogia. No “nosso mundo” encontram-se inúmeros exemplos do efeito da pressão sobre uma entidade – pessoa ou clube -, que tanto pode cair numa espiral depressiva depois de não conseguir atender à imposição de vitórias levantada por adeptos e direcção como pode ficar motivada com o facto de precisar de vencer e haver margem para melhoria a cada fim-de-semana.

Inglaterra, como não podia deixar de ser, tem exemplos assim. Dentro dos que sucumbem ao poder da pressão, o do Blackpool é o mais flagrante. A equipa milita no segundo escalão (Championship) do país e encontra-se no último lugar, averbando 25 derrotas em 42 jogos disputados, nos quais sofreu 83 golos. Não resistiu à cobrança dos adeptos, e não consegue vencer desde 31 de Janeiro. A descida à League One (terceira divisão inglesa) está consumada.

Dentro dos exemplos positivos (que são muitos), aqueles em que a pressão exerce uma força motivadora, destaca-se o do Crystal Palace. No começo da temporada sabia-se da dificuldade de fazer jus ao legado de Tony Pulis e seus pupilos depois de a equipa ter acabado de subir de divisão e ter assegurado uma Premier League 2013/2014 tranquila, terminando a época num cenário longínquo daquele traçado pelos analistas desportivos.

Desde que a despromoção começou a pairar em Sellhurst Park, a equipa somou 25 pontos. O obreiro foi Alan Pardew.
Fonte: Facebook do Crystal Palace

O Palace começou a época com uma deslocação ao Emirates, tendo perdido de forma natural contra o Arsenal, depois compôs-se, mas acabou por entrar numa sequência de resultados negativos, somando apenas uma vitória entre Outubro de 2014 e Janeiro de 2015, terminando o ano na linha de água. A pressão no início do ano que corre era, portanto, grande. Não que fosse esperado mais desta equipa por parte da imprensa, mas a cobrança dos adeptos era, agora, maior, e a direcção, tendo noção do quanto tinha custado a subir, não quereria voltar a descer. Foi chamado Alan Pardew para substituir o treinador que começara a época, Neil Warnock. A equipa não tinha mudado a sua organização, mas o “mindset” passou a ser outro. Pardew passou a sua habilidade para saber lidar com a pressão para o balneário e todos os “nutrientes” necessários para a enfrentar.

Os resultados são claros como água: traçando uma linha temporal que se inicia na altura em que mudou de treinador e terminando no último fim-de-semana, o Palace é a segunda equipa que mais pontos somou na Premier League (25, atrás do Arsenal, que somou 30).

Tudo começou com o poder de saber lidar com as exigências dos adeptos e direcção, manifestadas nas vitórias sobre o Tottenham, Burnley e Southampton que lhe sucederam, e está agora à vista o que é que esta equipa é capaz de fazer na plenitude das suas capacidades, atravessando uma forma absolutamente fantástica, com quatro vitórias consecutivas, as últimas duas particularmente impressionantes. A primeira em casa, ante o campeão City, onde venceu, justamente, por 2-1, e a segunda no terreno do Sunderland, indo ao Stadium of Light golear os anfitriões por 4-1, exibindo-se a um nível tão alto que o treinador comparou a performance da sua equipa à da selecção brasileira. Yannick Bolasie foi a figura do encontro, apontando 3 golos, mas a segurança e a confiança desta equipa são as verdadeiras razões por detrás do excelente momento que atravessa, tendo a manutenção praticamente assegurada, com 16 pontos para a linha de água quando há 18 para disputar, e estando no 11º lugar em que terminaram a última época. Os Eagles, agora, apontam à superação dessa marca, que parecia uma meta inimaginável há três meses atrás.

Sem pressão e a habilidade de lidar com ela, não se conseguiria conceber um cenário semelhante.

Foto de Capa: Facebook do Crystal Palace

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