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Diego Tardelli foi o herói improvável de um clássico fiel à rivalidade entre os dois países. O avançado do Atlético Mineiro marcou os dois golos da vitória brasileira sobre a Argentina no Estádio Nacional de Pequim, que foi o palco de um encontro particular disputado com grande intensidade e que de amigável teve pouco.

As duas selecções estão em momentos diferentes. A Argentina, apesar de Tata Martino ter substituído Sabella, procura dar continuidade à equipa que foi finalista no último Mundial, enquanto o Brasil, com Dunga no comando técnico, atravessa um período de renovação, depois do fracasso na competição que organizou. Os 11 escolhidos pelos dois treinadores confirmaram estas ideias. Em relação ao Mundial, só Lamela e Roberto Pereyra ganharam lugar na alviceleste; o cenário é bem diferente na canarinha, que teve Jefferson, Danilo, Miranda, Filipe Luís, Elias e Diego Tardelli como caras novas.

O Brasil apresentou-se bastante conservador neste encontro, dando a iniciativa de jogo à Argentina. A equipa de Dunga viu-se obrigada a recorrer inúmeras vezes à falta para travar a dinâmica do ataque argentino, que criou boas oportunidades para marcar mas que não teve pontaria para o fazer. Durante este período, Di María e Agüero estiveram em evidência, bem como Roberto Pereyra. O médio da Juve mostrou que tem qualidade para a selecção e que pode ser o médio de transição que tem faltado a esta equipa. Já depois da meia hora, e contra a corrente do jogo, o Brasil marcou na primeira vez que entrou na área argentina. Diego Tardelli, aproveitando um desentendimento entre Zabaleta e Fede Fernández, bateu Romero e fez o 1-0. O golo deu confiança à canarinha, que conseguiu finalmente soltar-se e ter ascendente sobre o adversário. Neymar, na sequência de uma grande jogada de entendimento com Willian (o melhor do Brasil na primeira parte) e Tardelli, teve uma grande arrancada e desperdiçou isolado a possibilidade de aumentar a vantagem. Ainda antes do intervalo, o árbitro decidiu entrar no jogo e assinalou penalty num corte limpo de Danilo sobre Di María. Messi, na conversão, permitiu a defesa de Jefferson, que evitou que a má decisão do árbitro tivesse influência no resultado.

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Desta vez, nem de penalty Messi conseguiu facturar
Fonte: globoesporte.globo.com

Na segunda parte o encontro foi mais dividido. A Argentina, a perder, tentou ir em busca do empate, mas nunca conseguiu mostrar a mesma qualidade que exibiu durante os primeiros 30 minutos (Gaitán não saiu do banco e as entradas de Pastore e Higuain não surtiram efeito). Com a equipa mais partida, consequência do facto de Roberto Pereyra (substituído por Enzo aos 76’) ter baixado de rendimento, a alviceleste surgiu em “modo Mundial” e viveu mais das iniciativas individuais dos seus craques. O Brasil manteve a consistência defensiva e, tendo mais espaço para jogar, foi a equipa mais perigosa em campo, com Neymar (em grande na segunda parte) e Willian a explorarem as fragilidades da defesa argentina. O 2-0 surgiu na sequência de um canto, com Tardelli a aparecer à boca da baliza a encostar. A partir daqui, o encontro perdeu qualidade e os jogadores envolveram-se em várias picardias. A Argentina só criou perigo através de livres de Messi, ao contrário do Brasil, que teve boas ocasiões para marcar novamente. Apesar de ter tido a felicidade do seu lado, com um golo “oferecido” e um penalty desperdiçado pelo adversário, a equipa de Dunga acabou por justificar o triunfo no Superclássico.

 

A Figura

Diego Tardelli – Não deve perder a titularidade nos próximos tempos. Para além dos dois golos que marcou, nos quais mostrou excelente sentido de oportunidade, o avançado provou que a sua mobilidade e qualidade técnica se encaixam bastante bem no ataque brasileiro (é totalmente diferente ter Tardelli ou um jogador mais estático, como Fred).

 

O Fora-de-Jogo

Demichelis e Federico Fernández – A zona central da defesa continua a ser o principal problema da equipa argentina. Por motivos diferentes, Demichelis e Federico Fernández não têm qualidade suficiente para jogar nos vice-campeões mundiais. Voltaram a demonstrar as suas limitações, tanto a nível individual como como dupla. A falta que fez Garay.

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