A CRÓNICA: SEM CR7, HOUVE JOTA PARA DAR E VENDER

O Estádio de Alvalade recebeu esta noite o segundo jogo entre portugueses e suecos para o grupo 3 da primeira divisão da Liga das Nações. À entrada para a quarta jornada, os selecionados de Fernando Santos estavam no primeiro lugar em igualdade pontual com os franceses, enquanto os nórdicos liderados por Janne Andersson ainda não tinham pontuado.

A vitória seria o objetivo principal, mas fazê-lo sem sofrer e com alguma margem no marcador traria mais segurança e conforto na liderança do grupo, o único lugar de apuramento para a fase final. E se o plano era mesmo esse, a sua aplicação resultou na perfeição.

Portugal mostrou-se confortável, criativo e decidido desde o apito inicial e aos quatro minutos já podia ter chegado ao golo por duas vezes; Jota serpenteou endiabrado e rematou ao lado, Danilo cabeceou ao poste. Na resposta, e ainda dentro dos cinco minutos iniciais, Lustig recolheu uma bola perdida num canto e podia gelar o ímpeto português, mas a bola saiu muito por cima.

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À passagem do minuto 20, a seleção das quinas passou das ameaças aos atos. Bruno Fernandes colou a bola à relva com uma receção hábil, serviu Diogo Jota e a mais recente contratação do Liverpool FC, de forma inteligente, assistiu Bernardo Silva para o primeiro golo da noite.

A superioridade portuguesa era ligeira, mas na hora de atacar a baliza foi tremendamente oposta à dos suecos. Em cima do intervalo, Cancelo descobriu Jota na frente com um passe  milimétrico a que o extremo respondeu com golo. A Suécia mostrava alguma capacidade para jogar no último terço, expondo em demasia a sua linha defensiva, mas o melhor que conseguiu fazer foi rematar ao poste, por Marcus Berg, ao minuto 35.

Na segunda parte inverteram-se os papéis e foram os suecos a entrar melhor, a criar mais perigo, falhando na finalização por má execução ou oposição de Danilo ou Pepe, principalmente. Até aos 60 minutos, Portugal baixou nitidamente as linhas e passou por minutos de algum sufoco, saindo uma ou outra vez em contra ataque mal aproveitado.

A partir de então, a seleção portuguesa voltou a assumir as rédeas do jogo e podia ter chegado ao terceiro golo por intermédio de João Félix. Isolado por Bruno Fernandes, o avançado do Atlético de Madrid galgou os metros finais e na cara de Olsen errou escandalosamente o alvo, para desespero do próprio, de Fernando Santos e dos poucos espectadores que já são permitidos nas bancadas.

O golo não tardou a aparecer e é caso para dizer que foi pelo suspeito do costume. A partir da ala esquerda, Diogo Jota, uma vez mais, sepenteou Johansson e os centrais e atirou junto ao poste, indefensável para Olsen. O bis corou uma exibição personalizada, com carácter e que vem provando o valor de Diogo Jota, tanto nas últimas exibições pela seleção, como no arranque prometedor no campeão inglês.

O cansaço apoderou-se de ambas as equipas – é preciso recordar que esta foi jornada tripla para Portugal, a contar com o amigável frente à Espanha – e as substituições acabaram por desmontar uma partida que esteve equilibrada em largos espaços do princípio da segunda parte.

Com esta vitória e a da França frente aos croatas, o topo do grupo é repartido com os gauleses, com os mesmos 10 pontos. Adivinha-se, portanto, uma jornada decisiva quando Portugal receber a França em novembro. Em caso de empate, o saldo de golos é favorável aos portugueses neste momento. Para já, missão cumprida com destaque para Jota lá na frente e Patrício e Pepe lá atrás.

 

A FIGURA

 

Diogo Jota – Tinha a difícil tarefa de substituir Ronaldo. Não faria o mesmo que o capitão da seleção nacional, mas ocuparia o lugar do jogador que marcou sete golos nos últimos oito que Portugal marcou à Suécia. A responsabilidade era grande, mas não assustou Jota, que assinou uma exibição para mais tarde recordar. Dois golos e uma assistência, mais um par de situações perigosas e só por ele o resultado podia ter chegado a goleada. Além disso, concretizou quatro dos cinco dribles que tentou.

O FORA DE JOGO

Robin Quaison – A seleção sueca tinha difícil tarefa neste grupo e um único golo em quatro jogos é prova disso mesmo – tento do inevitável Marcus Berg, na derrota na Croácia (2-1). Quaison assumiu hoje a titularidade pela seguda vez e defraudou completamente a aposta de Janne Andersson. Zero remates, um drible tentado e falhado, sete bolas perdidas e dois duelos perdidos.

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Fernando Santos alinhou no habitual 4-3-3 e, face à indisponibilidade de Cristiano Ronaldo, Diogo Jota foi promovido ao onze inicial. No entanto, a surpresa estava reservada à lateral direita; Cancelo assumiu o lugar de Nélson Semedo em relação ao empate do passado domingo, frente à França.

No trio do meio campo, Danilo atuou claramente mais recuado, enquanto William procurava equilibrar-se entre o duplo pivot e o apoio às aventuras ofensivas de Bruno Fernandes. Na frente, ao trio Félix/Jota/Bernardo não faltava criatividade nem mobilidade, já que nenhum se assumiu verdadeiramente como a referêcia ofensiva.

Com bola, em momento ofensivo, a seleção portuguesa apresentou argumentos de sobra para vencer e convencer na partida de hoje. A nota menos positiva coube à ação defensiva, em particular à permiabilidade do meio campo – ou falta dele – aquando das transições defensivas. Valeram Pepe e Patrício a resolver a maioria das situações.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Rui Patrício (7)

João Cancelo (6)

Pepe (7)

Rúben Dias (6)

Raphael Guerreiro (5)

Danilo Pereira (7)

William Carvalho (7)

Bruno Fernandes (6)

Diogo Jota (8)

João Félix (6)

Bernardo Silva (7)

SUBS UTILIZADOS

Podence (5)

André Silva (6)

João Moutinho (-)

Rafa Silva (-)

Renato Sanches (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SUÉCIA

A seleção sueca mudou três peças em relação ao onze que perdeu na Croácia, fazendo entrar Quaison, Bengtsson e Claesson para os lugares de Isak, Augustinsson e Forsberg, respetivamente.

Em situação defensiva, os suecos formaram duas linhas claras de quatro homens e que se transformava em 4-2-4 no momento de transição ofensiva. Foi precisamente nesse momento, o de saída para o ataque, que residiu o pricipal ponto fraco da Suécia. Apanhada muitas vezes descompensada, Lindelof e Pontus Jansson pouco podiam fazer com tanta criatividade no ataque adversário.

Lustig foi substituído por Mattias Johansson e não podia ter corrido pior; a partir de então, coincidência ou não, os contra ataques portugueses deram-se por aquele lado e sem qualquer oposição, com via aberta para o golo.

No ataque, Marcus Berg foi o ponto mais de toda a equipa; conseguiu procurar jogo e concluir na área por várias vezes. Esteve mais perto do golo na primeira parte, onde até enviou um tiro forte ao poste. A entrada de Isak tirou mais peso das costas de Berg, mas não veio a tempo de fazer a diferença.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Robin Olsen (5)

Mikael Lustig (6)

Victor Lindelof (5)

Pontus Jansson (5)

Pierre Bengtsson (6)

Albin Ekdal (6)

Kristoffer Olsson (6)

Viktor Claesson (7)

Dejan Kulusevski (6)

Marcus Berg (7)

Robin Quaison (4)

SUBS UTILIZADOS

Mattias Johansson (5)

Alexander Isak (6)

Sebastian Larsson (-)

Martin Olsson (-)