A CRÓNICA: AROUQUENSES A SEIS VELOCIDADES FIZERAM IMPERAR O RIGOR

A quatro jogos do fim da Segunda Liga, Académica OAF e FC Arouca jogavam no Estádio Cidade de Coimbra uma cartada decisiva no desejo de ambas as equipas subirem ao escalão principal do futebol português. Há seis jogos sem perder, cinco a ganhar consecutivamente, o Arouca carregava às costas as suas ambições e as do Estoril, que aguardava que a Briosa deslizasse para assegurar o regresso à Primeira Liga.

Os estudantes entraram com a intenção de assumir o jogo, mesmo que muita da posse de bola que iam tendo fosse consentida pelo Arouca. No entanto, era o Arouca quem tinha a lição bem estudada. O primeiro sinal foi dado com um cabeceamento de Pité que passou ligeiramente ao lado

A boa definição dos momentos de pressão dos arouquenses causou transtornos à Académica. Daí, após um erro forçado na primeira fase de construção da Briosa, nasceu o golo de Arsénio que abriu o marcador.

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O primeiro grande sinal de perigo da Académica só apareceu mesmo em cima do intervalo. Bouldini correu desde o meio-campo isolado, mas foi demasiado lento no momento de rematar à baliza. Ao intervalo, esfregava as mãos o Estoril.

Na segunda parte, o fio de jogo manteve-se. A Académica não teve ideias para desbloquear a excelente organização defensiva do Arouca e, apesar de ter a bola no seu poder, não era capaz de transformar a posse em lances de perigo. Aliás, o Arouca, ansioso por contra-atacar, manteve-se vertiginoso o suficiente para não se desaparecer do jogo.

O apoio dos adeptos vindo do exterior do estádio não foi suficiente para a Académica virar o resultado e o Arouca acabou mesmo por vencer pela sexta vez consecutiva, somando três pontos fundamentais para a sua luta e ascendendo ao terceiro lugar. O Estoril regressa à Primeira Liga.

 

A FIGURA

Leandro Silva – Forte a recuperar, seguro a defender e um autêntico ponto equilibrador da equipa nos momentos de transição. O médio português contou com a ajuda de Pedro Moreira na contenção das investidas adversárias, mas foi ele quem mais se destacou na equipa arouquense. Boa parte das jogadas que o Arouca construiu saíram dos pés (e do cérebro) dele. Jogos em que não se marcam golos, mas que valem pontos, muito importantes por sinal.

 

O FORA DE JOGO

Diogo Pereira – Não foi um jogo bem conseguido por parte de Diogo Pereira, tanto que não foi de admirar a sua substituição (por Mimito) sensivelmente a meio do segundo tempo. O médio português perdeu algumas bolas nos processos de transição e impossibilitou que a Académica pudesse ter maior fluidez pelo corredor central. Além disso, nem sempre teve o critério mais adequado a fazer triangulações com os colegas.

 

ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICA OAF

Em relação à última jornada, Rui Borges procedeu a duas trocas na equipa inicial, com as colocações de Chaby e Bruno Teles nos lugares de Fabinho e Fabiano, respetivamente, mantendo as mesmas rotinas e bases táticas das jornadas anteriores.

Alinhados em 4-2-3-1, os estudantes não tiveram uma entrada propriamente feliz no encontro e permitiram que o adversário se apoderasse da bola nos primeiros minutos. As dificuldades em furar a defesa adversária foram evidentes, às quais se juntaram, por vezes, construções precipitadas a partir de trás – uma deu golo, por exemplo. Ainda assim, a Académica tentou imprimir as suas habituais dinâmicas de jogo, com uma particular aposta na profundidade pelas alas e tentativas de cruzamento para a área – fruto de investidas laterais apoiadas –, principalmente no segundo tempo. Aí várias foram as vezes em que Ricardo Dias desceu no terreno para uma saída a três com os laterais projetados, mas nem sempre com o devido seguimento lá na frente, apesar da maior largura no terreno.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Mika (5)

Mike (6)

Zé Castro (6)

Rafael Vieira (5)

Bruno Teles (6)

Ricardo Dias (5)

Diogo Pereira (5)

Filipe Chaby (7)

Traquina (5)

Leandro Sanca (6)

Mohammed Bouldini (6)

SUBS UTILIZADOS

Mayambela (5)

Mimito (5)

Fábio Vianna (-)

Dani Costa (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC AROUCA

Em equipa que ganha não se mexe e terá sido essa a premissa à qual Armando Evangelista se agarrou, tendo optado por apostar exatamente no mesmo “onze” que derrotou a UD Vilafranquense por 3-0 na jornada anterior. Algo que foi possível verificar nos últimos cinco duelos, com exceção de um jogo com uma troca forçada no meio campo de Pedro Moreira por Marco Soares.

A jogar em 4-4-2, a formação arouquense apostou essencialmente num jogo visivelmente ligado entre setores, com destaque para as triangulações e incursões pelos corredores. No setor intermédio, Leandro e Pedro Moreira foram preponderantes a equilibrar a equipa no processo de transição. A equipa visitante apresentou-se com as linhas mais altas e bastante compactas, tapando todas as possibilidades da Académica em jogar entrelinhas quando o jogo lateral nem sempre era bem-sucedido. Na segunda parte, o Arouca só conseguiu levar a bola à área contrária a partir de contra-ataques, tendo-se fechado muito bem lá atrás. E foi precisamente essa a chave do encontro em que, mesmo com uma posse de bola inferior, serviu para controlar o ritmo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Victor Braga (6)

Joel (6)

Sema Velázquez (7)

João Basso (7)

Thales Oleques (5)

Leandro Silva (8)

Pedro Moreira (6)

Pité (6)

Arsénio (7)

Bukia (7)

André Silva (6)

SUBS UTILIZADOS

Adílio (5)

Ofori (5)

Heliardo (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

ACADÉMICA OAF

BnR: Ao contrário do que é habitual, a Académica optou por uma saída declaradamente a três (com Ricardo Dias a baixar entre os centrais ou o Bruno Teles para o lado esquerdo), o que é que procurava com esta dinâmica?

Rui Borges: É algo que nós temos dentro daquilo que são as nossas dinâmicas, dentro da nossa ideia de jogo. Aconteceu mais vezes quando a equipa adversária estava mais baixa, foi por aí que tentámos ganhar linhas mais fundas, mais largura e maior profundidade. Exageramos talvez no passe interior e condução, mas nas vezes que acelerámos por fora conseguimos cruzamentos. E lá está, o erro saiu-nos caro, aconteceu cedo… E nós não tivemos a plena capacidade de ultrapassar a linha sólida deles. Tivemos sempre algum critério, mais na segunda parte, mas não conseguimos e isso também é mérito do adversário.

 

FC AROUCA

BnR: À semelhança do que se sucedeu em jogos anteriores, o míster optou por proceder a substituições iguais (Bukia por Adílio, André Silva por Heliardo). Sente que estas são trocas que acabam por manter as mesmas rotinas e dinâmicas da equipa consoante os mais variados momentos do jogo?

Armando Evangelista: O Adílio porque, não é que o Bukia estivesse mal, mas o Bukia teve um desgaste enorme na primeira parte. Precisávamos de fechar o corredor, porque a Académica nos obrigou e era necessário ter um homem mais fresco para isso e para poder sair. O Heliardo foi para refrescar a pressão à saída de bola e assim impedir que o portador não se sentisse confortável para progredir.

 

Artigo com opinião de Francisco Grácio Martins e Miguel Simões

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