Hoje estava a pensar falar na vitória do Sporting em termos colectivos no nacional de corta-mato e no descontrolo emocional de Sara Moreira… Mas sei que, felizmente, um “é normal” e o outro vai ser recuperado… E acredito que Sara Moreira irá brilhar brevemente noutras grandes corridas. Aquele de quem quero aqui hoje falar é Nélson Cruz, um atleta 100% amador que trabalha num supermercado no distrito de Setúbal.
Quando Nélson Cruz saiu do seu trabalho (enquanto repositor de produtos), pouco depois da meia-noite, não podia imaginar que algumas horas mais tarde pudesse sagrar-se campeão nacional de corta-mato… Esta podia ser uma história de encantar, mas não… É uma história de trabalho e dedicação, esforço e suor, e finalmente a glória. Nélson Cruz, atleta do Clube Pedro Pessoa (que também é o seu treinador), apesar de fazer a prova há “12 ou 13 anos”, nem sequer tinha terminado no top 10 até então…
Mas, este ano, viu a sua oportunidade e agarrou-a com todas as forças… Colou-se logo no início à liderança da prova e ninguém acreditou que ele aguentasse o ritmo… Quando foram atrás, já era demasiado tarde e teve a vitória com mais de cinco segundos de vantagem.
Sara Moreira teve um dia mau no Campeonato Nacional de Corta-Mato, mas em anos de grandes competições é importante cairmos para nos sabermos levantar Fonte: Sapo Desporto
Felizmente Portugal é um país de “heróis” que com pouco conseguem muito e este é mais um exemplo fantástico do que o esforço pode fazer atingir. No passado tive a oportunidade de ver um grande campeão olímpico português, o Nelson Évora, a treinar o “seu” triplo salto sem grandes condições para trabalhar… Mas a verdade é que sempre atingiu grandes resultados. E o que mais me “entristece” é que estes “heróis” pedem pouco… No final da prova quando lhe perguntaram “E agora?” a resposta foi “Agora gostava de ter um aumento”… Ganha pouco mais de 600 euros e tem o terceiro filho a caminho.
Longe vão os tempos em que éramos uma potência no meio-fundo mundial e que tínhamos quase sempre atletas nas provas internacionais a conseguir ganhar medalhas… Longe vão os tempos em que existia uma rivalidade Sporting vs. Benfica vs. Maratona Clube de Portugal, etc.. Obrigado, Nélson Cruz, por nos mostrares que não há limites para a vontade do Homem… E, quando “Deus quer, o Homem sonha e a obra nasce”! E Sara, quanto a ti, todos temos um dia mau… Este foi o teu deste ano… Com tantas competições que aí estão a chegar, agora só pode melhorar!
Olegário Benquerença é um dos nomes de referência na arbitragem portuguesa e marcou, sem dúvida, o início do século. No seu currículo conta com o Euro’2008 e Mundial’2010 e vários jogos para as competições de clubes da UEFA. É um árbitro de elite. O antigo árbitro leiriense fala, pela primeira vez desde que terminou a carreira, sobre como é este mundo da arbitragem e as suas opiniões em relação às novas tecnologias no futebol, à próxima geração de árbitros e aos presentes de clubes a árbitros.
Bola na Rede: Faz em Junho um ano que se afastou dos relvados. Sente saudades?
Olegário Benquerença: Eu nesse assunto digo muito simplesmente: não tenho saudades. Tudo na vida tem um tempo e se há actividade que está devidamente estipulada quanto à sua permanência é a arbitragem. Todos os árbitros sabem que aos 45 anos de idade terminam as suas carreiras. Portanto, penso que quem for organizado mentalmente se prepara atempadamente para chegar ao fim; fechar a porta e viver apenas de recordações dos bons momentos que teve ao longo desses anos todos.
BnR: Durante os anos em que arbitrou conseguiu sempre separar a sua profissão da actividade de árbitro?
O.B.: Quando se chega ao nível de uma primeira categoria, a árbitro internacional, a arbitragem torna-se muito absorvente em termos de tempo e disponibilidade para o exercício da função. Os árbitros adequam as suas vidas para poderem estar em disponibilidade total para a arbitragem. Portanto quando se fala no profissionalismo da arbitragem fala-se de uma falsa questão. Os árbitros são já profissionais na atitude, profissionais na dedicação e na disponibilidade que têm para o desempenho, com jogos ao domingo, à quarta, jogos nas ilhas, jogos internacionais… A nossa vida passa por ser-se árbitro e nas horas vagas trabalhar nas profissões que temos. No meu caso concreto, foi uma opção que eu tomei em 2002. Eu era profissional de seguros, trabalhava numa seguradora, e abdiquei da minha carreira pessoal para ter uma disponibilidade total para a arbitragem.
BnR: Qual é que é a história mais marcante que guarda dos anos em que arbitrou?
O.B.: Tenho felizmente muito boas recordações de diversos momentos da minha carreira. Não consigo destacar nenhum momento em particular por razões desportivas, ou porque este jogo foi melhor do que aquele… No entanto, é verdade que o momento mais simbólico de toda a minha carreira foi a estreia no Campeonato do Mundo. Foram muitos anos a sonhar. Quando eu entrei para a arbitragem já alimentava esse sonho e lutei toda a minha carreira para conseguir concretizá-lo. Felizmente consegui e no dia em que fiz o meu primeiro jogo [Mundial de África do Sul de 2010] senti a recompensa por todos os anos de sacrifícios pessoais, profissionais e familiares que tive que fazer ao longo desse período.
BnR: Por falar em competições internacionais de selecções, não há árbitros portugueses no Euro 2016. Acha que se perdeu qualidade na arbitragem?
O.B.: Eu não acho que se tenha perdido qualidade. Provavelmente aquilo que se perdeu, e não foi agora, foi a preparação do momento após a minha saída e após a saída do Pedro Proença. As pessoas, e nomeadamente as pessoas do Conselho de Arbitragem, preocuparam-se sempre muito mais com a gestão das suas próprias carreiras do que com a gestão da arbitragem portuguesa; e a gestão da sua sobrevivência. A prova disso é que ao fim destes anos, nós, arbitragem, fomos forçados a colocar quatro árbitros na lista da FIFA que em conjunto não tinham sequer dez jogos de primeira categoria. Isto é claramente um caso único na história da arbitragem portuguesa, e isto sem pôr em causa o mérito e a capacidade individual de cada um deles.
BnR: As pessoas parecem estar muito longe de conhecer o processo de selecção…
O.B.: Há um desconhecimento muito grande do público em geral, no que diz respeito à forma como são seleccionados os árbitros para as competições internacionais. E essa ausência de conhecimento leva a que se cometam muitos erros de análise, que se cometam muitas injustiças na avaliação, como dizer que o árbitro A ou o árbitro B teoricamente não fez um bom trabalho no jogo A ou B. Não é nada disso. Posso dizer que quando fui ao Campeonato do Mundo de 2010, a pré-selecção dos árbitros que iriam ao Mundial nesse ano foi feita em 2007. Três anos antes! Três anos antes já o mundo sabia de que lote de 54 árbitros sairiam os 24 que iriam ao Campeonato do Mundo. Portanto, durante três anos foi uma ignorância total sobre aquilo que iria ou não iria ser o Mundial no que diz respeito à arbitragem. As pessoas não percebem que o Europeu de 2016 foi preparado em 2013. Assim que acaba o Europeu de 2012 começa-se a preparar o Europeu de 2016. Neste momento, o Mundial de 2018 já tem os árbitros pré-seleccionados.
BnR: Acha que em 2018 Portugal já vai estar representado ao nível da arbitragem?
O.B.: Salvo qualquer imponderabilidade, como abandono de carreira, morte, enfim… Salvo qualquer coisa do outro mundo, Portugal em 2018 estará representado pelo Artur Soares Dias. Ou não terá árbitros. O Artur foi pré-seleccionado pela FIFA, foi fazer testes já no ano passado e está neste momento a competir, se quisermos assim, com um grupo de árbitros do mundo inteiro. Seis meses antes é apresentada a lista, mas essa lista já vem de um trabalho longo de três anos de preparação, selecção, de presença em competições. O Artur esteve no Campeonato do Mundo na Nova Zelândia há seis meses já no plano de preparação. Foi seleccionado para esse Mundial para ser avaliado, para ser acompanhado, monitorizado, e chegará ao fim e terá resultados, ou não. Portanto já sei que daqui a um ano e meio, quando sair a lista, se por infortúnio nosso o Artur não for seleccionado ninguém irá falar disto que estamos aqui a dizer hoje. Dir-se-á na altura que é por causa das arbitragens que ainda hão-de ser feitas no campeonato de 2017/2018 que os árbitros portugueses não irão estar ou irão estar.
O grande embate do Futsal português, um dérbi que promete muita emoçãodesde o apito inicial da equipa de arbitragem até aos segundos finais, está a pouco mais de meia semana de se realizar, pois é já no próximo sábado, dia 19 de março, que as duas melhores equipas nacionais voltam a defrontar-se. Desta feita, será num encontro relativo à segunda volta, discutido agora em solo leonino, após a vitória por duas bolas a uma em meados de outubro do ano passado. Ambas as equipas chegam ao tão aguardado jogo em muito boa forma, a jogar bem e a ganhar confiança à medida que os jogos passam, com a liderança a ser ocupada pelo SL Benfica, com mais três pontos do que o Sporting CP mas também mais um jogo disputado (20 das águias contra 19 dos leões, graças ao adiantamento do jogo contra o Sporting de Braga, disputado originalmente no fim-de-semana em que se disputa a final-four da UEFA Futsal Cup, na qual o Benfica irá estar presente).
Estatisticamente falando, o Sporting aparece com mais golos marcados e menos golos sofridos do que qualquer outra equipa no campeonato português, tendo naturalmente o melhor goal average (diferença entre golos marcados e sofridos) de todos os 14 participantes na Liga Sport Zone. Por outro lado, encontramos um Benfica bastante mais pragmático, conforme se viu no jogo da primeira volta perante a equipa leonina, pese embora as recentes goleadas, sobretudo perante o Sp. Braga (7-0). Apesar do que as estatísticas possam indiciar, este vai ser, sem dúvida, mais um jogo fantástico e imprevisível até ao fim.
Rodolfo Fortino vai ter oportunidade de se estrear em dérbies Fonte: Sporting CP
Não é possível prever o resultado final, é certo, mas o mais importante é que esta será mais uma ótima divulgação da modalidade entre duas grandes equipas, um pouco à medida da primeira volta, com o Sporting a assumir as despesas do encontro e o Benfica um pouco mais na expetativa, à espera daquilo que o jogo lhe possa proporcionar, ainda por cima jogando fora de casa. Não é necessariamente uma má estratégia, sobretudo se der resultado, conforme se viu no encontro da sétima jornada. Um pormenor que, para finalizar, tenho de referir: ao contrário do jogo da primeira volta, o Sporting já vai poder contar com Rodolfo Fortino, que não pôde jogar devido a suspensão no jogo no Pavilhão da Luz.
É, sem sombra de dúvida, um dos destaques e dos pilares essenciais na boa época que o Sporting tem vindo a fazer e que pode, salvo algum impedimento de última hora, fazer toda a diferença para as hostes verde e brancas. Também do lado encarnado, Chaguinha parece estar restabelecido e pronto para dar o seu contributo, tendo afinado a pontaria no jogo anterior perante o Boavista (7-0), no qual marcou dois golos, assim como Rafael Hemni, também ele impedido de mostrar a influência na manobra ofensiva da equipa por suspensão. Portanto, teremos duas equipas na máxima força e prontas para dar o seu melhor à procura da vitória e da liderança após este jogo.
A Liga BBVA, ou Liga Espanhola para os comuns dos mortais, sempre foi vista como uma das melhores ligas europeias. Mas será mesmo assim? Terá também contras?
Prós:
– É uma das ligas dos milhões: Leva sete equipas aos lugares europeus, tendo quatro acesso à Liga dos Campeões (três diretamente para a fase de grupos e uma por qualificação) e três à Liga Europa (duas para a fase de grupos e uma por qualificação);
– Existem grandes clubes a disputar a liga: Sem contar com os eternos Real Madrid e Barcelona, têm ainda Atlético de Madrid, Valência – que não está na sua melhor forma, mas que considero uma grande equipa-, Sevilha e, até o Villarreal, que está a fazer uma campanha muito boa;
– Qualidade dos jogadores: Há jogadores com grande qualidade tática e técnica, que acabam por ir para os melhores clubes, inclusive portugueses, como Carriço ou Tiago.
O antigo capitão do Sporting é um exemplo de sucesso dos jogadores portugueses na Liga BBVA Fonte: Sevilha FC
Contras:
– É uma liga de desajustes: Tal como há equipas muito boas, acabam por haver equipas piores. Isto leva a que hajam resultados tão descompensados como 9-0, 7-1 (resultado de um Celta de Vigo- Real Madrid), o que acaba por mostrar as desigualdades de equipas muito boas e também com muito dinheiro (a época que o Valência está a fazer, neste caso, é uma exceção) e de outras que fazem o seu campeonato de forma modesta. Acaba sempre por se perguntar: Achas que este ano ganha o Barcelona ou o Real Madrid?
– Por outro lado, é uma liga de milhões também nas bancadas: quantas vezes a câmara estava apontada para um jogador que ia bater um canto e viam-se asiáticos nos lugares mais juntos ao relvado (e que não se dão três tostões por eles)? Tive a oportunidade de assistir, há uns anos, a um jogo entre o Barcelona e o Málaga, em Camp Nou e acaba por ser o oposto de um Sporting-Moreirense. Ali, não há adeptos, quase não têm afición e isto porque o jogo acabou por ser um produto de demanda turística, sem qualquer gosto por ir ao estádio. Tal como estava lá uma portuguesa, estavam também chilenos, asiáticos, alemães… e creio que não têm lugar cativo.
Acho que poucos clubes em Espanha sentem o jogo como nós, em Portugal. Não há quem vibre a sério pela equipa, que leve todos os seus apetrechos jogo após jogo. Apesar de ser um estádio cheio, é frio em emoção e amor ao clube. E é isso que me faz pensar duas vezes em relação a ser a melhor liga europeia. O estádio acaba por ser um ponto turístico e não um lugar quase de culto a algo. Apenas na segunda liga e, principalmente em clubes asturianos é que se sente mais o futebol, com a emoção que se vê por cá.
Por isto, se me perguntassem se preferiria ter um lugar cativo em Portugal ou em Espanha, eu escolheria em Portugal e, obviamente, no Sporting. Cá vive-se o futebol de forma tão fantástica que eu abdicava de muito só para os ver jogar. Por isso, que me jogue sempre o William, o Adrien e o João Mário e todos os outros leões! Enquanto tivermos a qualidade dos nossos jogadores aliada à forma tão única, tão portuguesa de viver o futebol, irei cá estar para os apoiar.
Sem qualquer alteração em relação à convocatória de Las Vegas, os Linces partiram para Vancouver com a tarefa de limpar a fraca prestação da etapa anterior.
Com Quénia, Fiji e Samoa como adversários da fase-de-grupos, os portugueses sofreram um autêntico ”atropelo”, tal o desnível demonstrado em campo. Por partes: no primeiro jogo, Portugal enfrentou o Quénia e entrou bem na partida. No entanto, sem armas para derrubar o favoritismo queniano – selecção que tem crescido muito ao longo das etapas do circuito –, apenas João Bello protagonizou um toque de meta, contra sete dos africanos. O resultado foi de 43-5, e o pesadelo estava apenas a começar… No jogo seguinte, frente às Fiji, o insólito aconteceu: a falta de rigor defensivo e a incapacidade de reinvenção foram o tónico ideal para os fijianos fazerem o que quisessem da partida, e estes não se fizeram rogados: marcaram dez ensaios sem um único esboço de resposta. O jogo terminou com uma derrota duríssima para a selecção nacional (62-0), e os atletas saíram do relvado tão ou mais atónitos quanto os portugueses presentes a assistir ao descalabro. Por último, e frente à Samoa, começámos com um bom ensaio de Pedro Silvério, mas depressa colocámos o controlo do jogo nas mãos dos samoanos, que jogaram a seu bel-prazer até ao 43-7 final.
Saídos de um autêntico pesadelo – com muitas culpas no capítulo defensivo – enfrentámos a Inglaterra, que também infligiu uma pesada derrota aos Linces – 31-0. Garantimos uma das nossas piores prestações defensivas deste circuito. Foi então que o Brasil se intrometeu no caminho da armada lusitana e, finalmente, os Linces realizaram um jogo positivo. Mais concentração, mais garra, mais objectividade e uma linha defensiva mais coordenada deram o mote; a vitória chegou por acréscimo. Pedro Silvério, por duas vezes (com uma transformação de João Bello), e Tiago Fernandes fizeram os ensaios portugueses, contra um dos brasileiros. O jogo terminou a 17-7; Portugal conquistava, assim, o seu lugar na final da Taça Shield.
Os Linces não tiveram pedalada para contrariar o poderio queniano Fonte: World Rugby Sevens Series
Chegados à final e com uma oportunidade de ouro para marcar pontos face à Rússia, a equipa portuguesa correu sempre atrás do prejuízo, e os ensaios de Vasco Ribeiro e Fábio Conceição não foram suficientes para levantar a Taça – os russos venceram a partida por 17-10.
Quanto à Taça Cup, houve um duelo de titãs na final, com Nova Zelândia e África do Sul a realizarem uma excelente partida de Rugby. Os sul-africanos entraram melhor em campo, com um ensaio logo a abrir, mas a reacção neo-zelandesa não se fez esperar e os All Blacks responderam pouco depois com dois ensaios. A partir daí, ambas as formações ocuparam todos os espaços de forma exemplar, e só na recta final da partida houve mais mexidas no marcador, com um ensaio para cada lado. No final, a vitória sorriu, uma vez mais, à selecção da Nova Zelândia.
Esta não é propriamente uma das melhores fases da história do AC Milan. O clube italiano já não vence a Serie A há quase cinco anos e as últimas épocas têm sido, no mínimo, desastrosas. Em 2014/2015, o conjunto de Milão terminou o campeonato na décima posição, num registo ainda pior que o da temporada imediatamente anterior, onde não conseguiu mais que um oitavo lugar. Classificações desprestigiantes para um dos clubes com mais títulos, não só no futebol italiano, como em toda a Europa, e que o impediram de disputar as competições europeias nas últimas duas temporadas.
Se não é normal o AC Milan passar um ano que seja sem se qualificar para as provas da UEFA, não fazê-lo em duas épocas consecutivas é obra, passe a ironia. Aliada às más prestações no campeonato, a falta de notoriedade internacional do emblema rossoneri está a pôr em causa o seu estatuto, cada vez menos reconhecido no mundo do futebol.
Este está longe de ser o clube que víamos regularmente, e há poucos anos, nos principais palcos do futebol europeu na discussão dos títulos mais importantes, como a Liga dos Campeões. Hoje em dia, o AC Milan é um clube que pratica um futebol chato, pouco convidativo e sem grande nota artística, o que se justifica com a fraca gestão do plantel de que tem sido alvo. Há muito que o clube não conta com jogadores de indubitável classe mundial, capazes de decidir ao mais alto nível, seja por já não conseguir convencer atletas dessa categoria a assinarem, seja pela falta de condições financeiras para realizar um investimento mais sério. A verdade, porém, é que, no verão, o AC Milan desembolsou 30 milhões por Carlos Bacca e 25 por Alessio Romagnoli, o que significa que não deve estar assim muito perto de declarar falência, mesmo que o dinheiro não abunde pelos lados de San Siro.
Mesmo com os golos de Carlos Bacca, o AC Milan está realizar um campeonato atribulado Fonte: AC Milan
De forma a poder voltar à elite do futebol, o clube de Silvio Berlusconi terá de rever a sua estratégia na íntegra. E o primeiro passo a dar para que isso aconteça parece-me óbvio: voltar às competições internacionais. Esta época, o AC Milan ocupa, à 29ª jornada, o sexto lugar da Serie A, estando imediatamente abaixo dos lugares europeus, com menos seis pontos que o rival da cidade, o Inter de Milão. Os homens treinados por Siniša Mihajlović têm, porém, algo que joga a seu favor: estão na final da Taça de Itália, e logo contra a Juventus. Ora, mesmo falhando o acesso à Liga Europa pelo campeonato, o AC Milan pode qualificar-se para a competição através da Taça. Se ganhá-la, garante automaticamente um lugar; se falhar no jogo decisivo, só não tem direito à vaga no caso de perder com um clube que não se qualifique para as competições europeias, o que não parece ser o caso, uma vez que a Vecchia Signora lidera atualmente a Serie A.
Significa isto que o AC Milan vai, muito provavelmente, voltar a marcar presença nas provas da UEFA em 2016/2017, meta imperial para o clube, ainda que através da Liga Europa. A Liga dos Campeões, essa, é um sonho quase impossível de concretizar, pelo menos esta época. A equipa rossoneri está a onze pontos da AS Roma, que ocupa o terceiro lugar do campeonato, o último de acesso à maior prova europeia de clubes, na qual o AC Milan já não participa desde 2013/2014, quando foi eliminado pelo Atlético de Madrid nos oitavos de final.
Ver este clube de volta aos principais palcos do futebol mundial seria motivo de satisfação para muitos fãs de futebol, principalmente para aqueles que cresceram a ver o AC Milan realizar campanhas espetaculares na Liga dos Campeões, numa altura em que tinha nos seus planteis jogadores do calibre de Dida, Cafu, Paolo Maldini, Alessandro Nesta, Gennaro Gattuso, Andrea Pirlo, Clarence Seedorf, Andrea Pirlo, Kaká, Rui Costa, Pippo Inzaghi ou Andriy Shevchenko, só para referir alguns dos craques de renome mundial que defenderam as cores do AC Milan desde o início do século. Quando olhamos para os atuais jogadores do clube, que merecem todo o respeito pelos futebolistas que são, percebemos que o AC Milan já não é o mesmo e que terá de ser alvo de alterações radicais em breve, sob o risco de perder a sua identidade e estatuto internacional.
Depois da derrota sofrida em Alvalade era altura de levantar a cabeça, expressão que define na perfeição o que vem a seguir a resultados menos bem conseguidos. Pois, bem, o jogo no Estoril levantou uma névoa de desconfiança por parte dos mais céticos, bem como receio e alguma insegurança.
Com algumas alterações na equipa principal por culpa de lesões e castigos, a equipa demorou algum tempo a estabilizar e conseguir levar a bom porto todos os processos de jogo. Aquilani, e sem querer individualizar, provou que a classe não precisa de uma grande caixa de velocidades.
Sou suspeito porque desde que me lembro sou um admirador confesso deste italiano que trouxe tanto ao Sporting CP e ao campeonato português.
Por outro lado, e contrariando a minha primeira intenção, terei de voltar às individualidades, pouco antes de elogiar o coletivo.
Gutiérrez está noutro país, noutro clube, noutra dimensão. Não se foca no jogo, não se esforça, não entusiasma. Jorge Jesus puxa por ele, quer que ele justifique a aposta, grita e gesticula, aproveita cada paragem para lhe dar um rumo em campo; mas Teo não consegue.
A classe do central uruguaio trouxe qualidade ao setor defensivo do Sporting CP Fonte: Sporting CP
Não consegue ou não quer. Talvez ambos. É pena!
Mas, enfim, o futebol, esse desporto que apaixona milhões, é claramente um desporto coletivo, portanto, quando uma marca todos marcamos. Quando outra falha todos falhamos.
Tem sido essa máxima que tem pautado o discurso e o rendimento da equipa leonina esta época, e exemplo disso foi o jogo no Estoril. Podíamos ter evitado o golo sofrido, e aqui e ali uma certa hesitação na linha defensiva. No final de contas, conseguimos mais três pontos, contra uma equipa bastante organizada, com processos de jogo pragmáticos e que não demonstra receio a olhar um dos grandes nos olhos. Creio ser importante enaltecer também todas as equipas nacionais que têm qualidade suficiente e coragem para o fazer.
A oito jornadas do fim do campeonato e com um calendário difícil até ao fim, acreditaremos sempre no grande Sporting Clube de Portugal. SC Braga e FC Porto são as barreiras teoricamente mais difíceis de ultrapassar, contudo, convém avivar a memória e levar em consideração os adversários mais “acessíveis”.
Todos nos sentimos desconfortáveis nesta posição, particularmente depois de estar tanto tempo no topo, no lugar que seria nosso se o futebol fosse jogado com transparência. Aos vizinhos do primeiro andar: não percam muito tempo a olhar para baixo, porque o leão está faminto de títulos, e, mais que isso, é o rei da selva.
Jorge Jesus disse: “Na segunda voltamos ao segundo lugar”. Não se sabe se as palavras do antigo técnico das águias eram uma profecia ou uma tentativa de colocar pressão nos encarnados. A verdade é que as palavras de Jesus se cumpriram e o Tondela mostrou não ter equipa para se manter na primeira divisão, aumentando a desvantagem, ainda mais, para o penúltimo classificado.
O Benfica entrou no jogo como precisava de entrar: na frente. O primeiro golo nasceu de um canto que descobriu a cabeça de Jardel na área. O central-brasileiro, de volta ao onze encarnado, não vacilou e inaugurou o marcador. A atitude do Benfica não foi de bicampeão, como aliás tem mostrado várias vezes esta época depois de marcar, a deixar-se relaxar e a ver o Tondela a tentar explorar a velocidade dos seus jogadores – apesar de sem sucesso.
No meio-campo Talisca estava longe de fazer a vez de Renato Sanches; ora os passes do brasileiro saíam com muita força ora demasiado compridos. No entanto, o Benfica fez aquilo a que nos tem habituado nos últimos jogos: foi pragmático. Numa jogada de Gaitán, a romper com a defesa do Tondela, o argentino cruza rasteiro para Jonas, que fez jus à alcunha “Jonas Pistolas” e fuzilou para dentro das redes defendidas por Claudio Ramos.
A partir daí o jogo ficou mais fácil e o Benfica foi crescendo, conseguiu trocar melhor a bola e chegar mais vezes à frente. O Tondela, visivelmente desmoralizado, tentou parar os encarnados com recurso a faltas. A equipa de Petit não conseguia chegar com perigo à baliza de Ederson e a profecia de Jorge Jesus no rescaldo do Estoril – Sporting parecia cumprir-se. O primeiro lugar era novamente do Benfica.
Jonas voltou a brilhar ao serviço do SL Benfica Fonte: SL Benfica
O Benfica começou a segunda parte lento e a gerir, mas tal passou a ser apenas um mero golpe de teatro por parte de Rui Vitória. Logo aos 63 minutos entrou Salvio, e minutos depois Gonçalo Guedes, e tudo mudou. O Benfica, sem Gaitán, não perdeu a criatividade nem a capacidade de explosão; pelo contrário. Com as entradas do argentino e do internacional sub-21 português as águias ganharam velocidade e conseguiram levar, quase sempre, a melhor sobre os defesas laterais do Tondela, levando o perigo para a área da equipa do norte.
“Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, diria provavelmente Jorge Perestrelo. E diria bem: tanto o Benfica foi à área do Tondela, sempre pelas laterais, que acabou por fazer golo. Jonas bisou no encontro e voltou a mostrar-se letal contra as equipas mais pequenas. O avançado brasileiro somou o 28.º golo no campeonato e subiu para a liderança da tabela dos melhores goleadores de campeonatos na europa.
No meio campo Fejsa foi sempre imperial, tanto nos passes como nos desarmes, a compensar muitos erros do Talisca. A dupla, com as substituições, alterou-se e passou a ser formada por Samaris e Pizzi, mais juntos e mais pressionantes a conseguir gerir a bola no sector mais recuado – também contra um Tondela mais ‘morto’, diga-se de passagem. A única vez em que se viu atirar para o chão foi aos 85 minutos após um remate de Erick Moreno.
Como se as coisas não estivessem já más para o Tondela, a equipa de Petit, perdida na angústia e na amargura do jogo, viu Mitroglou escapar e ficar frente a Claudio Ramos, e o grego com uma frieza finalizadora não poupou o último classificado e marcou. A resposta do Tondela veio nos descontos com o melhor marcador da equipa, Nathan Junior, a reduzir para 4-1 o resultado final.
Sempre por baixo do jogo os pupilos de Petit nunca conseguiram dar resposta ou tão pouco causar perigo. Mostraram o lugar que ocupam. O Benfica por outro lado soube sempre gerir o jogo, independentemente da quebra após o primeiro golo. Foi um Benfica pragmático e um Rui Vitória inteligente a jogar bem com as substituições. Foi o jogo esperado, foi a profecia de Jorge Jesus cumprida.
A Figura:
Jonas – Bisou e volta ao topo da lista da bota de ouro com 28 golos.
O Fora-de-Jogo:
CD Tondela – A equipa de Petit não mostrou atitude e nunca foi capaz de causar perigo à baliza de Ederson.
Mais um fim de semana, mais um ataque de nervos. Depois de ver as suas aspirações de chegar ao título de campeão nacional caírem por terra, o FC Porto procurava uma boa resposta perante os 20 mil adeptos que pintavam as bancadas do Dragão, no jogo frente ao União. Pode dizer-se que passaram no teste, mas à “rasquinha”. A equipa continua na sua lastimável série de jogos a sofrer golos para o campeonato – já vai em sete consecutivos.
Sem brio e com pouco engenho, os dragões vão somando alguns recordes negativos. A zona defensiva regista a pior série dos últimos 12 anos; para registos piores só mesmo se recuarmos aos tempos de Octávio Machado e de Mourinho, em que nas balizas defendidas pelos azuis e brancos se encaixaram 28 golos em 26 jogos. Esta temporada a contagem já vai em 23 golos concedidos em 26 encontros. Sendo que nos últimos sete jogos se sofreram 12 golos, então significa que o FC Porto sofreu mais nesta má fase do que nos outros encontros já disputados.
A Invicta depara-se com um autêntico problema central. Não é por acaso que se tem sofrido tantos golos ultimamente. A defensiva portista de jogo para jogo altera os seus elementos de forma constante, seja por opção, seja por lesão, seja por castigo; existem sempre mudanças radicais nos pressupostos táticos no que diz respeito à transição defensiva da equipa. Esta situação, que se alastra já há bastantes jogos, não tem qualquer tipo de sustentabilidade, uma vez que o FC Porto passou da melhor defesa da Liga NOS para a quarta posição em apenas seis jornadas.
Pelos meandros do Futebol corre uma máxima que diz que “a melhor defesa é o ataque”. Máxima esta que é tudo menos posta em prática no FC Porto. Todas as perdas de bola tanto no miolo, como em zona de ataque acabam por dar perigo para a baliza de Casillas. Por mais que critique a inconsistência do guarda-redes espanhol, não se pode também deixar de reprovar a passividade dos criativos da frente. Atletas como Brahimi, Jesús Corona e Herrera são provavelmente os jogadores com mais potencial do plantel para vingarem em grandes clubes da Europa, mas jornada a jornada pecam muitas vezes na saída para o ataque, com inúmeros passes errados que se traduzem em golos das equipas adversárias. Nesta fase o que os portistas apenas pedem à equipa são vitórias, bom futebol e um melhor discernimento na tomada de decisão.
Nem tudo é mau nesta nova era de José Peseiro. Apesar de o futebol praticado ser muitas vezes atabalhoado, a equipa finalmente consegue puxar dos galões para recuperar resultados desvantajosos. Também é de referenciar a nova importância que Sérgio Oliveira começa a ter no plantel, assim como a inclusão do jovem defesa Chidozie, que já demonstra muito talento apesar da sua tenra idade e experiência. Do mesmo modo, a nova dimensão que Herrera tem trazido ao meio campo portista, apesar de o seu futebol ser por vezes “tosco”, tem demonstrado uma preponderância diferente agora como capitão, estando por sua vez ligado a vários golos dos azuis e brancos. É um jogador bastante mais maduro, algo que não se via, nem pouco mais ou menos, no comando de Julen Lopetegui.
Herrera tem assumido destaque na nova era Fonte: FC Porto
Ainda muito pouco tempo de trabalho, mas ainda estamos um pouco longe de conseguir ver este FC Porto como futuro vencedor de títulos. Existem muitos problemas por limar e muitas dores de cabeça por resolver. A sorte é que os adeptos conhecem a sua casa e sabem muito bem que os jogadores que por eles jogam podem ainda dar o triplo ou o quádruplo do que têm demonstrado. José Peseiro profere que melhores tempos virão e que, até este momento, teve pouco tempo de trabalho. A única coisa que os portistas sabem é que até ao final ainda há uma Taça, que nos escapa há muito tempo, para conquistar, e esperamos todos que nesse dia estejamos à altura, porque vai haver muito tempo para melhorar e para somar mais e mais vitórias.
A equipa que esta temporada se encontra sob o comando técnico do português Paulo Sousa tem mantido o registo regular de anos anteriores, estando a lutar pelos lugares que dão acesso às competições europeias na Serie A. No entanto, o conjunto de Florença tem esta época a hipótese de conseguir atingir um lugar de qualificação para a Liga dos Campeões, fator que daria uma elevada credibilidade à campanha de Paulo Sousa nesta sua primeira aventura por solo italiano como treinador. A equipa viola, que esteve parte da temporada no topo do campeonato, encontra-se no quarto posto da Liga Italiana, apenas a cinco pontos do terceiro classificado, posição que vale um lugar no play-off de qualificação para a maior competição de clubes na Europa.