A partir do momento em que aquilo que dávamos por garantido começa a escassar, entramos numa nova realidade, quase catastrófica, de procura incessante por aquilo que julgávamos nunca vir a perder. O nosso cérebro parece dar o dobro do real valor àquilo que perdemos.
Daí a desorientação e, às vezes, por inerência, a auto-estima. Demos a rapariga perfeita por garantida, achámos que ela nos perdoaria um momento de fraqueza… mas quando ela disse que estaria lá sempre, não incluia faltas de respeito. Depois disto, de a perdermos, posando a cabeça sobre os braços cruzados nos joelhos numa escadaria qualquer, vemos tudo desabar, sentimo-nos imundos e incapazes de ser amados, requisitados outra vez.
O talento é como essa rapariga perfeita, que nos dá um propósito para viver, que nos relembra do quão bons podemos ser, ao qual podemos recorrer, sempre. Mas esse sempre, lá está, não inclui faltas de respeito. E o talento tem um jeito engraçado de se (não) expressar quando mais dele precisamos.
Que o digam os principais jogadores daquela que era, para muitos, a campeã europeia antecipada, senhores de pés mágicos, encantadores de plateias que tinham (e têm, sejamos justos) a capacidade de, individualmente, decidir um jogo. Que o digam Messi, Neymar, Suarez, Rakitic e Iniesta… que o diga o Barcelona.
A vida começou a correr demasiado bem, o talento fluia naturalmente, sem muito esforço, sem muito trabalho, e as coisas apareciam. Quase nem era preciso correr e tudo estava encaminhado para que esta fosse mais uma época só de conquistas. Afinal, às 16h00 de 20 de Março de 2016, os oitavos-de-final da Liga dos Campeões tinham sido ultrapassados com relativa facilidade, a presença na Taça do Rei estava garantida, a distância para o 2º classificado era de 12 pontos e a equipa encontrava-se a vencer, no El Madrigal, ante o Villareal, na deslocação mais difícil (em termos teóricos e olhando apenas para a classificação do campeonato) por dois golos de diferença. Tudo bem encaminhado, tudo demasiado fácil.
Desde o Verão passado, assistimos ao ressurgir de uma rivalidade muito antiga. Porquê? Jorge Jesus, que se havia sagrado poucas semanas antes bicampeão nacional pelo Benfica, passou de um lado para o outro da 2.ª circular. Estava aberta uma guerra entre Sporting e Benfica. Contudo, já lá vai o tempo em que essa mesma rivalidade era saudável. Hoje, ultrapassaram-se os limites de qualquer decência. Quando acontecer uma tragédia, e estou certo de que não estamos longe de tal acontecer, não haverá inocentes: dirigentes, treinadores, comentadores, adeptos e até os jornalistas, serão todos culpados.
Permitam-me que puxe o filme um pouco atrás. Em Maio de 2015 o Benfica tinha conquistado um bicampeonato que lhe fugia há mais de 30 anos. Por sua vez, o Sporting acabava de conquistar a Taça de Portugal e estava de volta aos títulos. Levando em conta o passado recente de ambos os clubes, a pergunta que se tem de fazer é simples: porque é que Sporting e Benfica trocaram de treinador? A resposta seria complexa e, provavelmente, pouco unânime. Mas não é isso que quero discutir.
Luís Filipe Vieira prefere delega tarefas noutros elementos do Benfica Fonte: SL Benfica
Após a euforia dos títulos conquistados, começam as habituais movimentações de bastidores. Bruno de Carvalho, após rescindir contrato com Marco Silva, consegue trazer Jesus para Alvalade. O mesmo Jorge Jesus que, e segundo o próprio tem deixado nas entrelinhas, sentiu que não era desejado no Benfica. Mas também não são estes pormenores que me interessam.
Em qualquer país do mundo que se considere desenvolvido isto seria encarado como normal. É certo que Jorge Jesus estava a passar diretamente de um rival para o outro, mas, vejamos, é futebol. Na última vez que tive oportunidade de verificar, vivemos numa sociedade livre em que cada pessoa tem a liberdade de escolher o seu destino. O mesmo se aplica a Marco Silva.
Todavia, talvez Portugal, por falta de formação ou algo que o valha, gosta de ser diferente. Os meios de comunicação fizeram emissões de horas e horas quando pouco mais havia a dizer. Os dirigentes, de ambas as partes, teceram declarações incendiárias. No meio de tudo isto, convém ressalvar o papel que as redes sociais tiveram no desenrolar dos acontecimentos. É hoje mais do que incontestável que Sporting e Benfica pagam a, digamos, colaboradores, para criarem blogues incendiários onde se propaguem as mensagens definidas pelas chefias. Este tipo de ferramentas, que no passado não existiam, são autênticos catalisadores de rivalidades pouco saudáveis e que vão para além do razoável.
Para além destas guerras nos novos media, temos duas estratégias de comunicação bem diferentes, mas com objetivos semelhantes. No Sporting, o presidente Bruno de Carvalho, principalmente através da sua página oficial de Facebook, vai lançando mais “achas para a fogueira”. A juntar a isto temos Otávio Machado, que ficou parado no século XX. O Benfica, por sua vez, faz-se ouvir principalmente pela voz do diretor de comunicação: João Gabriel. Depois, temos ainda uma série de comentadores “encarnados” com o discurso quase sempre alinhado. Na hierarquia está, para quem não se quiser fazer de parvo ou pouco inteligente, Pedro Guerra.
O Presidente do Sporting é bastante ativo na sua página oficial de Facebook Fonte: Sporting Clube de Portugal
Os meios de comunicação têm, sem margem para dúvidas, uma grande quota-parte de culpa. Exceção feita talvez à RTP e à SIC, parece valer tudo na luta por audiências. Qual a máquina de comunicação mais eficaz? Não sei e pouco me interessa. A verdade é que ambas estão a contaminar o futebol português.
Uma pequena nota para o Futebol Clube do Porto. Começou por perder a hegemonia para o Benfica. Desde que Bruno de Carvalho tomou as rédeas do clube de Alvalade, Pinto da Costa não conquistou qualquer título de campeão nacional. Será que, no que diz respeito a títulos conquistados, o melhor dirigente da história do futebol português está acabado?
Termino exatamente da mesma forma como comecei. Hoje, ultrapassam-se os limites de qualquer decência. Hoje, os pais têm medo de levar os filhos ao futebol porque é perigoso. Hoje, perdeu-se a noção daquilo que é razoável. A assistir a tudo isto de cadeirão, está a Liga Portuguesa de Futebol Profissional e a Federação Portuguesa de Futebol.
A liga milionária terminou para nós. Como já foi dito por muita gente, a vitória moral não deve alimentar o ego dos Benfiquistas; o que deve alimentar-nos é o conjunto das nossas vitórias dentro das quatro linhas, mas reconheço que os dois jogos com o Bayern me deixaram orgulhoso desta equipa. A forma como encarou as duas partidas da eliminatória, sem medo e a jogar de igual para igual, diz muito do carácter desta equipa.
Apesar de a equipa bávara ter um plantel fortíssimo e bastante superior ao do Benfica, a equipa de Rui Vitória conseguiu colmatar as suas lacunas, realizando assim dois jogos bastante interessantes do ponto de vista táctico.
Com um encaixe financeiro recorde, a turma de Rui Vitória agora tem de se focar outra vez no campeonato. A poder contar com Jonas e Mitroglou para o embate de segunda-feira, a turma da luz realiza de novo mais uma final em busca do seu principal objectivo. Como adversário os jogadores vermelhos e brancos terão o Vitória de Setúbal. Apesar de ter realizado uma grande primeira volta, neste momento a equipa sadina é a pior equipa da segunda volta.
Mais um jogo, mais uma enchente de apoio à equipa encarnada Fonte: SL Benfica
Depois de ter perdido dois jogadores importantes na sua estratégia, a turma de Setúbal tem tido muitas dificuldades em pontuar nesta segunda volta. Com a confiança em alta, os pupilos da luz vão assim enfrentar uma equipa debilitada a nível de confiança. Para melhorar a situação, o Benfica joga em casa, perante o seu público. Com previsão de casa cheia, os jogadores vermelhos e brancos não se poderão queixar de falta de apoio. Mas, apesar de ter muitos factores a seu favor, a turma da luz não irá ter um jogo fácil pela frente.
Como todos vimos com a Académica, não existem adversários fracos, e as equipas aflitas fazem de tudo para somar pontos nesta fase do campeonato. Com a obrigação de conseguir os três pontos, a equipa do Benfica terá de se impor durante todo o jogo. Terá de fazer do seu estádio uma fortaleza e mostrar que na Luz manda a equipa de Rui Vitória. Espero ver uma equipa com dinâmica de jogo, a trocar bem a bola e acima de tudo com rapidez, de forma a descompensar o Vitória de Setúbal.
A vontade demonstrada nos dois jogos contra o Bayern terá de voltar a estar presente nos jogadores encarnados, porque neste momento todas as partidas que realizam são decisivas para os seus objectivos.
Espero que mostrem que o “Benfica europeu” é para continuar também no Campeonato Nacional e que todos os jogos devem ser encarados com a mesma “gana” e a mesma atitude com que são encarados os jogos da liga milionária. Apesar de o Vitória de Setúbal não ser um colosso, deve ser encarado com respeito, pois não é apenas nos jogos com os grandes que se ganham campeonatos; é também nos jogos com os pequenos, pois esta prova é uma prova de regularidade e não de vitórias do ego.
O FC Porto recebeu o CD Nacional com o objetivo de tentar pôr fim a uma série de resultados negativos. O campeonato já acabou para os azuis e brancos, mas a dignidade ainda tem de ser salva. Foi com o espírito de mostrar serviço para a próxima época que os Dragões entraram em campo. José Peseiro mostrou algumas surpresas no seu onze ao empurrar Danilo para o eixo central da defesa e ao apostar nos jovens Rúben Neves e André Silva. Destaque ainda para a inclusão de José Ángel em detrimento de Layún. Já Manuel Machado manteve a equipa inicial que na última jornada goleou o GD Estoril Praia.
Com as bancadas do Dragão mais compostas do que nas últimas jornadas, a equipa azul e branca precisou de apenas dez minutos para marcar dois golos. O FC Porto entrou muito forte no jogo ao promover triangulações e uma troca de bola rápida. Foi dos pés de Silvestre Varela que surgiu o primeiro golo da equipa da casa. Grande remate em arco de fora de área a inaugurar o marcador aos dois minutos de jogo. Os Dragões não tiraram o pé do acelerador e, depois de uma oportunidade falhada por André Silva, Herrera recebeu um cruzamento de Corona e finalizou da melhor forma. Jogada mexicana a criar o segundo golo dos Dragões aos 9′. O CD Nacional não conseguia construir jogo uma vez que a equipa liderada por José Peseiro fazia pressão alta no seu meio campo defensivo.
André Silva teve uma grande oportunidade aos vinte minutos para se estrear a marcar pela equipa principal ao responder com um cabeceamento forte a um bom cruzamento de José Ángel. Grande defesa de Rui Silva, que ainda negou, minutos depois, outro golo ao jovem português e dois remates de Corona. O FC Porto esteve por cima do jogo durante a primeira parte inteira e a prova disso é que o CD Nacional só conseguiu criar perigo com remates de longe. Num desses remates, Ali Ghazal testou a atenção de Casillas, permitindo que o guarda-redes da roja fizesse uma grande intervenção. Num dos únicos lances em que a equipa da madeira chegou à grande área dos Dragões, Tiquinho Soares quase marcava o primeiro golo da equipa, ao aparecer solto na grande área adversária e a cabecear para fora um cruzamento de Salvador Agra.
Silvestre Varela foi o jogador que inaugurou o marcador Fonte: FC Porto
Manuel Machado, numa tentativa de mudar o jogo do CD Nacional, promoveu uma alteração ao intervalo, colocando Luís Aurélio no lugar de Ali Ghazal. Foi dos pés do recém-entrado que saiu o primeiro remate da segunda parte. Os primeiros dez minutos não causaram nenhum sobressalto a nenhuma das equipas, mas bastou o FC Porto imprimir um pouco de velocidade para criar uma grande oportunidade aos 55′. Outro bom cruzamento de José Angel deu oportunidade a uma grande combinação entre Corona e Herrera, com este último a rematar com força e a proporcionar outra grande intervenção de Rui Silva. André Silva, novamente muito esforçado, teve outra oportunidade para se estrear a marcar aos 66′, mas o guarda-redes da equipa da madeira ganhou outra vez o duelo contra o jovem português. Rui Silva foi evitando os remates do FC Porto, mas não conseguiu evitar o cabeceamento de Danilo Pereira. Foi de cabeça que o internacional português respondeu a um cruzamento de Corona e inaugurou o marcador na segunda parte.
O FC Porto conseguiu manter o perigo fora da sua baliza, e nos minutos finais deu oportunidade a Rui Silva de brilhar novamente, após duas oportunidades desperdiçadas por Herrera e Aboubakar. O camaronês, que entrara no lugar de André Silva, não desperdiçou a segunda oportunidade e fez um chapéu sobre Rui Silva, estabelecendo o resultado final.
Grande exibição de “pré-época” do FC Porto. José Peseiro conseguiu colocar a equipa a jogar à sua imagem e impôs a melhor vitória enquanto treinador dos Dragões para o campeonato. A equipa de arbitragem esteve bem no jogo menos ao validar o golo de Aboubakar, uma vez que o camaronês estava em posição irregular no momento do passe.
A Figura:
Hector Herrera – O mexicano foi dono e senhor do jogo. Conseguiu marcar um golo e criar sucessivas oportunidades para a equipa marcar. Honrou a braçadeira de capitão.
O Fora-de-Jogo:
Manuel Machado – O treinador da equipa da madeira não conseguiu aproveitar o momento frágil dos azuis e brancos.
No começo do campeonato poucos imaginavam que Marítimo e Vitória de Guimarães, a 5 jornadas do fim da competição, iriam disputar uma partida estando, respectivamente, no 12º e 11º lugares da classificação. Uma época medíocre registada por ambas as equipas retiro-as da luta habitual pelo protagonismo europeu e coloco-as abaixo da meia tabela.
O Guimarães viajou à Madeira com um cadastro de 9 partidas sem vencer e a necessitar de inverter a tendência registada. Mas as coisas começaram a correr mal muito cedo. Para além de ser o Marítimo a chegar primeiro à baliza contrária com uma iniciativa de Edgar Costa, foi aos 12º minuto que Dalbert viu o vermelho directo, obrigando à restruturação da equipa Vimaranense. O 4x3x3 atacante de Sérgio Conceição, que tanto se transforma nos momentos de contensão defensiva com a função táctica de Otávio, perdeu parte do argumentário ofensivo com a saída de Licá – sacrificado pela expulsão de uma defesa da sua equipa. Este ponto determinante do jogo permitiu ao Marítimo garantir o controlo da posse e construir com a lateralização situações de perigo. Enquanto o Guimarães perdia equilíbrio dentro de campo, os Madeirenses chegavam com perigo à área contrária apanhando a defesa de Sérgio Conceição em dificuldades.
O primeiro golo da partida, apontado por Fransérgio, nasce, precisamente, de uma dessas investidas rápida em que os atacantes do Marítimo, exímios nos movimentos deste tipo, desorientam a defesa contrária com a subida em bloco no centro a acompanhar o desenrolar do lance no flanco. Fransérgio, praticamente isolado na área, não teve dificuldades para a finalização, e fazia cumprir o mais previsível numa partida que se revelada cada vez mais fácil para o Marítimo após a expulsão. A penalidade que surgia pouco depois foi sintomática da falta de concentração da defensiva do Guimarães, impotente perante a superioridade dos jogadores de Nelo Vingada. Fransérgio bisou e sentenciava, assim, um jogo apenas com uma tendência. Se um azar nunca vem só, o segundo acabaria por chegar ainda antes do intervalo com a saída forçada de Bouba Saré por lesão. Sérgio Conceição perdia um jogador interessante, cuja impulsão é determinante na manobra ofensiva do Guimarães, uma equipa caracterizada pela polivalência que tenta imprimir no centro do terreno e que, por vezes, tal como hoje, acaba por dificultar a qualidade defensiva.
A equipa de Sérgio Conceição atravessa um mau momento Fonte: Vitória SC
A Fórmula 1 continua pela Ásia e este fim-de-semana assentou arraiais em Xangai. O Grande Prémio da China deu continuidade à supremacia de Nico Rosberg e causou inesperadas dificuldades a Lewis Hamilton.
Na qualificação, Nico Rosberg aproveitou a quase ausência de Hamilton para se evidenciar. O inglês, que já iria ser penalizado em cinco posições por ter mudado de caixa de velocidades, acabou por não registar qualquer tempo na Q1, devido a problemas com o sistema de recuperação de energia – saiu do último lugar da grelha. Assim sendo, Rosberg foi rei e senhor da luta pela pole-position: mesmo ameaçado pela Ferrari, o alemão acabou por facilmente conquistar a primeira posição do grid. A scuderia italiana, por sua vez, continua a cometer demasiados erros nas voltas de qualificação; Vettel e Raikkonen chegam rapidamente aos primeiros lugares da classificação, mas acabam por perdê-los constantemente, já na Q3.
Ainda assim, nas horas que antecederam a corrida, Lewis Hamilton mostrou-se confiante. O piloto da Mercedes afirmou que o circuito chinês era propício a múltiplas ultrapassagens e que nada estava perdido. Mas o azar bateu à porta do inglês.
Daniel Ricciardo conseguiu um arranque-canhão e roubou a liderança a Rosberg – ainda que por pouco tempo. O australiano acabou por sofrer um furo num dos pneus do seu Red Bull e nunca mais conseguiu chegar perto do Mercedes. A partir daqui, Rosberg limitou-se a controlar um GP que lhe estava entregue desde a qualificação. Atrás, os dois Ferrari anularam-se e goraram todas as expectativas que a equipa tinha. Num acidente quase infantil, provocado pela insubordinação de Daniil Kvyat, Vettel não conseguiu evitar o toque em Raikkonen, provocando a destruição quase total da asa frontal do finlandês. A Ferrari disse adeus à vitória e à possibilidade de dois lugares no pódio logo na primeira volta.
E Hamilton, que tanto ambicionava a clássica corrida de trás para a frente, engolindo posição atrás de posição, teve de mudar de estratégia bem cedo. Um toque com o Sauber de Felipe Nasr, ainda na primeira volta, destruiu por completo a asa frontal do Mercedes e obrigou o inglês a uma paragem forçada e que arruinou todas as expectativas de alcançar os lugares cimeiros da classificação. Ainda assim, a mestria do piloto valeu-lhe a sétima posição.
A Mercedes vai em nove vitórias seguidas: três este ano e seis no ano passado Fonte: Facebook Mercedes AMG Petronas
Até ao fim há pouco mais para contar. Nico Rosberg liderou confortavelmente durante todo o GP, Daniil Kvyat aproveitou, ironicamente, o toque entre os Ferrari para garantir a segunda posição e Vettel conseguiu, esforçadamente, o último lugar do pódio.
Nota negativa para a McLaren, que fica fora dos pontos pela segunda vez esta temporada. Ainda assim, destaque para o regresso de Fernando Alonso, depois do aparatoso acidente na Austrália. É de realçar, também, pelos piores motivos, a prestação da Ferrari neste GP da China. Apesar do pódio, a equipa de Raikkonen e Vettel não soube lidar com o revés da primeira volta e mostrou-se desnorteada durante toda a prova; já para não falar dos erros inadmissíveis da qualificação.
Nota positiva para a Mercedes e para a qualidade técnica e mecânica do mono-veículo de Rosberg. O alemão tem muito a agradecer à equipa, e acabou por fazê-lo, nas entrevistas pós-corrida.
Nico Rosberg alcançou a sexta vitória consecutiva – apenas Michael Schumacher, Alberto Ascari e Sebastian Vettel o haviam conseguido – e cavou ainda mais o fosso para Lewis Hamilton, que é já de 36 pontos. Será este o ano de Nico? Ainda é cedo para conclusões, como diz o próprio. A Fórmula 1 volta no fim-de-semana de 29 de Abril a 1 de Maio, com o Grande Prémio da Rússia, em Sochi.
O futebol hoje em dia já não é só um desporto; é um negócio que movimenta milhares de milhões de euros todos os anos, onde muitas pessoas enriquecem e onde outras, na esperança de enriquecerem também, se afundam ainda mais. É quase como o novo “sonho americano”: àqueles que se aplicam pode sair o que muitos consideram ser a sorte grande. Dinheiro, fama, mulheres (ou homens), reconhecimento, luxo, admiração, e sabe-se lá que mais, tudo coordenado pelo mundo que rodeia o desporto do pontapé na bola.
Dinheiro movimentado em quantidades astronómicas é como o cheiro a sangue num oceano carregado de tubarões brancos, e rapidamente chegam os fundos de investimento ou os milhões árabes ou asiáticos. E, quando assim é, como é que são geridos psicologicamente miúdos a quem só falam em milhões, quando talvez até muitos deles passaram fome na infância? Porque hoje em dia é assim, e os miúdos aliciados pelas perspectivas milionárias acabam quase como jogadores mercenários.
É por isso que tenho uma extrema admiração por jogadores como Steven Gerrard e outros, que são poucos hoje em dia mas dedicaram a sua carreira a um clube e tornaram-se ícones no clube, lendas no futebol, ganharam dinheiro à mesma e reconhecimento, mas acima de tudo ganharam o respeito e a admiração dos adeptos, que também dão tudo pelo clube. Nestas situações, adeptos e jogadores tornam-se semelhantes, porque ambos dedicam a sua vida ao clube, de forma diferente: uns nas bancadas, outros no campo. Mas estão lá, sempre leais ao clube que apoiam.
Mas agora o normal é vermos os clubes a comportarem-se como meninos ricos e mimados. Fazem a birra do “eu quero, eu quero” e de repente já gastaram 300 milhões para comprarem jogadores, porque acham que os problemas do clube estão sempre nos jogadores. Se a equipa não joga, compra; se continua sem jogar, compra mais. Actualmente existem equipas que mais parecem uma Boys Band, mas que em vez de cantarem jogam futebol. E existem clubes que continuam a pensar que a solução dos seus problemas está em pagar milhões a jogadores, sem que eles tenham qualquer compromisso ou admiração emocional pelo clube e tornando-os em mercenários, achando que é com uma equipa de mercenários extremamente bem pagos que se ganha campeonatos e competições europeias.
As equipas são construídas com tempo, dedicação, garra e harmonia entre os jogadores. É preciso saberem que o clube, a instituição, é maior do que eles; é inclusive maior do que os treinadores e presidentes, sem haver egos superiores ao clube, e os únicos jogadores insubstituíveis são aqueles dispostos a dar tudo pelo clube, mesmo que sejam os menos talentosos. Isso é o que eu tenho visto no Sporting CP e que Bruno de Carvalho soube incutir. Fê-lo saber a Marcos Rojo, a Slimani, a Jefferson, a Bruma e a André Carrillo, que acharam que os seus egos e as suas vontades podiam sobrepor-se ao compromisso e ao peso de vestirem a camisola verde e branca. Só são bem vindos jogadores dedicados e comprometidos em representar o clube antes de se representarem a eles próprios.
O facto de o investimento não justificar o rendimento mostra que o Sporting é superior a milhões, nacionalidades ou egos Fonte: Sporting CP
Neste campo é bem visível o síndrome do menino rico e mimado em clubes como o Manchester United, que ainda está chorão porque já não é o mais popular da escola e acha que se gastar centenas de milhões por época vai voltar aos tempos de glória. Em contrapartida está o brilhante Leicester, que dá uma lição à liga inglesa: não são os milhões que fazem uma equipa jogar à bola. Em Espanha temos o caso do Real Madrid, em relação ao qual creio nem ser preciso entrar em pormenores, tendo em conta o investimento na equipa e o rendimento. Não fosse quem nós sabemos e gostaria de ver por que ruas da amargura andaria o clube. Em Portugal temos uma situação idêntica, que creio também ser facilmente reconhecível. Os milhões do Norte são também a prova viva de que dinheiro compra jogadores mas não faz equipas, e o FC Porto tem jogadores fantásticos mas uma equipa terrível.
Para terminar, quero apenas destacar um outro detalhe que comprova o que aqui disse. Há um treinador que, apesar da forma como terminou a relação com o Sporting, eu admiro bastante. O trabalho que Marco Silva fez no Estoril foi fantástico e a mentalidade que ele colocava nos jogadores era um exemplo de que uma equipa é mais do que jogadores bem pagos. Numa conferência de imprensa antes da deslocação do Estoril ao Dragão Marco Silva disse que sabiam da dificuldade de ir jogar em casa do Porto, mas que, como em qualquer outro jogo, iam jogar para ganhar. A verdade é que o Estoril venceu por 1-0 no Estádio do Dragão, assim como o fez em Alvalade e empatou na Luz. Uma equipa recém-chegada à primeira liga, com um orçamento bem mais baixo que o dos três grandes, jogava de olhos nos olhos com qualquer clube. Tudo porque os milhões não fazem equipas.
“3. Liga – nie mehr, nie mehr!” (3.ª divisão – nunca mais, nunca mais) – Foi este o grito de “guerra” que ecoou um pouco por todos os estádios da 3. Liga alemã esta temporada sempre que o SG Dynamo Dresden actuava na condição de equipa visitante ou sempre que jogava em casa, apoiado por mais de 20 mil frenéticos adeptos. Foi também com estas palavras de ordem que o capitão de equipa, Michael Hefele, “puxou” pelos seus companheiros, enquanto faziam a viagem de regresso a Dresden no autocarro da equipa após o empate a duas bolas frente aos rivais de longa data, 1. FC Magdeburg, empate esse que garantiu à equipa a subida ao segundo escalão do futebol alemão, no passado Sábado, 16 de Abril, à tarde.
A MDCC-Arena, em Magdeburgo, serviu de palco ao embate entre duas antigas potências do futebol alemão e europeu, mas que, pelos dias de hoje, militam, esquecidos pelo tempo, na 3.ª divisão do futebol germânico. “Traídos” pela reunificação das Alemanhas há mais de um quarto de século atrás, o 1.FC Magdeburg e o SGD Dynamo Dresden nunca mais se conseguiram impor na alta roda do futebol alemão, e os últimos anos têm sido particularmente penosos para ambos os emblemas. Perante 21.954 espectadores, estes dois grandes emblemas de outrora proporcionaram um bom espectáculo de futebol, que culminou com a festa de subida de divisão da formação de Dresden.
Os homens da casa dominaram na primeira metade do jogo e foi com alguma naturalidade que chegaram ao intervalo a vencer por 1-0, graças a um golo da autoria de Michel Niemeyer no minuto 41′ da partida. Os vencedores da extinta Taça das Taças no longínquo ano de 1974 voltaram a entrar forte no segundo tempo e chegaram ao 2-0 pelo antigo internacional de Sub-18 alemão Manuel Farrona-Pulido, que após a cobrança de um livre para a área aproveitou da melhor maneira alguma desorientação na defesa do SD Dynamo Dresden para bater Patrick Wiegers pela segunda vez.
Momentos antes do apito inicial do jogo entre o 1.FC Magdeburg e o SGD Dynamo Dresden do passado dia 16 de Abril Fonte: spiegel.de
Os visitantes, por seu lado, sabiam que o VfL Osnabrück estava empatado com o FSV Mainz II em casa por essa altura e que continuavam apenas a necessitar de fazer um ponto para assegurar desde logo a subida à 2. Bundesliga e, por isso, os pupilos de Uwe Neuhaus colocaram mãos à obra em busca do resultado. Os suspeitos do costume, Pascal “Paco” Testroet e Justin Eilers (o seu 20.º golo esta temporada), empataram o jogo para o Dynamo em apenas quatro minutos, levando à quase loucura os adeptos, que, com um entusiasmo contagiante, apoiavam a equipa na MDCC-Arena e a alguns quilómetros de distância, em Dresden, num ecrã gigante que o clube montou no seu próprio estádio para todos aqueles que não puderam fazer a viagem até Magdeburgo. Com pouco mais de 20 minutos até ao final, as duas equipas beneficiaram ainda de várias situações para marcar, mas o 2-2 manteve-se inalterado até ao último apito do árbitro.
O Sporting voltou esta noite a colocar pressão sobre o Benfica na luta titânica pelo campeonato nacional. Os “verde e brancos” tiveram de vestir o fato de macaco e suar bastante para levar de vencida uma perigosa equipa do Moreirense, que vendeu bem cara esta derrota no seu território.
Os regressos do capitão Adrien Silva e do lateral esquerdo Marvin Zeegelaar foram as únicas alterações em relação à vitória da semana passada, frente ao Marítimo. Num terreno tradicionalmente difícil, pesado, e debaixo de chuva persistente, os “leões” entraram firmes na partida, indo ao choque por todas as bolas, frente à equipa aguerrida do Moreirense.
Apesar de todo o esforço e espírito de sacrifício colocados em campo, a primeira parte dos verde e brancos não foi brilhante, com muito poucas ocasiões de golo criadas. Ainda assim, a equipa leonina chegou em justa vantagem ao intervalo, tendo em conta o domínio territorial exercido. O único golo dos primeiros 45 minutos foi, contudo, ilegal. No final do primeiro quarto de hora, Slimani está em posição irregular no momento em que Schelotto faz o cruzamento. Teo Gutiérrez, à entrada da área e perante a oposição de dois adversários, fez um chapéu brilhante sobre a defensiva minhota, deixando o lateral direito à vontade para cruzar para o avançado argelino. Não fosse o facto de Slimani estar em nítido fora de jogo, e estaríamos perante um dos melhores golos do campeonato. Já aqui referi duas vezes que o golo foi ilegal. Era bom que todos os amantes do futebol fossem honestos nas suas análises, mas sabemos que em Portugal não é assim. Mais uma vez, serve esta jogada como exemplo para mostrar que a introdução do vídeo-árbitro é necessária para “ontem”.
Mais um golo para Slimani Fonte: FPF
Após o golo, assistimos a uma partida equilibrada, com o Moreirense ligeiramente mais perigoso, sobretudo através de lances de bola parada. Fábio Espinho, o melhor jogador da equipa da casa, foi quem criou mais perigo, com um livre direto que passou perto do poste da baliza de Rui Patrício. Noutra ocasião, foi o guardião a defender com segurança mais um livre direto dos cónegos. A fechar a primeira parte, Teo Gutiérrez ainda introduziu a bola nas redes de Stefanovic, mas desta vez o árbitro assistente anulou o golo ao avançado “cafetero”, num lance que deixou algumas dúvidas. O Sporting procurava aumentar a vantagem, mas nunca mostrou capacidade para criar verdadeiros calafrios ao setor defensivo do Moreirense.
Acabou finalmente a época regular na melhor liga de basquetebol do mundo, e os favoritos dominaram as respectivas conferências. Os Cavaliers com maior ou menor dificuldade lá asseguraram o topo do Este e os Warriors, no Oeste, conseguiram impressionantemente bater o recorde de vitórias dos Chicago Bulls de 95/96 na fase regular da competição, com 73 vitórias e apenas nove derrotas. O verdadeiro basquetebol começa agora, e todos os recordes que os Warriors bateram, e foram bastantes, podem vir a não significar nada se a equipa não conseguir renovar o título.
Muitas respostas vão ser obtidas nestes playoffs. Será este o ano em que LeBron James finalmente conduz os seus Cavaliers à “terra prometida”, ou perderá o King a sua quinta final e Irving e/ou Love serão trocados? A dupla Durant-Westbrook conseguirá surpreender ou será este o fim dos Thunder e veremos Kevin Durant sair como free agent no final deste ano ou Russell Westbrook no final do próximo? Os “velhotes” Spurs ainda têm gás suficiente no tanque para ganhar outro título agora que se reinventaram à volta de Leonard e Aldridge? Será este o fim de Chris Paul nos Clippers se a equipa voltar a fracassar na postseason? E, a mais importante de todas, alguém consegue parar os Warriors?
ESTE
1.ª Ronda:
(1) Cleveland Cavaliers – Detroit Pistons (8)
Apesar de os Cavaliers terem tido dificuldades contra os Pistons na época regular, parece-me que a forte rotação da equipa de Cleveland, liderada por LeBron James, juntamente com a inexperiência da maior parte do plantel dos Pistons nesta fase, fará com que a série seja resolvida rapidamente. Stan Van Gundy é um grande treinador, mas é altura de começar a preparar a próxima temporada.
Previsão: Cleveland em 4
(4) Atlanta Hawks – Boston Celtics (5)
Provavelmente a série mais equilibrada nesta primeira ronda. Sinceramente pode cair para qualquer lado. Ambas as equipas são extremamente bem treinadas e destacam-se defensivamente, mas, tendo os Hawks a vantagem de jogar o jogo 7 em casa e não sabendo ainda como Boston conseguirá parar a dupla Millsap-Horford, vejo Atlanta a sair vitoriosa.
Previsão: Atlanta em 7
Isaiah Thomas e Jeff Teague irão estar frente a frente nesta eliminatória Fonte: USA Today
(3) Miami Heat – Charlotte Hornets (6)
A equipa liderada por Dwyane Wade está de volta aos playoffs dois anos depois de ter perdido a final contra San Antonio. Sem o lesionado Chris Bosh, Miami sentirá dificuldades em surpreender, mas, com uma rotação forte que inclui Dragic, Joe Johnson, Whiteside, Deng, Richardson e Winslow, os Heat deverão avançar.
Previsão: Miami em 7
(2) Toronto Raptors – Indiana Pacers (7)
Sim, é este o ano em que os Raptors finalmente ultrapassam a primeira ronda. A combinação de Lowy e DeRozan será demasiado forte para a equipa de Indiana, que, apesar de ter surpreendido defensivamente, terá dificuldades em acompanhar ofensivamente esta equipa de Toronto. Paul George não conseguirá fazer tudo sozinho.
Previsão: Toronto em 6
2.ª Ronda:
(1) Cleveland Cavaliers – Atlanta Hawks (4)
A superioridade da equipa de Cleveland será mais uma vez evidente. Depois de ter “escapado” a Boston, a equipa de Atlanta diz aqui adeus aos playoffs.
Previsão: Cleveland em 5
(2) Toronto Raptors – Miami Heat (3)
Gosto de Miami. São bem treinados por Erik Spoelstra e possuem uma combinação interessante de experiência e juventude no plantel. A equipa ultrapassou a ausência, por lesão, de Bosh, que em condições normais seria o seu melhor jogador, e deve também ultrapassar os Raptors nesta fase.
Previsão: Miami em 6
Miami Heat e Cleveland Cavs são as equipas apontadas à final de Conferência Fonte: NY Times
Final de Conferência:
(1) Cleveland Cavaliers – Miami Heat (3)
Miami poderá finalmente “vingar-se” de LeBron James, por ter “abandonado” a equipa para “voltar a casa”. Infelizmente, sem Chris Bosh, a equipa não tem qualquer hipótese e será “atropelada” por Cleveland, que deverá voltar a marcar presença na final da NBA.