O Vitória Futebol Clube está neste momento a passar por uma fase, no mínimo, estranha. Depois de ter demitido Sandro Mendes, treinador que estava no clube desde Janeiro, a 26 de outubro, o Vitória FC ainda não anunciou quem será o substituto, estando no lugar, de modo interino, Albert Meyong.

Mas vamos por partes: a demissão de Sandro foi justa? Eu não vejo os treinos, mas o que sei, como observador, é que o Vitória FC tem, objetivamente, um dos elencos com mais vulnerabilidades da nossa Liga. É certo que era um técnico com pouca experiência ao mais alto nível, mas apesar dos seus pupilos não concretizarem as hipóteses que conseguiam criar, elas iam surgindo. Outro dos pontos positivos era que mantinha, muitas vezes, a baliza a zeros.

Porém, os treinadores vivem de resultados e estes não estavam a surgir. Infelizmente é uma decisão muito recorrente no futebol actual. Surge então Meyong, um dos ex-craques históricos do Vitória FC, antigo goleador implacável, que faz dois jogos e conquista dois pontos. O futebol é de facto imprevisível e, mesmo a equipa tendo jogado pior, em relação ao que jogava com Sandro, os resultados apareceram e, neste momento, respira-se melhor em Setúbal: ocupam o 11º lugar, com 12 pontos conquistados, sete acima da “linha de água”.

Albert Meyong, a dar o treino aos atletas setubalenses
Fonte: Vitória FC

Posto isto, dos nomes que têm sido avançados: Renato Paiva, Daniel Ramos e agora mais recentemente, Julio Velázquez, creio que o vila-condense seria o homem indicado para tentar manter este histórico clube na primeira divisão do futebol nacional. Olhando para a carreira de Daniel Ramos, constato que não é um treinador que coloca as suas equipas a jogar de forma muito exuberante, mas que consegue os pontos nas partidas do “seu campeonato”. Se olharmos para o plantel do Vitória FC, parece-me lógico que a ideia passa por manter o bom trabalho feito no processo defensivo e tentar trabalhar numa transição ofensiva mais objetiva e que… chute mais (e melhor) à baliza.

A sua passagem pelo insulares CD Santa Clara – ainda que curta – e CS Marítimo, onde ficou por três anos, demonstrou que é um treinador muito à medida da nossa Primeira Liga Portuguesa. Concentrado na defesa, construindo normalmente equipas robustas fisicamente, com jogadores rápidos na frente… No fundo, alguém que prefere ganhar por 1-0 do que 3-2. Quando lhe deram projetos mais ambiciosos, como foi o caso do CD Chaves e do Rio Ave FC, não conseguiu “durar” um longo período, acabando por rescindir sempre antes do final do contrato. Creio que isto se deve à pesada herança dos treinadores que o antecederam nesses clubes, que os colocavam a jogar um futebol apelativo, com planteis equilibrados e muito bem construídos.

Seja quem for o homem que ficará ao leme do Vitória FC, é consensual que os sadinos são uma das principais instituições futebolísticas da nossa Primeira Liga Portuguesa e o nome que tomará conta dos destinos do clube vai ter uma dura tarefa pela frente: manter o Vitória FC no convívio dos grandes.

O próximo jogo é na casa do Rio Ave FC, uma deslocação sempre difícil, e depois o campeonato para devido aos compromissos de seleções. Deverá ser aqui que será tomada uma decisão final sobre este dossier, pelo presidente do Vitória FC.

Foto de Capa: Vitória FC

 

 

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