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A Final da Taça de Portugal tem sempre magia vista das bancadas. Restava para ver se o espetáculo que era feito pelos adeptos se transpunha para o relvado. Uma Taça que Sporting CP e FC Porto queriam muito no seu palmarés, depois de ambos terem perdido a corrida pelo título esta temporada. Ambos os emblemas procuravam então vencer aquela que é a segunda prova mais importante em Portugal. E tudo se iria decidir hoje.

As duas equipas entraram em campo com a vontade de marcar cedo, e o Porto teve perto de inaugurar logo aos 6 minutos: Marega recuperou uma bola perto da área sportinguista, cruzou e a bola foi parar ao Soares, que obrigou Renan a fazer a primeira grande defesa da tarde. Três minutos depois, foi Bruno Fernandes a disparar para uma intervenção segura de Vaná.

O jogo entrou depois num ritmo um pouco mais lento, e só haveria de ganhar interesse ao minuto 22 com o golo de Marega, que, inicialmente, fez saltar de alegria os adeptos portistas, contudo essa alegria foi de curta duração, já que o árbitro Jorge Sousa, auxiliado pelo VAR, anulou o tento ao maliano. Bruno Fernandes voltou a ter oportunidade para fazer o primeiro no marcador aos 29’, mas o seu remate saiu desviado, após cruzamento de Diaby.

O jogo ia desenrolando a um ritmo elevado, muitas vezes nem sempre bem jogado, até que o Porto voltou a introduzir a bola dentro da baliza do Sporting já à entrada para os últimos cinco minutos do primeiro tempo: após livre do lado esquerdo batido por Alex Telles, a bola foi ter aos pés de Herrera que cruzou para Soares cabecear para o 0-1 no Jamor. Jorge Sousa voltaria a consultar o VAR para ver se tinha havido alguma irregularidade no lance, mas o golo contou mesmo.

Tiquinho Soares não esqueceu Iker Casillas no momento do 1-0
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

O Sporting não se foi abaixo e respondeu de imediato pelo suspeito do costume: Bruno Fernandes, servido à entrada da área por Marcos Acuña, rematou para o canto inferior direito da baliza de Vaná que nem se mexeu. O empate perto do intervalo era justo face ao que se foi verificando durante a primeira parte. Expectava-se um segundo tempo de grande qualidade!

O segundo tempo começou repartido com oportunidades para ambos os lados: depois de um cruzamento de Bruno Fernandes, Luiz Phellype desperdiça aos 46 minutos mesmo em frente à baliza. No minuto seguinte, foi a vez do Porto criar perigo. Soares, pela esquerda, remata mas a bola vai parar ao poste. Um lance diferente, mas o mesmo protagonista: mais uma vez pela esquerda, Soares remata forte, mas o esférico passa ao lado da baliza de Renan.

Foi um início da segunda parte mais positivo por parte da equipa dos “dragões”. Aos 61 minutos, Marega tem uma oportunidade para marcar o 2-1, mas valeu ao Sporting o central Jérémy Mathieu faz o alívio para fora da área.

Aos 70 minutos, Brahimi levou a melhor no um contra um com Ilori, mas na altura do remate faltou pontaria ao número oito dos portistas. A equipa de Sérgio Conceição continuava a ter mais oportunidades, mas as falhas no último terço não lhe permitiram chegar à vantagem. A equipa de Alvalade respondeu à supremacia portista aos 76 minutos quando Wendel, à entrada da área, remata rasteiro, mas a bola passa para lá do poste.

Numa altura em que o Sporting estava a começar a dar alguma resposta, um erro de Renan Ribeiro comprometeu a equipa “leonina”. Aos 78 minutos, o brasileiro faz um mau passe e a bola vai parar a um dos jogadores portistas. Herrera ainda tenta aproveitar, mas o guarda-redes redime-se do seu erro e defende a bola que tinha perdido instantes antes.

Mathieu fez uma exibição quase irrepreensível no eixo da defesa leonina
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Com os minutos finais a aproximarem-se, as duas equipas começaram-se a resguardar um pouco e, graças a isso, o jogo perdeu um pouco de ritmo. Ainda assim, aos 86’ Éder Militão teve oportunidade de dar a vantagem à sua equipa, mas o remate sai à figura.

Já para lá do período regulamentar, aos 91 minutos, Brahimi desequilibra pela esquerda, mas valeu Renan atento para salvar o Sporting de sofrer o segundo. Os instantes finais da partida continuaram a ser do domínio dos “dragões”, mas os azuis e brancos não conseguiram materializar a sua superioridade em golos. As duas equipas acabavam, assim, o jogo empatado a duas bolas, onde se tudo iria decidir para lá dos 90 minutos.

A primeira parte do prolongamento não teve muito para contar. Foi um período de contenção por parte das duas equipas, que preferiram não arriscar numa fase decisiva do jogo. Um erro poderia deitar tudo por água abaixo e ambos os conjuntos tinham plena noção disso. Acontece que o erro veio por parte da equipa portista aos 101 minutos, onde Bas Dost aproveitou e colocou a equipa verde-e-branca em vantagem.

O Porto tentou logo responder por intermédio de Adrán Lopez instantes seguintes. O remate foi forte, mas o guarda-redes dos “leões” estava atento e defendeu a bola. A equipa portista começou a jogar mais com o coração do que com a cabeça e isso em nada favoreceu as suas aspirações.

No segundo tempo do prolongamento, os “dragões” assumiram uma postura mais ofensiva desde o apito inicial de Jorge Sousa para o recomeço do encontro, mas começava a faltar alguma capacidade de raciocino, dado que o Porto já jogava “mais com o coração do que a cabeça”, e quando isso acontece acaba por ser difícil conseguir uma jogada bem construída. O Sporting limitava-se a fechar os caminhos da baliza de Renan de qualquer forma, e apostava na velocidade de Raphinha para tentar fazer o golo que sentenciasse a final.

Num belo rasgo individual, Brahimi, aos 111 minutos, furou a defensiva leonina, mas o seu remate saiu por cima da barra. O encontro ia caminhando a passos largos para o seu fim, e os adeptos sportinguistas iam apoiando euforicamente pela sua equipa, empurrando os jogadores para o último esforço, contudo o Porto não desistiu e conseguiu empatar: num autêntico “chuveirinho” para a área adversária, Felipe apareceu a cabecear para o 2-2, que empurrou a decisão para as grandes penalidades.

No desempate por grandes penalidades, a competência e frieza na hora de marcar são necessárias, e nesse capítulo o Sporting foi mais eficaz, e acabou por conquistar a 17.ª Taça para o seu museu, com o homem do penálti decisivo a ser Luiz Phellype, embora Renan também tenho sido fulcral ao defender um penálti.

Luiz Phellype foi um dos heróis do regresso ao Jamor
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Um ano depois, o Sporting CP saí desta vez do Jamor com motivos para sorrir, já que o jackpot das grandes penalidades saiu a si – novamente frente ao FC Porto, como tinha acontecido na final da Taça da Liga.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

Sporting CP: Renan Ribeiro, Jérémy Mathieu, Sebastián Coates, Bruno Gaspar (Subst. Ilori, 66’), Acuña, Nemanja Gudelj (Subst. Doumbia, 90+4’), Bruno Fernandes (C), Wendel (Subst. Jefferson 105’), Diaby (Subst. Bas Dost, 75’), Raphinha e Luiz Phellype.

FC Porto: Vaná, Militão (Subst. Hernâni, 102’), Pepe, Felipe, Telles, Otávio (Subst. Manafá, 77’), Danilo, Herrera, Brahimi, Marega (Subst. Adrián Lopez, 99’) e Soares.

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