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Rangers FC 2-2 SL Benfica: Deixou-se o alarme tocar

A CRÓNICA: EMPATE FRENTE AOS ESCOCESES VOLTA A SURGIR NOS MINUTOS FINAIS

Assombrado, o SL Benfica entrava na partida com o Rangers FC com um historial horrendo nas visitas a Glasgow, e talvez se tenha notado isso na exibição de certos elementos.

Não que Gabriel ou Chiquinho estivessem conscientes desse facto – é provável que não -, mas o desempenho do meio-campo titular encarnado foi desse nível. Aliás, a equipa só acordou quando Pizzi deu o abanão técnico necessário a um onze cabisbaixo e sem a classe necessária para jogos deste calibre.

No último quarto de hora, a orquestra funcionou como nunca tinha funcionado esta época, houve aparição superlativa de Gonçalo Ramos e Diogo Gonçalves a cavalgar numa ala direita que se sente demasiado vazia quando lá mora Gilberto.

Comecemos pelo golo de Arfield aos sete minutos e em como esse momento marca todo o encontro: o golo fortuito dos escoceces vai, nessa altura, contra a corrente de um encontro dominado pelo Benfica, que tinha entrado determinado em ter bola e a controlar as operações.

Com 1-0, Gerrard ainda mais convicto ficou de que estava correcto na abordagem e manteve a equipa no seu próprio meio-campo, à espreita de oportunidades para exagerar no contra-golpe.

E fez bem, já que a teia tática impediu o Benfica de grandes aventuras ou travessuras, já que não havia meio-campo para suportar a criatividade dos da frente – Everton, por exemplo, teve na bipolaridade do seu jogo a definitiva prova do seu complicado processo de adaptação à Europa.

Conjugou decisões amadoras com as duas grandes oportunidades da equipa na primeira metade: foi dos seus pés que saiu a combinação com Grimaldo que resultou em remate por cima (12’) e, já perto do intervalo, descobriu Rafa entre as torres escocesas, mas o português hesitou e possibilitou corte in extremis.

Na segunda metade, a mesma toada e o mesmíssimo jogo. Waldschmidt, muito activo nas movimentações, mas inconsequente, ainda ameaçou McGregor aos 47’, mas esse falhanço deverá ter sido a gota de água para Jorge Jesus. Aos 55’ troca-o por Pizzi, tirando também Chiquinho para fazer entrar Diogo Gonçalves – e estavam lançadas as sementes para o grande final de jogo a que se ia assistir.

Porém, a equipa precisou do 2-0, marcado por Roofe após remate indefensável, para acordar. A partir dos 75’, como que por magia, Pizzi arregaçou as mangas e levou a equipa para a frente, com a grande ajuda do miúdo Gonçalo Ramos, que, ao fazer o 2-1 (com a ajuda de Tavernier), galvanizou ainda mais os restantes colegas.

Este balanceamento aliou-se ao défice físico do Rangers FC, o 2-2 aconteceu naturalmente e estavam reunidos os ingredientes certos para possibilitar a completa reviravolta dos encarnados, possibilitando a primeira vitória de sempre na Escócia.

Mas, estranhamente, e talvez seguindo a fórmula Trapattoni – Não percas um jogo que não podes ganhar – o Benfica desacelarou, pareceu satisfeito com o empate e a entrada de Ferro em troca de Seferovic, perto dos 90’, confirmou a ideia de que era o objectivo principal.

Se era possível ir em busca do terceiro? Sem dúvida.

A FIGURA

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Pizzi – Entrou para revolucionar a sala de máquinas encarnada – demorou, mas quando finalmente tomou posse dos comandos, a equipa nunca mais foi a mesma. O golo é prémio merecido para um jogador que não se tem apresentado na plenitude das suas capacidades.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Gabriel – A inadmissível passividade nos golos sofridos é um excelente resumo da exibição de Gabriel, que parece cada vez menos confortável na posição mais recuada da linha média. Teve pormenores interessantes, poucos, que se tornam insignificantes quando se observa o número de passes falhados e perdas de bola. Por agora, a titularidade parece excessiva.

ANÁLISE TÁTICA – RANGERS FC

Gerrard nada mudou da abordagem habitual. Em 4-3-3, Kamara esteve sempre mais preocupado com as missões defensivas, com Roofe e Kent a compensarem o posicionamento com a procura do espaço interior. Morelos foi presa fácil para Verthongen e Jardel, desacompanhado como esteve. Tavernier alugou a ala direita, em incrível demonstração de poderio físico.

ONZE INICIAL e PONTUAÇÕES

McGregor (5)

Tavernier (6)

Goldson (4)

Balogun (4)

Barisic (5)

Kamara (7)

Davis (5)

Arfield (6)

Roofe (6)

Kent (7)

Morelos (5)

ANALISE TÁTICA – SL BENFICA

O facto de Chiquinho e Gabriel se terem estreado enquanto dupla talvez justifique o fraco desempenho dos dois. A equipa, apesar de ter bola, ressentiu-se dessa falta de pulso naquela zona – Everton, Rafa e Waldschmidt tiveram que cobrir o dobro do terreno, desgastando-se para a produção ofensiva.

Grimaldo surgiu muito bem, próximo do seu melhor nível. Seferovic esforçou-se, tentou procurar uma profundidade que não existia, e cedo se percebeu que o jogo frente ao Rangers FC pedia outro tipo de avançado, como se provou na entrada de Gonçalo Ramos – o miúdo procurou entre linhas as associações que não tinha conseguido executar contra o USC Paredes, encontrando-as e possibilitando à equipa manter a bola mais tempo em zonas adiantadas.

ONZE INICIAL e PONTUAÇÕES

Helton Leite (4)

Gilberto (4)

Jardel (6)

Verthongen (6)

Grimaldo (6)

Gabriel (4)

Chiquinho (4)

Rafa (6)

Waldschmidt (5)

Everton (5)

Seferovic (3)

SUPLENTES UTILIZADOS

Pizzi (7)

Diogo Gonçalves (6)

Gonçalo Ramos (6)

Ferro (-)

SC Braga 3-3 Leicester City FC: O suspense para cumprir o destino ao cair do pano

A CRÓNICA: ORA AGORA MARCO EU, ORA AGORA MARCAS TU. FOI ASSIM ESTE SC BRAGA X LEICESTER CITY FC

Quinta-feira ao final de tarde, onde a noite (europeia) já caía e a bola rolou no Estádio Municipal de Braga, após o minuto de silêncio pelo falecimento de Diego Armando Maradona. E foi um jogo que não podia ter começado melhor para a formação de Carlos Carvalhal. No seguimento de uma jogada individual de Ricardo Esgaio, e duas tentativas falhadas a visar a baliza de Schmeichel, foi Al Musrati que, à lei da bomba e à entrada da grande área, rematou para o fundo das redes do Leicester e inaugurou o marcador após quatro minutos do apito inicial.

Falamos de noite europeia e não existe uma assim se não tiver emoção. Foram precisos apenas cinco minutos para Barnes igualar o marcador, com um remate que Matheus não conseguiu parar. Lia-se 1-1 no marcador a chegar aos dez minutos no encontro.

Após terem sido marcados os golos, o jogo virou outro. O Leicester, nos minutos seguintes ao golo de Barnes, manteve-se a posse sem criar oportunidades e, consequentemente, aconteceu o mesmo à turma do Minho. Com a pressão criada pelo SC Braga, a equipa inglesa viu-se obrigada a cometer algumas faltas, mas nem isso serviu para parar a posse de bola da equipa minhota. Foram precisos 13 minutos para sair deste “par ou ímpar”, ou seja, o número de minutos que Paulinho levou até marcar o golo que dava a vantagem para o Braga. O segundo golo da equipa de Carlos Carvalhal é o culminar de uma jogada coletiva fantástica que “trocou as voltas” à linha defensiva do Leicester, que não sabia para onde se virar, e sentou Kasper Schmeichel.  É o que se chama, na gíria, o “tu cá – tu lá” à moda do Braga.

E não tardou a tentativa de resposta da equipa inglesa. Apenas quatro minutos depois do golo bracarense, Cengiz Under apanhou a defesa adversária descompensada, na pequena área sentou Matheus, mas o guarda-redes fez os impossíveis e impediu o golo do empate dos visitantes.

A cinco minutos do recolher para os balneários, o SC Braga criou grandes oportunidades de aumentar a vantagem. Galeno cruzou para a pequena área, Ricardo Horta recebeu, mas o guarda-redes da equipa inglesa defendeu para fora da área. Ao tentar efetuar a recarga, Galeno não conseguiu completar o remate porque… o árbitro não deixou, literalmente falando, dado que se colocou à frente do jogador.

No minuto final da primeira parte, Sequeira tentou vingar o colega. Depois de receber o cruzamento, rematou à queima contra o corpo de Kasper Schmeichel que enviou a bola para fora das quatro linhas, oferecendo pontapé de canto para a equipa minhota. No seguimento da jogada, depois de batida a bola, Paulinho não bisou por centímetros. O avançado bem se esticou, mas não foi o suficiente para chegar à bola.

A segunda parte começou sem muita história, apenas um jogo bastante equilibrado sem muitas oportunidades e um tomar de posição algo agressivo por parte da equipa de Brendan Rodgers. Muitas foram as faltas e dois os cartões amarelos mostrados por Daniele Orsato logo nos primeiros minutos.

Com a falta de caráter ofensivo, Rodgers fez entrar Vardy aos 60 minutos da partida, na ânsia de inverter o resultado. Mas não parecia ter surtido grande efeito, dado que a única oportunidade que os foxes tiveram após a sua entrada foi um pontapé livre cobrado pelo recém-entrado no encontro Maddison, que acabou nas mãos de Matheus e o SC Braga continua a pressionar, da mesma forma apresentada na primeira parte.

Aos 67 minutos, depois de uma jogada coletiva quase feita com regra e esquadro, Paulinho rematou e, desta vez, foi a bola que esteve a centímetros de entrar na baliza de Schmeichel, mas tirou apenas tinta à trave.

O equilíbrio permaneceu no encontro e também acabou por surgir no marcador. Faltavam pouco mais de 10 minutos para o final da partida e Luke Thomas fez Matheus ir ao fundo da sua baliza para recolher a bola. Foi o golo do empate dos foxes ao 79 minutos da partida, depois de um remate no meio da confusão.

E jogo europeu não seria jogo europeu se não existisse emoção. Faltava apenas um minuto para o final do tempo regulamentar e fez-se cumprir Fransérgio. Foi o veterano dos minhotos que rematou para o fundo da baliza da equipa inglesa e, mesmo assim, não selou o resultado.

Já passavam cinco minutos para lá dos 90 regulamentares e, por intermédio de Jamie Vardy, o Leicester acabou, esse sim, por selar o resultado da partida. Viveu-se futebol e um 3 a 3 no Estádio Municipal de Braga.

 

A FIGURA

A ligação entre o meio-campo e o ataque do SC Braga – Foi claramente o ponto forte do jogo da equipa minhota. Carvalhal optou pelo melhor “set” de jogadores que tinha na sua posse e estes não desapontaram. Se os guerreiros foram a melhor equipa na partida, foi dado ao jogo e à ligação entre os jogadores que compunham ambos os setores do campo.

 

O FORA DE JOGO

Primeira parte do Leicester City – Apesar do golo marcado, os foxes pareceram não estar tão dentro do jogo, dado terem sido poucas as ocasiões de golo criadas pela equipa. O meio-campo fez sonhar a restante equipa, mas os primeiros 45 minutos deixaram bastante a desejar, no geral. O resultado e a exibição valeram pela segunda parte.

 

ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA

Carlos Carvalhal optou por um 4-4-2 nesta noite europeia, mas uma versão algo ofensiva. Enquanto as linhas da defesa e do meio-campo estavam bem coordenadas entre si, a prioridade foi sempre servir Paulinho.

As alas, ocupadas por Ricardo Esgaio e Sequeira, foram as peças importantes no jogo ofensivo da equipa, mas nada como a ligação entre o meio-campo de Al Musrati, Horta, Castro e Iuri Medeiros com o avançado português e Galeno.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Matheus (6)

Tormena (7)

Sequeira (6)

Al Musrati (8)

Paulinho (8)

Bruno Viana (6)

Ricardo Horta (7)

Iuri Medeiros (6)

Ricardo Esgaio (7)

Castro (7)

Galeno (8)

SUBS UTILIZADOS

Raul Silva (6)

Fransérgio (-)

André Horta (-)

Schettine (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – LEICESTER CITY FC

Brendan Rodgers continuou com o esquema tático que tens utilizado nos últimos jogos. O 3-4-2-1 de eleição do treinador surtiu efeito apenas entre os meio-campistas. Apenas Albrighton, Choudhury, Thomas e Barnes, que acabou por ser substituído, tiveram alguma influência no encontro e na forma como a equipa jogou, tanto ofensivamente como defensivamente.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Schmeichel (6)

Justin (7)

Evans (6)

Fuchs (5)

Albrighton (6)

Choudhury (6)

Praet (6)

Thomas (7)

Under (7)

Barnes (7)

Iheanacho (5)

SUBS UTILIZADOS

Tielemans (6)

Fofana (6)

Vardy (7)

Maddison (7)

Perez (6)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Leicester City FC

Não foram colocadas questões ao treinador do Leicester City FC, Brendan Rodgers

SC Braga

BnR: Como viu o jogo e como se sentem os jogadores depois deste resultado emotivo ao cair do pano?

Carlos Carvalhal: Foi um grande jogo de futebol, absolutamente fantástico. É difícil lidar com um resultado destes, mas é olhar para o próximo jogo. Tínhamos a intenção de vencer, mas o plantel deles é muito valioso. Conseguimos o 3-3 e este empate dá-nos boas perspetivas. Temos tudo em aberto para passar.

 

Paris Saint-Germain 29-28 FC Porto: História ali tão perto

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A CRÓNICA: FC PORTO VOLTOU AO JOGO TARDE DEMAIS

O FC Porto deslocou-se até Paris em mais uma jornada na EHF Champions League, após a vitória frente a um dos principais rivais a nível nacional, o Sporting CP. O adversário de hoje era, novamente, o PSG, uma das melhores equipas a nível europeu.

A equipa francesa entrou com uma defesa agressiva e fluida, idêntica à que foi decisiva para vencer um jogo difícil em Portugal, pressionando imenso a primeira linha do FC Porto. Apesar disto, foi a equipa portuguesa a primeira a abrir o marcador.

Com o passar do tempo, as dificuldades não só se mantiveram, como se foram acumulando os erros ofensivos que permitiram que o PSG construísse uma vantagem tranquila numa fase inicial da partida. Nesse sentido, o primeiro time out surgiu praticamente a meio da primeira parte, aos treze minutos, altura em que a equipa de Magnus Andersson perdia 8-5.

Nas poucas vezes em que os “dragões” conseguiam espaço para finalizar, surgia Vicent Gerard, que se apresentou a grande nível na partida de hoje. O FC Porto ainda conseguiu um parcial de 0-2 à entrada dos cinco minutos finais da primeira parte, parcial esse que levou o treinador do PSG a pedir a paragem do jogo. Esta recuperação não foi além dos três golos de diferença, sendo que a equipa da casa chegou ao intervalo a vencer 15-11.

O panorama pouco mudou na segunda parte. O FC Porto ainda tentou o 7×6 aos oito minutos, mas a aposta durou apenas até a meio do segundo tempo e teve poucos resultados práticos. Em termos defensivos, a equipa portuguesa tentava adiantar a defesa de modo a pressionar a primeira linha adversária, mas o PSG conseguiu sempre de forma simples encontrar o espaço ao jogar com os pivots.

Nos últimos dez minutos da partida, a equipa da casa apostou no 7×6, uma mudança tática que se esperava já não ter muito impacto no jogo. No entanto, os azuis e brancos foram aproveitando alguns erros ofensivos da equipa francesa e foram diminuindo a desvantagem, até que a apenas quatro minutos do final da partida, o treinador Raul Gonzalez foi obrigado a parar o jogo que a vantagem já era de apenas dois golos.

Nesta altura, o FC Porto voltou ao 7×6 enquanto o PSG regressou ao 6×6 ofensivamente. Apesar do esforço final, os “dragões” ficaram a um golo de conquistar pontos em Paris, tendo sido o resultado 29-28.

Segunda derrota consecutiva do FC Porto na EHF Champions League, ambas frente ao PSG, que se encontra neste momento na quinta posição do Grupo A. Apesar de ainda ser uma posição de qualificação para a próxima fase, as equipas nas posições abaixo têm todas pelo menos três jogos a menos em relação ao FC Porto e a diferença é de apenas três pontos.

A FIGURA

Dainis Kristopans – Uma das âncoras defensivas do PSG e uma arma ofensiva sempre apontada à baliza adversária (três golos e quatro assistências). O gigante lateral direito foi decisivo em todos os momentos da partida.

O FORA DE JOGO

Miguel Martins – As principais vítimas da boa prestação defensiva do PSF foram os jogadores da primeira linha do FC Porto. O central ainda tentou remar contra a maré, tendo feito nove remates, mas marcou apenas dois golos e falhou os dois que fez dos seis metros. Um jogo menos positivo do jovem central português.

 

ANÁLISE TÁTICA – PARIS SAINT-GERMAIN

É comum ouvir que a defesa ganha jogos e a organização defensiva que o PSG apresentou desde o começo da partida permitiu-lhe partir com vantagem nos momentos iniciais. Uma defesa fluída e agressiva, a variar entre o 3x2x1, o 5×1 e, por vezes, o 4×2, que colocou uma pressão enorme na primeira linha do FCP. Para complementar, Vicent Gerard também se apresentou a um grande nível. Ofensivamente, a equipa francesa explorou ao pormenor as entradas dos pontas a segundo pivot e o jogo com os mesmos, principalmente quando os defesas adversários se adiantavam.

O jogo parecia controlado, mas a aposta final no 7×6 veio complicar as contas. A verdade é que a este nível não se pode facilitar desta forma e se o PSG quer chegar ao topo da Europa tem de impedir estes pequenos percalços.

Sete Inicial e Pontuações

Vicent Gerard (7)

Dainis Kristopans (9)

Mikkel Hansen (8)

Toft Hansen (8)

Dylan Nahi (8)

Luka Karabatic (7)

Nedim Remili (6)

Suplentes Utilizados e Pontuações

Ferran Sole (5)

Elohim Prandi (5)

Benoit Kounkoud (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

O PSG entrou na partida a repetir a receita, em termos defensivos, que levou à vitória no Dragão Arena na jornada anterior. Deste modo, as dificuldades ofensivas foram inúmeras, tendo todos os ataques de ser muito trabalhados, sendo todos os golos “vendidos caro” pelo adversário. Numa situação destas, as equipas têm de ser altamente eficazes nas oportunidades aos seis metros, algo que o FC Porto também não conseguiu ser, principalmente na primeira parte (13/21 no final da partida). Defensivamente, há pouco mais a fazer contra uma equipa que tem inúmeras soluções para chegar ao golo.

Sete Inicial e Pontuações

Nikola Mitrevski (5)

Miguel Martins (5)

Miguel Alves (5)

Diogo Silva (5)

Ivan Sliskovic (5)

Leonel Fernandes (5)

Victor Iturriza (8)

Suplentes Utilizados e Pontuações

Alfredo Quintana (5)

Manuel Spath (5)

Djibril M’bengue (5)

Rui Silva (7)

Daymaro Salina (7)

Diogo Branquinho (7)

António Areia (6)

André Gomes (9)

Fábio Magalhães (5)

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Morreu Reinaldo Teles: FC Porto despede-se do “Chefinho”

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O dia 25 de Novembro, vai ficar para sempre marcado na história do FC Porto como um dia triste, faleceu Reinaldo Costa Teles Pinheiro, vítima da pandemia que se instalou por todo o mundo.

O “Chefinho” ou “Tio Teles”, como era carinhosamente apelidado pela comunidade portista, passou uma vida ligada ao clube. Chegou as Dragões com 12 anos como praticante de boxe, foi campeão regional em 1971 e campeão nacional na época 1973/74, na categoria de Pesos Médios. Depois de 17 anos como atleta, pendurou as luvas e assumiu as funções ligadas ao boxe a convite de Pinto da Costa. Em 1982, o atual presidente vence as eleições e convida-o para diretor-adjunto do futebol e, foi aí, que se iniciou uma grande amizade e um legado de conquistas invejável desta histórica dupla.

Passados três anos, festejavam juntos o primeiro título continental do FC Porto na célebre final de Viena frente ao Bayern de Munique e meio ano depois a Taça Intercontinental diante do Peñarol em Tóquio (Japão).

Ao longo desta caminhada, tornou-se no braço direito do presidente como chefe do Departamento de Futebol, chegando a sentar-se no banco de suplentes com nomes como o de José Maria Pedroto, Bobby Robson e José Mourinho.

Passou também pelo cargo de Diretor do FC Porto, mas foi em 1990 que chegou ao cargo mais importante que desempenhou, o de vice-presidente de Jorge Nuno Pinto da Costa. O seu nome constava também no presente mandato do ainda Presidente dos campeões nacionais.

Reinaldo Teles esteve sempre presente em todas as grandes conquistas do clube, ganhou tudo o que havia para ganhar, tanto a nível nacional como internacional, colecionando também alguns prémios individuais, como o Dragão de Ouro para o dirigente do ano (1989) e o Dragão de Honra em 1998.

Sócio Honorário do clube desde 1994, o “tio Teles” sempre foi uma pessoa discreta e pouco faladora, o que não impediu de se tornar uma figura incontornável e um dos pilares cruciais da harmonia vivida dentro e fora do clube.

Da nossa parte, ficará para sempre um enorme OBRIGADO!

Texto da autoria de Flávio Fernandes

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Pedro Marques | Para quando a derradeira oportunidade?

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Pedro Marques estreou-se a marcar pela equipa principal do Sporting CP, na partida frente ao SG Sacavenense, a contar para a Taça de Portugal. O jovem de 22 anos bisou nos 18 minutos que esteve em campo. O avançado encontra-se de “pé quente”, e está já bastante habituado a faturar diante de equipas do Campeonato Portugal, visto que leva quatro golos em quatro jogos pela equipa B. 

Desde a sua chegada proveniente do CF “Os Belenenses”, que Pedro Marques é prometedor. Em 2015/2016, época de estreia no Sporting CP, apontou 26 golos em 31 jogos no escalão de juniores. Desde então, o jovem atuou pela equipa B e sub-23 leoninos, tendo passado por duas experiênciano estrangeiro, mais concretamente na segunda divisão holandesa, onde atuou por clubes como o FC Dordrecht e FC Den Bosch.  

Em relação à sua carreira nas seleções nacionais de formação, Pedro Marques conta com 16 internacionalizações. A equipa de sub-20 foi a última lista onde o seu nome constou na convocatória.

Considero Pedro Marques um avançado rápidooportuno e com grande habilidade para o golo. Para além destas características, destaco a mobilidade no seu jogo, que acredito que seja uma das grandes virtudes que chama a atenção de Ruben Amorim. O ponta de lança pode aproveitar o facto de ser a segunda opção para a posição central do ataque leonino, apenas atrás de Sporar, para finalmente vingar e comprovar o seu potencial. 

Confesso que nunca pensei que Pedro Marques voltasse a estar nos quadros leoninos. Porém, há jogadores que aparecem e se afirmam mais tarde. Adrien Silva e João Palhinha são dois bons exemplos de que um jogador não precisa de ganhar a titularidade com idade de júnior para ser importante no futuro do clube.

Acredito nas qualidades de Pedro Marques e espero, para o bem do Sporting CP e do próprio atleta, que este se torne num dos primeiros pontas de lança formados na academia de Alcochete a vingarem na equipa principal.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Rangers FC x SL Benfica | 11 combinado das duas equipas

Esta quinta-feira joga-se a quarta jornada da fase de grupos da Liga Europa e o Rangers FC recebe o SL Benfica. Depois da recuperação dos “encarnados” no Estádio da Luz – estiveram a perder por 3-1 com dez jogadores, mas o jogo acabou empatado a um golo, as “águias” visitam o Ibrox Stadium, em Glasgow, para tentar confirmar o primeiro lugar do grupo.

JOGO DECISIVO PARA DEFINIR QUEM PODERÁ FICAR NO TOPO DO GRUPO D DA LIGA EUROPA. CONSEGUIRÁ O BENFICA VENCER NA ESCÓCIA? APOSTA JÁ COM A BET.PT!

Até então, estes dois emblemas nunca se tinham defrontado “oficialmente”. No primeiro embate entre os vice-campeões dos seus países, o golo foi constante e neste jogo não deverá ser diferente.

Na antevisão para o jogo entre Benfica e Rangers, o Bola na Rede apresenta um “onze”, em 4-4-2, com os melhores jogadores de ambas as equipas para cada posição.

FC Internazionale Milano 0-2 Real Madrid CF: Merengues mais perto dos “oitavos”

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A CRÓNICA: REAL DOMINANTE ARRECADA TRÊS MERECIDOS PONTOS

À quarta ronda da Liga dos Campeões, o estádio Giuseppe Meazza – também conhecido como San Siro – foi o palco de jogo grande entre FC Internazionale Milano e Real Madrid CF, completamente decisivo para as contas do grupo B, em que um desaire para qualquer uma das equipas poderia sentenciar as suas aspirações na competição.

O marcador mexeu cedo na partida quando, à passagem do quinto minuto, Hazard colocou os merengues na frente após a conversão de um penálti. A formação espanhola entrou melhor no encontro e podia mesmo ter ampliado a vantagem poucos minutos depois, não fosse o poste esquerdo da baliza de Handanovič negar o golo a Lucas Vásquez. Os italianos, que demoravam a encontrar-se na partida, sofreram um enorme revés ao minuto 33’ com a expulsão de Vidal por duplo amarelo, depois de o chileno protestar uma falta dentro da área espanhola que ficou por marcar. Até ao apito final do primeiro tempo o resultado não se voltou a alterar, apesar das várias oportunidades espanholas, e não se adivinhava vida fácil para o Inter na segunda parte.

No regresso dos balneários, os nerazzurri procuraram ir atrás do prejuízo, tentando chegar rapidamente à baliza de Courtois, mas pouco ou nada conseguiram criar. Em superioridade numérica e com o controlo da partida, os blancos acabariam mesmo por voltar a marcar, ao minuto 60, pelos pés do brasileiro Rodrygo, que tinha entrado há poucos segundos no jogo. Após o segundo tento, bastou ao Real gerir o jogo à sua maneira, face à incapacidade do Inter em criar perigo junto da sua baliza, proporcionando uma noite relativamente descansada a Courtois. Até ao final do encontro o resultado não mais se alterou.

Com este triunfo, os blancos ascendem ao segundo lugar do grupo B, a um ponto de distância do Borussia VfL Mönchengladbach. Já os italianos encontram-se na última posição, com apenas dois pontos, e só podem lutar por um lugar na Liga Europa.

 

 

A FIGURA

Equipa do Real Madrid – A formação espanhola dominou por completo o encontro, estando muito bem em praticamente todos os momentos de jogo. Claro que estar em vantagem numérica durante cerca de 60 minutos ajudou, mas há que dar mérito ao jogo dos madrilenos.

 

O FORA DE JOGO

Arturo Vidal – O médio chileno voltou a não conseguir controlar o seu temperamento e, por muita razão que tivesse, não podia ter agido daquela maneira. A sua expulsão acabou por comprometer a sua equipa, não só no encontro mas também na prova.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC INTERNAZIONALE MILANO

A formação orientada por António Conte atuou num dispositivo tático base de 3-5-2. Os italianos sentiram bastantes dificuldades desde o início do encontro, mostrando pouca agressividade ao portador da bola, enormes dificuldades de construção e progressão no terreno, com tudo isso a piorar após a expulsão de Arturo Vidal. Apesar de se notarem algumas melhorias com as substituições ao intervalo, a formação italiana ficou aquém das expetativas.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Handanovič (6)

Škriniar (6)

de Vrij (6)

Bastoni (6)

Hakimi (6)

Barella (6)

Gagliardini (6)

Vidal (5)

Young (6)

Lukaku (6)

Martínez (6)

SUBS UTILIZADOS

D’Ambrosio (6)

Perišić (6)

Sánchez (6)

Sensi (6)

Eriksen (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – REAL MADRID CF

Com algumas baixas de peso no plantel madrileno, entre elas Karim Benzema e Sérgio Ramos, os pupilos de Zidane dispuseram-se em campo num sistema tático de 4-3-3. Na condição de visitante, a formação espanhola entrou muito bem na partida, dominando a maior parte do encontro, tanto em posse de bola como em criação de oportunidades de golo. Após a expulsão de Vidal no conjunto italiano, tudo se tornou ainda mais fácil para os madrilenos.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Courtois (7)

Carvajal (7)

Varane (7)

Nacho (7)

Mendy (7)

Modrić (7)

Kroos (8)

Vasquéz (6)

Ødegaard (7)

Hazard (7)

Díaz (6)

SUBS UTILIZADOS

Casemiro (6)

Rodrygo (7)

Vinícius Jr. (6)

 

Olympique Marseille 0-2 FC Porto: Oitavos estão a um ponto!

CRÓNICA: SEM FORÇAR MUITO, FC PORTO VENCE O MARSEILLE NO VÉLODROME

Pelas 20h, deu-se início ao confronto que opôs o Olympique Marseille contra o FC Porto, a contar para a 4º jornada do grupo C da Champions. Os dragões entraram em campo, com a notícia do falecimento de Reinaldo Teles, histórico dirigente portista, além do conhecimento da vitória do Manchester City FC no terreno do Olympiacos PCF, ou seja, uma vitória em terrenas gaulesas, deixaria os campeões nacionais com um “pé” nos oitavos de finais.

A equipa de Sérgio Conceição entrou em campo com a postura habitual, isto é, a tentar pressionar a formação adversária, porém os pupilos de André Villas Boas queriam mudar a imagem deixada até então na competição. Contudo, prevaleceu-se o equilíbrio, porém os franceses tentaram logo visar a baliza de Marchesin, através de um remate de Sanson, mas embateu num opositor.

Posteriormente, Germain cria a primeira grande oportunidade de golo, num cabeceamento, que foi parar às mãos do guardião do FC Porto. Por sua vez, após um período, em que a equipa da casa teve alguma ascendência, Zaidu deixou uma primeira ameaça só aos 36 minutos, num bom remate, que veio anteceder ao primeiro tento do encontro, com o protagonista a ser…Zaidu, que aproveitou bem um ressalto para mandar a bola para a baliza defendida por Mandada. Até ao intervalo não aconteceu mais nenhum momento de grande realce, pelo que os dragões tiveram uns primeiros 45 minutos felizes.

 O segundo tempo começou à semelhança da primeira parte, ou seja, sem grandes momentos de superioridade de parte a parte, monotonia essa que fez provocar em André Villas Boas uma tripla alteração na sua equipa, com as entradas de Payet, Benedetto e Cuisance, de maneira a tentar agitar o ritmo de jogo e alcançar o empate. Desejo esse que parecia que poderia acontecer, aos 66 minutos com a expulsão de Grujic, depois de ver o segundo amarelo e consequente vermelho. No entanto, a vantagem numérica não demorou muito tempo, uma vez que, por volta dos 70 minutos, Balerdi faz penalty sobre Marega e também vê o caminho dos balneários a ser apontado, sendo que na sequência Sérgio Oliveira concretiza a grande penalidade e dilata a vantagem azul e branca.

Até ao final do desafio, o Olympique Marseille ainda tentou ameaçar a área portista, mas sem sucesso. Final dos 90 minutos e o FC Porto traz de França os 3 pontos e quase a passagem até aos oitavos.

Os franceses não quiseram aproveitar a vantagem numérica, pois aos 70 minutos, Balerdi fez penalty e viu o caminho da rua a ser apontado. No seguimento do lance, Sérgio Oliveira concretizou e deixou a equipa portista ainda mais confortável na partida.

 

A FIGURA

Pelas 20h, deu-se início ao confronto que opôs o Olympique Marseille contra o FC Porto, a contar para a 4º jornada do grupo C da Champions
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Zaidu – Parece impressionante, mas em 2019, Zaidu, estava apenas no Campeonato de Portugal, para agora disputar a grande competição da Europa. Realmente, teve uma ascensão notória, com mérito. Quanto à partida, até nem começou muito bem, mas foi subindo de produção, sendo que foi lá à frente meter o FC Porto na frente da partida. O golo parece ter-lhe feito bem, pois deu-lhe confiança e foi competente, tanto a nível defensivo, como ofensivo.

O FORA DE JOGO

 Balerdi – O defesa da equipa francesa não teve uma noite inspirada e a sua má produção terminou com uma expulsão. A verdade é que o setor defensivo dos gauleses nunca teve ao nível desejado e tremeu sempre que o FC Porto tentava aproximar-se da baliza do conjunto do Sul de França. A escolha poderia ter recaído noutro jogador do Olympique Marseille, mas foi este futebolista que deitou por terra todas as esperanças da formação de André Villas Boas chegar a outro resultado.

ANÁLISE TÁTICA OLYMPIQUE MARSEILLE

Entrou pressionante, de maneira a tentar mudar a sua imagem na competição. Introduziu novidades sobre o onze que tinha apresentado no Dragão

O Marseille entrou em campo com uma outra atitude, tentando pressionar a equipa do FC Porto, não os deixando sair. André Villas Boas apresentou algumas modificações no onze titular, mas o sistema tático não variou muito, ou seja, a formação gaulesa defendia em 4-5-1, enquanto que atacava em 4-3-3, procurando muito a inspiração de Thauvin. Porém, notou-se mais uma vez a falta de confiança que este conjunto apresenta e nunca conseguiu superiorizar-se, no bom sentido da palavra, ao FC Porto.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Mandada (6)

Sakai (6)

Álvaro González (5)

Balerdi (4)

Amavi (6)

Kamara (6)

Rongier (7)

Sanson (6)

Thauvin (6)

Germain (5)

Luis Henrique (6)

SUBS UTILIZADOS:

Payet (6)

Cuisance (5)

Benedetto (6)

Nagatomo (-)

Marley Ake (-)

ANÁLISE TÁTICA FC PORTO

Excecionando, as alterações forçadas que o treinador dos dragões foi forçado a fazer, o FC Porto entrou no Velódromo, com o esquema habitual, ou seja, um 4-4-2 no período da transição defensiva, sendo que na manobra ofensiva os peões azuis e brancos posicionavam-se num 4-3-3, com muita mobilidade nos 3 jogadores lá da frente. Ao nível exibicional, os portistas não descartaram de uma das suas imagens de marca, ou seja, a pressão no portador da bola, porém estiverem um pouco desligados na circulação de bola, além de uma gritante falta de criatividade, no que tocava à criação de jogadas. Na segunda parte, os jogadores portistas apresentaram-se mais sólido, pelo que justificaram a vantagem obtida.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marchesin (7)

Manafá (6)

Mbemba (6)

Sarr (6)

Zaidu (7)

Grujic (5)

Sérgio Oliveira (7)

Corona (6)

Otávio (6)

Luís Diaz (6)

Marega (6)

SUBS UTILIZADOS:

Nakajima (-)

Taremi (-)

João Mário (-)

FC Bayern München | As 3 razões para o domínio interno dos bávaros

O FC Bayern München conquistou 10 títulos nos últimos quatro anos, sendo que um deles foi a Liga dos Campeões na época passada, conquistada em Lisboa. Não há dúvidas do poderio dos bávaros, que ultrapassa as fronteiras do próprio país.

São décadas consecutivas ao mais alto nível polvilhadas, aqui e ali, com troféus europeus. O que mais surpreende, e que faz deles um colosso mundial, é a capacidade de manter, época após época, equipas competitivas, mesmo sofrendo com algumas transferências de jogadores chave.

A nível interno são para lá de competentes e competitivos; são dominadores. Neste artigo tentei apontar três razãoes principais para o domínio quase completo nas provas domésticas; cinco das últimas 10 taças da Alemanha, cinco das últimas 10 supertaças alemãs e octocampeões. Avassalador.

Carta aberta de quem nunca viu jogar Diego Maradona

Querido Diego,

Podes perguntar “Não me viste jogar, porque sou um dos teus ídolos”? Mas é verdade. Tenho apenas 20 anos e os teus tempos áureos já tinham passado enquanto crescia a ver Messi e Ronaldo a brilhar na minha televisão. Tudo a que eu tinha acesso eram DVD’s e excertos teus que via na televisão ao lado do meu pai, um grande fã teu.

Infelizmente, nem sempre ouvi falar bem de ti. Cometeste muitos erros, mas sempre que olhava para as tuas imagens via um sorriso, sendo isso o que eu guardava. A bola ao teu lado era bem tratada e, mesmo sem termos acesso ao que ela pensava, temos a certeza que era muito feliz quando estava nos teus pés.

Desde que comecei a apreciar futebol, o meu pai persuadiu-me para pensar que eras o melhor do mundo. Confesso que no início duvidei, porque estava deslumbrada com os craques do momento, mas aos poucos fui lhe dando razão. Podem não achar que és o melhor futebolista de sempre, mas tenho sempre as palavras certas para defender o contrário.

Vejo vezes e vezes sem conta os teus vídeos. Enquanto crescia e achava que tinha jeito para jogar à bola, pensava que podia fazer o que fazias, mas nunca vai existir ninguém igual a ti. As tuas fintas, os teus passes e os teus golos vão marcar para sempre o futebol e não só, porque o que fazias rompia barreiras.

O teu futebol podia ser comparado ao ballet, porque é a dança mais perfeita. As tuas fintas podem ser acompanhadas pela melhor orquestra do mundo, porque são a melhor composição. Os teus golos podiam ser um filme vencedor de Óscar, porque se tratam de histórias únicas.

É difícil encontrar sinónimos do que fazias dentro e fora das quatro linhas. Tudo parava para te ver. O estádio enchia antes do apito inicial só para te ver aquecer e eu acho isso inacreditável, porque eras o espetáculo já dentro do espetáculo que era um encontro de futebol.

Agradeço ao meu pai, que me apaixonou pelo futebol e por me ter apresentado um génio como tu. Hoje, desapareceste fisicamente, mas o teu legado fica garantido para sempre. As novas gerações são despertadas desde cedo para a magia do futebol e, mesmo com algumas polémicas, existem sempre bons motivos para te perpetuar no tempo.

Confesso que escrevo esta carta com a voz embargada e com os dedos congelados. Ainda parece mentira, mas quero acreditar, Diego, que isto é apenas o início da tua carreira noutro clube, ao lado de nomes como Eusébio e Di Stefano. Que belo duelo vai existir entre vocês, não é verdade? Diverte-te, como nos divertes a nós.

Até sempre, El Pibe.