Sporting Clube de Portugal e Sport Clube Portimonense são protagonistas do penúltimo encontro da 24ª jornada da Liga NOS. A possibilidade de atingir o terceiro lugar da tabela classificativa ainda é viável, mesmo com a vitória tangencial (1-2) da turma bracarense, esta tarde, no Estádio dos Arcos.

Nos Barreiros, na jornada anterior, Marcel Keizer adotou o sistema 3x5x2 à semelhança do que acontecera em Espanha, diante do Villarreal, e em Alvalade, no triunfo sobre o SC Braga, surpreendendo e destilando perplexidade quer aos sportinguistas quer a toda a legião adversária.

Hoje, porém, o técnico leonino coloca o quarteto defensivo que vigorava outrora, com destaque para o regresso de Mathieu, devido ao castigo de Coates, e a utilização de Acuña, fazendo descansar Borja, a lateral esquerdo; no cerne leonino nada se altera e, no setor mais adiantado, Raphinha assume a titularidade e posterior confiança depositada pelo treinador leonino. Do lado algarvio, o foco localiza-se na ausência de Jackson Martínez e no regresso de Paulinho: António Folha visitava Alvalade e sistematizava o 4x3x3.

O apito inicial fez-se sentir e, após quatro minutos de pressão alta e de linhas subidas, Bruno Fernandes ingressa na ala direita e cruza para Diaby, mas o maliano atrapalha-se e deixa-se intercetar pelo central algarvio, Possignolo. Bruno Fernandes, cinco minutos mais tarde, após trivela a relembrar Quaresma, coloca em Raphinha, que atira para defesa de Ferreira: na sequência do pontapé de canto, Diaby cabeceia ao estilo de “Mário Jardel” e inaugura o marcador: 1-0 em Alvalade. Bola ao centro, recuperação leonina, bola nos pés do “oito” leonino, desfecho trágico: o médio isola, num passe milimétrico, Raphinha que, num tiro portentoso de pé direito, amplia a vantagem. Estavam apenas decorridos 12 minutos e o placard já ditava 2-0.

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Os pupilos de Keizer eram vorazes e moderadamente agressivos na procura e conquista da bola, trocando-a sem rodriguinhos, apostando constantemente na velocidade. Contudo, ao minuto 21, os algarvios, ao longo do flanco direito, calcorrearam e inquietaram a baliza à guarda de Renan após remate de Tabata e recarga de Paulinho, magistralmente impedida por Mathieu: primeira oportunidade de golo flagrante para a turma do SC Portimonense. O guardião leonino, cinco minutos volvidos, agarrava o vólei de Lucas, numa demonstração de confiança e tranquilidade. O 25 originário de Portimão parecia ser o mais inconformado e, num livre frontal à baliza leonina, atira forte, fazendo rasar a bola junto do poste direito.

A desconcentração assumiu contornos mais elevados na formação leonina e Paulinho, à meia hora de jogo, reduziu (2-1), num remate rasteiro junto do poste esquerdo. Falha na comunicação e ausência de agressividade traduziam-se em passividade e devolviam os pupilos de António Folha ao jogo. Aos 33, a incursão do camisola 21 leonino no lado direito, após (mais um) passe de Bruno Fernandes, resulta num cruzamento para Bas Dost, que simula e induz em erro Possignolo, sobrando para Diaby que não dá o seguimento mortífero à jogada.

O SC Portimonense reagia positivamente aos golos sofridos materializando o perigo em alguns contragolpes. A matreirice característica e vincada ao longo da época era notória.

O término da primeira metade foi alucinante e impróprio para cardíacos: primeiramente, Mathieu e Acuna desentendem-se e perdem a bola a meio campo e, após rasgo no flanco esquerdo leonino, Paulinho remata para defesa de Renan, a bola sobra para Boa Morte e este, de pé esquerdo, atira rasteiro para contorcionismo impressionante do guarda-redes dos leões; segundos volvidos, Lucas, atrevido, envia uma bomba à barra da baliza, estremecendo-a e afligindo a massa adepta leonina; na jogada seguinte, e no último lance da primeira parte, pedia-se frieza e narcisismo a Bas Dost que, frente a frente com o último homem de Portimão, tenta assistir, disparatada e literalmente, o vazio.

Raphinha assinou o início fulgurante dos leões
Fonte: Liga Portugal

O equilíbrio era nota dominante e os lances de perigo igualmente distribuídos. Pedia-se, aos leões, entrega, alma e atitude digna de Rei da Selva para o tempo restante.

O lado esquerdo leonino, após o começo da segunda parte, era tido como corredor predileto de modo a orquestrar e delinear ataques à baliza algarvia; contudo, a defesa adversária dava sinais de tranquilidade e de vitalidade. O número nove leonino protagonizava e ameaçava, com frequência, a baliza à guarda de Ferreira através de cruzamentos arqueados e venenosos.

Ao minuto 73, Bruno Fernandes, ele e sempre ele, a passe de Wendel, ludibria Possignolo, central algarvio, e remata para estirada brilhante de Ricardo Ferreira. Por sua vez, o SC Portimonense chegava, com relativa facilidade ao setor mais recuado leonino; porém, o último passe não era bem-sucedido e a eficácia completamente redutora.

Decorridos seis minutos, Mathieu e Wendel conduziram um contra-ataque ao qual (novamente) Diaby não fazia surtir efeito.

No 87º minuto da partida, o camisola oito leonino é carregado em falta por Ruster na grande área, após cruzamento de Ristovski. Na conversão, Bruno Fernandes, com a classe que lhe é característica, coloca a bola no lado oposto ao movimento do guarda-redes algarvio. A tranquilidade era restaurada em Alvalade, carimbada e solidificada a vitória, esvaindo a possibilidade de igualar a partida por parte da turma de Portimão.

A primeira metade foi dona de uma intensidade e fulgor avassaladores ao contrário da segunda, trivializada nos duelos a meio campo, nas faltas estratégicas e na ausência de igual emoção devido à contenção de ambas as equipas. O cansaço e falta de ritmo surgiram altivos, nomeadamente na equipa leonina, pelo desgaste sofrido no decorrer da época. Salva-se o triunfo e a exibição (uma vez mais) daquele que é o petróleo em estado bruto: Bruno Fernandes.

ONZES E SUBSTITUIÇÕES:

Sporting CP: Renan, Ristovski, Ilori, Mathieu, Acuna, Wendel (Francisco Geraldes, 89`), Gudelj, B. Fernandes, Diaby, Dost (Luiz Phellype, 59`) e Raphinha (I. Doumbia, 72`).

Portimonense SC: R. Ferreira, Tormena (Paulinho, 71`), Possignolo, Jadson (Ruben, 35`), Henrique, Paulinho, Pedro Sá, Wellington Carvalho, Lucas, Tabata (Ruster, 81`) e Boa Morte.