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O Brasil voltou a desiludir os seus adeptos, ao empatar a duas bolas, na Arena Pernambuco, frente ao Uruguai. Os “canarinhos” até estiveram a vencer por dois golos de diferença, mas deixaram fugir a vantagem e estiveram até perto de perder no final.

O escrete, orientado por Dunga, apresentou-se em campo com Neymar como homem mais adiantado, funcionando como “falso 9”, dado que veio muitas vezes buscar jogo atrás e libertando espaço para o aparecimento em zonas de finalização do trio de jogadores que o secundava: Willian, Renato Augusto e Douglas Costa. Este último entrou fulminante na partida, assinando o primeiro golo quando estavam decorridos apenas 41 segundos da mesma. Dunga não podia ter pedido melhor início, dado que o golo deixou um pouco abananados os elementos do Uruguai, que atuaram com uma dupla de centrais alternativa, com o “leão” Coates e Mauricio Victorino, devido à ausência do par “colchonero” Godín-Giménez. Arévalo Ríos e Vecino, os dois médios que jogavam à frente da defesa, também tiveram uma entrada complicada e tardia em jogo, permitindo que os criativos brasileiros jogassem com tempo e espaço nos últimos 40 metros de terreno.

Foi sem surpresa que o Brasil chegou ao segundo tento, por volta dos 26 minutos. Neymar fez um passe a rasgar a linha defensiva “celeste”, Álvaro Pereira, antigo lateral do FC Porto, teve uma fífia do tamanho do estádio e depois foi uma simulação de corpo mágica de Renato Augusto que deixou Muslera fora da jogada, permitindo uma finalização fácil ao médio “canarinho” que joga agora no futebol chinês. Com o marcador em 2-0, pensou-se que o Brasil ia dominar o resto do jogo a seu belo prazer. Puro engano. Os uruguaios conseguiram ainda reduzir na primeira parte, por intermédio de Edinson Cavani, após assistência de Carlos Sánchez. Esta jogada seria o prenúncio de uma noite para esquecer dos dois centrais “amarelos”, David Luiz e Miranda. Ambos tiveram falhas clamorosas e comprometedoras na segunda parte, que só não deram em golo devido ao desacerto do adversário e a algumas boas intervenções de Alisson, guardião que foi titular nas redes brasileiras.

Renato Augusto, sem tocar na bola, senta Muslera e atira para o 2-0 Fonte: FIFA World Cup
Renato Augusto, sem tocar na bola, senta Muslera e atira para o 2-0
Fonte: FIFA World Cup

Na segunda parte, assistiu-se a um jogo completamente distinto. Os uruguaios entraram melhor, bem mais pressionantes, e o treinador Óscar Tabárez soube neutralizar o fator chave do Brasil na primeira metade, que foram as constantes descidas de Neymar no terreno para lançar jogo, com as entradas dos médios em zonas claras de finalização. O treinador colocou Álvaro González no lugar do apagadíssimo, e bem nosso conhecido, Cristian “Cebola” Rodríguez, com a equipa visitante a lograr chegar ao empate logo à passagem do terceiro minuto após o reatamento. Álvaro Pereira viu bem o movimento de desmarcação de Suárez, que rematou forte para uma oposição fraca de Allison. A partir daí, os uruguaios conseguiram estar mais vezes instalados no meio campo brasileiro, com a bola a chegar mais vezes a Cavani e Suárez, que tinham estado muito desapoiados no primeiro tempo. Até ao final, destaque para duas coisas: a incapacidade, quase escandalosa, de Dunga de saber fazer alterações positivas para a sua equipa; e a exibição de Alisson, que compensou, com algumas boas defesas, as falhas constantes e graves de Miranda e David Luiz.

Com este resultado, os uruguaios alcançam o segundo lugar do grupo sul americano de apuramento para o Mundial 2018, apenas atrás do surpreendente Equador. Já os brasileiros chegaram aos oito pontos, os mesmos que têm a Argentina e o Paraguai, todos empatados na terceira posição.

Refira-se ainda que os “portugueses” Jonas e Maxi Pereira não jogaram. O brasileiro do Benfica não saiu do banco e o lateral direito do FC Porto não constou da ficha de jogo. O único jogador que atuou nesta partida e joga em Portugal foi Sebastián Coates, central do Sporting. O defesa leonino começou mal, embrulhado nos erros defensivos da sua equipa, mas, tal como os colegas, foi subindo de produção ao longo do encontro e ainda acabou por fazer uma mão cheia de cortes importantes, sempre utilizando o seu enorme porte físico para “varrer” o que aparecesse pela sua área.

A Figura:

Luis Suárez – O atacante do Barcelona quase não foi visto na primeira parte, mas só precisou de três minutos na segunda parte para deixar Miranda para trás e empatar a partida. Bateu cantos e livres, “brigou” pela bola com os adversários e foi muito inteligente num lance aos 86 minutos, adivinhando a falha de David Luiz. Contudo, depois permitiu a defesa de Alisson ao seu forte remate.

O Fora-de-Jogo:

Miranda e David Luiz – Os centrais “canarinhos” estiveram mal em campo, com alguma descoordenação e, acima de tudo, um grande excesso de erros primários, não forçados pelos adversários. Para uma seleção que deixa Thiago Silva de fora por opção, as alternativas têm de justificar essa escolha do treinador, que continua sem deslumbrar no comando técnico do escrete.

Foto de Capa: FIFA World Cup

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