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A falta que tramou o Sporting e cobriu o Benfica de glória

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«A pessoa que disse “eu prefiro ter sorte do que ser bom” viu a vida de forma cristalina. As pessoas têm dificuldade em perceber que uma grande parte da vida depende da sorte. É assustador pensar na quantidade de coisas que estão para lá do nosso controlo. Há momentos num jogo [de ténis] em que a bola bate no cimo da rede e, durante uma fracção de segundo, tanto pode passar para o outro lado como resvalar para trás. Com um pouco de sorte cai para a frente, e ganha-se a partida». Assim começa o filme Match Point, de Woody Allen. As imagens que acompanham a narração são de uma bola de ténis a ser repetidamente batida de um lado para o outro do court, sem que se vejam os jogadores. A dado momento, um deles atira-a contra a parte superior da rede e ela sobe, ficando suspensa no ar exactamente a meio caminho entre qualquer um dos lados. Por fim, a cena muda. Ninguém sabe, por enquanto, qual o desfecho desse ponto decisivo.

A metáfora usada pelo cineasta norte-americano é aplicável a qualquer situação da vida quotidiana mas, uma vez que é de futebol que aqui se falará, manteremos a comparação no plano desportivo. Como seria o mundo do futebol se o Manchester United não tivesse marcado dois golos nos últimos dois minutos ao Bayern de Munique, na final da Liga dos Campeões de 1999? Ou se o penálti decisivo que John Terry enviou ao poste na final da mesma competição em 2008 tivesse ido uns centímetros mais para dentro e entrado na baliza do United? Ou ainda se Sergio Ramos não tivesse marcado de cabeça ao cair do pano na final de 2014, impedindo o Atlético de Madrid de conquistar a sua primeira Champions e permitindo que o Real chegasse à tão ansiada décima? Tudo questões de pormenor, de sorte ou falta dela, que mudaram para sempre a história do futebol.

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Equipa do Sporting em 1959/60. Podia ter sido ela a representante portuguesa na Taça dos Campeões de 1960/61, ganha pelo Benfica
Fonte: Portal Sporting Memória

Vem tudo isto a propósito de um vídeo recente onde José Augusto, velha glória do Benfica, confessa que marcou um golo irregular contra o Sporting, na época de 1959/60: “quando o Fernando Mendes me ultrapassa dou-lhe um toque no pé, ele espalha-se ao comprido (…) e eu faço o golo”. E qual é o interesse de ir recuperar, quase seis décadas depois, um dérbi longínquo? Simples: o Sporting tinha-se adiantado no marcador, nesse jogo de meados de Dezembro de 1959, e José Augusto fez o empate. A partida terminou 1-1. Nesse ano, o Benfica sagrar-se-ia campeão com dois pontos de avanço sobre os leões, havendo margem para admitir que, caso a irregularidade do jogador encarnado tivesse sido sancionada, o Sporting acabaria a temporada com 44 pontos, os mesmos do rival (na época, as vitórias valiam apenas dois pontos e, caso o Sporting tivesse vencido em Alvalade por 1-0, uma vez que o Benfica venceria por 4-3 na Luz, o desempate teria de se fazer pela diferença de golos, onde os verde-e-brancos levavam vantagem – 82 marcados e 20 sofridos contra 75 e 26 do Benfica). Nesse caso os leões seriam, portanto, campeões nacionais. Mas não é tudo: uma vez que, naquela altura, a presença na Taça dos Campeões Europeus estava limitada aos campeões de cada país, se o Sporting terminasse em primeiro na liga portuguesa de 1959/60 seria o representante luso na Europa em 1960/61, ficando o Benfica de fora (a Taça das Taças e a Taça Uefa só seriam criadas mais tarde). Ora, tal não só não aconteceu como os encarnados viriam mesmo a sagrar-se campeões europeus nesse ano. Isto é, a falta de José Augusto, que o próprio admitiu ter existido, parece insignificante à primeira vista mas pode ter tido, na verdade, consequências de dimensões impensáveis. Tinha assim início a odisseia vitoriosa dos homens de Béla Guttmann na Europa do futebol, que se repetiria em 1961/62 com novo título.

[ot-video type=”youtube” url=”https://www.youtube.com/watch?v=7hAERnGD1O0″]

 A confissão de José Augusto, 57 anos depois

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Que fique claro: o que aqui se faz não é, de forma alguma, uma desvalorização da extraordinária equipa do Benfica dos anos 60 ou um ajuste de contas com a História, até porque se parte do princípio de que o árbitro Raul Martins (e não Décio de Freitas, como afirma o ex-jogador das águias) agiu de boa-fé – daí neste texto falar-se em sorte e não se enveredar por caminhos menos salutares, ainda que, em bom rigor, um golo precedido de falta pouco ou nada tenha em comum com a beleza de um golo heróico marcado ao cair do pano, como aqueles a que acima se aludiu. E também não se está a dar nada por garantido, ou seja, não era, obviamente, 100% seguro que o Sporting fosse o campeão nesse ano. Trata-se aqui, isso sim, unicamente de revisitar um episódio tão marcante quanto esquecido e que o próprio José Augusto trouxe agora a público.

Da mesma forma que não se exige de um historiador europeu actual que peça desculpa pelas cruzadas ou pela escravatura levadas a cabo em séculos anteriores, também aqui o objectivo não é atirar “culpas” para cima dos adeptos benfiquistas ou do próprio José Augusto, que fez o que muitos outros fariam em prol da sua equipa. Trata-se apenas de dar a conhecer um acontecimento relevante e curioso da História do futebol português – feliz para o Benfica, aziago para o Sporting – que pode ter estado na génese de uma das fases mais bem-sucedidas de sempre de um clube nacional. E, assim como se afirma que o objectivo deste texto não é desvalorizar ou desmerecer ninguém, também não se pode deixar de reforçar que optar pelo silêncio ou pelo encobrimento seria bem menos recomendável e até incongruente – uma vez que, como se viu, o próprio José Augusto não tem problemas em que este episódio seja do conhecimento público.

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Na época, a versão de José Augusto foi diferente daquela que agora confessou
(Imagem retirada do vídeo aqui apresentado)

Enquanto Sportinguista, à distância de tanto tempo, estou pouco interessado em entrar em polémicas sobre se o meu clube seria ou não campeão nessa temporada do virar da década de 50 para a de 60. Felizmente, a História do Sporting vai muito para além das efemérides dessa época desportiva. Aqui apenas se expõe essa possibilidade muito plausível, porque a verdade é que os leões terminaram o campeonato praticamente colados aos rivais (43 pontos contra 45) e têm, portanto, razões para pensar que a sorte foi muito cruel para eles tanto no dérbi como no desfecho desse campeonato.

“Se a vida depende muito da sorte, foi justamente sorte que tivemos, e ainda bem”, defender-se-ão os benfiquistas. Já os adeptos do Sporting queixar-se-ão, e não sem motivos para isso, do fatídico momento em que o árbitro validou, nesse dérbi de 1959/60, o tal golo irregular que colocou o Benfica no caminho do título e da glória europeia que se lhe seguiu. Recuperando a metáfora do início do texto, em Dezembro de 1959 o clube da Luz atirou uma pequena bola de ténis contra a rede. Esta acabou por balançar e cair no campo do adversário, originando o melhor match point da existência benfiquista. O resto, já se sabe, é História. Mas, com a ajuda de José Augusto, passados quase sessenta anos tornou-se possível relatar de maneira mais rigorosa a forma como lá se chegou.

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Palavras do árbitro Raul Martins após o jogo
(Imagem retirada do vídeo aqui apresentado)

 Foto de capa: Wiki Sporting

Sair ou tentar convencer Ancelotti?

Cabeçalho Liga Alemã

Com apenas 23 anos, Mario Götze já jogou cinquenta vezes pela seleção alemã e disputou centenas de jogos ao mais alto nível por Borussia Dortmund e Bayern Munique, entre eles uma final na Liga dos Campeões disputada, precisamente, pelos dois emblemas germânicos. Apesar da tenra idade, estamos a falar de um atleta com um currículo invejável e já com muita experiência internacional, além de um enorme talento, há muito reconhecido.

Em 2015/2016, porém, as coisas não estão fáceis para Götze. O jogador do Bayern, herói nacional na final do Campeonato do Mundo, em 2014, onde marcou o golo que deu o tão ansiado título à Alemanha, realizou, até ao momento, apenas 15 jogos oficiais pelo clube que bateu a sua cláusula de rescisão no verão de 2013, contratando-o ao Borussia; no total, foram apenas seis as vezes em que completou os 90 minutos de uma partida, algo que não faz desde a receção ao Dortmund, em outubro, onde também marcou o seu último golo.

Números fracos para um atleta desta qualidade, que, verdade seja dita, já passou alguns meses lesionado esta época, ainda que essa não tenha sido a única razão para o seu “desaparecimento” do lote de jogadores mais importantes do plantel do campeão alemão. Antes de perder a maioria dos jogos do Bayern entre outubro e fevereiro, por lesão, o médio já não constava da lista dos “preferidos” de Pep Guardiola, que o havia utilizado em mais de 90 ocasiões nas duas últimas temporadas.

Götze num dos melhores momentos da sua carreira, a dar o Mundial à Alemanha em 2014 Fonte: FIFA
Götze num dos melhores momentos da sua carreira, a dar o Mundial à Alemanha em 2014
Fonte: FIFA

O problema de Götze, além de não ter correspondido nas poucas vezes em que foi utilizado esta época, foi a concorrência de qualidade para os lugares mais avançados do meio-campo do Bayern. Um clube desta dimensão internacional tem, por norma, um plantel apetrechado de atletas com qualidades acima da média, mas não foi isso que impediu um (ainda mais) jovem Götze de se assumir em pleno na Allianz Arena. Mas, nesta época em específico, o “camisola 19” do conjunto bávaro teve de partilhar um dos lugares nas alas ofensivas com os reforços Douglas Costas e Kingsley Coman, a que se juntam Franck Ribéry, Arjen Robben e até Thomas Müller, que também pode fazer a posição. São muitos jogadores de qualidade para poucas vagas, portanto é normal que nem todos possam jogar o tempo por eles desejado.

Sou de opinião – e sei que estou longe de ser o único a pensar assim – que Götze tem lugar em quase qualquer plantel do mundo; e, provavelmente, embora seja sempre complicado entrar no campo do imaginário, seria titular em muitos dos planteis do mundo. Tendo esse fator em consideração, não seria de surpreender que o jogador quisesse sair no final desta época. Aliás, se Carlo Ancelotti, que vai orientar o Bayern a partir de 2016/2017, não contar com o prodígio alemão, será do interesse do próprio clube vendê-lo já este verão, uma vez que o seu contrato termina no final da próxima temporada.

Até se poderia falar num eventual regresso ao Dortmund, mas a “yellow wall” do Signal Iduna Park já mostrou que muito dificilmente aceitaria Götze de volta. Interessados, contudo, não lhe faltarão, certamente.

Foto de Capa: FC Bayern Munique

O homem da batuta no Sporting CP

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Como em todas as orquestras, o papel do maestro é crucial. É ele que dirige, que define os tempos e os compassos e que “dá o corpo às balas” quando alguém é atraiçoado pelos nervos.

No Sporting Clube de Portugal acontece o mesmo. Não estou a falar de Jorge Jesus, falo antes de Adrien Silva e da falta mais que notada no relvado de Alvalade no último encontro diante do SC Marítimo.

Já nos tínhamos dado conta desta realidade, da qualidade que empresta ao jogo coletivo leonino, da capacidade de luta e do espírito de sacrifício.

Jamais se poderá apontar o dedo a Adrien no que toca a cada uma destas valências. É dos jogadores da Liga NOS com mais quilómetros nas pernas, mas nem isso o faz perder a vontade de ajudar o Sporting CP a conquistar o título.

Quanto ao jogo, para além dos três pontos e da melhoria significativa de Teo Gutiérrez, fez mais falta quem não esteve.

O meio campo leonino não carbura sem Adrien. A intensidade perde-se, a definição do passe, a saída de pressão, o processo ofensivo e defensivo. Perde-se sobretudo a alma leonina.

E mais que isso, todos os outros intervenientes dão a ideia de que não estão a jogar o suficiente, até mesmo João Mário que não me canso de elogiar. Porquê? Porque o nosso maestro potencia todas as qualidades dos seus companheiros, confere-lhes segurança no processo defensivo e depois há o jogador que melhor define quando tem que se partir rumo ao meio campo adversário.

William e Aquilani cumpriram os mínimos, mas ficaram uns degraus abaixo do soneto que normalmente este maestro dirige em todos os relvados nacionais.

Adrien Silva, o “motor” do meio campo verde e branco Fonte: Sporting CP
Adrien Silva, o “motor” do meio campo verde e branco
Fonte: Sporting CP

Por outro lado – e se restassem dúvidas – a equipa verde e branco mostrou-se determinada a lutar até ao fim, agilizando os movimentos e tentando de uma forma ou outra visar a baliza madeirense defendida por um guardião que sempre admirei que teve um par de defesas de elevada qualidade.

Foi bom rever a alegria de Matheus Pereira que após um período mais longo de ausência, voltou a agitar as bancadas leoninas, essas também alegres e felizes por mais uma vitória, não tanto pela exibição.

É sempre agridoce apontar fatores negativos depois de uma vitória, parece atingir sempre um sentimento de ingratidão para os onze que começaram o jogo e os três que deram o seu contributo no decorrer do mesmo. Mas talvez seja depois das vitórias que temos mais discernimento emocional para o fazer, e apontaria para a utilização de Bruno César como defesa esquerdo.

Não é de longe a sua posição, não tem capacidade suficiente para cumprir o papel que se pede a um homem que tem de defender bem e depois, por culpa deste sistema de jogo, fazer o corredor todo durante grande parte do encontro. Com Jefferson ainda a recuperar de lesão, Marvin Zeegelaar é, na minha modesta opinião o substituto natural, ele que até jogava muitas vezes a extremo no Rio Ave.

Diria até que será o defesa esquerdo titular do Sporting CP na próxima temporada.

Foto de Capa: Sporting CP

Se houver 35 é todo deles

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O amor que se sente por algo ou alguém tem de vir acompanhado de alguma paciência, porque é ela que vai revelar a verdadeira magnitude desse sentimento quando as coisas começarem a correr menos bem.

Uma mulher pode corresponder o amor que se sente por ela, mas se, a partir de certa altura, ela começar a manifestar intenções (assumidamente ou não [como tanto acontece hoje em dia!]) de  privar algum do tempo que o namorado dela passa com os amigos, aí entra em jogo a paciência. O “fugir ou combater”, o acabar a relação ou  aceitar a adversidade e lidar com ela como se de algo normal se tratasse, a “negociação”. Muitos não tolerarão, independentemente da coincidência no gosto musical, da integridade, da auto-estima que ela transmite e contagia ou da letra da copa do soutien dela, outros terão paciência para ver nesse obstáculo uma forma de fortalecer a relação, melhorando em conjunto. Mesmo sabendo que ela estará a fazer algo de errado, lidam com o problema, desculpam, e voltam a amar tanto ou mais como antes. Tudo depende da paixão e/ou do crescimento emocional do “desiludido”.

É possível encontrar um paralelo no que diz respeito a adeptos de futebol e o respectivo clube. Estas micro-interacções acontecem quando a equipa está longe de praticar o melhor futebol e de justificar o investimento emocional que nela é depositado. O jogo aproxima-se do fim e o resultado não agrada. Há adeptos que ficam frustrados com ela, os jogadores passam a ser uns desavergonhados que não merecem o dinheiro que ganham, sem honra nem gratidão para com a camisola que vestem e, supostamente, não suam. Há outros, mais apaixonados, que se mantém  optimistas mesmo com um penalty falhado e a jogar em inferioridade numérica, porque não será com frustração que conseguirão aquilo que será melhor para eles – a vitória. Então apoiam, independentemente do resultado e das circunstâncias do jogo. Querem ver a outra parte da relação (equipa) bem, para que eles também estejam bem e possam celebrar juntos.

Raul Jimenez
Jiménez foi um veículo com duas pernas e 1,90m de altura da crença dos adeptos
Fonte: #SL Benfica

Em Portugal, são raros estes casos de inteligência emocional, mas quando se verificam, tornam o público como o autêntico 1º jogador em campo (e não 12.º). O protagonista, o autor do golo. Claro que ninguém vem da bancada encostar a bola para a baliza, mas a forma como os jogadores sentem a confiança do público tem uma influência tremenda na sua performance, mesmo que as coisas lhes não estejam a correr bem até então.

Paris-Roubaix 2016 – Final inglório para duas “lendas das clássicas”

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Cabeçalho modalidadesO mítico “Hell of the North” (que começou a ser disputado em 1896 – uma das mais antigas do pelotão), uma das melhores e mais conhecidas clássicas do ciclismo mundial e uma das minhas provas preferidas. Temos presente, todos os anos, a competitividade, a emoção, a incerteza, o “empedrado” (ou pavé), as quedas, as táticas diversas, ciclistas e equipas de qualidade e um grande espetáculo. Quase todos, se não mesmo todos, os ingredientes precisos numa prova de elevada categoria.

Este ano não foi exceção. Uma corrida com muita imprevisibilidade até ao fim e com vários candidatos a vencerem uma das mais famosas corridas. Dois desses favoritos à vitória final eram Tom Boonen e Fabian Cancellara, o primeiro com quatro vitórias nesta prova e o segundo com três. Nenhum dos dois teve o desfecho desejado, sendo que ambos tiveram “destinos” diferentes ao longo da corrida.

Uma prova que começou bem, mas, ao fim de um certo tempo, começou a existir as primeiras incidências. Um corte no pelotão levou a que Boonen e mais um bom grupo de ciclistas (onde estava, por exemplo, Hagen ou Vanmarcke, outros candidatos à vitória) ficassem com uma vantagem importante para o grupo de Cancellara e o campeão do mundo, mais um dos favoritos, Peter Sagan (ele que, já este ano, ganhou a Gent-Wevelgem e o Tour de Flanders – para mim, tem capacidade para, daqui a uns anos, ter ganhado todos os Monumentos).

Numa fase em que o grupo do Spartacus e do camisola arco-íris se aproximava do grupo que liderava a prova, o vencedor de três Paris-Roubaix’s caiu e terminou ali com quaisquer esperanças que poderia existir para ele, pelo menos em termos de vencer a prova. Nota para a excelente capacidade técnica de Sagan, que evitou também ficar envolvido na queda com alguns outros ciclistas, conseguindo passar por cima da bicicleta do próprio Cancellara (ainda assim, este acontecimento foi o suficiente para o campeão do mundo ficar definitivamente fora da luta pela vitória). Infelizmente, a “sorte” não quis nada com um dos melhores ciclistas, não só desta prova como deste século, e que irá abandonar o ciclismo sem vencer, por uma última vez, uma das suas provas prediletas.

Foi uma despedida inglória para o enorme Spartacus Fonte 20minutes.fr
Foi uma despedida inglória para o enorme Spartacus
Fonte 20minutes.fr

Na frente da corrida, também existiram alguns “azares”. Os homens da Sky (equipa que tem estado a dominar este início de temporada mas que ainda não tem nenhum Monumento no seu palmarés), em pouco espaço de tempo, ficaram com três homens afetados, devido a duas quedas. Esse grupo passou de 10 para cinco na parte final, e esses discutiram a vitória entre si até ao final, com várias mudanças de liderança no grupo, ataques e contra-ataques. Entre eles, tínhamos, com a ordem a ir desde o quinto classificado até ao primeiro classificado deste Paris-Roubaix: Boasson Hagen (Dimension Data), Sep Vanmarcke (LottoNL-Jumbo), Ian Stannard (Sky), Tom Boonen (Etixx) e… Mathew Hayman (Orica), o grande vencedor!

Quando se previa que Tom Boonen fosse fazer ainda mais história e ser o recordista isolado de conquistas da prova francesa (tal como já foi referido, tem quatro, as mesmas do que Roger De Vlaeminck – campeão nos anos 70), Hayman, ciclista com 37 anos – completa 38 este mês – e com muito poucos ou nenhuns resultados de destaque nos últimos anos, depois de muitos quilómetros em fuga e com o grupo de Boonen, consegue arrecadar, ao sprint, a vitória provavelmente mais importante da sua longa carreira (desde 2000, pelo menos, que compete profissionalmente).

A vitória do australiano da Orica foi das maiores surpresas dos últimos tempos  Fonte: Paris-Roubaix
A vitória do australiano da Orica foi das maiores surpresas dos últimos tempos
Fonte: Paris-Roubaix

Peter Sagan foi “apenas” 11.º, Cancellara terminou no 40.º lugar, a mais de sete minutos do vencedor, algo compreensível tendo em conta a queda e a impossibilidade de não conseguir conquistar nada na prova. Kristoff, outro dos principais candidatos, teve um furo e acabou por ser prejudicado devido a isso, terminando na 48.ª posição, a mais de 14 minutos. Outros favoritos à partida para esta corrida acabaram por ter de desistir, principalmente devido às tais quedas (exemplos disso foram ciclistas como Lars Boom, Niki Terpstra ou Daniel Oss).

Apesar da parte menos boa que a prova nos “deu”, há que salientar o enorme espetáculo protagonizado pelos mais variados ciclistas. Os setores de “pavé” trouxeram a sua imprevisibilidade do costume (e umas boas dores de costas a alguns ciclistas, possivelmente…) e tivemos muitas jogadas táticas desde o início ao fim.

Uma das melhores provas do ano, uma das minhas preferidas, teve um vencedor inesperado (mas, de certa forma, justo, principalmente por todo o desgaste que teve ao longo da prova e o facto de ainda ter conseguido vencer ao sprint – a sua expressão no final “dizia” praticamente tudo), mas não deixou de ser espetacular por isso. Ainda assim, tinha preferido que o Boonen tivesse feito mais história ou o Cancellara terminasse a sua carreira com uma vitória numa das provas mais míticas do ciclismo e onde ele próprio teve bastante sucesso. Nem uma dessas situações aconteceu, mas recordar-se-á, na mesma, o grande Paris-Roubaix que tivemos em 2016!

PS: O suíço Cancellara ainda voltou a cair no final da prova, aquando das despedidas entre ele e o público, já na própria arena, mesmo na parte final e quando levava a bandeira da Suíça. Nem aí as quedas o deixaram em paz. Incrível, que infelicidade.

PS2: Tenho de salientar que, na Volta ao País Basco, outro grande ciclista e que irá terminar a carreira, em princípio, este ano, Alberto Contador, venceu, de forma justa, a prova e superou concorrência muito boa vinda de, principalmente, Henao e Quintana, respetivos segundo e terceiro lugares no final. O português Rui Costa foi sétimo na última etapa – contrarrelógio individual – e esteve muito perto de vencer uma outra etapa, ficando em segundo lugar, sendo que terminou a corrida espanhola no sétimo lugar da classificação geral.

 

SC Braga 1-1 Moreirense FC: O sorriso de orelha a orelha de Stefanovic

Cabeçalho Futebol Nacional

Antes de mais tenho algo a dizer. SC Braga, agora que tenho um cantinho para falar de ti, tu deixas-me mais uns dias à espera… 1-1 no fim… Pazes (quase) feitas! Que seja quinta-feira a vitória que por mim espera. Aí, sim, fazemos as pazes!

E agora um bocadinho do jogo para apaziguar a coisa. Num dia algo frio e chuvoso, não houve rigorosamente nada que tenha corrido bem ao Braga. Três jogadores a saírem lesionados, aos quais esperemos que nada de grave tenha sucedido. Uma série de remates defendidos por parte de Stefanovic, que, com uma grande exibição, deverá ter levado a bola para casa. Ou parte dela… Quanto mais não seja na boca… Visto que esta também foi a última linha de defesa. Por curto que seja o espaço, aquele sorriso de orelha a orelha de Stefanovic foi crucial. Por fim, uma equipa em alta rotação, que de tanta rotação deixou o carro em velocidade cruzeiro e poupou gasolina nas descidas. Todos devem jogar. Concordo a 100% com esta velha afirmação. Mas não todos ao mesmo tempo…  As alterações efectuadas pelo Braga, a começar na baliza e a acabar no ataque, são inteligentes e necessárias, mas demonstram através do resultado que ou se roda ou se põe a bola a rolar. Independentemente de tudo, lá algo remendados, demos a volta à situação e espalhámos o nosso bom futebol.

Merecíamos mais sorte no jogo e não na arbitragem. Depois de um golo anulado, a meu ver mal, à equipa do Moreirense, o jogo transcreveu-se em mais do mesmo. No final da primeira parte, não tivesse sido o remate para golo de Iuri Medeiros, o Moreirense ia para intervalo sem perceber em qual baliza atacava. Do Braga fica uma série de tentativas, com Stefanovic a ser a estrela do jogo. Findo o primeiro tempo e começado o segundo, o Moreirense, numa boa entrada em campo, pressiona o Braga e consegue colocar-se em vantagem no marcador. Tal foi a pressão que a bola acabou mesmo por entrar. No meio de tanta gente, foi Evaldo o último a lá chegar. Um para os cónegos e zero para os arcebispos. Num jogo com tanta religiosidade, foi penálti para o Braga. Stefanovic, em jeito de passada, consegue não um, nem dois, mas perto de três metros a Josué, que, com a sua modesta estatura, igual à minha, diga-se, por sinal, vê o caminho da baliza mais curto e nova gracinha para o guarda redes do Moreirense. Adivinhe-se onde é que a bola acertou na recarga? Mais não digo.

O guardião foi o melhor em campo Fonte: SC Braga
O guardião foi o melhor em campo
Fonte: SC Braga

De seguida, mais um conjunto infindável de ataques e remates do Braga, que por muito que continuassem haveriam de nunca entrar. Os cónegos viram que a sorte do jogo não estava do lado arsenalista e aproveitaram da melhor forma, explorando as costas e o erro. Miguel Leal lança Boateng na corrida, que, apanhando o testemunho de Iuri, foi quase sempre em frente. O Braga, lá tremido, foi-se aguentando.

Jogo muito duro de parte a parte, mas quem ofereceu mais pancada esta semana foi mesmo o Moreirense. Vermelho dentro de campo, Vitor Gomes fora. Apanhando-se numa vantagem numérica aparente, pois esgotadas as substituições, Arghus e Baiano saem de cabeça erguida mas de pernas bem marcadas, fazendo companhia a Pedro Santos, que já se encontrava nos cuidados médicos. O Braga lá continuou a massacrar, apesar de algumas bolas perdidas sem grande desculpa no meio-campo. Tentava e tentava, mas não era hoje que Stefanovic deixava. Até que, do alto da sua estatura, Boly, na cara do golo, faz o empate e retira o sorrisinho, mal merecido diga-se de passada, bem merecido de passagem, ao guarda-redes da equipa visitante. No final, 1-1. Ninguém ganhou, ninguém perdeu. Paz no Minho entre cónegos e arcebispos. Que a sorte esteja com o Braga na quinta-feira.

Quinta-feira quero fazer as pazes! Força, Braga! Sempre juntos!

A figura:

Stefanovic – Com todas as partes do corpo negou o golo ao Braga, e é a ele que o Moreirense deve agradecer o ponto conquistado.

O Fora de Jogo:

Vítor Gomes – Tanto pela imprudência nas entradas, como pelo penálti cometido e pela a expulsão, tornou-se “quase” um mal menor para o Moreirense…

O Acordar do Soldado 19

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O Sporting continua firme na perseguição ao atual líder do campeonato, tendo vencido sem problemas de maior o Marítimo. Quando faltam cinco jornadas para o final, a curta distância existente, as exibições sólidas dos “leões” e as exibições tremidas do rival alimentam as esperanças leoninas de fazer a festa em maio.

Na partida de ontem, onde se reparou na ausência de Adrien, devido a castigo, com Slimani e João Mário em bom plano mas sem um brilho reluzente, foram outros dois jogadores a merecer os maiores destaques: William Carvalho e Teo Gutiérrez. Para mim, não é surpreendente o destaque positivo para o médio. Já tinha escrito aqui sobre a evidente subida de forma do internacional português após a visita a Guimarães. Depois de uma lesão que lhe retirou a pré-época, sentiu grandes problemas para se impor no esquema de jogo da equipa na primeira parte da temporada, sendo várias vezes substituído ao intervalo. Atualmente, o sub-capitão já voltou a ser um dos soldados indiscutíveis do treinador e ontem voltou a demonstrá-lo. Esteve muito forte em todos os aspetos do jogo e coroou a excelente exibição a nível defensivo com a condução de vários ataques e um golo, num remate potente de pé esquerdo.

Contudo, como se percebe pelo título, o principal protagonista deste texto vai ser Teo Gutiérrez. Neste espaço, já critiquei inúmeras vezes este colombiano, por falhar golos incríveis, por egoísmo em alguns momentos do jogo ou pela sua rábula ridícula após o Natal.

Porém, chegou hoje a altura de levantar um pouco a guarda no que toca a essa contestação. O avançado “cafetero” apontou cinco golos nas últimas três partidas; contudo, nem é tanto pelos golos que lhe é devido este elogio. É mais pelo empenho e pela disponibilidade física que Teo tem mostrado. Depois de ter sido afetado por uma pubalgia e também por alguma preguiça em grande parte da temporada, o dono da camisola 19 parece ter renascido das cinzas a que já estava condenado pelos adeptos, nomeadamente depois de lhe terem assobiado em alguns encontros. Agora, sim, já é hábito vê-lo a ir muitas vezes a uma das alas para baralhar as defesas contrárias, ou a baixar até ao meio campo para vir buscar jogo, permitindo assim que João Mário e Bryan Ruiz se aproximem de Slimani e funcionem como segundo avançado em alguns momentos. Continua a mostrar que tem qualidade de sobra no momento do remate e que tem inteligência em vários momentos do jogo.

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Um dos momentos em que o remate era melhor opção mas Teo optou por mais uma finta
Fonte: Sporting CP

Apesar de continuar a pecar em alguns aspetos, como a pressão imediata sobre os defesas adversários ou o egoísmo em algumas tomadas de decisão, o colombiano parece estar finalmente de regresso, sendo um soldado de arma em punho para fazer frente às defensivas contrárias. Contudo, existe ainda outro aspeto em que se voltou a reparar ontem e que tem sido recorrente durante a temporada, não sendo exclusivo de Teo Gutiérrez: as falhas na finalização. E quando falo neste aspeto não me refiro à falta de pontaria dos remates. Os “rodriguinhos” e a cerimónia na hora de alvejar as redes contrárias têm tirado vários golos aos “leões” nesta temporada, e ontem vimos lances de Teo, Bryan Ruiz, João Mário e até do próprio Slimani em que o remate simples era a melhor opção. Nestes cinco jogos que faltam, as falhas têm de ser reduzidas ao máximo porque acredito que, se o Sporting vencer os cinco jogos que lhe faltam, será campeão.

A próxima batalha será em Moreira de Cónegos, enquanto o Benfica vai receber o Vitória de Setúbal. Não acredito que nenhum dos concorrentes ao título perca pontos no próximo fim de semana, mas para isso será preciso um leão bem desperto e a querer resolver o jogo no Minho logo desde o início. Para isso, já podemos contar com um Teo Gutiérrez mais envolvido com a equipa e com o clube e já poderemos contar também com o capitão Adrien, que é sempre uma presença importante em campo. Quanto a Teo, tem capacidade para ser uma peça fulcral na equipa, mas continuo a achar que, se pudermos encaixar alguns milhões com ele no final da época, o melhor será vendê-lo.

Foto de Capa: Sporting CP

FC Paços de Ferreira 1-0 FC Porto: Começa mal a Pré Época

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O FC Porto deslocou-se neste fim de tarde à tão ilustre Mata Real, campo que nos remete para memórias de um passado recente onde reinaram os momentos de felicidade. Hoje não foi um desses dias. Começa mal a “pré-época” para o FC Porto e os seus jogadores. Mais um jogo muito esforçado, mais um dia cheio de azar, mais uma confirmação da perda de qualidade evidente da mística portista.

Os dragões apresentaram algumas novidades no onze. Iniciaram o jogo: Casillas, Chidozie, Martins Indi, Layún, Maxi Pereira, Sérgio Oliveira, Danilo Pereira, Herrera, Corona, Varela e Suk. Destaque para as ausências de Aboubakar e Brahimi. Do lado dos homens da Capital do Móvel, começaram: Defendi, Hélder Lopes, Fábio Cardoso, Ricardo, Bruno, Marco Baixinho, Pelé, Minhoca, Osei, Diogo Jota e Bruno Moreira.

A primeira parte foi bem conseguida por parte do FC Porto. Muita posse de bola e muito pragmatismo não foram suficientes para desbloquear o marcador. Assistiu-se a um primeiro tempo onde o meio-campo funcionou na perfeição, com boas dinâmicas entre Danilo, Sérgio Oliveira e Layún, mas com a frente de ataque muito desinspirada. Corona esteve muito irregular e pouco entrosado com os processos ofensivos, viu-se um Varela que foi menos um durante o jogo inteiro e um Suk muito trapalhão e displicente no que tocou às suas decisões. Apesar da má produtividade ofensiva, o FC Porto, graças aos remates de longa distância e à flagrante ocasião de Corona, acaba a primeira parte com nove tentativas de golo, contra um Paços pouco esclarecido e muito resguardado. Os homens que se vestiam de amarelo vão para o intervalo sem fazer qualquer remate, e com uns modestos 35% de posse de bola.

Ao intervalo José Peseiro troca Corona por Brahimi, que não trouxe nem mais nem menos que o mexicano à partida. O segundo tempo conta uma história diferente. Começa bem o FC Porto com Brahimi e Sérgio Oliveira a terem boas oportunidades para marcar, mas é a equipa de Jorge Simão que, com uma alteração, altera por completo o rumo dos acontecimentos: torna-se mais atrevida. Sai Minhoca, entra Cícero, o bloco pacense sobe no terreno e Bruno Moreira finalmente deixa de estar desapoiado no ataque. Durante cinco minutos o Paços fez tremer os azuis e brancos; no entanto, é Sérgio Oliveira que com um remate fulminante quase faz balançar as redes do Paços, não fosse Defendi, o melhor em campo, a fazer uma das defesas do campeonato. Fábio Veríssimo também quis dar um ar da sua graça. A sua tremenda competência volta ao de cima ao não assinalar, em apenas um minuto, um penálti a favor do FC Porto e um segundo amarelo a Chidozie.

Avizinhava-se mais um empate. A “tremideira” instala-se, e com um erro absurdo do melhor assistente do campeonato, Miguel Layún, o Paços, numa jogada de envolvimento na lateral direita, descobre o miúdo-pérola Diogo Jota, que fuzila a baliza de Casillas. Com muito esforço e pouco engenho, mais uma vez o FC Porto fez de tudo para chegar novamente ao empate, mas por duas vezes Defendi voltou a negar as tentativas de André Silva e Suk.

Jogo dominante do FC Porto, melhor em todos os capítulos menos no mais importante, o da finalização. Encontrou um Paços de Ferreira retraído, mas que soube aproveitar uma das poucas chances que teve, e acaba por ser condecorado com uma derrota injusta, que nada traduz o que se passou durante os 90 minutos.

Mais uma desilusão para os adeptos, mais uma derrota. As estatísticas não mentem: 20 tentativas de golo contra 4, 61% de posse contra 39%, 14 cantos contra 1. Esta equipa já não merece estas humilhações ridículas, e também não é digna de tanto azar. Apesar de o futebol praticado não ser o mais requintado, o FC Porto fez mais do que o suficiente para vencer o encontro. Precisa-se de avançados, dribladores e mágicos urgentemente na Invicta.

A Figura:

Sérgio Oliveira. Este jovem jogador está a crescer de jogo para jogo. Dinâmico, rematador, oportuno e destemido, não tem problemas em assumir o miolo portista nas manobras ofensivas, e foi dos pés dele que neste jogo saíram as melhores ocasiões de golo. É importante também não deixar de fazer referência ao extremo Diogo Jota, que mais uma vez demonstrou o porquê de o Atlético de Madrid o ter contratado.

 

O Fora-de-Jogo:

Silvestre Varela. Não apareceu em jogo. Perdas de bola sucessivas, más decisões e um estado de espírito pouco ambicioso resumem bem a exibição do extremo português.

Foto de Capa: FC Porto

Florin Andone – O menino de ouro dos Califas

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Cabeçalho Liga Espanhola

O Nou Estadi em Tarragona, Comunidade Autónoma da Catalunha, serviu de palco a um jogo verdadeiramente frenético entre duas das melhores equipas da presente edição da Liga Adelante: o Club Gimnàstic de Tarragona e o Córdoba CF.

Um empate a quatro golos foi o resultado final de uma partida onde salta à vista o nome de Florin Andone, o versátil atacante romeno que chegou aos Califas em Julho de 2014 para jogar pela equipa B do Córdoba CF e que apontou três dos quatro golos da sua equipa. Para além do hat-trick que apontou, Andone teve ainda tempo para atirar uma bola ao ferro na segunda parte e para se envolver num dos lances mais polémicos da partida, onde os homens da Andaluzia reclamaram um penálti por alegada mão de Iago Bouzón dentro da área do Gimnàstic. Andone fez das tripas coração para levar a sua equipa à vitória e quase o conseguia não fosse o golo de Achille Emaná da marca dos onze metros a quatro minutos do final da partida. O Córdoba CF, que já ocupou o primeiro lugar da classificação esta temporada, caiu para o sexto lugar e vê-se agora numa posição mais delicada, sendo que à data deste artigo contava com já menos nove pontos que o líder CD Leganés.

Florin Andone ao serviço da selecção romena Fonte: static4.libertatea.ro
Florin Andone ao serviço da selecção romena
Fonte: static4.libertatea.ro

Apesar da aparente quebra de rendimento dos Blanquiverdes, Florin Andone continua em grande destaque na Liga Adelante, onde já apontou, nada mais, nada menos, que 16 golos nos 27 jogos em que participou, e onde já contribui também com quatro assistências. Após uma vitória suada por 1-0 no terreno do UD Almeria a meio de Janeiro passado, o diário espanhol Marca, escrevia como título de página, “Quien tiene un Florin… Andone, tiene un tesoro”, destacando não só o golo que o romeno apontou, mas fazendo lembrar o contributo incomensurável que já deu à equipa esta temporada.

Sporting CP 3-1 Marítimo SC: Vitória justa no renascer de William

sporting cp cabeçalho 1

Desde a derrota com o Benfica, os leões tinham feito apenas mais um jogo em casa: o triunfo frente ao Arouca (5-1), numa partida teoricamente difícil, que, na prática, se tornou fácil. Após duas goleadas seguidas (ao Arouca seguiu-se o 2-5 em Belém), e tendo ainda bem presentes as primeiras partes em Alvalade jogadas pelos leões a um ritmo entorpecido, como com o Tondela ou o Rio Ave, este encontro com o Marítimo seria, portanto, uma espécie de tira-teimas. E a verdade é que o Sporting em parte ultrapassou essa letargia, mostrando-se dominador durante boa parte da metade inicial.

Jorge Jesus não apresentou quaisquer surpresas no onze. Aquilani rendeu o castigado Adrien e Bruno César continuou a merecer a confiança do treinador para a posição de lateral esquerdo. Mas, com pouco ritmo, menor disponibilidade defensiva e fazendo pouco uso da sua capacidade de passe, o italiano não fez esquecer o capitão. Já o Marítimo apresentou-se em Alvalade nitidamente a querer limpar a má imagem inerente a qualquer clube que, como é o caso dos leões da Madeira, carregue o fardo de ser a de segunda defesa mais batida do campeonato. Nelo Vingada apostou em Damien Plessis (que já passou pelo Liverpool) a segurar o meio-campo nas costas de Alex Soares e Éber Bessa, com Fransérgio mais adiantado e Djoussé e Edgar Costa abertos nas alas mas a flectirem para dentro.

O Sporting entrou dominador, embora até ao golo de Teo Gutiérrez não tivesse criado mais do que duas ou três situações de golo – um cabeceamento de Bryan Ruiz, um remate de Bruno César, uma bola perigosa que Slimani não aproveitou e pouco mais. Na altura em que o marcador funcionou pela primeira vez, aliás, até era o Marítimo que se mostrava mais afoito, depois de ter conseguido sobreviver aos minutos de maior pressão leonina. Djoussé e Edgar Costa mantinham os leões alerta na defesa, mas foi através de um remate de Éber Bessa e de outro de João Diogo que os visitantes mais perto estiveram de marcar – em ambos os casos Patrício mostrou-se à altura. Depois disso, Teo fez o 1-0, com sorte à mistura (a bola bateu num adversário e traiu Salin) e o jogo tornou-se um pouco mais fácil para o Sporting.

Do lado da equipa de Jesus, Teo e William foram, desde cedo, os dois elementos em maior destaque. O colombiano porque está mais confiante, mais disponível fisicamente (caiu muitas vezes nas alas, trocando ora com Ruiz ora com João Mário e baralhando marcações) e mais criterioso na hora de definir os lances; o português porque parece ter-se soltado das amarras que o inibiam de participar de forma activa na construção de jogadas ofensivas, tendo compensado da melhor forma a ausência de Adrien. O golo que marcou, no início da segunda parte, foi a cereja no topo do bolo, mas o maior destaque da partida seria William independentemente desse remate vitorioso. É certo que a subida de forma do médio não é novidade, já que as suas exibições têm vindo a melhorar desde o início do ano. Contudo, este foi, possivelmente, o seu melhor jogo da época. Tirando partido de uma grande disponibilidade física e de um apurado sentido táctico, William esteve exímio tanto a atacar como a defender.

Os leões continuam na perseguição ao líder e grande rival Fonte: FPF
Os leões continuam na perseguição ao líder e grande rival
Fonte: FPF

A partir do 2-0, o Sporting viu a vitória bem encaminhada e entrou numa fase de maior gestão. Contudo, é preciso que se diga: falhanços como o de João Mário, que permitiu a defesa de Salin logo antes de William marcar, podem ser fatais em jogos em que os leões precisem mesmo dos golos. A equipa continua a falhar mais do que seria desejável a nível da finalização, e isso seria ainda mais visível quando, já perto do fim, o recém-entrado Matheus Pereira rematou contra o guarda-redes num lance de três contra um. O que vale é que o jogo já estava resolvido… Pelo meio, entre a gestão do jogo por parte do Sporting e alguns contra-ataques verde-rubros quase sempre mal definidos, os leões chegaram ao 3-0. João Mário rematou, a bola rechaçou no defesa e Slimani (bom jogo, com a disponibilidade habitual), sem oposição, deu o toque que faltava. Assim confirmavam os leões o seu estatuto de favoritos, assim ruía a vontade maritimista de sofrer poucos golos e reabilitar um pouco a imagem da sua defesa…

Detendo uma vantagem porventura demasiado larga e já com as bancadas em festa a fazer a onda, o Sporting deixou-se adormecer em demasia. Mérito também para o Marítimo, que nunca desistiu, subiu as suas linhas jogando o jogo pelo jogo e viu a persistência ser recompensada com o golo de Ghazaryan, a dez minutos do fim. Valha a verdade, a equipa de Nelo Vingada tem individualidades interessantes do meio-campo para a frente – não é por acaso que são o quinto melhor ataque da liga, ainda que à condição. O problema é lá atrás, e o jogo com o Sporting esteve longe de ser um dos exemplos mais flagrantes…

Em suma, mesmo sem ter sido fantástica, a exibição do Sporting foi mais do que suficiente para vencer. Vitória incontestável dos leões, ainda que o primeiro golo tenha surgido num dos melhores períodos do Marítimo no jogo. Este é o quarto jogo nos últimos cinco em que a equipa de Jorge Jesus sofre golos mas, em contrapartida, nos últimos três encontros os leões marcaram por 13 vezes. Estará o treinador a sentir dificuldades em encontrar o equilíbrio entre uma defesa sólida e um ataque concretizador? Veremos nos próximos jogos. O que, para já, parece certo é que a malapata das primeiras partes adormecidas em casa parece estar finalmente ultrapassada. A perseguição ao primeiro lugar continua.

A figura

William Carvalho – O escolhido seria Teo, caso não tivesse havido William. Disponibilidade física, cultura táctica e (finalmente!) participação significativa no jogo ofensivo da equipa, sem medos de que esta se desorganize e seja surpreendida. Numa partida sem Adrien, William teve por vezes de jogar por si e por Aquilani, mas segurou sempre o meio-campo com mestria e nem precisava de ter marcado para ser o destaque positivo. Esta foi a melhor exibição da época do médio, em clara subida de forma. William tem dado a melhor resposta possível àqueles que já se punham em bicos de pés para dizer que não merecia ir ao Europeu. E não só irá como será titular, evidentemente.

O Fora-de-Jogo

Bruno César – Um pouco abaixo dos outros jogos em que alinhou a defesa-esquerdo, o brasileiro falhou alguns passes, deixou-se antecipar mais vezes do que seria desejável e fez pouca diferença no ataque. Foi o primeiro a ser substituído, dando o lugar a Zeegelaar. Nota também para o já habitual desacerto do espalhafatoso Schellotto, e ainda para dois ou três erros de abordagem por parte de Rúben Semedo já na etapa final, que lhe podiam ter saído mais caros.

Foto de Capa: Sporting CP