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Eleições antecipadas no Sporting

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Neste momento posso anunciar, com 99,99% de certeza, que haverá eleições antecipadas no Sporting. Irão perguntar-me pelas provas que tenho para poder fazer essa afirmação, ao que eu respondo – Mas desde quando neste país precisamos de provas concretas para podermos fazer este tipo de afirmações?

De qualquer forma, mesmo não tendo essas provas, tenho os indícios, que a seguir explano. Um antigo presidente do Sporting disse que, se o Sporting ficar em segundo, e o treinador sair, com certeza haverá eleições antecipadas; disse também que, neste momento, e com o treinador do seu lado, Bruno de Carvalho é invencível nas eleições (tenho de concordar).

Sabemos também que este senhor, segundo se sabe, andou em reuniões com outros “notáveis” do Sporting e off-Sporting. Ora, a possibilidade de o Sporting ficar em segundo lugar é real, e é disso que estes senhores estão à espera para poderem passar à segunda fase, que será aliciar, ou mandar aliciar, o treinador a sair do clube.

Todos sabemos que Jesus, apesar de ser um sportinguista assumido, nunca negou a vontade de treinar os três grandes de Portugal, e o clube que lhe falta no “CV” está na eminência de ficar sem treinador. Junta-se a isto o facto de o presidente desse clube ser amigo do treinador do Sporting (aqui abro um parêntesis para dizer que só o ego e a auto-estima de Jesus não o deixariam sair do Sporting, porque teria de sair sem cumprir o que prometeu: ganhar o campeonato).

Então, num exercício mirabolante, e sem lógica alguma (tenho a certeza de que nos comentários hoje aparecerá um dos habituais a escrever: “Ainda bem que ele nos avisa”), imaginemos que nessas reuniões de notáveis se criou o cenário de, caso o Sporting não ganhe o campeonato, se mandar um recado para o norte (se é que ainda será preciso) a indicar o nome de Jesus para novo treinador de um clube do Porto.

A relação de amizade entre Jesus e Pinto da Costa é sobejamente conhecida Fonte: Sporting CP
A relação de amizade entre Jesus e Pinto da Costa é sobejamente conhecida
Fonte: Sporting CP

Feito isto, com o presidente sem o treinador ao seu lado, só faltará forçar eleições antecipadas, esforços esses que já foram iniciados com outdoors e panfletos.

Quando, ou se, o Sporting perder o campeonato, amealhando mais um ano sem troféus importantes (parece que a Supertaça só é importante ou conta como título quando são outros a ganhá-la), os tais notáveis farão fila na Comunicação Social a desancar a actual direcção (porque, como sabemos, eles foram bem mais competentes quando lá estiveram).

A (ainda curta) história de um treinador de 28 anos na Bundesliga

Cabeçalho Liga Alemã

O TSG Hoffenheim é um clube sem muita história no futebol germânico. Fundado em 1899, tem apenas um título no palmarés – a edição 2000/2001 da Oberliga Baden-Württemberg, divisão distrital alemã – e está a disputar a Bundesliga apenas pela oitava vez em toda a sua história; esta é no entanto, a oitava presença consecutiva na competição, uma vez que o clube se estreou no principal escalão do futebol do seu país em 2008/2009 e de lá não mais saiu desde então.

Em 2015/2016, o clube luta por se manter entre os grandes, e a situação está complicada. Contudo, se o Hoffenheim consegue, atualmente, ter alguma margem de manobra para evitar a descida da Bundesliga, bem pode agradecer ao seu terceiro treinador da época, Julian Nagelsmann. O sucessor de Markus Gisdol, que iniciou a temporada, e Huub Stevens chegou em fevereiro e, em apenas seis jogos, tirou o clube da zona de despromoção pela primeira vez em muitos meses – o Hoffenheim chegou mesmo a ocupar o último lugar da tabela classificativa.

É normal no mundo do futebol as chamadas “chicotadas psicológicas” resultarem na subida de rendimento de uma equipa, conforme a atitude e as ideias do novo treinador. Por isso, este poderia ser apenas mais uma história de um clube que, fruto de uma mudança no comando técnico e de um bom momento de forma, melhorou na tabela classificativa. Mas não é o caso. Julian Nagelsmann teve uma carreira curta como futebolista, que chegou a conciliar com a de observador e de treinador adjunto. Em 2011/2012, assumiu o comando técnico das formações jovens do Hoffenheim, que só deixou para orientar a equipa sénior, há dois meses atrás. O mais surpreendente de tudo isto é que estou a falar de um treinador com apenas 28 anos de idade (completa 29 em julho). Nagelsmann é mais novo que vários dos seus jogadores, embora o Hoffenheim tenha um plantel bastante jovem, mas isso não tem sido um problema para ele.

Julian Nagelsmann teve o condão de despertar o Hoffenheim, que está na luta pela manutenção na Bundesliga Fonte: TSG 1899 Hoffenheim
Julian Nagelsmann teve o condão de despertar o Hoffenheim, que está na luta pela manutenção na Bundesliga
Fonte: TSG 1899 Hoffenheim

Nos únicos nove jogos que realizou desde que chegou à Rhein Neckar Arena, todos eles a contar para a Bundesliga, o jovem treinador alemão conseguiu cinco vitórias e perdeu apenas por duas ocasiões. Significa isto que Nagelsmann conseguiu, num par de meses no comando técnico do Hoffenheim, vencer mais que os seus dois antecessores juntos: o compatriota Gisdol tinha ganho apenas um de onze jogos, num registo semelhante ao do holandês Stevens, que ganhou um em dez.

Com cinco jornadas por disputar no campeonato alemão, o Hoffenheim atravessa a melhor fase da temporada, não perdendo há quatro partidas consecutivas. Está, no entanto, na 14ª posição, com apenas mais três pontos que o Werder Bremen, equipa imediatamente abaixo da linha de água. Julian Nagelsmann está a realizar um trabalho notável até agora, mas a manutenção está longe de estar garantida. Esta reta final da Bundesliga vai, por isso, ser determinante para o sucesso do seu clube. Para um técnico tão jovem, a permanência no principal escalão do futebol alemão seria um feito, que iria também pôr em causa ideias preconcebidas de que um treinador precisa de ter uma idade mínima para ter sucesso ao mais alto nível. Nagelsmann ainda tem um longo caminho por percorrer, mas, para por agora, ameaça seriamente entrar para a história.

Foto de capa: TSG 1899 Hoffenheim

A qualidade paga-se cara

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Cabeçalho modalidades

O melhor jogador de futsal do mundo está atualmente a ponderar a mudança de clube, conforme muitos dos nossos leitores já devem ter lido por aí, tendo várias propostas em cima da mesa. Desde a proposta mais badalada do Nacional Zagreb, da Croácia, até destinos um pouco mais exóticos, como a Rússia ou o Dubai, o futuro do mágico é ainda uma incerteza. Mas qual a razão de ponderar largar uma das melhores equipas do mundo para abraçar um projeto bastante menos aliciante em termos desportivos, podendo isto claramente ser visto como um passo atrás na sua brilhante carreira desportiva?

A resposta é apenas uma e não vale a pena criar suspense: com esta eventual mudança, a conta bancária do português iria ficar bastante mais recheada. Atenção que isto não é uma crítica ao jogador em questão, pois já demonstrou em várias ocasiões o seu grande carácter ao afirmar que “em Portugal, só jogo no Benfica”, e há que pensar em outras questões, pois “a carreira de um jogador de futsal é bastante curta”, ou seja, não se pode deitar fora assim uma oportunidade destas só porque não é tão ambiciosa do ponto de vista desportivo.

Basicamente, aquilo que eu pretendo transmitir é que há outras questões, neste caso financeiras, que pesam na decisão de Ricardinho, que está preocupado em salvaguardar o seu futuro e garantir assim um rendimento minimamente condizente com o que ele tem demonstrado valer.

Esta imagem pode não se repetir na próxima temporada Fonte: Ricardinho10.com
Esta imagem pode não se repetir na próxima temporada
Fonte: Ricardinho10.com

Pois a questão é que o salário que Ricardo Braga viu o Nacional Zagreb oferecer, na ordem dos 50 mil euros mensais, algo que o tornaria no jogador de futsal mais bem pago do mundo, pode parecer muito, mas o Benfica faz investimentos brutais na modalidade que é, de longe, mais falada e que mais rendimento traz ao clube, neste caso o futebol de 11. Eu aproveito para questionar o seguinte: há jogadores no plantel dos três grandes que auferem salários muito superiores e que ainda não provaram ter valor para ganhar tanto; logo, porque não tenta o SL Benfica comprar o internacional português para a próxima época?

Creio que é uma aposta segura e que iria suscitar ainda mais interesse nesta modalidade, porque se poderia ver o melhor jogador da atualidade a jogar nos pavilhões nacionais e aumentar assim a qualidade do nosso campeonato.

Foto de Capa: UEFA

FK Shakhtar 4-0 SC Braga: Os meus valores de DBC ficaram descontrolados!

Cabeçalho Futebol Nacional

Fim do jogo, fim do sonho. Numa noite em que o pragmatismo era mais que necessário, foram os ucranianos que levaram a melhor. Aliás, no conjunto das duas mãos foi esse um dos factores essenciais, senão o mais influente. A experiência e a sorte do jogo, vêm logo a seguir. Depois, o azar do Braga, o apito, e o não aproveitamento daquele ímpeto inicial que nos levaria longe. Em ambos os jogos, duas lições bem estudadas do lado ucraniano gelaram o coração quente dos guerreiros. Na Pedreira arrefecemos, na Ucrânia gelámos…

No que toca ao jogo, o Braga entrou bem, a pautar ritmos e a avançar no terreno. Pedra a pedra se ia construindo o jogo bracarense. Bola em Hassan, toque na perna… canto. Claro que, o nervosismo e a injustiça, seriam espectros que assombravam os ombros deste Braga no decorrer da restante partida. De seguida, os ucranianos perante o desperdício de bola bracarense e o gelo que se ía apoderando destes, entram na diagonal pela área e pénalti. Tal como na semana anterior, Goiano falha o corte, e é ou não é. Matheus até tentou por duas vezes. Nem à primeira nem à segunda o brasileiro conseguiu apanhar a bola. 1-0 para o Shakhtar aos 25 minutos de jogo. Se este balde de água gelada foi péssimo para o Braga, imagine-se quem sofria de DBC… Entenda-se Doença Braguista Crónica. Os meus valores de DBC ficaram descontrolados! Como se isso não bastasse, antes do intervalo os ucranianos embalados pela bitola europeia pressionam o Braga, e num lance de clara infelicidade de Ricardo Ferreira, 2-0. Tempo de descanso em Lviv para afinar relógios.

Paulo Fonseca e os seus jogadores ainda têm muito pela frente Fonte: SC Braga
Paulo Fonseca e os seus jogadores ainda têm muito pela frente
Fonte: SC Braga

Vem o segundo tempo, e os jogadores do Braga entram no relvado com algum atraso. Nem o Paulo nem ninguém tinha as horas contadas. Sempre a tentar, mas o Shakhtar, experientemente, voltava a facturar. 3-0 nem horas, nem resultado, 4-0, não tenho mais nada para contar. Em noite de azar, o melhor avançado foi Ricardo. Facturou a dobrar… Somente direi que sem desistir, entre duas oportunidades dos incansáveis, Rafa e Hassan, nenhuma entrou. Muita calma que para o ano há mais e melhor. E tu Ricardo, és dos melhores que temos, portanto cabeça para cima e bola nos pés. Talento não se tira a ninguém!

Permitam-me agora falar de um pouco de tudo. O Braga, o mundo Braguista e a cidade merecem-me esse respeito. Merecem e são um orgulho. O percurso que fizemos, foi fantástico. Fizeste-nos sonhar como outrora, e continuar a acreditar que era possível. Isso é o maior orgulho de um Coração Guerreiro. Finalizo com um dado interessante. Saiba o leitor que pela Europa fora, foi o Braga que mostrou a maior resistência. Manteve-se até hoje nas quatro provas com que começou a temporada. É verdade que foram dois dias de diferença do poderoso PSG, mas também é verdade que fomos nós a cair por último. Por isso somos cada vez maiores. Enormes. Estamos unidos.

Segunda há mais, e aconselho algum controlo, para os meus valores de DBC entrarem nos indicadores ideais.

Força, Braga!

A Figura:

Srna – pelo número de jogos realizados ao serviço do futebol e do Shaktar.

O Fora de Jogo:

Ricardo Ferreira – pelo azar de se ter enganado na baliza em que devia marcar golo.

O (grande) valor desta vitória moral

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Algo acontece no mundo do futebol e que urge denunciar e fazer por cessar: as vitórias morais são, na sua maioria, alvo de uma enorme discriminação. Este flagelo, incompreensível em pleno século XXI, não é, como se poderia esperar, protagonizado por indivíduos sem rosto, de palavras anónimas e distantes. Pelo contrário, os seus autores são, isso sim, os adeptos comuns, aqueles com quem convivemos diariamente, nossos familiares, amigos ou colegas de trabalho; não escolhe classes, sexo ou idade. E sofre de dupla incompreensão: de quem a conquista e de todos os outros, os rivais, incapazes de encontrarem mérito numa escalada abaixo do Evereste – mesmo se apenas por centímetros.

Quem a conquista – à moral em causa, entenda-se – rejeita assumir perante os outros sentimentos positivos após o desaire da própria equipa. Não lhe importa o adversário, o seu orçamento ou as suas qualidades individuais e colectivas; nem sequer as circunstâncias atenuantes decorrentes do próprio jogo (como castigos e lesões ou erros de arbitragem). Nestes casos, o adepto comum ignora publicamente o carácter inatingível do desafio. Apesar da exibição positiva e do resultado alcançado – normalmente, uma derrota por números reduzidos – usa da vaidade e, em certos casos, da ingenuidade com o alegado propósito de proteger a sagrada dimensão do clube que apoia.

Assistir a tal coisa nos dias que correm parece-me inaceitável; peço, por isso, liberdade e igualdade de oportunidades para a vitória moral, assim como ao direito a usufruir da tranquilidade e da felicidade que ela comporta. A última destas vitórias conquistei, ou melhor, conquistámos – avance quem tiver coragem! – na passada quarta-feira, graças a uma exibição notável de uma equipa constituída maioritariamente por miúdos e suplentes do Benfica frente ao Bayern de Munique de Pep Guardiola, uma das melhores equipas do mundo na actualidade e, muito provavelmente, da história do futebol.

A eliminatória terminou 3-2 e o Benfica foi afastado da Liga dos Campeões. Dito assim, parecem poucos os motivos para festejar. Haverá sempre quem afirme sem vergonha que os efeitos de diferentes derrotas são sempre iguais; ou que nada de positivo pode advir para além da sua consumação. Esta lógica pressupõe que será igual perder por um ou por dez; que perder uma final é, na verdade, o mesmo que nem lá chegar; que a derrota por um com o campeão alemão é, no fundo, o mesmo que perder por três com o da Albânia; ou até que apurar-se via Taça Intertoto é, mais coisa menos coisa, conquistar uma competição europeia.

Três suplentes do Benfica a festejarem um golo ao Bayern de Munique... Fonte: #SL Benfica
Três suplentes do Benfica a festejarem um golo ao Bayern de Munique…
Fonte: #SL Benfica

Pois eu digo que não é! Que este jogo e esta eliminatória confirmaram, essencialmente, o patamar a que pertence o Benfica; ou, se preferirem, ao lote de clubes a que recentemente foi devolvido – e que será sempre inalcançável a qualquer outro emblema deste país pequenino. Como no Estádio da Luz não cabem complexos, como é apenas e só um dos mais belos locais do mundo de partilha de um amor comum, no final do jogo cantou-se em uníssono e sem tabus a grandeza e o orgulho. Nas bancadas eram milhares, mas, por todo o mundo, eram milhões a festejar uma grande vitória moral, tão inútil para tantos, quanto, na minha humilde opinião, indispensável nesta fase da época.

Olhando para nós próprios – todos nós, estando dentro ou fora das quatro linhas – encontramos nestes 180 minutos mais que o suficiente para alcançarmos o nosso principal objectivo. Acredito tanto nesta equipa – com ou sem Jonas, Mitroglu e Gaitán; com ou sem seis miúdos com 22 anos ou menos; com ou sem quatro atletas da nossa formação – que a acho capaz de tudo. Por isso mesmo, a recordarei para sempre como aquela que melhor representou a qualidade, o querer e a ambição que nos são congénitos. Mas já agora, para o campeonato: dêem-me uma vitória real.

Linces em Hong Kong: Sem ensaios não se ganham jogos

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Com algumas alterações em relação às últimas convocatórias, os Linces foram até Hong Kong participar numa das mais apaixonantes etapas do circuito mundial. António Aguilar chamou Pedro Leal, Adérito Esteves, Vasco Ribeiro, José Luís Cabral, António Vidinha, Vasco Poppe, Pedro Silvério, João Bello, Tiago Fernandes, Vasco Fragoso Mendes, Tomás Appleton e António Cortes para defrontar, na primeira fase, Austrália, Estados Unidos e Argentina.

O primeiro jogo oporia Portugal e Estados Unidos. A armada lusa revelaria pormenores interessantes, mas um ataque perdulário – como se viria a verificar em toda a etapa – castigaria os Linces, que não marcariam mais do que um ensaio, através de Tomás Appleton. Os norte-americanos aproveitariam e controlariam a partida a seu bel-prazer. 29-5, os portugueses terminavam o primeiro jogo da fase-de-grupos com uma derrota pesada, tendo em conta a exibição realizada.

No jogo seguinte, frente à poderosa Austrália, os Linces nunca ameaçariam e a vitória sorriria, com facilidade, aos australianos, ainda que Tomás Appleton, uma vez mais, realizasse, com sucesso, o toque de meta e Pedro Leal convertesse o ensaio. O resultado final, 45-7, desta vez espelharia bem o pouco engenho luso.

No terceiro e último jogo desta fase, os Linces entrariam convictos em campo e sairiam cheios de motivos para ficar desapontados com a sua performance ofensiva. Podemos dizer que tudo o que poderia ter corrido mal correria pessimamente e as várias oportunidades de marcar ensaios sairiam sempre… Furadas! Enquanto os portugueses não conseguiam atingir os pontos, os Pumas chamavam-lhes um figo e iriam construindo uma vitória sólida (26-0).

O esforço luso não obteve qualquer glória Fonte: World Rugby Sevens Series
O esforço luso não obteve qualquer glória
Fonte: World Rugby Sevens Series

Três jogos e três derrotas depois, Portugal encontrava-se nos quartos-de-final da Taça Bowl e iria encarar a Escócia. Num épico duelo disputado debaixo de chuva intensa, os Linces realizariam a sua melhor exibição de toda a etapa. Depois de uma primeira parte excepcional em termos defensivos, mas, mais uma vez nula a nível atacante, viria o balde de água fria: os escoceses marcariam o ensaio da vitória numa das poucas falhas da defesa portuguesa, com a equipa a não conseguir reagir, de forma útil, e a averbar mais uma derrota, desta feita por 5-0.

No último jogo de Portugal na etapa, e já relegado para a Taça Shield, o adversário luso seria o Canadá. Num encontro que não passaria de ”mais do mesmo” e onde Pedro Leal marcaria o único ensaio português, os Linces despediriam-se de Hong Kong com mais uma derrota – 19-5 – e uma sofrível prestação atacante, que hipotecaria toda e qualquer ambição.

Se a etapa foi (mais) uma decepção para os portugueses, a verdade é que a estreia de Tomás Appleton em jogos do circuito (nesta época) foi bastante agradável. O jovem atleta fez da sua confiança a sua melhor aliada e marcou a diferença, ora com as suas mudanças de velocidade, ora com o seu recorte técnico.

Em relação à principal competição, as Fiji disputariam a final da Taça Cup com a Nova Zelândia numa partida, como sempre, emocionante, que viria a pender para os fijianos, que, nesta altura, comandam o primeiro lugar da classificação geral do Circuito Mundial de 7s.

Foto de capa: Portugal Rugby 7s

Não basta ter os melhores do mundo…

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É certo e sabido que Portugal tem dos melhores atletas do mundo em diferentes modalidades… Mas também é certo e sabido que isso não nos leva a atingir o mais alto lugar no pódio por si só…

Temos no Futebol, temos no Futsal, temos no Futebol de Praia, temos no Hóquei em Patins, e tantas, tantas outras modalidades… mas “um não é suficiente contra uma grande equipa adversária”. E, ano após ano, esse tem sido o grande problema de Portugal nas grandes competições (sejam elas europeias ou mundiais)… Esperar que os Ronaldos, os Ricardinhos e os Madjers desta vida façam o trabalho que muitos deveriam fazer… e vamos andando, meio coxos, na luta pelos apuramentos e pelas vitórias nas competições, numa ânsia de que os melhores resolvam…

Não, não basta! Não, não chega! É preciso mais, é preciso mais suor, mais esforço e mais criação de um todo. Há uns anos, um conhecido dirigente da praça pública falava de que era necessário um clube “fazer a espinha dorsal da selecção”, e é nesse caminho que o Sporting Clube de Portugal tem trabalhado bastante e que muito me tem orgulhado. Não só nas diferentes camadas do Futebol de 11, como noutras modalidades, como o Futebol de Praia e, mais recentemente, o exemplo da Selecção Nacional de Futsal.

Ricardinho
Ricardinho voltou a espalhar magia no Pavilhão de Odivelas, desta vez com resultados práticos e Portugal apurou-se para o Mundial
Fonte: UEFA

E tem sido isso, modalidade atrás de modalidade, e em diferentes faixas etárias… É importante que os clubes promovam o entrosamento das equipas para que depois os diferentes seleccionadores promovam o aproveitamento do talento, e é preciso rapidamente fazer uma análise dos pontos fortes e fracos das diferentes selecções e não termos 10 “extremos fantásticos” mas “nenhum ponta de lança”…

É importante que todas as equipas portuguesas façam uma grande figura em todas as grandes competições, não só pela promoção de Portugal no mundo, mas também para maior facilidade de as equipas portuguesas marcarem presença no futuro. Não basta ter os melhores do mundo… é preciso sermos os melhores do mundo!

Posto isto, foi com alguma “tristeza” que vi o SL Benfica ser eliminado pelo FC Bayern Munique. Ainda assim, creio que os encarnados se portaram bem e deram uma boa imagem do futebol português.

E sim, sou Sportinguista! E não deixo de sê-lo por desejar boa sorte – que neste caso de pouco valeu – aos rivais.

Foto de Capa: supersporting.net

Carta aberta a: Kobe Bryant

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Caro Kobe Bean Bryant,

Duvido de que algum dia vejas este texto, mas, de qualquer forma, fica a homenagem. Daí que também opte por escrever num registo mais “pessoal”. Já tinha feito um “Jogadores que Admiro” sobre ti, ainda assim, no dia da tua despedida dos pavilhões, não poderia deixar de escrever algo mais.

Tal como enfatizei no tal artigo, és o meu jogador preferido na NBA, e foi devido a ti que me tornei adepto dos LA Lakers. A tua forma de jogar, a maneira como conduzias a equipa, a “relação” que existia entre ti e a bola, o teu espírito e força de vontade, a tua competitividade, o teu querer mais do que todos, e muitos outros aspetos, fizeram-me ter-te como um “modelo” em termos do que poderia ser uma espécie de protótipo de um jogador de basket.

Um verdadeiro vencedor, um guerreiro, dentro e fora do campo (quem não se lembra da altura em que sofreste uma grave lesão, em 2013, no tendão de Aquiles, e ainda tiveste a capacidade e coragem para ir marcar os lances livres correspondentes…), enorme lutador, sendo que passaste um período em que as lesões iam e vinham, iam e vinham, mas não deixavas de lutar, de (re)agir, de voltar a erguer, por muito difíceis que fossem as recuperações.

Dos jogadores mais carismáticos que pisaram um pavilhão, deixando poucas pessoas indiferentes ao que fazias ou dizias. Algo polémico, por vezes, mas isso também faz parte. Não deixas de ser um dos melhores jogadores de sempre, uma lenda, no pleno sentido da palavra. Para mim, o melhor, considerando tudo, depois do eterno Michael Jordan.

Como é curioso refletir no que teria acontecido se tivesses ficado nos Hornets… Será que te tornarias um dos melhores? Nunca se saberá. Mas tenho confiança de que sim, só que acabaste por vir para onde querias ter vindo e em boa altura o fizeste. “Saltaste” diretamente do high school (em Portugal, o equivalente ao ensino médio) para a NBA, foste um desses poucos casos. É incrível como te selecionaram apenas no 13.º naquele draft e te tornaste no jogador que foste, és e sempre serás. Outra situação bastante curiosa é o facto de a ida para os Lakers coincidir com o meu ano de nascimento, 1996.

Kobe Bryant despede-se do espetáculo da NBA Fonte: LA Lakers
Kobe Bryant despede-se do espetáculo da NBA
Fonte: LA Lakers

Aos 37 anos, sendo que 20 deles foram dedicados ao nível mais alto no mundo do basket, o grande “Black Mamba” faz * a sua última partida pelos Los Angeles Lakers, um dos melhores e mais históricos franchises da história da NBA. No também mítico Staples Center, a equipa da casa recebe os Utah Jazz num enorme ambiente de festa e homenagem a um dos melhores jogadores da história, não só da equipa, como da própria liga profissional de basquetebol norte-americano. Casa cheia para ver o último jogo desta lenda e o último jogo, neste ano, dos Lakers, que, infelizmente, na última época do Kobe, fazem um dos piores recordes de sempre da equipa. Mas será mesmo um virar da página, quer para a equipa, quer para o camisola 24 (que teve em Shaquille O’Neal e Pau Gasol dois dos seus mais “fiéis” e conhecidos companheiros, dois excelentes jogadores e que também estarão para sempre na história da NBA).

SL Benfica 2-2 FC Bayern de Munique: E no fim ganham os alemães…

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É uma daquelas verdades duradouras do futebol, esta a preconizada no título. E quando saiu o sorteio todos pensámos que dificilmente esse fado se alteraria, tal a discrepância de orçamentos e, consequentemente, de recursos de plantel. Havia quem vaticinasse mesmo uma hecatombe total. Por mim, apenas desejei que, no mínimo, não saíssemos da Champions League vergados a uma goleada. Não só pelo prestígio em si, mas sobretudo pelo efeito desmoralizador para a Liga portuguesa e adeptos, traduzindo-se numa possível quebra na onda vermelha. Bom, não só não se confirmaram os piores cenários, como estivemos bem por dentro da eliminatória até aos 142 minutos do total 180 minutos que nos separavam das meias-finais, quando sofremos o 1-2. Quem diria…

Mas vamos ao jogo. É impossível vergar este Bayern ao nível da posse de bola e o Benfica entrou a saber disso. Os bávaros apresentaram a sua habitual face, procurando ter a bola, libertando a avalanche directamente à nossa baliza, mas sem uma referência fixa na frente, já que Lewandovski ficou no banco, preferindo a circulação, com Muller móvel a abrir espaço, ora a Vidal, ora a Douglas, ora a Ribery. Com Xabi Alonso no 11 essa intenção foi notória. O Benfica forçosamente teve de alterar um pouco o seu jogo. Sem Mitroglou, Jonas e Gaitán, ficámos mais num 4x2x3x1, Salvio e Carcela nas alas e Pizzi no apoio a Raul Jiménez. Foi um Benfica personalizado, o que entrou no jogo, preparado para o carrossel, embarcando nele, mas sem entrar na vertigem dos comandados por Guardiola. Na defesa, Lindelof, Fejsa e Ederson iam demonstrando ser de aço, com uma concentração a toda a prova. O sérvio esteve em todo lado e os dois jovens formados na Luz devem ter entrado nos cadernos de muito tubarão europeu. E com o jogo a seguir a mesma toada de Munique, com o Bayern a circular a bola e com o Benfica a manter-se firme, a explosão da Luz: cruzamento de Eliseu e um cabeceamento certeiro de Raul Jiménez a aproveitar um erro de amador de Neuer. E pouco tempo depois, quase o 2-0, de novo pelo mexicano.

Depois do importante golo em Coimbra, o mexicano facturou hoje frente ao colosso alemão Fonte: #SL Benfica
Depois do importante golo em Coimbra, o mexicano facturou hoje frente ao colosso alemão
Fonte: SL Benfica

Era a melhor fase do Benfica em toda a eliminatória: tudo empatado e os bávaros meio desnorteados. A cada recuperação de bola do Benfica, os de Rui Vitória desdobravam-se bem na defesa e iam rápidos e empolgados para o ataque. Cheirava a epopeia! Mas com gente como o Bayern não se brinca. Mesmo quando não estão bem, pode sempre surgir um coelho da cartola. Foi o que aconteceu. Ataque rápido, cruzamento tenso, Ederson em mais uma excelente intervenção, só que ninguém cobriu a entrada de Vidal. O chileno, com frieza, remata de primeira à baliza. Rude golpe no entusiasmo encarnado e o jogo muda. É também nestas coisinhas que está a diferença. Jogadores de menor qualidade tentariam dominar a bola e só depois tentar um remate em jeito ou sairia um chutão. Com o ex-Juventus saiu um remate de primeira, colocado, em força e aproveitando a ausência de Ederson, que tinha tido uma boa intervenção, o erro foi a falta de cobertura. Sanches tinha de acompanhar o chileno… E com uns 7 minutos para jogar, o desnorte por causo do empate. Se Rui Vitória pudesse, antecipava o intervalo, tamanha era a desconcentração dos nossos jogadores.

Ronaldo para a história

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Cabeçalho Liga Espanhola

“Terça-feira será uma noite perfeita; mágica”, avisara Ronaldo.

Diz-se que a melhor maneira de prever o futuro, é criá-lo, e Ronaldo já tinha decidido que seria assim. Marcou o primeiro, marcou o segundo, marcou o terceiro e marcou o seu nome na história das noites mágicas do Bernabéu. Talvez não soubesse que a bola cruzada pelo Carvajal seria desviada por um defesa, deixando-o em situação ideal para fazer o primeiro golo. Talvez não soubesse que a barreira se iria abrir quando rematou para o terceiro. (O golo de cabeça sim, já ele tinha planeado ao milímetro). Mas, se não fosse assim, seria de outra forma. Mas seria, que ele já tinha decidido.

É um bicho, como lhe chamam aqui em Espanha, que teima em superar todas as barreiras, metafóricas ou literais. Desta vez, surgiu uma barreira de sete “alemães”, alinhados para impedir que o seu remate chegasse à baliza. Mas foi inútil. O livre até era mais ao jeito de Bale, mas o galês nem se aproximou, que estava ali um homem determinado em criar o seu próprio futuro. E o pontapé de Ronaldo transmitiu um pouco daquela sua obstinação para a bola, que só tendo um feitio especial é que poderia atravessar assim a barreira, pelo único buraco que lá havia. Ali, entre os 1,98m de Naldo e os 1,87m de Guilavogui.

Punho fechado e uma veia a querer saltar do pescoço, assim se remonta. Fonte: Facebook Oficial de Cristiano Ronaldo
Punho fechado e uma veia a querer saltar do pescoço, assim se remonta. Fonte: Facebook Oficial de Cristiano Ronaldo

Os golos entrariam de qualquer forma, mas os festejos só podiam ser como foram. Não era dia de dar aquele saltinho com meia volta, que o Ronaldo já tornou famoso. Era dia de punho fechado e uma veia a querer saltar do pescoço. A mesma veia que o fez sair da Madeira sem nada e que agora o impede de se contentar com três Bolas de Ouro. Ronaldo quer sempre mais. Depois de um golo, quer o próximo. Depois de pôr 80.000 adeptos a gritar pela equipa no Bernabéu, gesticula para a bancada, reclamando mais apoio: “Vamos, c******”, grita em bom português. E fá-lo, tendo já ganho legitimidade para isso, o que não é fácil num estádio habituado a ver os melhores.

Remontadas como esta sobrevivem mais do que qualquer obra de betão. É em noites como a de terça-feira que os grandes clubes são erigidos e que as lendas são criadas. E são os seus protagonistas que alimentam sonhos de crianças e, mais tarde, alimentam as histórias que essas crianças contarão aos netos. Juanito, que jogou no Real Madrid nas décadas de 70 e 80, é um desses nomes, que se imortalizaram à base de raça e de participação em remontadas históricas, e que é dado como exemplo aos mais novos. Esta semana, o filho de Juanito disse que está cansado de ouvir os adeptos invocarem o nome do seu pai. Não será mais necessário. O Real Madrid já tem um herói para as próximas décadas.

Foto de Capa: UEFA Champions League