No Oeste confuso, uma equipa-surpresa tem emergido. Os Blazers, constantemente destinados a uma temporada de altos e baixos e a uma saída precoce na primeira ronda dos playoffs às mãos dos poderosos Warriors, são de repente os terceiros classificados da mais competitiva conferência da NBA. E a isso muito se deve a incrível capacidade de Damian Lillard aparecer nos últimos cinco minutos de cada partida.

Damian Lillard ganhou notoriedade quando, em 2014, mandou os Rockets de Harden e Howard para casa com um triplo em cima da buzina na primeira ronda dos playoffs. Era a primeira série ganha pelos Blazers nos playoffs em catorze anos e a primeira aparição nos grandes palcos de um base que ainda haveria de ser muitas vezes esquecido antes de chegar onde hoje chegou.

Na semana passada e a meio desta série de dez vitórias consecutivas, a turma de Portland encontrava-se em maus lençóis no Staples Center. Com os Lakers a vencerem perto do fim por sete pontos, Lillard reentrou em jogo. Em cerca de três minutos, Dame arrancou quatro triplos, três deles sem qualquer resposta do outro lado por parte dos Lakers e deu mais uma vitória aos Blazers. Lillard começou o quarto período com vinte pontos, mas acabaria a partida com 39, em mais uma demonstração da sua capacidade para tomar conta de um jogo.

O triplo após drible tem-se tornado a imagem de marca de Lillard
Fonte: NBA

Quem nunca viu os Blazers e assistir um jogo pela primeira vez, perguntar-se-á o porquê de Lillard não lançar a bola em todos os ataques da turma de Terry Stotts. Porque o basquetebol é mais complexo do que isso e porque por vezes estará tão marcado que os seus colegas terão os seus lançamentos. Mas nos últimos minutos do quarto período, podem crer que o basquetebol dos Blazers se torna nesse desporto em que a bola só quer estar nas mãos de Lillard. Com dois ou três defesas em cima, perto da linha de triplo ou a três metros da mesma, Dame vai ter a bola nas mãos e vai resolver o jogo.

Várias vezes subvalorizado por imprensa e adeptos, costumava haver razões para tal. Lillard não tem o drible de Irving, a explosividade de Westbrook, a longa distância de Curry ou a alternância entre tiro exterior e penetração de Harden. Mas o seu instinto mortífero não terá paralelo na NBA neste momento. É por isso que em Portland, quando alguém está a cinco minutos de terminar algo, se tornou obrigatório dizer “It’s Dame Time!”.

Foto de Capa: NBA

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Tem 22 anos, é natural de Paços de Ferreira e adepto do SL Benfica. Desde muito pequeno que é adepto de futebol, desporto que praticou até aos 13 anos, altura em que percebeu que não tinha jeito para a coisa. Decidiu então experimentar o basquetebol e acabou por ser amor à primeira vista. Jogou até ao verão passado na Juventude Pacense e tem o Curso de Grau I de treinador de basquetebol desde os 19. O gosto pela NBA surgiu logo quando começou a jogar basquetebol e tem vindo a crescer desde então, com foco especial nos Miami Heat.                                                                                                                                                 O António escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.