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Longe de ser uma favorita a ganhar o Campeonato do Mundo, a selecção da Argélia chega ao seu 4º Mundial com a importante função de desestabilizar aquele que é o caminho dos chamados “favoritos”. Depois da surpresa no jogo contra a Inglaterra no Campeonato do Mundo, em 2010, em que conseguiu um empate e, na altura, alcançar a terceira posição do grupo, a Argélia foi a última selecção africana a qualificar-se para o Brasil. Por isso mesmo, a “inofensiva” selecção argelina é das mais perigosas deste Mundial, no que às aspirações das selecções mais fortes diz respeito. No grupo H, com a refrescada Bélgica, a Rússia e a Coreia do Sul, não é utópico considerar uma surpresa por parte da selecção africana, que apesar de tudo tem na sua orgânica jogadores com a escola europeia do futebol.

Com dois jogadores do campeonato português a marcarem presença nesta equipa (Ghilas, do FC Porto, e Slimani, Sporting), a selecção da Argélia viu na sua qualificação uma difícil barreira a ultrapassar. Num play-off contra o Burkina Faso, conseguiu virar uma derrota (3-2) na primeira mão, em vitória (1-0) na segunda, e alcançou pela segunda vez consecutiva a fase final de um Mundial.

A selecção da Argélia chega, por isso, ao Brasil sem aspirações maiores do que, como disse Slimani, “deixar a sua marca”. Vistas as coisas por esta perspectiva, este pode até ser um trunfo para o sucesso da caminhada argelina no Mundial.

OS CONVOCADOS

Guarda-Redes: Mohamed Zemmamouche (USM Alger), Rais Mbolhi (CSKA Sofia), Cedric Si Mohamed (CS Constantine)

Defesas: Carl Medjani (Valenciennes), Aissa Mandi (Reims), Madjid Bougherra (Lekhwiya), Faouzi Ghoulam (Napoli), Rafik Halliche (Academica Coimbra), Essaid Belkalem (Watford), Liassine Cadamuro (Majorque), Djamel Mesbah (Livourne), Mehdi Mostefa (Ajaccio)

Médios: 
Sofiane Feghouli (Valencia), Saphir Taider (Internazionale), Medhi Lacen (Getafe), Abdelmoumen Djabou (Club Africain), Yacine Brahimi (Grenade), Hassan Yebda (Udinese), Nabil Bentaleb (Tottenham), Riyad Mahrez (Leicester)

Atacantes:
 Islam Slimani (Sporting), Hilal Soudani (Dinamo Zagreb), Nabil Ghilas (Porto)

A ESTRELA

Saphir Taider Fonte: fedenerazzurra.com
Saphir Taider
Fonte: fedenerazzurra.com

Apesar de o vice-presidente da Federação Argelina de Futebol, Zefizef Djahid, ter dito que na sua selecção não há estrelas, há naturalmente jogadores a destacar. Pela técnica, por um lado, mas pela capacidade de alcançar campeonatos europeus mais competitivos. Jogadores como os defesas Carl Medjani, do Olympiacos e Djamel Mesbah, do Parma, os médios Sofiane Feghouli, do Valencia e Hassan Yebda, do Granada, e que já passou pelo Benfica, e os avançados Islam Slimani, do Sporting e Ishak Belfodil, do Inter são as grandes estrelas e as maiores referências desta selecção. No entanto, e apesar de o destaque natural e expectável ser Fehgouli, quis deixar esse lugar para o jovem médio do Inter de Milão Saphir Taider.

Destaco Taider pela juventude, pela promessa que representa e pelo percurso fulminante até chegar a Itália. Depois do Grenoble ter descido de divisão, Taider chegou ao Bolonha, de onde saiu para jogar no Inter de Milão, não sem antes ter passado pela Juventus. Apesar de ter nascido em França, optou por jogar na selecção argelina pela sua ligação em termos de ascendência. É do médio que podemos, digo eu, esperar os maiores desequilíbrios no Mundial do Brasil.

O TREINADOR

Vahid Halilhodžić
Vahid Halilhodžić
Fonte: planotatico.com

É o bósnio Vahid Halilhodžić que comanda a selecção argelina. Depois de ter passado por equipas como o Lille, o Rennes e o PSG, em França, o Trabzonspor, na Turquia e o Dínamo de Zagreb, na Croácia, passou ainda pela selecção da Costa do Marfim antes de chegar à frente dos destinos da selecção da Argélia. É, de resto, ele o responsável pela qualificação argelina para o Campeonato do Mundo. Esta foi a aposta da Federação Argelina numa maior coerência e estabilidade no que ao alcance de objectivos diz respeito. Halilhodžić trouxe essencialmente experiência e consistência à selecção do norte de África desde que assumiu o comando, em 2011.

O ESQUEMA TÁTICO

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O PONTO FORTE

A vontade e o colectivo são os pontos fortes desta selecção da Argélia. Uma equipa sem aspirações muito elevadas que faz da presença no Mundial em si um objectivo alcançado. Para além de ter jogadores dotados (de resto, fazendo uma análise macro – sem querer generalizar os jogadores do norte de África têm, por norma, uma técnica mais evoluída) teve a “sorte” de calhar num grupo que lhe permite sonhar com um lugar na fase a eliminar, embora este fosse, por defeito, um acontecimento improvável.

O PONTO FRACO

A selecção da Argélia é, apesar de tudo, uma selecção com uma organização e orgânica pouco definidos, com uma personalidade pouco vincada. Existe uma discrepância grande no que diz respeito ao ritmo de competição dos jogadores e aos próprios modelos de jogo nos respectivos clubes, o que não oferece a esta selecção uma consistência táctica suficiente para abordar o jogo com as selecções com que se vai deparar no plano teórico. Será uma questão de ver quanta força tem a raça.

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