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Apaixonei-me por isto e a culpa é tua

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É estranho prestar tributo a quem nos marcou apenas na hora da morte. Hoje o Facebook, o Twitter e o Instagram encheram-se de homenagens a Johan Cruyff de gente que nem uma palavra sequer lhe tinha dedicado antes do seu último fôlego. O redator deste texto cai nessa categoria. E odeia-se por isso.

Porque é o cheiro da relva acabada de regar que lhe faz lembrar, como as Madalenas de Proust, os bons tempos da infância. Em que tardes soalheiras o alimentavam de sonho de um dia estar dentro do campo e, ao mesmo tempo, lhe davam o gozo de estar a ver aquilo que ele mais gostava no mundo e que se sobrepunha, claramente, a quaisquer “Dragonball” ou “Pokémon”.

90 minutos era pouco. Não chegava viver aquilo durante tão pouco tempo, e, do estádio, a paixão passava para casa, onde, não podendo sair para ir brincar por já ser noite, replicava o que tinha visto, mesmo sabendo que ia “ouvir das boas” por estar a jogar futebol onde não devia… Mas valia a pena o puxão de orelhas por cinco minutos de expressão.

Na escola, não era diferente. Não se punha a jogar dentro das aulas, mas um par de canetas serviam de jogador e guarda-redes, disputando fervorosamente um bocado de papel amassado e improvisado de bola.

Nos intervalos, a paixão continuava. A campainha da escola era o tiro de partida para que ele fugisse para o campo de futebol, onde, em 20 minutos, sentia a recompensa de mais um dia de escola, ganhando o respeito dos “grandalhões do 3.º ciclo” porque mais ninguém naquele momento sentia o mesmo.

Com o seu Ajax Fonte: Ajax FC
Cruyff com o seu Ajax
Fonte: Ajax FC

A caminho de casa, o futebol não lhe saía da cabeça. Cada paragem de autocarro, cada garagem, cada porta era imaginada como uma baliza e, na cabeça do redator deste texto, calculavam-se trajectos e formas de execução espectaculares de meter uma bola lá para dentro. Se fosse acompanhado, via ali uma oportunidade de falar da jornada do último fim-de-semana ou da caderneta de cromos, que geria com a organização e o empenho de quem governava um país.

Bruno “Mentiroso” de Carvalho vs Jorge “O Ditador” Jesus

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Assim como há partidos políticos que sempre servirão exclusivamente para ser oposição, pela sua posição de crítica destrutiva, de estar contra algo só porque foi proposto por quem está no poder, talvez também haja clubes que só servem para ser pretendentes e raras vezes os efectivos detentores de campeonatos, talvez reflexo da forma de estar constantemente destrutiva de alguns dos seus.

E tal como na política, em que se muda de opinião caso se esteja ou não no poder, nos clubes, e principalmente na sua massa adepta, também se critica ou elogia o trabalho de quem está no poder conforme os ventos e a facção que está a liderar.

Isto porque sou adepto de um clube que, de tanto ter que se concentrar em lutas internas, nunca se vai poder concentrar inteiramente em lutar com os adversários externos.

Digo isto porque após uma excelente vitória da equipa de que sou adepto sobre o Arouca, e quando se esperaria um momento em que seria impossível ver divisões, reparo que o que mais se discutia em fóruns afectos ao clube era o facto de o presidente ter “mentido” quanto ao facto de ter o pavilhão pago, já que continuava a pedir dinheiro para a Missão Pavilhão, e também o facto de termos um treinador que não sabe gerir uma equipa, porque repreendeu um jogador da sua equipa.

Só que, quem usa este tipo de argumentos, ou não parou para pensar, ou simplesmente não quer e prefere seguir sugestões de outros opinion makers.

Quanto ao pavilhão, a certa altura, e para se defender de um ataque, o presidente do Sporting disse que as obras estavam pagas. Ora, certamente que o clube não poderia esperar pelo dinheiro que os sportinguistas continuam a doar para esta missão, e avançou com dinheiro que tinha disponível. Sendo que a situação financeira do clube continua a não ser desafogada, apesar de controlada, a Missão Pavilhão continua a decorrer para que se possa repor em caixa o valor investido, ou pelo menos parte dele.

Assim sendo, o pavilhão está pago, sim, mas a “missão” de ajuda solicitada aos sócios e adeptos do clube continua a decorrer, de forma a minimizar o impacto do valor investido nesta obra tão necessária e ao mesmo tempo tão cara (para um clube que ainda há poucos anos não tinha dinheiro para pagar salários) para reforçar o ecletismo de que somos líderes desde sempre.

Relativamente a Jorge Jesus, e ao facto de ter decidido repreender Slimani em praça pública, considero que é um mal menor. Isto porque, se o jogador não queria ser repreendido desta forma, não devia ter mostrado tão veementemente o seu desagrado e amuo em público e em frente a todas as câmaras que estavam para si apontadas.

Para mim Jorge Jesus fez bem, até porque ele tem uma equipa para gerir, e, ao responder daquela forma, não falou só para Slimani mas também para todo o plantel. Ou seja, a partir dali todos os jogadores pensarão duas vezes antes de amuar de cada vez que forem substituídos ou em outra situação qualquer. E assim, se o jogador amuar e não marcar mais golos até ao fim do campeonato, sei que a restante equipa assimilou o recado e vai continuar a jogar para o colectivo e a marcar golos como os que aconteceram contra o Arouca (o Slimani marcou quantos?).

Slimani tem sido um exemplo do trabalho diário de Jesus Fonte: Sporting CP
Slimani tem sido um exemplo do trabalho diário de Jesus
Fonte: Sporting CP

Bruno, aprende com os erros do passado

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O que lá vai lá vai, e Bruno de Carvalho sabe disso. Quando o actual presidente leonino entrou para a liderança do clube verde e branco, a situação não era fácil… E ainda hoje não o é…

Bruno tentou escolher os melhores para o seu lado e rodeou-se daqueles em quem mais acreditava. Limpou a casa, tentou meter a contabilidade na ordem, acabou com gastos supérfluos, quis deixar de ser o clube dos croquetes… Como é óbvio, isso dá-lhe muitos inimigos, que ultimamente nem mostram a cara, simplesmente aparecem camuflados em panfletos e cartazes “anónimos”…

Mas isso não me interessa, porque Jesus, que é Jesus (não o treinador), não agradou a todos…

O que me interessa é não cometer os erros do passado!

Bruno de Carvalho tentou rodear-se sempre dos melhores e, como sabemos, para qualquer equipa ter sucesso tem de ter um timoneiro à altura… E até agora o presidente do Sporting Clube de Portugal acertou sempre na mouche:

– Leonardo Jardim – 35 jogos à frente do Sporting, 23 vitórias, oito empates, quatro derrotas, 71 golos marcados, 26 golos sofridos – 65,7% de vitórias

– Marco Silva – 53 jogos à frente do Sporting, 31 vitórias, 15 empates, sete derrotas, 105 golos marcados, 54 golos sofridos – 58,5% de vitórias (uma Taça de Portugal)

– Jorge Jesus – 44 jogos à frente do Sporting, 29 vitórias, seis empates, nove derrotas, 88 golos marcados, 44 sofridos – 65,9% de vitórias, até ao momento (uma Supertaça Cândido de Oliveira)

O Casamento entre BdC e Jorge Jesus não pode ter um divórcio rápido… é daqueles que os verdadeiros Sportinguistas querem ver consumados para a vida Fonte: Sporting CP
O Casamento entre BdC e Jorge Jesus não pode ter um divórcio rápido… É daqueles que os verdadeiros Sportinguistas querem ver consumados para a vida
Fonte: Sporting CP

Todos eles tiveram coisas positivas e negativas…

Leonardo Jardim só se pôde mostrar na Liga Portuguesa, na Taça de Portugal e na Taça da Liga, visto que no ano anterior o Sporting Clube de Portugal tinha tido a época mais negra de sempre e não conseguiu o apuramento para as competições europeias. Saiu do clube pela cláusula de rescisão: três milhões e conseguiu deixar o clube directamente apurado para a Liga dos Campeões. Tinha uma equipa que marcava em muitos jogos (83%) mas que sofria golos em metade deles. Teve uma série sem perder de 11 jogos. A sua equipa era toda “prata da casa”… Não teve grandes reforços.

Marco Silva colocou o Sporting a jogar um bom futebol, mas tinha um plantel claramente escasso para as frentes em que estava (Liga dos Campeões, depois Liga Europa, Liga Portuguesa, Taça de Portugal, Taça da Liga). Foi “obrigado” a deixar o clube (não vamos analisar aqui o porquê) após a vitória na Taça de Portugal e deixou o clube a disputar a pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Colocou a equipa com um ataque avassalador (marcou em 91% dos jogos), mas com uma defesa algo permissiva (sofreu golos em 66% das partidas realizadas). A título de curiosidade teve uma série de oito vitórias. Não tinha o plantel que “queria”, e desde sempre se percebeu que era escasso.

Jorge Jesus, a contratação surpresa que ninguém esperava… Começou logo a ganhar a Supertaça Cândido de Oliveira, e quase conseguiu a entrada na Liga dos Campeões, mas forças “externas” não o permitiram. “Desvalorizou” um pouco a Liga Europa e a Taça da Liga e encontra-se na luta pelo campeonato. Colocou a equipa com uma raça tremenda, a marcar em 82% dos jogos que disputou até agora, mas tem sofrido bastante com as lesões na defesa, e sofreu em 64% das “batalhas” realizadas. Teve uma série de sete vitórias e oito jogos sem perder. Quanto ao plantel, foram dadas algumas prendas a Jesus, mas algumas que ele queria acabaram no “sapatinho” dos rivais.

O grande erro de Bruno até agora? A não permanência dos treinadores por mais que uma época… É importante deixá-los trabalhar mais tempo. E quem tem “um” Jorge Jesus arrisca-se a ser campeão a qualquer altura. Era aqui que eu queria chegar; independentemente do resultado no final do campeonato, é importante manter este treinador e esta estrutura. Se possível até melhorar nalguns aspectos, nomeadamente no que diz respeito a uma figura de peso que consiga trazer para o clube os reforços que queremos e quando os queremos.

O casamento de Bruno de Carvalho e Jorge Jesus não pode ter um divórcio rápido… Tem muita coisa a viver, tem muitas alegrias para dar… E eu quero lá estar para as partilhar.

Foto de Capa: Sporting CP

 

O renascido

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Há cerca de três semanas atrás, durante a 88ª edição da gala dos Óscares, fez-se história no mundo do cinema. Em primeiro lugar, Ennio Morricone venceu, finalmente o galardão de melhor banda sonora (em Hateful Eight) depois de estar nomeado para esta categoria em todas as décadas, desde a de 70! Depois, Leonardo Di Caprio, após fantásticas representações não reconhecidas pela academia e que valeram inúmeros memes pela web foram, tornando as suas não-vitórias num fenómeno sem paralelo, conseguiu, finalmente!, levar para casa a estatueta dourada pela participação no filme “The Revenant”, ou “O Renascido” em português.

A história deste filme espelha bem o percurso destes dois homens do cinema. Na película, Hugh Glass (interpretado por Di Caprio) luta, com todas as forças pela sobrevivência, depois de ser atacado por um urso e de, num estado frági, ver a sua vida constantemente assediada pela malvadez de um “colega” seu, que chegou mesmo a encomendar-lhe um enterro e o abandonou, no meio da floresta e do frio glaciar das Dakotas, nos EUA.

Hugh, mesmo com todas as contrariedades que enfrentou – a maior terá sido ver o seu filho morrer, quando estava num estado em que nada podia fazer para além de mexer os olhos – não desistiu de lutar, de se manter vivo, dando uma incrível amostra do poder de adaptação do ser humano e da sua capacidade de preserverança…

… a mesma que muitos futebolistas demonstram, sabendo esperar pela sua oportunidade para a transformar em algo efectivo, superando autênticos “boicotes de carreira, rumo a uma carreira de sucesso regular que prova todo o seu talento, sustentado no seu esforço, espírito de sacrifício e capacidade de trabalho. Foi assim, por exemplo, com Maniche ou Deco. Nomes que fazem parte que não se terão inspirado em Hugh Glass, mas que devem ter inspirado miúdos aspirantes a futebolista que na altura vibravam com o incrível FC Porto de José Mourinho.

Um deles era Sérgio Oliveira, portista desde pequenino, que celebrou todos os títulos do seu clube. Saberá, por certo, a história dos seus antecessores, e o quão difícil foi chegar onde chegaram, pelo que, quando foi emprestado, jogou e lutou como nunca antes, defendendo as cores dos clubes que representava com a garra de quem não desiste de um objectivo – no caso, a  titularidade com a camisola do seu clube. Quando lá regressou, pensou ver os seus esforços recompensados, mas logo viu o seu espaço ser ocupado por contratações estapafúrdias e jogadores em sub-rendimento e/ou que em nada o superavam para além do jogo fora das quatro linhas ou a justificação de um avultado investimento.

Sérgio Oliveira no topo dos festejos, como que a sentir, mais do que ninguém, um golo do FC Porto Fonte: FC Porto
Sérgio Oliveira no topo dos festejos, como que a sentir, mais do que ninguém, um golo do FC Porto
Fonte: FC Porto

Sérgio via-se desaproveitado, terá desanimado, mas não desistiu, porque sabia que no seu clube “nunca ninguém desiste” (disse ele, no último sábado) e tinha noção de que o seu esforço iria ser recompensado. E foi. Perdeu-se a paciência com o anterior treinador, chegou um novo, e surgiu a oportunidade que ele há tanto tempo reclamava – a titularidade. Agarrou-a com unhas e dentes, como se faz no seu clube, e conferiu à equipa a dinâmica aguerrida que tinha em falta, a mística de “ser Porto”. No primeiro jogo, abriu uma avenida para Maxi explorar e assistir Aboubakar para um dos golos da vitória sobre o União da Madeira; no segundo, em Setúbal, marcou o único golo do jogo, numa bomba que descarregou toda a frustração pelas injustiças contra si cometidas, uma bola repleta de raiva de quem, aos 23 anos, ainda não tinha visto a sua qualidade devidamente reconhecida e que só o fundo de uma baliza conseguiria parar. Pareceu Hugh Glass, com a vingança merecida depois de muito sofrer.

Sérgio faz bem a este FC Porto, que há muito anda necessitado de uma referência, e este FC Porto é o melhor para ele porque lhe dá todas as condições para que venha ao de cima a sua capacidade de liderança e a garra que coloca em cada lance.

 Foto de capa: FC Porto

Torneio Seis Nações 2016: Inglaterra regressa ao trono Europeu

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cab Rugby

Cinco jogos, cinco vitórias! A Inglaterra foi a grande vencedora do Torneio Seis Nações de 2016, conquistando um título que lhe fugia há mais de uma década. Os comandados de Eddie Jones – assim como o seu seleccionador – foram capazes de se reinventar ao longo de cada jogo e contaram tantas vitórias como jogos disputados, resgatando o trono europeu, que pertencia, de há dois anos para cá, à Irlanda.

A equipa/A surpresa: Eddie Jones tinha – e tem – pela frente a difícil tarefa de devolver a selecção inglesa às luzes da ribalta mundial. Para já, o primeiro teste foi passado com excelência: não se podia pedir mais aos ingleses, que somaram cinco vitórias em cinco jogos – atingindo uma vitória por Grand Slam – e mostraram que têm uma margem de progressão bastante interessante. Depois da desconfiança inicial, foi devolvida a esperança aos apoiantes da Selecção da Rosa, que têm motivos para perspectivar feitos ainda maiores no futuro.

A desilusão: Indubitavelmente… Irlanda! Os homens de Joe Schmidt ficaram-se pelo terceiro lugar da competição, mas, mais frustrante do que a classificação, fica o rugby fraco e previsível que deixaram em campo. Depois de perder Brian O’Driscoll e, mais recentemente, Paul O’Connell, falta uma figura-chave na selecção irlandesa, sendo essa a principal lacuna a preencher nos próximos tempos.

O jogo: No jogo do título, Inglaterra e País de Gales defrontaram-se em Twickenham, com os ingleses a receber os seus vizinhos com apenas dois pontos de diferença na tabela classificativa. Após uma primeira parte apática por parte dos galeses – e onde os ingleses aproveitaram para reinar – os últimos minutos da partida foram críticos, com o País de Gales a reinventar-se e a aproximar-se da Inglaterra, tendo mesmo uma oportunidade clamorosa para fechar o jogo com uma vitória dramática. Tal não se viria a verificar porque Danny Care desperdiçou um alinhamento ganho em cima do minuto 80.

James Haskell foi um dos pilares da selecção inglesa no torneio Fonte: RBS 6 Nations
James Haskell foi um dos pilares da selecção inglesa no torneio
Fonte: RBS 6 Nations

Futsal: Sérvia 1-2 Portugal: Superado com muita determinação

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cab futsal

Um pouco como se esperava, e claramente empurrada pelo público que compunha as bancadas, embora em menor número que no Euro 2016, a Sérvia deu mostras logo no início de querer mandar no jogo, coincidindo com uma entrada menos positiva da nossa equipa. Pese embora este bom início da seleção balcânica, foi Portugal que se adiantou no marcador, depois de um desvio oportuno de João Matos com o calcanhar à boca da baliza. Com o golo, crescemos muito no encontro e passámos a dominar os acontecimentos até ao intervalo, sendo também de destacar o segundo golo por intermédio de Fernando Cardinal, após um forte remate ao canto superior da baliza defendida por Aksentijevic. Ao fim dos primeiros 20 minutos o resultado parecia ser um pouco lisonjeiro para a equipa nacional, mas plenamente justificado apenas a partir do momento em que foi marcado o primeiro golo.

Na segunda parte, a Sérvia entrou mais determinada perante um adversário a tentar controlar as operações e foi com alguma naturalidade que chegou ao golo, reduzindo o défice no marcador para o mínimo. Com este golo, podíamos ter tremido ou, ao invés, ter assumido uma postura excessivamente defensiva. Mas não; foi a expulsão de um jogador da casa que permitiu a superioridade numérica aos portugueses e por conseguinte a criação de variadíssimas situações iminentes para poder marcar e aumentar assim a vantagem para a segunda mão, mas o guardião sérvio mostrou-se sempre intransponível.

Perto do final, a Sérvia ainda tentou marcar o golo do empate, mas Vítor Hugo esteve enorme ao tirar um golo certo ao avançado adversário. Bem vistas as coisas, o triunfo acaba por ser justo, perante sobretudo a reação portuguesa na parte final de cada uma das partes e a forma como a seleção conseguiu controlar o rumo dos acontecimentos, num jogo imensamente difícil e onde era necessário saber sofrer, pois não era, de todo, um jogo fácil. Foi, portanto, uma vitória magra, mas extremamente saborosa e que permite abordar a decisiva partida, em Odivelas, com mais tranquilidade e confiança, e de preferência com o pavilhão cheio no apoio aos craques portugueses. Dia 12 de Abril há mais uma autêntica final para atacar com o mesmo respeito pela emergente seleção da Sérvia. Estou consciente de que o jogo não vai ser nada acessível, mas com a confiança de que o nosso valor será suficiente para derrubar este muro centro-europeu com muito valor, conforme vimos recentemente no Euro 2016.

Foto de capa: Futsal Global

Fórum do Treinador 2016: Os Portugueses Lá Fora e o Contexto Selecção

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PARADIGMA DO JOGADOR VS PARADIGMA DA EQUIPA

A palestra mais interessante da manhã foi aquela que Ruben Jongkind nos trouxe da Holanda. O ex-técnico do Ajax falou sobre as diferenças entre o paradigma da equipa e o paradigma do jogador, aquele que Cruijff concebeu para o emblema de Amesterdão e que, segundo ele, é o mais eficaz no processo de formação e desenvolvimento de novos talentos. “Não é uma equipa inteira que se estreia na equipa principal, são jogadores”, pensou o antigo craque holandês.

O que determina a qualidade de um jogador é a genética (capacidade intrínseca, uma realidade imutável) e o ambiente em que evolui (onde se integram todos os estímulos que contribuem para o seu crescimento, como as relações sociais, o treino ou o contexto competitivo). Ora, aquilo que um clube deve fazer é definir um modelo de jogo e uma identidade, com base na sua história, e elaborar uma metodologia que sirva os interesses dos jogadores, dando-lhe o melhor ambiente possível. Eis algumas diferenças entre o paradigma da equipa (A) e o paradigma do jogador (B):

A – Um treinador para vários jogadores / B – Vários treinadores (school mentor, football mentor, performance coach, nutricionista e psicólogo) para um jogador, capazes de criar sinergias entre si para proporcionar um contexto favorável ao jovem.

A – Em cada ano, os jogadores conhecem um novo treinador (sub-9, sub-10 e assim sucessivamente) / B – Há três fases de desenvolvimento do jogador: aquisição de competências e fase de imitação (sub-7 a sub-12), crescimento (sub-13 a sub-16) e especialização (sub-17 a sub-21).

A – Sobrevivência dos mais fortes fisicamente / B – Ambiente de aprendizagem permanente, em função das características dos jogadores. Não desistir dos “fraquinhos” e “baixinhos”.

A – Treinador como um chefe/ B – Treinador como um guia.

A – Orientado para os resultados, para o sucesso do treinador / B – Orientado para o processo, centrado no jogador.

No modelo de Cruijff, todos os jogadores são periodicamente avaliados em várias vertentes: o comportamento social, o perfil psicológico, o posicionamento táctico, o controlo de bola ou as capacidades motoras. Quando houver lacunas evidentes num jogador, deverá ser feito um plano para as corrigir. Christian Eriksen, por exemplo, teve de treinar especificamente durante 4 meses para melhorar a sua forma de correr, que não era a mais adequada. Como resultado, o actual jogador do Tottenham foi o elemento com mais quilómetros percorridos ao serviço do Ajax na Liga dos Campeões do ano seguinte.

Sem erros de arbitragem, o líder seria outro

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É costume os adeptos das equipas mais beneficiadas pelas arbitragens dizerem frases como “todos os clubes grandes são beneficiados”, numa tentativa de relativizar tudo e de passar uma esponja por aquilo que se vai passando nos relvados. Numa altura em que se cumpre um ano desde o último penálti e expulsão assinalados contra o Benfica (Marco Ferreira, autor de tal imprudência, seria despromovido no fim da época e viu-se obrigado a deixar a arbitragem), e em que o líder e o vice-líder do campeonato estão separados por uma distância ínfima, torna-se relevante saber se o tratamento dado a Sporting e Benfica pelas arbitragens foi realmente idêntico ou se, por outro lado, alguma destas equipas tem razões de queixa (não se incluiu o Porto sobretudo por razões logísticas, uma vez que os dragões estão longe de estar arredados da luta pelo título).

Analisando os casos controversos mais evidentes, conclui-se neste texto aquilo que só será surpresa para o adepto benfiquista mais tendencioso: o clube da Luz tem sido, de facto, mais ajudado pelas arbitragens, e os lances que beneficiaram a equipa de Rui Vitória foram em maior número do que aqueles que a prejudicaram. Com o Sporting acontece o fenómeno oposto: apesar de os leões também terem sido favorecidos em alguns lances – neste texto conclui-se que ambas as equipas têm mais pontos do que deveriam, embora uma em bastante maior grau do que outra… – a quantidade de vezes que foram prejudicados é superior. Acresce o facto de, com os erros, o Sporting só não estar mais longe do Benfica – provavelmente até arredado do título em definitivo… – porque conseguiu ganhar jogos em que foi bastante fustigado por más arbitragens (casos dos jogos com o Nacional, Braga e Académica, todos em casa).

Apesar de apetecer dizer a frase “só no golo do Tondela contra o Sporting, na 1ª jornada, há mais ilegalidades (3: falta mal assinalada, golo em fora-de-jogo e marcado com a mão) do que aquelas que prejudicaram o Benfica até à 8ª jornada”, é evidente que a análise através das imagens será bem mais útil e categórica. Tendo isso em conta, resolveu apresentar-se as imagens de todos os lances – para ambos os lados e em igualdade de circunstâncias, para que se acabe com a conversa do “os árbitros erram para todos os lados” e com comentários vazios e a atirar areia para os olhos como “ai o penálti do Tonel”. Iremos analisar, em primeiro lugar, os lances que beneficiaram e prejudicaram o Benfica, fazendo de seguida o mesmo para o Sporting.

Importante: as jornadas escritas a maiúsculas e sublinhado (ex: “1ª JORNADA“) correspondem aos jogos em que o referido clube foi beneficiado/prejudicado com influência no resultado; da mesma forma, as jornadas escritas a letra minúscula e sem sublinhado (ex: “1ª jornada“) dizem respeito às partidas em que houve erros, a favor ou contra, mas sem influência no resultado.

Vejamos, pois:

BENFICA

Lances que beneficiaram o Benfica:

– 1ª JORNADA

– penálti não assinalado de Luisão no Benfica-Estoril (resultado em 0-0) – 1º penálti por assinalar:

luisao estoril

– 6ª JORNADA:

– penálti não assinalado de Mitroglou no Benfica-Paços de Ferreira (resultado em 0-0) – 2º penálti por assinalar:

penalti mitro

 

– 8ª jornada:

– expulsão perdoada a Samaris (resultado em 0-3 para o Sporting):

8 benfica samaris agressao

– expulsão perdoada a Fejsa (resultado em 0-3 para o Sporting):

8 benfica fejsa agressao

– 11ª jornada:

– penálti não assinalado de Lisandro (resultado em 2-0 para o Benfica, com quase meia hora para jogar) – 3º penálti por assinalar:

11 lisandro braga melhor

 

As naturalizações e o futuro do futebol russo

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Os detentores do poder ficam tão ansiosos por estabelecer o mito da sua infalibilidade que se esforçam ao máximo para ignorar a verdade.” – Boris Pasternak (Poeta e romancista russo vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 1958)

O tema das naturalizações no futebol russo não é algo novo e já vem de longe, mas a chamada do guarda-redes brasileiro do FC Lokomotiv Moscovo à selecção russa veio novamente reacender um assunto que está longe de ser pacifico e consensual.

Há 16 anos atrás, o jovem defesa camaronês Jerry-Christian Tchuissé recebeu, para surpresa de muitos, um passaporte russo e tornou-se elegível para representar a Sbornaya (selecção russa de futebol), mas tal nunca chegou a acontecer apesar de o jogador, que por essa altura representava o FC Spartak Moscovo, ter participado num estágio da equipa nacional russa. Um ano mais tarde, Tchuissé decidiu envergar as cores do país onde nasceu e representou a selecção dos camarões em duas ocasiões.

Em 2011, Welliton de Morais, avançado que representou entre outros o FC Spartak Moscovo e Goiás Esporte Clube, esteve muito perto de se tornar no primeiro jogador brasileiro a naturalizar-se russo, depois de ele próprio ter manifestado interesse em representar a Sbornaya. Contudo, apesar de existir um aparente interesse de ambas as partes, o processo arrastou-se lentamente pela burocracia do futebol russo e acabou por cair no esquecimento.

Depois de algum tempo em que a temática das naturalizações foi deixada propositadamente, ou não, na gaveta, no final do ano passado, o presidente da RFU (federação de futebol russa) e homem dos sete ofícios, Vitaly Mutko, voltou a trazer à baila um tema que já há muito havia esmorecido. De uma assentada só, foram colocados em cima da mesa vários nomes de futebolistas, que, estando ou não a jogar na liga russa, poderiam vir a receber um passaporte daquele país e mais tarde vir a representar a Sbornaya. Guilherme, guarda-redes do FC Lokomotiv Moscovo, Ari, avançado do FC Krasnodar, Mário Fernandes, defesa direito do PFC CSKA Moscovo, todos eles de nacionalidade brasileira, e Roman Neustädter, médio defensivo do FC Schalke 04, nascido em Dnipropetrovsk em 1988, ainda durante a era soviética, foram os nomes colocados em cima da mesa e é seguro dizer-se que pelo menos um deles fará parte da selecção russa no Campeonato Europeu de Futebol de 2016, que terá início no próximo dia 10 de Junho.

Guilherme, o primeiro brasileiro a defender a baliza da selecção russa Fonte: bolshoisport.ru
Guilherme, o primeiro brasileiro a defender a baliza da selecção russa
Fonte: bolshoisport.ru

Guilherme, o guarda-redes de 30 anos que representa o FC Lokomotiv Moscovo desde 2007, recebeu o passaporte russo em Novembro do ano passado e, depois de algumas polémicas e discussões acesas nos meios de comunicação russos, foi o primeiro a receber o voto de confiança de Leonid Slutsky e irá fazer parte da comitiva russa para os jogos particulares a realizar na próxima semana com a Lituânia e com a França.

Velho conhecido no caminho para a Colômbia

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Está prestes a ser dado o pontapé de saída no play-off de acesso ao Campeonato do Mundo FIFA 2016, que será disputado na Colômbia entre os dias 10 de Setembro e 1 de Outubro. A nossa seleção tem pela frente a Sérvia, um nome que poderá não assustar à primeira vista mas que merece o máximo respeito por parte de equipa e treinador nacionais, pois ainda está bem presente na nossa memória a derrota com a equipa balcânica no passado mês de Fevereiro.

Teoricamente, somos claramente favoritos, pese embora a grande valia desta seleção e sobretudo a maneira como ela se transcende a jogar em solo sérvio, conforme se viu na ótima participação no Euro’2016, quando só foi parada nas meias-finais pela forte nação russa. No coletivo reside a principal força do nosso adversário, mas também no público, uma vez que em Belgrado jogaremos perante um pavilhão cheio de adeptos bastante ruidosos no apoio à sua pátria, embora se possa destacar o número 10, Kocic, como maior figura individual.

Vão ser dois jogos muito intensos Fonte:UEFA
Vão ser dois jogos muito intensos
Fonte:UEFA

É de referir também que a primeira mão da eliminatória se disputa esta terça-feira em Belgrado, sendo a segunda e decisiva mão disputada no pavilhão de Odivelas no dia 12 de Abril. A grande chave deste tira-teimas é o jogo na capital sérvia, pois Portugal tem que ser capaz de travar um maior ímpeto e porventura maior motivação pelo fator casa por parte do nosso rival, e um resultado positivo fora de casa (obviamente que o ideal é ganhar, mas talvez um empate com golos seja positivo em função do jogo) é meio caminho andado para assegurar a qualificação.

Finalmente, a lista de jogadores não sofreu alterações em relação ao Europeu, mas há um pormenor que pode fazer toda a diferença no resultado: a possibilidade de Cardinal, salvo algum impedimento de última hora, jogar neste compromisso, ao contrário do que sucedeu no jogo com este adversário no mês anterior. Para mim, é o segundo melhor jogador da equipa nacional, logo atrás do mágico Ricardinho, e a sua presença no cinco inicial aumenta consideravelmente as nossas hipóteses de sucesso. Não é fácil, é certo, mas também se assim fosse não tinha piada nenhuma. Vamos, Portugal!