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ANGÉLICA BEM SUCEDIDA NUMA PROVA EM QUE O OURO FALOU PORTUGUÊS 

Concluída uma semana de grande emoção na natação pura, onde se quebraram vários recordes mundiais, era agora tempo de os nadadores/as de Águas Abertas iniciarem as hostilidades.

A prova teria como palco a Odaiba Marine Park em Tóquio, disputando-se sob condições demoníacas, sendo que as senhoras eram as primeiras a enfrentar o exigente percurso.

Seriam sete as voltas a terem de ser efetuadas pelas 25 guerreiras, num total de dez quilómetros.

Destaque-se os cerca de 30 graus de temperatura da água, com a do ar a fixar-se nos 27, para além da humidade, que se cifrava nos 86%.

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O primeiro objetivo a atingir pelas nadadoras seria superar as mais duras condições de uma competição na vertente de Águas Abertas, disciplina que apareceu pela primeira ocasião nos Jogos de Pequim, em 2008.

De entre as destemidas, destacava-se o nome de Angélica André, atleta do Clube Fluvial Portuense, que em Tóquio fazia a sua estreia, tendo a responsabilidade de defender a bandeira das quinas na modalidade de Natação – Águas Abertas.

Ainda de destacar a presença de uma praticante treinada por Ricardo Santos, no SL Benfica, e que representava a Argélia.

À partida para a mais dura prova de Natação, haviam alguns nomes a encabeçar o lote de maiores favoritas: uma delas, a campeã olímpica no Rio, a representante dos Países Baixos, Sharon Van Rouwendaal, que já atuara na Natação Pura na presente olimpíada na prova dos 200m costas.

No entanto, a holandesa não teria tarefa facilitada, pois a brasileira Ana Marcela Cunha também sonhava com a eternidade.

Quanto a Angélica, os objetivos passavam por tentar manter-se com as da frente durante o maior tempo que lhe fosse possível, não quebrando quando perdesse o contacto com o grupo da dianteira, esperando ser capaz de imprimir um ritmo que lhe possibilitasse concluir num lugar honroso.

Foi pelas 22h30, hora de Portugal continental, que as praticantes de Natação deram as primeiras braçadas, para uma competição tudo menos fácil e na qual a condição física desempenharia “papel-chave”.

Percorrida a volta inaugural, de cerca de dois quilómetros, ninguém parecia querer assumir as despesas da prova, com a mesma a ser lançada em moldes bastante equilibrados e que poderiam originar alguma surpresa.

Por esses instantes, Angélica ia tendo a virtude de conseguir aguentar no principal grupo, passando na primeira zona de abastecimento, por volta dos quatro quilómetros, bem integrada no top-10, mantendo assim bem vivas as suas legítimas ambições em representar condignamente a sua pátria.

O figurino foi-se mantendo idêntico até que, a meados da segunda volta, aquando do cumprimento de novo abastecimento, a norte-americana Michel e a canarinha Ana Marcela Cunha, optando por não cumprir tal situação, ganhavam assim uma vantagem face à mais direta concorrência.

Seria também com este “esticão” provocado pelo não cumprimento do abastecimento, estratégia muito vulgar neste tipo de compitas e replicada por mais nadadoras, daria origem ao fracionamento do pelotão em três: na dianteira, iam sendo cerca de 15 as atletas que mantinham o sonho de uma subida ao pódio.

A cerca de 30 segundos, ia estando um grupo perseguidor, no qual se ia integrando Angélica e mais uma série de atletas bem conceituadas. Mais atrasada ia “rodando” e fazendo a solo a sua competição a atleta argelina que, de certa forma, era outra competidora a ter debaixo de olho, pela sua ligação ao nosso país.

Contudo, e com o passar dos quilómetros, as favoritas iam-se perfilando como tal, com poucas a seguirem na pegada de Ana Marcela, campeã mundial da especialidade em 2017. Bem como de Sharon Van Rouwendaal, atleta que parecia ser a única com capacidade para disputar e tentar “roubar” o ouro à representante brasileira, que ambicionava ser a primeira a resgatar o metal para o “país do samba” nesta especialidade em Jogos Olímpicos.

Angélica, revelando grande serenidade, maturidade competitiva e grande espírito de compromisso, não se deixava esmorecer, isto mesmo após pela metade da prova ter perdido bastante tempo para o grupo da frente, hipotecando, deste modo, as suas aspirações a um lugar entre as dez primeiras.

Apesar das adversidades provocadas por um ritmo bastante forte ao qual a atleta norte-americana sucumbiria, a lusitana, beneficiando de uma espetacular reta final, na qual “trepou” bastantes posições, terminaria em 17º posto, igualando assim o melhor registo de sempre, obtido por Daniela Inácio na estreia da prova em certames olímpicos.

De mencionar que a atleta de 26 anos, natural da cidade Invicta, concluiu a exigente e demoníaca competição em 2.4.40h, a cerca de cinco minutos da líder.

O ouro, esse, ficaria na posse de Ana Marcela Cunha, que em tempos de pandemia se havia refugiado em Portugal, onde nas piscinas do Jamor treinou para tão grandioso momento.

A representante do país irmão garantiria a vitória mesmo sob a linha de meta, ao impor-se na chegada ante Sharon Van Rouwendaal que, desta forma, cedeu o seu título olímpico à desportista brasileira, perdendo-o por escassas milésimas de segundo. Já em posição de bronze ficaria a grande surpresa deste pódio na Natação, a australiana, de somente 21 anos, Kareena Lee.

Quanto aos tempos realizados, a vencedora conseguia o feito de cumprir aquele que seria reconhecido de forma unânime como o percurso mais duro de sempre em 1.59.30h, com a medalhada de prata a registar mais 20 milésimas.

Kareena Lee, a  primeira mulher do seu país a conquistar um lugar de tamanha magnitude em certames do género, ficaria a dois segundos do ouro, dando assim novo metal a um dos países mais bem sucedidos na piscina no decurso da presente olimpíada.

Foto de capa: COP

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