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Ainda não ouviu falar de Cristiano de Oliveira Pinto? Certamente que irá ouvir. O Bola na Rede falou com uma cara conhecida de alguns no ténis português, e um nome em ascensão mesmo aqui ao lado, em Espanha. Desde jogar ténis com uma tábua de bater bifes ao “frango vivo” com o Guga, passando pelas “sacanagens” de que foi alvo em Portugal, as semelhanças entre o Clube de Ténis de Évora e o Sport Lisboa e Benfica, ao seu atleta que “vai ser número 1 do mundo”, conversámos com este contador de histórias nato que promete não ficar por aqui e continuar a trabalhar para cumprir os seus sonhos, e o dos seus atletas.

Bola na Rede: Vamos começar pelo início. Como foi o teu primeiro contacto com o ténis?

Cristiano Pinto: Tudo começou em Belo Horizonte, Minas Gerais onde vivia. Um dia um vizinho, que era segurança de um clube de ténis privado chegou lá à nossa rua com uma bola verdinha, bonita para caramba. Fiquei emocionado com aquilo, disse-lhe que queria uma igual. Quando tinha 9 anos, acabei por ser convidado pelo dono desse clube para ser apanha-bolas nos treinos dos mais velhos, e nunca vi isso como um trabalho: brincava o tempo todo e ainda recebia algum dinheiro. Aos domingos, quando o clube fechava, lá pulávamos o muro e tentávamos jogar, mas como não tinha raquete, comecei por jogar com a mão, até que tive a ideia de pegar na tábua de bater bifes da minha mãe e jogar com aquilo. O campo de ténis era uma Disneyland para nós.

Da esquerda para a direita: Pedro Braga, Larri Passos, Gustavo Kuerten (Guga) e Cristiano Pinto
Da esquerda para a direita: Pedro Braga, Larri Passos, Gustavo Kuerten (Guga) e Cristiano Pinto

BnR: E quando chegas a treinador?

CP: Houve um dia, quando eu já tinha sido promovido a bate-bola, que uns alunos disseram que o seu professor ia faltar, e eu dei o treino de substituição. Foi o início do meu sonho, ser treinador, porque nunca quis ser jogador na vida, só treinador. Depois disso, fiquei nesse clube de ténis como treinador auxiliar numa das melhores equipas jovens de Minas Gerais, e foi aí que conheci o Pedro Braga.

BnR: Pedro Braga?

CP: O Pedro Braga era na altura um dos melhores juvenis do Brasil, e era muito amigo do Guga (Gustavo Kuerten), que chegava inclusive a ir treinar ao nosso clube. Entretanto, o Pedro chegou quase aos primeiros 700 do ranking ATP, e procurou-me para ser seu treinador. A parceria foi dando certo até ao ponto de o Guga, na altura já número 1 do mundo, nos convidar para a sua pré-temporada em Florianópolis, na Academia do Larri Passos.

BnR: E como foi essa experiência?
CP: 
Quando cheguei à Academia fiquei espantado com a boa receção, o Larri tratou-me super bem, o Guga sabia o meu nome e eu estava tão nervoso com tudo aquilo que nem sabia o que fazer dentro do court com os atletas. Houve até um dia em que me sentei sozinho num canto a almoçar e o Guga se aproximou e sentou-se ao meu lado a almoçar. O meu braço tremia tanto que acabei por bater no meu prato e entornar toda a comida em cima de mim. O Guga foi muito simpático até fez piada disso:” Então Cristiano, seu frango ‘tá vivo mesmo hein?” [risos]

É uma pessoa que apesar de ter alcançado o que alcançou, dá uma lição de humildade e simplicidade a muitas pessoas. Bastantes anos depois, já eu vivia na Europa, o Guga estava no torneio francês Le Petit As numa sessão de autógrafos e dois atletas do meu clube foram falar com ele. O Guga não só lhes deu autógrafos como os levou para a zona restrita, pediu um telefone e me ligou, para contar o que se estava a passar. Nem acreditei, julguei que era “pegadinha”.

 

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