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O outro lado dos dérbis

sporting cp cabeçalho 2

No último sábado, em Alvalade, para além do entusiasmo normal por mais uma luta pelos três pontos, foram distribuídos alguns panfletos com novidades acerca do tão aguardado pavilhão João Rocha.

A juntar a isso, houve uma apresentação nos ecrãs gigantes em jeito de contagem final para a inauguração do novo espaço para as modalidades de pavilhão, que anos após ano vão fazendo crescer o Museu do Sporting CP.

Falar em conquistas no futsal, andebol e hóquei em patins é sinónimo de nostalgia, não pelos troféus – porque, felizmente, são já um cliché –, mas porque é inevitável recordar todos os momentos de euforia vividos na grande Nave de Alvalade. Tantos sorrisos, tanta paixão, tanto entusiasmo.

Volvidos tantos anos era tempo de transformar as promessas em realidade, de termos “casa própria”, logo ali, ao lado do estádio, para que voltem as tardes desportivas em família. Durante a tarde o futsal, o andebol e/ou o hóquei, e à noite o futebol como desporto-rei.

Esta situação arrastou-se no tempo de maneira quase interminável, mas, mérito desta direção e deste Presidente, o Sporting voltará a ter dentro de um ano, caso o prazo estipulado se faça cumprir, um pavilhão com todas as condições necessárias para mais vitórias, para mais conquistas.

Há mais dérbis! Sábado foi em futsal, jogo que o Sporting CP ganhou por 2-1 frente ao SL Benfica.

A equipa com mais campeonatos nacionais nesta modalidade apresentou-se muito coesa, com processos defensivos bastante rigorosos e eficazes – imagem de marca do clube desde que Nuno Dias tomou as rédeas da equipa – e com jogadores individualmente muito competentes.

Cavinato e Fortino trouxeram qualidade e golos à equipa “leonina” Fonte: Sporting CP
Cavinato e Fortino trouxeram qualidade e golos à equipa “leonina”
Fonte: Sporting CP

Frente ao campeão em título, e com o pavilhão de Odivelas com casa cheia, a tarefa adivinhava-se complicada. O SL Benfica usou e abusou de reposições rápidas por parte do guarda-redes espanhol Juanjo, que não se revelaram ameaçadoras, ora pela competência defensiva daquele que já se especializou na defesa dos pivôs adversários, Djô, ora pela leitura de jogo do guardião leonino Marcão, que por muitas vezes se antecipou ao homem mais adiantado da equipa da Luz.

Com um sistema tático interessante, com base no 3×1 variando para 4×0 quando Fortino saía para respirar uns segundos, o Sporting CP foi superior durante quase toda a partida.

É sobre este último que me vou debruçar.

Cardinal foi o último pivô de raiz que jogou em Alvalade. Nos anos seguintes tentou-se adaptar Alex, que, muito embora tenha cumprido a sua missão, era muito mais um jogador de ala.

A verdade é que, com a chegada de Rodolfo Fortino, é possível assumir com muito mais segurança um sistema tático com um fixo, dois alas e um pivô. Claro que no futsal moderno os jogadores são versáteis e não podem nem devem colar-se a um determinado espaço do campo, mas, em situações de ataque organizado, é importante ter aquilo a que no futebol se chama um “homem de área”, um verdadeiro finalizador. E foi este italiano que desbloqueou o resultado a favor do Sporting CP com um golpe de cabeça repleto de técnica e de intenção, deixando o seu defensor direto incrédulo e batendo Juanjo de forma exemplar.

Mas este foi apenas um dos muitos golos do italiano ao serviço do Sporting CP, tornando-se no melhor marcador da equipa esta época, com mais um golo que Diogo, outra das grandes contratações leoninas.

Fortino encontra-se no Top 3 de melhores pivôs a nível europeu, como provou na última edição do campeonato europeu de futsal na Sérvia.

É por jogadores como este que é mais que justo ter um pavilhão de e para as modalidades. Temos os melhores jogadores e as melhores equipas.

E em março de 2017 teremos o melhor pavilhão!

Foto de Capa: Sporting CP

Acabou o sonho do SL Benfica

cab Voleibol

O Benfica sucumbiu em casa frente ao Verona pelos parciais de 25-15, 19-25, 25-17, 25-14, numa hora e quarenta minutos na tentativa de se apurar pela segunda vez consecutiva para a final da Taça Challenge de voleibol.

Depois dos “encarnados” terem ganho em itália por 3-2 numa primeira mão bastante equilibrada, não conseguiram fazer frente à quarta classificada da liga italiana. Nesta segunda mão vimos um Verona determinado e com uma palavra a dizer no que toca à qualificação para a final. Entraram confiantes, e com uma qualidade técnica superior ao jogo da primeira mão.

Num primeiro set equilibrado, onde o Verona mostrou grande respeito pelo adversário, foi visível que a formação italiana quis tirar partido do seu serviço para dificultar a recepção do benfica, acabando assim por vencer o primeiro set.

No segundo set, o Benfica reagiu e elevou o seu nível de jogo, principalmente no que toca à defesa. Entrou confiante e com grande garra onde se percebeu claramente que ainda acreditavam que era possível realizar o feito da época anterior, vencendo o set.

No terceiro set, o Benfica mostrou-se algo inconstante, a desperdiçar muitos serviços e teve grandes dificuldades na recepção dos serviços do Verona. Teve também alguns bons momentos, com grandes ataques do Zelão e do Hugo Gaspar, mas não foi suficiente  para diminuir a confiança do adversário. Por outro lado, a formação italiana lutou até ao fim por todas as jogadas, tirando vantagem do seu poderoso bloco, mantendo-se quase sempre com o controle do set. É importante referir o ataque desta equipa italiana que foi eximia, principalmente a atacar pelo meio, deixando sem hipóteses a defesa benfiquista.

Apesar do muito público o Benfica não conseguiu vencer os italianos Fonte: SL Benfica
Apesar do muito público o Benfica não conseguiu vencer os italianos
Fonte: SL Benfica

O quarto set foi mais equilibrado, até ao 12-12. O Benfica perdeu um ponto crucial, que levou a uma discussão com a equipa de arbitragem e consequentemente um vermelho ao Roberto Reis. A partir daqui a formação italiana assumiu o controle do set, acabando assim por vencer a eliminatória.

É de aplaudir o apoio de todos os benfiquistas presentes na luz. Foram incansáveis para com a formação benfiquista, mostrando ao mesmo tempo também respeito pelo grande adversário que tinham à sua frente.

Este não era o resultado que o Benfica queria ou esperava. Mas não podemos culpar a equipa nem o treinador José Jardim. Devemos sim estar orgulhos porque, embora alguma irregularidade por parte da equipa e o vermelho mostrado, a formação benfiquista lutou e fez tudo o que conseguiu perante a situação de jogo, tentando tirar sempre partido da sua melhor arma, o ataque.

O responsável por este resultado foi mesmo o Verona. A formação italiana mostrou um nível de jogo altíssimo com um poderoso serviço e com uma defesa bastante eficaz, que foi capaz de contrariar o ataque benfiquista.

Tem agora pela frente, na final, a equipa russa Fakel Novy Urengoy, que eliminou, numa vitória fácil, os belgas do Prefaxis Menen.

Foto de capa: SL Benfica

Volta à Catalunha’2016 – “Mini” antevisão do Tour de France?

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Cabec¦ºalho ciclismo

Antes da prova que dá o nome, em parte, a este título, tivemos duas excelentes corridas, uma em França e outra em Itália. Ambas muito boas provas e com alguns ciclistas a darem boas indicações para o que poderão fazer durante este ano.

Um Paris-Nice em que Geraint Thomas mostrou estar em forma e cada vez melhor em provas de uma semana (Rui Costa terminou num bom top’10), derrotando Alberto Contador por apenas quatro segundos e o vencedor de 2015, Richie Porte, por 12 segundos. Enquanto decorria a prova francesa, em terras italianas tínhamos o Tirreno-Adriático. Peter Sagan voltou a fazer segundos lugares, perdendo para Zdenek Stybar e Greg van Avermaet (o vencedor da geral individual desta corrida) a possibilidade de uma vitória com a camisola de campeão do mundo, Cancellara voltou a bater Tony Martin no contrarrelógio (muito bom início de temporada para o “Spartacus”, neste seu último ano no ciclismo profissional), tal como tinha avisado, no podcast sobre ciclismo do Bola na Rede, que poderia voltar a acontecer, e também houve oportunidade para vermos “o futuro, hoje”, num duelo entre Fernando Gaviria e Caleb Ewan, sendo que, dessa vez, o colombiano levou a melhor sobre o australiano – acredito que foi mesmo o primeiro de muitos, muitos duelos entre estes dois imensamente promissores jovens. A vitória final, tal como mencionado, foi mesmo para o belga da BMC, vencendo o campeão do mundo, Sagan, por apenas um segundo!

Após estas duas provas, também houve espaço para um dos “monumentos”, o primeiro: Milan-Sanremo. As quedas foram o destaque da prova, sendo que o francês Arnaud Démare beneficiou dos tais aparatos nalguns dos favoritos para conseguir arrecadar a vitória, à frente de Ben Swift e Jurgen Roelandts. Depois disto, temos então, a partir de hoje, a Volta à Catalunha.

A começar no dia 21 e a terminar no dia 27, a 96.ª edição da mais antiga prova espanhola e a quarta mais antiga europeia acaba por ser uma das provas mais importantes antes das Grandes Voltas deste ano. A prova disto está na lista de ciclistas que estarão, à partida, para esta Volta à Catalunha. À cabeça da mesma estão três nomes bem conhecidos de todos os “amantes” do ciclismo: Chris FroomeAlberto Contador e Nairo Quintana. Será a primeira grande batalha entre os três, antes do Tour de France. Veremos se a vitória final também sairá deste lote de excelência.

Três dos melhores ciclistas do mundo competirão nesta volta Fonte: praquempedala.com
Três dos melhores ciclistas do mundo competirão nesta volta
Fonte: praquempedala.com

Ainda assim, mais nomes abrilhantam esta prova, tais como: Richie Porte, o último vencedor desta prova, Fabio Aru, outro dos ciclistas que prometem lutar pela vitória na Volta à França, Joaquim “Purito” Rodriguez, duas vezes vencedor desta corrida, Tejay van Garderen, Rigoberto Urán, Daniel Martin, Esteban Chaves, Romain Bardet, Domenico Pozzovivo, Ilnur Zakarin, Rafal Majka, Tom Dumoulin, Warren Barguil, Robert Gesink, Wilco Kelderman, Louis Meintjes, Ryder Hesjedal e mais alguns… Enfim, um elenco “de luxo”, sem dúvida, e muitos destes estarão, em princípio, no próprio Tour.

FK Zenit: Muito dinheiro investido, pouco sucesso conseguido

internacional cabeçalho

O FK Zenit tem sido a prova viva de que no futebol nem sempre o dinheiro fala mais alto e não basta gastar milhões de euros em contratações para conseguir construir uma equipa coesa e triunfante nos grandes palcos europeus do desporto rei. Em anos recentes, o emblema de São Petersburgo tem conduzido um vasto processo para colocar o seu nome entre os históricos do futebol europeu, que tem passado maioritariamente pela aquisição de jogadores estrangeiros de talento comprovado, por montantes financeiros bem elevados. No entanto, o investimento não se tem refletido no que diz respeito a títulos e a sucesso nas competições europeias.

Nas últimas três temporadas, o Zenit apenas por uma vez venceu o campeonato, algo que não credibiliza muito um clube que pretende a hegemonia futebolística por território russo. Nesta época, o título também poderá ser, com grande probabilidade, uma miragem para o conjunto treinado pelo português André Villas-Boas, pois a equipa encontra-se no quinto lugar da tabela classificativa, a seis pontos da liderança, uma posição certamente pouco expectável no início da temporada. Tendo em conta o leque de futebolistas que o emblema de São Petersburgo tem à disposição, pode dizer-se que o recente percurso com pouco sucesso do clube tem sido uma autêntica desilusão.

O recente investimento do Zenit tem sido bem visível nas contratações executadas pelo clube, que trouxeram jogadores de talento comprovado para São Petersburgo. A transferência mais sonante foi, sem dúvida, a de Hulk, em 2012. O avançado brasileiro, que tem sido a principal arma do arsenal ofensivo do Zenit, custou cerca de 55 milhões euros ao clube. Outras transferências como as de Axel Witsel (40M€), Javi García (16M€), Ezequiel Garay (6M€), Salomón Rondón (18M€, entretanto transferido para o West Bromwich Albion por 17M€), Criscito (15M€), Ansaldi (8M€), ou Luís Neto (6,5M€) fazem parte do projeto executado pelos dirigentes do Zenit, para dar uma maior dimensão a nível europeu ao clube. É de referir não só a quantia monetária despendida para as transferências dos jogadores como também os elevados salários que decerto auferem.

Nesta edição da Liga dos Campeões, o Zenit ficou-se pelos oitavos de final  Fonte: FK Zenit
Nesta edição da Liga dos Campeões, o Zenit ficou-se pelos oitavos de final
Fonte: FK Zenit

A principal falha do Zenit tem residido maioritariamente no seu percurso nas competições europeias, nas quais o clube ainda não conseguiu atingir o impacto desejado. É importante salientar o facto de o emblema russo desde 2011/12 ter marcado sempre presença na fase de grupos da Liga dos Campeões, um feito que merece ser reconhecido. Ainda assim, nessas últimas cinco temporadas, foram duas as vezes em que ficou colocado no terceiro posto do seu grupo, o que levou o clube a disputar a menos cotada Liga Europa (em 2012/13 foi eliminado nos oitavos de final e em 2014/15 nos quartos). Nas três situações em que passou a fase de grupos da Champions, o emblema de São Petersburgo foi eliminado nos oitavos de final da competição, duas vezes pelo SL Benfica (em eliminatórias que era certamente o favorito à vitória) e uma pelo Borussia Dortmund. Assim, é possível verificar que o Zenit ainda tem que subir alguns degraus para se colocar no patamar de históricos do futebol europeu.

Jogadores de qualidade não faltam ao Zenit; no entanto, não é apenas o talento individual dos futebolistas que constrói uma equipa. Nota-se uma evidente falta de coesão nos processos da equipa, tanto a nível defensivo como ofensivo. É certo que a paragem de Inverno no campeonato russo não beneficia em nada os clubes, mas não se pode colocar toda a culpa de o Zenit ainda não ter conseguido ir mais além nas competições europeias somente nesse facto.

Visto que o projeto atual de potenciar o clube não está a surtir os melhores resultados e tendo em conta que a grande parte do onze inicial da equipa não é de nacionalidade russa, será o momento de o Zenit regressar a uma identidade com base em jogadores russos, algo que os adeptos certamente apoiariam, e parar o investimento em valores estrangeiros? Muitos são os rumores que apontam a iminente saída de Hulk do Zenit; será que outros o seguirão? Para já, a única certeza é a de que André Villas-Boas não continua no clube após o final da época.

Foto de Capa: FK Zenit

Equipa B estabilizada a meio da tabela

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Depois de uma longa série de jogos sem vencer, a equipa secundária dos “leões” parece ter encarrilado nas últimas semanas e voltou este fim de semana ao meio da tabela da Segunda Liga.

Num período de 13 jogos, os “leõezinhos” apenas venceram um, em casa, frente ao Oriental, una das equipas pior classificadas da competição. Esta “travessia do deserto” começou ainda em 2015. A turma orientada por João de Deus teve quatro derrotas seguidas sem conseguir marcar qualquer golo, frente a Vitória de Guimarães B, FC Porto B, SC Braga B e Feirense, num encontro desequilibrado pela arbitragem.

Contudo, a equipa jogava mal e era esse o fator decisivo. Ainda por cima, estávamos já em janeiro de 2016, num mês condicionado pelo mercado de transferências. Depois daqueles quatro desaires, os verde e brancos empataram na receção ao frágil Mafra e averbaram mais três derrotas claras, todas por dois golos ou mais de diferença, perante Farense, Covilhã e Portimonense.

A equipa apresentava enormes fragilidades defensivas e inoperância no ataque. Estava a entrar numa apatia preocupante, com uma descida vertiginosa na tabela.

Já estávamos no mês de fevereiro quando chegou a tal isolada vitória em Alcochete, frente ao Oriental, num jogo em que Matheus Pereira desceu à equipa secundária e bisou. Contudo, seguiram-se mais quatro partidas sem vencer e em que os jovens leões apontaram apenas dois golos (derrotas em Matosinhos e em Olhão, empates caseiros com Freamunde e Famalicão).

Com os lugares de descida cada vez mais próximos, já pairava em Alvalade algum receio de eventuais complicações para garantir a permanência na Segunda Liga, fundamental para a qualidade do projeto desta equipa. A estrutura técnica leonina, encabeçada por Jorge Jesus, deve ter sentido esse medo e houve alguns atletas do plantel principal que alinharam recentemente pela equipa B, como são os casos de Paulo Oliveira e Tobias Figueiredo, regressados de lesão, ou Matheus Pereira e André Martins, jogadores que têm tido poucas oportunidades para se exibirem ao mais alto nível.

Paulo Oliveira já jogou pela equipa B nesta temporada Fonte: Sporting CP
Paulo Oliveira já jogou pela equipa B nesta temporada
Fonte: Sporting CP

Aliados a estes “reforços”, houve alguns regressos de jogadores mais experientes que estavam emprestados, como Kikas, Filipe Chaby e Mica Pinto. Há ainda que contar com Betinho, que esteve no Belenenses na primeira metade da temporada. Neste plantel pontificam ainda alguns jovens de grande qualidade e potencial, como Domingos Duarte, Francisco Geraldes, Daniel Podence, Ryan Gauld ou Cristian Ponde.

Depois de ir melhorando, gradualmente, o nível exibicional, a equipa conseguiu também melhores resultados, conquistando três triunfos nas últimas quatro partidas. Os jovens “leões” derrotaram, de forma consecutiva, o Atlético e o Santa Clara, dois rivais nesta luta pela permanência, empataram na Póvoa de Varzim, e golearam, neste domingo, a condenada Oliveirense na Academia por 5-0. O Sporting B respira agora melhor, quando faltam disputar nove jornadas até ao final do campeonato, ao contrário, por exemplo, da equipa secundária do arquirrival Benfica, que teve hoje uma jornada negra, com a derrota em Portimão aliada às vitórias do Académico de Viseu, do Mafra e dos algarvios do Farense nos seus jogos.

A manutenção não está ainda garantida, mas acredito em que o caminho está agora mais desanuviado para os comandados de João de Deus, e para isso muito contribuíram os regressos de jogadores experientes, que sabem o que é o Sporting e conhecem aquilo que é necessário para desenvolver uma campanha calma e com qualidade na sempre competitiva Segunda Liga.

Boavista FC 0-1 SL Benfica: Sem peças para jogar xadrez

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Jogo tradicionalmente difícil no Bessa e com um Benfica altamente pressionado pelas vitórias de ontem dos dois rivais e altamente fragilizado pela ausência de jogadores fundamentais no onze inicial. Já lá vamos. Salvio aproveitou a onda de lesões que afecta o plantel encarnado e foi titular pela primeira vez no campeonato, num onze que contou ainda com Samaris no centro da defesa – fez, de novo, dupla com Lindelof – e com André Almeida no lugar de Fejsa no meio-campo.

O Boavista já havia roubado pontos ao Sporting e ao Braga nesta época, pelo que, com tantas ausências e com o plantel encarnado a começar a dar sinais de algum desgaste físico, não se podia esperar um jogo fácil. E não o foi, de todo. O que a primeira parte não teve em futebol teve em confrontos físicos e picardias entre jogadores. O controlo do jogo era da equipa da Luz, como se esperava, mas não conseguia traduzi-lo, sequer, em oportunidades de golo junto da baliza de Mika. O tempo ia passando e os comandados de Rui Vitória não encontravam forma de furar a defesa da casa. As investidas de Salvio eram inconsequentes – o argentino ainda está bem longe daquilo que pode fazer -, Jiménez e Jonas atropelavam-se nas imediações da área, Pizzi é peixe fora de água na ala esquerda e o meio-campo via-se a braços com um Boavista muito aguerrido e solidário. Renato Sanches teve de jogar quase por dois, já que a exibição de André Almeida a trinco deixou muito a desejar.

Mais uma maré encarnada por esse Portugal fora... Fonte: #SL Benfica
Mais uma maré encarnada por esse Portugal fora…
Fonte: SL Benfica

Assim fechava a primeira parte e no início da segunda até foi o Boavista a assustar Ederson em algumas ocasiões. Aproveitando o cada vez maior avanço do Benfica no terreno, a equipa de Sánchez agradecia no contra-ataque mas faltou sempre acerto na finalização. Há claros sinais de melhoria neste Boavista, que já consegue demonstrar qualidade e dinâmica atacante. Apenas assim, claro, podia encarar este jogo como encarou e jogá-lo olhos nos olhos com o bicampeão nacional. Tanto esforço resultaria, pois, numa quebra física por volta dos 65 minutos, altura em que o Benfica voltou para o forcing final. Mais com o coração do que com a razão, poucas foram as chances de golo que o Benfica criou até final. Apenas Pizzi teve o golo nos pés mas não aproveitou, feito que Ruben Ribeiro, depois de sentar Eliseu, repetiu no lado contrário, atirando para a bancada.

Foi já em tempo de descontos, quando o Boavista estava perto de ver tanto esforço recompensado e os benfiquistas se preparavam para o pior, que Jonas vestiu, pela enésima vez, a capa de herói. Passou ao lado do jogo durante os 90 minutos mas guardou o melhor para o fim e bateu Mika após prodigiosa assistência de cabeça de Carcela. Um golo que, lá para Maio, poderá vir a ser muito, muito importante. Muitos dirão que foi sorte e que caiu do céu mas não nos esqueçamos das inúmeras vitórias alcançadas desta forma pelo maior rival do Benfica na corrida para o título.

A Figura:
Boavista – Excelente a forma como a Pantera se bateu perante o líder do campeonato. Não se limitou a colocar o famoso autocarro e conseguiu, por diversas vezes, estar perto de se chegar à frente no marcador. Bom trabalho de Erwin Sánchez.

O Fora de Jogo:
Raúl Jiménez – Péssimo jogo do mexicano, que não aproveitou a ausência por castigo de Mitroglou. É muito esforçado e corre muito mas os pés não acompanham tanta vontade…

Académica OAF 0-3 GD Estoril-Praia: Resultado engana… mas diz alguma coisa

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Uma das coisas mais misteriosas e fascinantes que o futebol nos dá é a “mentira” que o resultado pode transmitir em relação àquilo que se está a passar num determinando momento de um encontro. Isso aconteceu em Coimbra, à passagem do minuto 26 da primeira parte do Académica Estoril da 28.ª jornada da Liga NOS, com o golo de Gerso, que ditava o 0-2 mas que não espelhava aquilo que se ia passando em campo.

De facto, a Académica “caiu” em cima do Estoril desde o apito inicial e encostou os canarinhos ao seu meio-campo com a vontade e determinação necessárias a quem quer fugir de uma situação precária. Os estudantes puseram as mãos à obra e quase que obtinham a devida recompensa, mas Rui Pedro não teve a arte nem o engenho para responder, de cabeça, na pequena área, a um cruzamento bem medido por Aderlan, saindo a bola ao lado da baliza defendida por Kieskzek.

A pressão da Briosa manteve-se, com boas iniciativas vindas de ambos os flancos, embora sem correspondência em situações de perigo reais, porém, o domínio era evidente… até que surgiu um relâmpago (surgiu mesmo, instantes antes do primeiro golo do Estoril) que parece ter fundido a “luz”, o esclarecimento dos jogadores da Académica, nomeadamente de Rafa Soares, que deixou uma avenida aberta e que quer Anderson Luis quer Leo Bonatini, nas suas derivações para o flanco direito, souberam aproveitar e servir, respectivamente, Matheus e Gerso para os dois golos de rajada da formação canarinha.

Este rombo não abalou, em definitivo, as ambições da Académica, que continuou a pressionar o meio-campo contrário, em busca do golo, mas a organização defensiva do Estoril ia ganhando um duelo renhido com o ataque conimbricense.

No final do jogo, Filipe Gouveia era um homem incoformado com o resultado
No final do jogo, Filipe Gouveia era um homem incoformado com o resultado

No segundo tempo, Filipe Gouveia decidiu arriscar e tirou o desinspirado Rafa Soares para colocar em jogo Gonçalo Paciência, encarregando Nii Plange do flanco esquerdo. A pressão da Académica não acalmou, manteve-se o pendor ofensivo, mas não foi suficiente para inverter o resultado a seu favor e, na sequência de um lance polémico em que Leandro Silva e Fernando Alexandre parecem sofrer falta, o Estoril, em contra-ataque, marca o terceiro, outra vez com Léo Bonatini e Matheus na jogada, com o primeiro a derivar para a direita e a assistir o segundo, sem marcação (Fernando Alexandre estava no chão, magoado, nesta altura), para o golo que sentenciaria o encontro.

A Académica passou a acreditar naquilo que o resultado ia dizendo, mesmo que este fosse mentiroso, e desmotivou-se. Deixou-se desorganizar ofensivamente, atacando de forma muito desapoiada contra uma defesa bem junta e coesa, não conseguindo assustar sequer o seu adversário a partir daqui. Rendeu-se e não soube aproveitar a sorte que a audácia anterior lhe proporcionou – Marinho, Rafael Lopes e Rabiola tiveram a bola ao seu dispor em zona prometedora mas atrapalharam-se.

GP da Austrália: it’s back!

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cab desportos motorizadosA Fórmula 1 está de volta! A Austrália foi o palco do regresso da modalidade e do início da temporada, que conta já com a sua quota-parte de agitação.

E se a pausa de inverno foi pautada pela controvérsia à volta do novo modelo de qualificação, o primeiro Grande Prémio do ano seguiu a tendência. As novas qualificações assentam numa base de eliminação directa – com todos os veículos em pista –, em que os pilotos mais lentos vão sendo eliminados a cada minuto e meio. Na Q3, já com apenas dois carros a lutar pela pole-position, a ideia era criar um autêntico duelo pelo primeiro lugar no grid. Na Austrália, tudo correu mal – antes ainda da corrida, as altas instâncias da F1 reuniram e decidiram que já no próximo GP, no Bahrain, a antiga qualificação estará de volta.

As primeiras duas rondas ainda tiveram o seu “quê” de emoção, principalmente no final da Q1. A novidade e a surpreendente falta de tempo agitaram as equipas e causaram uma confusão positiva. Mas na Q3, os pilotos optaram por realizar apenas uma tentativa, numa estratégia de poupança dos pneus, deixando a pista vazia nos últimos minutos. A bandeira axadrezada acabou por ser levantada apenas pelo simbolismo.

Em pormenores mais pragmáticos, Lewis Hamilton conquistou a 50.ª pole da carreira. Rosberg confirmou a dobradinha da Mercedes, e Vettel, que abdicou da última tentativa, saiu do terceiro lugar da grelha.

O estado do McLaren de Alonso Fonte: F1
O estado do McLaren de Alonso
Fonte: F1

O GP da Austrália iria provar se a hegemonia da Mercedes está viva e pronta para continuar, ou se a Ferrari decidiu que tem uma palavra a dizer. E, pelo menos no arranque, todos acreditaram que a última seria a verdadeira. Sebastian Vettel realizou uma arrancada digna de ver e rever e colocou-se de imediato à frente dos dois Mercedes. Bem pertinho, Kimi Raikkonen aproveitou o embalo do colega de equipa e roubou a segunda posição – à nona volta, os dois Ferrari tinham a corrida controlada a seu favor.

Mas na volta 17, a corrida deu uma volta de 180°. Um aparatoso acidente entre Fernando Alonso (McLaren) e Esteban Gutierrez (Haas) causou a amostragem da bandeira vermelha e a consequente interrupção da corrida. Quando Alonso tentava passar Gutierrez, o mexicano da Haas guinou o carro para a esquerda, causando o embate entre os dois veículos. O McLaren capotou a grande velocidade e ficou praticamente destruído. Ainda assim, e felizmente, Fernando Alonso saiu do monolugar pelo próprio pé.

As carências

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fc porto cabeçalho

Confesso que sou dos portistas que consideram que o campeonato já não é uma realidade para o FC Porto. Nem o golo de Kelvin consegue provocar-me alguma expectativa e otimismo para o que resta do campeonato. Isso diz muito sobre a qualidade de jogo que os Dragões apresentam. Ao que tudo indica, Pinto da Costa será novamente o eleito para presidir e dignificar a imagem do clube e, na minha opinião, os olhos da SAD devem estar postos no Jamor e no campeonato da próxima época porque se falhar pelo 4.º ano consecutivo será algo muito mau e incomum na história recente do clube.

Para que o sucesso regresse à Invicta, é necessário que haja uma gestão mais pensada do que nos últimos anos. Os adeptos têm visto chegar ao clube jogadores pobres em qualidade e em espírito e isso reflete-se na tabela classificativa. É urgente a chegada de dois centrais que entendam o que é o campeonato português, consigam interiorizar o que é jogar no FC Porto e, acima de tudo, tenham qualidade. Não é necessário que sejam centrais da casa ou que tenham tanta raça como Jorge Costa ou Bruno Alves. Quem não se recorda de centrais como Otamendi e Mangala? Jogadores que não são da casa mas que apresentaram uma consistência e uma qualidade acima da média na zona mais recuada do terreno? Já na baliza não há qualquer problema. Iker e Helton são bem capazes de dar conta do recado durante a próxima época mas é essencial que a SAD tenha em mente o desenvolvimento de algum jovem guarda-redes com qualidade, como Gudiño ou José Sá.

Já no miolo, os Dragões têm muito talento. Mesmo que um dos jogadores do meio campo da equipa azul-e-branca saia durante o Verão, o plantel continua rico em soluções. Apesar dessa abundância, o plantel sentiu a saída de Oliver e é urgente que venha um médio criativo capaz de solucionar qualquer entrave que o meio-campo apresente na fase de construção de jogo e no último passe.

Brahimi e Corona pode ser peças chaves no ao título Fonte: FC Porto
Brahimi e Corona pode ser peças chaves no ao título
Fonte: FC Porto

Desde que José Peseiro chegou ao FC Porto, a equipa soube produzir e marcar mais. O tridente atacante do FC Porto não é mau de todo: Brahimi e Corona têm qualidade, mas Aboubakar não tem mostrado que tenha faro para ser um goleador como Falcão ou Jackson. É crucial que venha mais um sul-americano que faça os adeptos vibrar e sonhar com a sua veia goleadora como já tantos o fizeram.

Outra situação a resolver no plantel é o banco. Nenhum portista consegue explicar a saída de Quaresma e a entrada de Varela e muito menos as contratações de Marega e Suk. É disto que é feito o banco do FC Porto. Um banco de fraca qualidade e que oferece poucas soluções para o ataque e para a defesa. É crucial que a SAD saiba equilibrar a balança e consiga formar uma equipa competitiva como fez no ano passado.

Ao contrário do que muitos dizem, o FC Porto não tem o plantel mais forte do campeonato e isso deve-se à péssima gestão que tem vindo a ser feita. O próximo mandato de Pinto da Costa tem que fazer esquecer este último ou é tempo de dar lugar a novas ideias.

Foto de capa: FC Porto

Jogo Interior #16 – Recursos Psicológicos: A necessidade de formação dos treinadores

jogo interior

A actividade do treinador engloba uma variedade de competências necessárias para a evolução em várias dimensões, sendo a mais óbvia a sua própria competência. É consensual que os conhecimentos que o treinador deve reunir deverão ser amplos e profundos, quer nos aspectos técnicos e táctico-estratégicos quer nos físicos, se este almejar atingir um patamar de desempenho dentro do alto rendimento. Mesmo nos desempenhos inferiores, seja na formação, com a sua grande variedade de aspectos que caracterizam a aprendizagem, o desenvolvimento motor, e psicológico, seja em desporto sénior amador, o treinador deve transportar consigo habilidades que lhe permitam no mínimo ter uma actividade exigente em todas as vertentes, para que não sinta que o seu tempo está a ser perdido.

Hoje em dia é também consensual para os treinadores que a formação é importante e necessária. Não há dúvida de que os conhecimentos multidimensionais são um elemento chave para alcançar o êxito desportivo com a sua equipa e com o seu clube. No entanto, cada vez mais treinadores expõem como problemas muito usuais aqueles de índole comportamental, relacional e psicológica. Sendo a atitude de uma pessoa, ao contrário do que muita gente pensa e usa na sua comunicação, a predisposição para um comportamento, considero que esta está directamente ligada ao seu carácter ou à sua personalidade. Coexistindo numa equipa 15, 20 ou 30 pessoas, todas com carácter diferente, experiências e circunstâncias de vida diferentes, julgo ser urgente que os treinadores pensem bastante seriamente em incluir na sua formação desportiva experiências nestes domínios das ciências sociais. Antes de existir o atleta existe a pessoa. Com os seus dramas, os seus sonhos, os seus êxitos, os seus fracassos, as suas verdades e as suas mentiras. Cabe ao treinador ter um papel essencial na dinamização colectiva dos relacionamentos dos atletas e a sua capacidade de liderança ditará a sua quota de sucesso neste campo.

Se questionarmos os treinadores sobre “Qual é a maior dificuldade no momento de treinar?”, surgem respostas como:

  • Questões sociais, falta de reconhecimento familiar da actividade desportiva
  • Conseguir manter a motivação em todos os jogos
  • Ao treinar equipas amadoras há falta de compromisso de alguns jogadores
  • A falta de capacidade de trabalho dos jogadores
  • A falta de responsabilidade
  • A dificuldade em conseguir um bom ambiente de trabalho e solucionar os problemas do grupo
  • Em momentos de exames ou exigências laborais diminuem a presença nos treinos
  • Apesar de lutarem não têm confiança nas suas possibilidades futuras
  • Problemas na transmissão de alguns conceitos técnicos ou tácticos
  • Falta de formação anterior de qualidade
  • Falta de resiliência
  • Etc. 

O que ressalta aqui em todas estas respostas é que tocam em aspectos psicológicos e sociais (liderança, inteligência emocional, comunicação, gestão de conflitos, etc.), e em formação nessas matérias os treinadores simplesmente não investem (nem tempo, nem dinheiro). E não investem porquê? Eu julgo que tenho algo parecido com uma resposta.

Na abordagem do treinador desportivo à sua própria formação o treinador analisa e toma consciência daquilo que precisa de saber para sentir a capacidade de colocar a sua equipa a jogar. Nesta fase o treinador escolhe as suas prioridades e toma as suas decisões, alinhadas com os seus objectivos. Uma boa parte deste processo é subconsciente (que é um nível de consciência da mente responsável pelo arquivo das nossas crenças e dos nossos valores), mas se o treinador nem sequer tem objectivos delineados, quer individuais, quer colectivos, atrevo-me a dizer que o próprio nem sequer consegue enumerar alguns motivos pelos quais quis abraçar esta actividade.

O rol de competências necessárias para o treinador exercer a sua actividade é grande e após investigação e reflexão a minha teoria é esta, aqui esquematizada numa pirâmide, utilizando o modelo da pirâmide da hierarquia das necessidades de Maslow e estudando alguns elos em comum.

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Tal como Maslow teorizou, as necessidades de nível mais baixo serão satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto. A ideia aqui é a mesma. Podendo a teoria estar incompleta, pois ainda não foi testada no terreno através de inquéritos e modelada estatisticamente, é usada aqui para transmitir a ideia e colocar mais gente a reflectir sobre ela.

Assim, é natural que os treinadores tenham necessidade de primeiramente aprender tudo relacionado com a parte técnica e capacidades motoras características da modalidade para depois se irem alimentando e experimentando modelos tácticos e estratégicos. Nesta fase é natural também que os treinadores ainda não sintam necessidade para ir mais além na aquisição de outros conhecimentos de nível superior (psicologia, ciências sociais e liderança), e se mantenham neste nível por bastante tempo. O problema é este: a estagnação… Acaba por ser um falso problema para quem tem como objectivo ser um treinador incompleto ou mediano.