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O favorito Fenerbahçe SK

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Na passada sexta-feira, em Nyon, o Sporting de Braga esteve presente no sorteio dos oitavos-de-final da Liga Europa, onde ficou a conhecer o seu próximo adversário nas competições europeias, o Fenerbahçe. Assim, o atual quarto classificado da Liga Zon Sagres, e única equipa portuguesa presente no sorteio, irá defrontar a única equipa turca na competição, o atual líder à condição, liderado pelo português Vítor Pereira.

Num sorteio em que já se previa que o Braga era das equipas mais desejadas pelos adversários, dado o seu menor favoritismo a continuar na competição, foi a equipa de Istambul a “sorrir”, enaltecendo ainda mais as suas fortes pretensões europeias para esta época, dado que grande parte da sua massa associativa acredita que pode ser desta que o Fenerbahce poderá obter o seu primeiro título europeu.

Constituída por oito jogadores que já pisaram o solo português, seis pelo FC Porto (Fabiano, Abdoulaye, Bruno Alves, Souza, Raúl Meireles e Diego), um pelo Sporting CP (Nani) e um pelo SL Benfica (Markovic), o conjunto de Istambul sofreu apenas uma derrota nos presentes 32 jogos desta temporada, onde, com um orçamento de 40 milhões, vive uma realidade bem mais diferente do clube português, pois este elevado investimento clarifica bem o grande objetivo que é a conquista do 20.º título turco.

Na passada segunda-feira, deu-se o jogo do título na Turquia, onde o anterior segundo classificado, Fenerbahçe, recebeu e venceu o Besiktas naquele que é também um dos maiores dérbis do país euro-asiático. Como é sabido em Portugal, Vítor Pereira encara estes jogos com a maior seriedade possível, de tal forma que a equipa da casa entrou a marcar aos três minutos de jogo, com um lance estudado de bola parada e, após um jogo completamente controlado, fixou o resultado final aos 82 minutos pelo português Nani, num jogo em que a equipa de Ricardo Quaresma não soube aproveitar as oportunidades de golo e atestou o velho ditado “quem não marca sofre”.

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Vítor Pereira volta a mostrar o seu talento
Fonte: Fenerbahçe SK

Depois deste jogo, que não deve diferir muito do jogo com o Sporting de Braga em termos de dificuldade, vimos uma equipa experiente com a escola de Vítor Pereira. Um futebol agressivo e direto, em que os médios interiores fixam a subida dos laterais, que são apoio constante na frente de ataque, e em que os extremos, principalmente Alper Potuk, gostam de se exibir livres e soltos, aparecendo constantemente sozinhos em diferentes zonas interiores do terreno. O jogador alvo é o avançado fixo, Van Persie ou Fernandão, e os dois centrais experientes, Bruno Alves e Kjaer, constantemente “queimam” linhas de passe, permitindo que a equipa se encontre constantemente no meio campo adversário e várias vezes nas zonas mais avançadas do terreno.

Em termos defensivos, o Fenerbahçe apresentou uma defesa subida e, à margem do que já se verificava no Vítor Pereira do Porto, defende em 4-3-3. Com um médio mais ofensivo, Diego, o Fenerbahçe apresentou um 4-2-3-1 em situações de ataque, com Alper e Volkan a desempenharem funções de avançados interiores e a aparecerem sistematicamente no apoio a Van Persie, criando oportunidades de golo na grande área.

Pontos fortes:

– Com duas torres defensivas, Van Persie e outros jogadores de elevada estatura, o Fenerbahçe torna-se uma equipa perigosa e a ter em conta em bolas paradas, com vários lances estudados e desmarcações bem interessantes.

– O futebol direto e com qualidade que a equipa turca apresenta permite que tanto os dois laterais ou o jovem Ozun Tufan apareçam nas costas dos laterais, contando com vários jogadores na área adversária.

– A criatividade e qualidade de desmarcação de Alper, que parece ser o “mal-amado” de Vítor Pereira, são capazes de decompor qualquer defesa e, caso ele não jogue, a mesma qualidade e entendimento com Van Persie acontece com o português Nani.

– A elevada estatura e agressividade de Topal, Souza e da restante defesa dominam o jogo aéreo, limitando uma construção mais temporizada e iniciada a partir do meio-campo, como muitas vezes se verifica pelos “guerreiros do Minho”.

Pontes fracos:

– Longe vão os tempos em que Bruno Alves era mais rápido que a maioria dos adversários e, a par da restante linha defensiva, torna-se uma equipa de processos defensivos lentos, o que, jogando com linha defensiva alta, possibilita sucessivas oportunidades nas costas da defesa, mesmo ao jeito do futebol praticado pelo Sporting de Braga.

– Os laterais, principalmente Erkin (diga-se de passagem, ataca bem melhor do que defende), sobem constantemente, e, por vezes, as compensações não são feitas a tempo e pecam pela falta de apoio dos extremos, o que, com contra-ataques rápidos por Rafinha ou Pedro Santos, podem causar o caos na equipa de Istambul.

– O futebol agressivo praticado pelo Fenerbahçe pode ser um aspeto favorável ao Sporting de Braga, isto porque os jogadores vivem demasiado as emoções e nem sempre a sua experiência na teoria se desenvolve na prática, podendo acabar menos um jogador ou com muitos jogadores amarelados.

Paulo Fonseca conhece bem o trabalho de Vítor Pereira até porque, para além de o ter defrontado, foi o sucessor do seu trabalho desenvolvido no Futebol Clube do Porto e sabe bem como deve encarar estes jogos. O Fenerbahçe é claramente favorito, mas, como é sabido, o clube português gosta de causar surpresas e penso que vai ser uma eliminatória bastante equilibrada e que a primeira mão deve deixar tudo em aberto para a restante eliminatória.

Sporting CP atinge número redondo na Liga

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Esta semana vou optar por destacar o feito que o Sporting CP alcançou no Futsal português, no passado fim-de-semana, ante a equipa dos Leões de Porto Salvo, no qual os (legítimos) aspirantes a campeões nacionais nesta época esmagaram, sem apelo nem agravo, a equipa dos arredores de Lisboa por concludentes 8-1, ultrapassando os 100 golos em jogos a contar para a Liga Sport Zone, ao fim de 18 jornadas. É, de facto, um registo extraordinário, sobretudo se levarmos em conta que, para além de ser, obviamente, o melhor ataque, é simultaneamente a melhor defesa de todas as 14 em competição, com apenas 16 golos sofridos (contando que já estão disputados 18 jogos, a média é inferior a um golo por jogo). Apesar de todos estes dados impressionantes, o Sporting não está, atualmente, na liderança isolada do campeonato, pois o SL Benfica também está a fazer uma época bastante regular, embora não tão espetacular como o seu rival. Encontram-se empatados na liderança, com 49 pontos fruto de 16 vitórias, um empate e uma derrota, mas com vantagem para os encarnados em virtude da vitória no clássico da primeira volta, por 2-1.

Mas o que me levou mesmo a escrever o artigo foi a vontade em enaltecer o grande fulgor apresentado pela equipa leonina, que já nesta época logrou vencer a Taça da Liga. Para a enorme pujança ofensiva têm contribuído bastante os dois jogadores italo-brasileiros contratados este Verão, nomeadamente o Rodolfo Fortino e o Diego Cavinato, que, aliados à grande qualidade já existente no plantel, como por exemplo Diogo, Pedro Cary, Fábio Lima ou Caio Japa, transformaram o Sporting num autêntico rolo-compressor capaz de devorar cada adversário.

Uma das contratações mais importantes no Sporting, Rodolfo Fortino Fonte: Sporting cp
Uma das contratações mais importantes no Sporting, Rodolfo Fortino
Fonte: Sporting CP

A consistência defensiva deve-se à contratação de um guarda-redes com créditos firmados, não só em Portugal, onde defendeu a baliza do Benfica, mas também na Europa, ao ter no currículo uma UEFA Futsal Cup ao serviço dos cazaques do Kairat Almaty. Tal como em termos atacantes, a contratação de Marcão, aliada à qualidade já existente nos defensores leoninos, permite estes resultados muito interessantes. Basicamente, a contratação cirúrgica destes elementos, que acrescentam muita qualidade ao plantel do Sporting, transformou a equipa leonina para melhor esta época, garantindo uma equipa mais forte e empenhada em devolver a hegemonia em termos nacionais ao Sporting Clube de Portugal. Para já, essa missão está a correr bem, pois conquistaram o único título disputado até ao momento. Será que vão conseguir conquistar os próximos? É uma questão complicada, que pode começar a ser desvendada daqui a duas semanas, quando houver mais um clássico, na 20.ª jornada do escalão principal. Embora esta fase inicial não decida nada, é importante para ver como é o comportamento da equipa de Nuno Dias perante adversários de maior valor.

Foto de capa: Sporting CP

Grão a grão…

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Não enche o Sporting o papo. Papo que também é conhecido por campeonato. Vamos em primeiro e a lutar em apenas uma competição. Em vinte e quatro jogos, temos dezoito vitórias, cinco empates e uma derrota. Temos a defesa menos batida do campeonato; temos o segundo ataque mais concretizador da prova. O que é que não temos então para vencer o título?

O empate de ontem é um pouco incompreensível, na minha opinião. Sem tirar mérito ao Vitória de Guimarães e ao seu treinador, não entendo o resultado. Atacámos bem, não fomos perfeitos na defesa mas o objetivo foi cumprido-ou não teríamos trazido mais um ponto para casa- e o meio campo habituou-nos ao costume e a uma atitude e raça que faz jus aos valores do Sporting CP.

Mostrou determinação, esforçou-se para mudar o rumo do jogo (com um William Carvalho mais atacante com que fiquei agradada), mas faltou a glória. Glória que nos poderá custar caro.

A equipa do Sporting é das mais completas dentro e fora do campo (aos iluminados que poderiam falar do Presidente, estou mesmo a falar do nosso 12° jogador- a massa adepta) e mesmo assim parece que há uma força que acaba por nos fazer recuar (e não estou a falar de arbitragens). Não entendo. É a mentalidade? É a motivação? Temos que nos mentalizar que não somos uns quaisquer, que temos o direito e o dever de lutar pelo título!

A Teo pede-se que contra o Benfica volte a mostrar a veia goleadora dos encontros anteriores Fonte: Sporting CP
A Teo pede-se que contra o Benfica volte a mostrar a veia goleadora dos encontros anteriores
Fonte: Sporting CP

Motivar que não é o cansaço que nos vai fazer recuar, mas que é o sangue, suor e lágrimas que se deixa no estádio que nos vai fazer chegar ao objetivo.

Sinceramente, estou com fé para ganhar o campeonato. Já só desejo que seja desta vez que vá para a avenida da minha cidade, em Maio, e gritar que o Sporting é campeão. Aos preocupados, não vou intoxicar ninguém com o pó do cachecol, não vou esperar mais catorze anos para festejar mais um campeonato.

Acho que chegou a nossa vez, a nossa fase: a altura em que mostramos o porque de sermos leões guerreiros; não toupeiras dentro de buracos.

É esta a nossa oportunidade! Vamos mostrar o porquê de sermos os melhores adeptos. Os das vitórias e derrotas, os das vozes roucas aos noventa ou cento e vinte minutos! Mostrar que se os jogadores acreditam, nós acreditamos mais! Somos uma roldana que faz as outras mexer,

O que é que nos faz falta?

Acho que nada. Vamos mostrar aos outros o que lhes falta para serem como nós, para mostrar que grãos lhes faltam para encher a galinha desta vez. Somos Sporting, sempre!

E que ninguém nos tire isso. Por isso, atiremo-nos ao resto do saco e amealhemos os grãos que nos restam ganhar.

O enigma Talisca

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Nesta época, um dos assuntos de discussão quando o tema é o plantel do Benfica é o brasileiro Talisca. E o brasileiro é a prova de como o futebol é o momento: se há um ano atrás alguém pusesse o mosqueteiro em causa era logo linchado, tal era a qualidade que o brasileiro mostrara no 1.º terço da Liga, com boas perspectivas de um negócio de milhões, a trica Jesus/Mourinho e a inevitável pressa em endeusar qualquer um, no típico imediatismo futeboleiro. E, no Benfica, isto acontece muito. No entanto, hoje, muitos o levariam ao aeroporto e embrulhado num laçarote, quando o tema é a venda, tal é a gritante falta de rendimento do jogador. Falta de rendimento ou de constância do brasileiro. No Benfica é assim: 8 a 80. Ora se defende o indefensável, ora não se tem paciência para aquilo para que se devia ter… E isto vê-se do seguinte modo: tanto Jesus como Vitória tentaram encaixar o jogador no 11. A mando sabe-se lá do quê ou de que ordens. Mas na ânsia de dizer bem, de se ser mais papista que o papa e da demissão de se analisar a equipa, li a incompreensível defesa deste jogador a jogar a 8. Argumento? Pois era só com ele que marcávamos! Sem sequer questionar o porquê da pouca qualidade mostrada… Cá está a defesa do indefensável. E pouca exigência, digo eu…

Quanto a mim, o brasileiro é apenas fruto da típica política de aquisições na Luz: comprar por atacado a ver se cola. Isto sabendo que o brasileiro joga como segundo avançado e que ainda viria Jonas (mais Djuricic). E depois, perante a famosa política de valorização de activos, meteu-se o jogador à força fora de posição, prejudicando a equipa! Ora a 8, ora a 7. Porquê?! Mesmo na era de JJ… Mas até o “cérebro” percebeu a tempo o erro. E Rui Vitória não resistiu, cometendo-o também. A questão é: forçado por quem?

Talisca tarda em impor-se no 11 titular do Benfica; Fonte: #SLBenfica
Talisca tarda em impor-se no 11 titular do Benfica
Fonte: SLBenfica

Acontece que eu sou fã das capacidades de Talisca. É um jogador inteligente, que domina bem o último terço de terreno, sobretudo a zona central. Remata bem e colocado. Passa com acerto e com qualidade a média distância. Sabe dar profundidade ao jogo, mas consegue criar desequilíbrios com os seus dribles. Quando Talisca joga solto no campo é de facto outra loiça. Outro jogador. Em Moreira de Cónegos, para a Taça da Liga, com Jiménez e o brasileiro na frente, a ideia deu frutos, com o ex-Bahia a abrir o livro da sua qualidade e como que a mostrar que é um desperdício andar a pensar em vendas, empréstimos ou metê-lo a 8 ou nas faixas. E note-se que nesse jogo alinhou bastante tempo no meio campo, mas ante uma equipa partida e a perder por três golos de diferença, logo sem apresentar dificuldades, permitindo que o brasileiro jogasse mais à frente, no apoio ao ponta de lança. E vê-se; quando Talisca está liberto dos rigores da posição 8 transforma-se. Marca golos, mostra técnica exímia e qualidade de passe. Quem o viu nesse jogo não pode sequer pensar na sua saída. Só pode pensar no modo como o encaixar, a bem do colectivo, sem inventar!

Talisca tem um problema. Ou melhor, dois em um: Jonas é imprescindível (primeiro problema) e por causa disso Vitória não abdica do 4x4x2 (segundo problema), sendo certo que o raio de acção do ex-Valência é menor, na finalização é mortífero, jogando também um pouco mais à frente. Talisca podia alinhar na posição de Jonas, mas não é tão forte, sendo que o ideal seria um 4x3x3, num vértice mais avançado. Só que, aqui, Jonas e Talisca não caberiam e o ex-Valência não joga como homem de ataque a solo. A meu ver, Jonas e Talisca são então jogadores diferentes, mas que lutam para o mesmo lugar. Quando muito, pode fazer de Pizzi, que não é o extremo típico no Benfica actual, uma espécie de interior, com liberdade para vaguear pelo campo, mas sempre com um 6 e um 8 nas costas.

Foto de Capa: SL Benfica

Levantar a cabeça e pensar no próximo jogo

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Há alturas na vida em que tudo nos parece indicar a mensagem de que já não somos o que uma vez fomos, que devemos aceitá-lo e desistir de forçar laços (porque o nosso “músculo social” não tem sido trabalhado e já não nos sentimos capazes), técnica (porque há, então, quem seja melhor que nós na nossa profissão) ou talento (que não sai, por mais que esfreguemos a lâmpada de um génio que julgamos morto).

As memórias dos tempos em que não precisávamos de esforço para ter reconhecimento social e/ou profissional e em que a confiança fazia fluir todo o talento presente em nós parecem, agora, imagens de um sonho frágil, facilmente derrubado pelo som do toque e da vibração do alarme do nosso telemóvel.

Todas as nossas interacções sociais correm mal, todo o trabalho é concebido de forma distinta da idealizada e as palavras de um texto, as notas da guitarra ou um drible fugaz fazem transparecer a nossa incapacidade, ilustram os cacos de uma auto-estima destruída.

O futebolista, naturalmente, é um homem que se expõe bastante a este estado depressivo.  Principalmente em países onde o futebol é levado muito a sério e quando o começo de carreira é particularmente feliz. O “empurrãozinho” de uma ou outra excelente exibição tem sempre repercurssões incríveis nos media (em Portugal, por exemplo, temos 3 jornais desportivos diários, por isso não é difícil) e, consequentemente, nos adeptos, que começam a ver neles as “estrelas” que os jornais e os analistas fizeram crer que ali exisitia. Nascem, com uma frequência incrível, em Portugal, vários sucessores de Vítor Baía, Rui Costa, Figo ou, melhor ainda, de Cristiano Ronaldo.

No grupo de amigos destes miúdos, não há quem não os elogie, as miúdas passam a achar-lhes mais piada, o dinheiro abunda, fotos e vídeos deles estão cravadas nos jornais, que só dizem maravilhas acerca deles. O mundo aos pés deles, como se fossem Jordan Belfort nos seus tempos áureos (o “Lobo de Wall Street”).

O problema vem depois. Quando não conseguem corresponder às enormes expectativas neles descarregadas. Quando erram dois, três, quatro passes, fazem remates disparatados ou falham um ou outro drible. Aí entra o duro golpe da realidade, desvirtuada pelas palavras elogiosas e que agoram se transformam em críticas indiferentes (tal como os elogios) ao arcaboiço emocional que esse miúdo possa ter para as suportar e ao impacto que isso possa ter nele.

Felizmente tem havido desenvolvimentos nessa àrea, e há, associado ao clube e aos próprios agentes, apoio psicológico para este tipo de situações. Mas a irresponsabilidade dos media na (des)mesuração dos elogios não lhes tem facilitado a tarefa.

Ukra terá agora maior capacidade para lidar com momentos menos bons. Exemplo evidente é esta foto e a sua constante boa disposição Fonte: Rio Ave
Ukra terá agora maior capacidade para lidar com momentos menos bons. Exemplo evidente é esta foto e a sua constante boa disposição
Fonte: Rio Ave FC

O caso mais relevante, esta temporada, em Portugal, é o de Gonçalo Guedes. Ainda a representar os júniores, foi “vítima” de elogios constantes – chegou a ser comparado a Cristiano Ronaldo! Tinha enormes expectativas nos ombros. Confirmou-as ao marcar em Madrid, contra o Atlético e ao agarrar a oportunidade da lesão de Salvio para segurar um lugar no onze da equipa principal do Benfica, mas entretanto começou a baixar de rendimento, foi relegado para o banco e ainda não conseguiu voltar a exibir as credenciais que os jornais lhe passaram. Baixou de forma, e agora vai perdendo espaço na equipa do Benfica. Que impacto terá isto na carreira, na vida de Guedes?

Felizmente, os 19 anos dão-lhe longa margem de manobra e, como foi referido acima, já existem ferramentas para lidar com isto… até porque o passado também serve de aprendizagem. Um dos melhores exemplos será o de Ukra, em quem se depositara enormes esperanças quando ainda estava na equipa júnior do FC Porto e, não se conseguindo afirmar no seu clube de formação, pareceu desanimar, e numa época e meia em Braga apenas disputou 19 jogos. Nunca foi o craque que se tem evidenciado em Vila do Conde… durante quatro temporadas seguidas.

Actualmente, Ukra atravessa um momento menos bom. Tem sido menos utilizado por Pedro Martins em virtude de exibições menos conseguidas (a última, em Coimbra, evidenciou isso mesmo) mas agora, ele sabe que isso é só passageiro. Agora ele tem o arcaboiço emocional para suportar as críticas, trabalhar mais forte e ter a noção de que o talento não lhe fugiu dos pés, porque pessoa que ele um dia foi, ainda lá está.

Foto de capa: SL Benfica

Vitória SC 0-0 Sporting CP: Nulo para apimentar o dérbi

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Vitória de Guimarães e Sporting CP empataram esta noite a zero, no Estádio D. Afonso Henriques. Num jogo com muita luta e muitas bolas divididas, os “leões” tiveram mais oportunidades de golo, mas Miguel Silva foi uma barreira insuperável na baliza vitoriana.

Jorge Jesus optou por fazer regressar o esquema defensivo com Schelotto, Coates, Ruben Semedo e Zeegelaar. Digo já que não concordo com a titularidade do lateral direito argentino, devido à subida de forma de João Pereira nos últimos meses e devido ao enorme fluxo de erros não forçados, adaptando a expressão do ténis, que cometeu em campo. João Mário jogou com William Carvalho no centro do terreno, fazendo a posição de Adrien Silva. Apesar de ter estado muito bem defensivamente, faltou ao 17 leonino mais alguma acutilância ofensiva, no apoio a Slimani a Bryan Ruiz.

O jogo começou com muita luta, num relvado que também não estava nas melhores condições. O Vitória apresentou-se bem fechado defensivamente, com Licá e Ricardo Valente muito ativos na ajuda aos laterais, complementando as funções que foram atribuídas a Bouba Saré e Cafú, os médios que alinharam à frente dos centrais Josué e Pedro Henrique. Durante a primeira parte, os “leões” tiveram algumas oportunidades, nomeadamente por Coates e Slimani, mas Miguel Silva esteve muito bem a encurtar os espaços e a evitar o golo. Também o Vitória teve ocasiões por Licá e Bouba Saré, mas Rui Patrício esteve seguro.

Na segunda metade, houve mais algum espaço para Bryan Ruiz, que esteve muito bem em quase todos os toques que deu na bola. O costarriquenho não sabe jogar mal e apenas “esteve mal” numa finalização de baliza aberta, em que cabeceou por cima da trave. E digo esteve mal entre aspas porque Ruiz não estava posicionado da melhor forma para rematar da forma mais conveniente. JJ tentou mexer com o jogo, mas mais uma vez a primeira opção foi Teo Gutiérrez. O colombiano continua a significar zero em termos daquilo que adiciona de bom ao jogo leonino, o que me faz sentir vontade de ir sequestrar Montero à China.

Depois, entrou Aquilani para o lugar de Bruno César, desviando João Mário para o flanco direito, e foi aí que o Sporting esteve melhor, principalmente depois da expulsão (justa) de Josué. Hernán Barcos entrou para o lugar de Slimani, que atuou com muito cuidado, tendo em conta uma possível interferência do Estado Lampiânico no encontro. Não nos podemos esquecer de que apenas um dos “grandes” ganhou em Guimarães, da forma suja como ganhou. O argelino não arriscou nada nos duelos aéreos, e por isso foi um Slimani a meio gás aquele que se viu no Minho.

Normalmente, no meio está a virtude. Esta é a exceção Fonte: Sporting CP
Normalmente, no meio está a virtude. Esta é a exceção
Fonte: Sporting CP

O “Pirata” argentino ainda teve um excelente trabalho na noite de hoje, mas Miguel Silva esteve mais uma vez atento ao remate do jogador “verde e branco”. Perto do fim, chegou a mais flagrante ocasião de golo do Sporting, mas William, solto na área dos “Conquistadores”, rematou ao lado, levando ao desespero os adeptos leoninos.

No próximo sábado, vem uma final frente ao Benfica, segundo classificado, que ficou a apenas um ponto de distância depois da vitória sobre o União da Madeira. Ruben Semedo vai ficar fora das escolhas por castigo, num encontro onde espero voltar a ver Paulo Oliveira, João Pereira e Adrien Silva de regresso ao onze. Também não me importaria de ver Teo Gutiérrez na bancada, sentado ao meu lado, para ver aquilo que um adepto sente quando vê um peso morto dentro do campo. O colombiano está a levar-me ao desespero, devido à leviandade com que joga. Espero que ambas as equipas joguem como habitualmente têm feito, porque assim acho que o Sporting vai ganhar.

A Figura:

Miguel Silva – O guardião vitoriano esteve intransponível, com quatro ou cinco “manchas” de altíssima bravura e qualidade. Espero que os responsáveis leoninos o mantenham debaixo de olho. Destaque também para a enorme exibição de William Carvalho, a fazer lembrar os melhores tempos de leão ao peito.

O Fora de Jogo:

Teo Gutiérrez – Acho que não é preciso dizer muito mais. É exasperante, causa raiva, angústia e é incrível ver a forma desinteressada como ele joga. Espero bem estar enganado, mas não me parece que acrescente alguma coisa caso entre no dérbi. Barcos parece-me melhor alternativa.

Foto de Capa: Sporting CP

SL Benfica 2-0 CF União: Jonas não perdoa!

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Mais de um dia depois do previsto, o Benfica podia finalmente mostrar que o empate na Madeira na primeira volta não passou de um acidente de percurso. Renato Sanches e André Almeida não alinharam de início, muito provavelmente para diminuir o risco de um cartão amarelo os poder afastar do derby com o Sporting. Talisca assumiu o lugar de Sanches e Nélson Semedo voltou aos jogos do campeonato a titular. No lado esquerdo, Rui Vitória também trocou Eliseu por Grimaldo, este em estreia absoluta na Liga.

O jogo começou praticamente com mais um golo de Jonas. Foi logo aos cinco minutos que o brasileiro aproveitou um mau alívio da defesa do União para, de primeira, abrir o marcador. Com um começo assim, muitos adeptos terão pensado que este jogo na ressaca do aniversário do clube daria para construir mais uma goleada na Luz. E se o Benfica não estava a vencer por muitos quando Cosme Machado apitou para o descanso só se deve queixar de si próprio. Na primeira parte, este União da Madeira foi uma das equipas mais frágeis, senão a mais frágil, que pisou a Luz este ano. Totalmente remetidos atrás, os jogadores comandados por Norton de Matos nunca conseguiram acertar nas marcações e, para além disso, nunca conseguiram formar um bloco compacto atrás, abrindo grandes espaços entre linhas que os jogadores do Benfica aproveitaram para ensaiar tabelas e triangulações perigosas.

Mesmo com todas estas facilidades concedidas por uma equipa que raramente arriscou sair para o ataque (não mostrou capacidade para construir jogo ofensivo), o Benfica ofereceu um festival de golos falhados na primeira metade do jogo e muitos momentos de desespero aos espetadores presentes na Luz – que registou uma excelente assistência numa segunda-feira, com todos os setores do estádio abertos, à falta de adeptos dos madeirenses em Lisboa. Primeiro foi Nélson Semedo a ameaçar o golo, depois Pizzi a rematar cruzado, rasteiro e a rasar o poste. Depois, veio um autêntico RaulGudiñoShow, com o guarda-redes do União a defender tudo o que havia para defender. Mitroglou tentou duas vezes quase consecutivas o 2-0 – numa surgiu isolado -mas nada feito. Depois, foi a vez de Pizzi tentar o golo mas o guarda-redes emprestado pelo Porto levou a melhor, novamente em dose dupla (25 e 26 minutos).

Jonas continua de pé quente Fonte: SL Benfica
Jonas continua de pé quente
Fonte: SL Benfica

Pouco depois da meia hora, vieram os lances mais perigos dos madeirenses na primeira parte: um passe em profundidade que colocaria isolado o avançado do União mas que Júlio César desfez qual líbero e um remate à entrada da área de Paulo Monteiro ao lado, na sequência de um canto. Mas mesmo sem forçar muito, bastava ao Benfica acelerar um pouco para os madeirenses se desmontarem. Até ao intervalo, Pizzi e Talisca ainda tentaram dilatar a vantagem mas a noite era de Guidiño.

As equipas mudaram de campo mas o ritmo do jogo manteve-se. A segunda parte começou mais morna, muito por culpa da melhor organização dos madeirenses na defesa. Gaitán teimava em não aparecer e desequilibrar como só ele sabe fazer, Talisca não conseguia fazer esquecer Sanches nem por 10 segundos (faltou sempre o transportador de jogo), Pizzi tinha deixado a eficácia no Seixal. E na Luz começava a surgir algum nervosismo porque 1-0 seria sempre curto e num lance de contra-ataque ou numa bola parada os madeirenses poderiam surpreender. Pouco depois da hora de jogo, Mitroglou passou outra vez ao lado do golo quando tinha tudo para marcar e, coincidência ou não (fica à consideração do leitor), o Benfica voltou a melhorar quando Rui Vitória decidiu trocar Talisca por Salvio. Foi precisamente o argentino a colocar de novo as mãos de Gudiño a arder e depois Mitroglou a perder novamente o duelo com o guardião da União. Os encarnados tanto tentaram que acabaram por fazer o 2-0. Canto na esquerda, remate do grego, desvio de Jonas e a bola no fundo das redes, a quinze minutos dos 90.

Num jogo sem grande história, destaque para a prestação positiva de Semedo e Grimaldo, apesar de o espanhol ainda cometer alguns erros e se balancear demasiado para o ataque – esta noite não teve problemas de maior mas contra um adversário de outro calibre a conversa seria outra. Houve ainda tempo o estádio cantar os parabéns ao Sport Lisboa e Benfica pelos seus 112 anos e  Raul Gudiño brilhar (se contei bem foram doze, como num jogo de futsal). O nulo do Sporting em Guimarães deixa a porta aberta ao primeiro lugar já no sábado. E é para entrar sem pedir licença.

A Figura:

Jonas – O speaker anunciou mas nem era preciso: Jonas fez os dois golos e foi sem dúvida o homem do jogo. Está na luta pela bota de ouro e pode mesmo ganhar.

O Fora-de-Jogo:

Luís Norton de Matos – O experiente treinador do União montou uma equipa muito defensiva e sem critério algum na transição ofensiva. Dois ingredientes para sair da Luz goleado. Se não aconteceu, bem pode agradecer ao seu guarda-redes.

Conferência de Imprensa:

Rui Vitória: falou de uma vitória “justíssima, uma exibição segura e de muitas oportunidades para fazer golo”. Sobre a aproximação ao Sporting, o treinador encarnado disse que o campeonato está ao rubro e que há três candidatos a lutar pelo título. Sobre a ausência de Renato Sanches : “Não queria ver o jogador condicionado por causa de um cartão. É um selvagem, tem um potencial enorme”. Questionado sobre o facto de Jonas ter passado para a liderança da bola de ouro depois do bis desta noite, Vitória elogiou a sua “veia goleadora imensa”.

Norton de Matos: surgiu na sala de imprensa totalmente conformado com o resultado. “O Benfica teve mais bola, mais ocasiões. É difícil anular o jogo interior do Benfica, eles jogam de olhos fechados”. O treinador do União disse que “em geral, a equipa dignificou o que tem feito” mas admitiu que o jogo “era de outro campeonato” e que foi um “bom teste” antes dos madeirenses visitarem Braga, o Dragão e Alvalade. Em relação ao adiamento do jogo, Norton de Matos não ter sido fácil ficar “sete horas à espera do avião” mas garantiu que esse contratempo não teve influência no resultado. Disse que faltou à sua equipa ter bola com maior qualidade e, já no final, deixou a pergunta: “ Como é que se anula a genialidade de Salvio, Gaitán, Jonas?”

CF “Os Belenenses” 1-2 FC Porto: Azul forte, azul pálido e tons de Rosa

fc porto cabeçalhoO FC Porto chegou ao Estádio do Restelo com a necessidade absoluta de somar os três pontos para não perder o contacto com os líderes da tabela classificativa, que por via do adiamento do SL Benfica – CF União da Madeira apenas jogam amanhã as suas partidas.

O onze de José Peseiro não fugiu ao previsto. Face às ausências forçadas de Martins Indi (lesionado) e Layún (suspenso), Chidozie e José Ángel voltaram a assumir a titularidade na defesa dos dragões; o meio-campo voltou a contar com as opções habituais (Danilo, Herrera e André André); e o ataque sofreu a revolução lógica face ao último compromisso europeu – Brahimi, Corona e Suk formaram o trio de ataque.

Do lado dos azuis do Restelo, as únicas mexidas em relação ao onze apresentado na jornada anterior foram na dupla de centrais, com a entrada de Tonel e Gonçalo Silva para os lugares de Rafael Amorim (suspenso) e Gonçalo Brandão (lesionado), e no ataque, com Juanto a actuar em vez de Miguel Rosa.

O FC Porto entrou na partida com o espírito certo – logo na jogada inicial, Danilo surgiu sobre a direita para servir Corona, que desperdiçou a primeira oportunidade do jogo. Com o capitão Herrera sempre muito próximo de Suk em todas as fases do jogo – tanto a defender como a atacar ­– o FC Porto exerceu sempre uma pressão forte sobre a primeira fase de construção da equipa da casa, o que lhe permitiu ganhar muitas bolas em terrenos adiantados e determinou o claro domínio azul e branco (hoje apenas branco) durante a primeira meia hora.

Não foram precisos mais de 8 minutos para os dragões alcançarem um feito raro na era de José Peseiro – começar um jogo a ganhar. À excepção da estreia do ribatejano no comando técnico do FC Porto, o 1-0 tangencial sobre o Marítimo no Dragão, e do triunfo por 0-3 em Barcelos para a Taça de Portugal, o FC Porto de Peseiro começou sempre em desvantagem (7 em 9 jogos até hoje). Numa jogada pelo corredor esquerdo, José Ángel cruzou rasteiro à procura de Suk e um ressalto na dividida com o defesa do Belém fez a bola sobrar para Brahimi, que apenas teve de encostar para o fundo das redes de Ventura.

Cerca de dez minutos volvidos, com FC Porto aumentou a contagem com um auto-golo de Tonel– numa jogada de envolvimento ofensivo pela direita, entre Suk, André André e Maxi, o lateral uruguaio cruzou para a área e o experiente central, apenas com Brahimi nas suas costas, introduziu involutária e inacreditavelmente a bola na baliza.

Até então, o Belenenses apenas tinha conseguido chegar à área do FC Porto numa ocasião, na sequência de um livre. Durante o primeiro tempo, o Belenenses só conseguiu mesmo importunar a defesa portista através de bolas paradas (tirando dois remates de Juanto ao cair do pano). A maior ocasião dos pupilos de Júlio Velázquez chegou os 27’, num livre directo surpreendente de Carlos Martins à entrada da área – o maestro do Belém atirou ao poste esquerdo da baliza Casillas, que nem esboçou uma reacção.

De resto, Carlos Martins foi claramente o jogador em destaque do lado do Belenenses – começou o jogo quase lado a lado com Juanto, mas rapidamente se percebeu que teria de ser ele a orquestrar os ataques da sua equipa. Sem ele, o Belenenses não conseguia construir quando pressionado – não conseguiu sair uma única vez a jogar sem que a bola passasse pelos seus pés. Literalmente.

Brahimi foi dos melhores em campo do lado dos dragões  Fonte: FC Porto
Brahimi foi dos melhores em campo do lado dos dragões
Fonte: FC Porto

A partir da meia hora de jogo, o FC Porto baixou ligeiramente o ritmo, confortável com a vantagem  por 2-0, mas nem por isso deixou de dominar. Herrera continuou a pressionar muito alto e a buscar movimentos em profundidade, Danilo e André André continuaram a controlar as operações no meio-campo, Maxi e Ángel continuaram a subir à vez para causar desequilíbrios e Corona continuou sem acertar uma – nem um passe, nem uma recepção, nada. Um zero absoluto.

A segunda parte revelou-se absolutamente diferente. Júlio Velázquez lançou Miguel Rosa no jogo, tirando Tonel e baixando Rúben Pinto para o eixo da defesa, e o Belenenses subiu consideravelmente de rendimento. A defender mais à frente e com mais jogadores, condicionou o jogo do FC Porto e alcançou um quase absoluto domínio territorial durante os primeiros dez minutos. Esse domínio só foi refreado quando, aos 56’, Herrera cruzou para o Suk e o sul-coreano cabeceou para uma defesa atabalhoada de Ventura que culminou com a ida da bola à barra. O lance, contudo, foi invalidado por posição irregular do ponta-de-lança.

Três minutos depois, chegou a resposta do Belenenses sob a forma de golo – André Geraldes cruzou rasteiro sobre o lado direito e Juanto, bem posicionado no centro da área, desviou a contar.

A partir daí, o jogo tornou-se mais dividido, mais aberto e mais disputado. Os níveis de agressividade e confiança subiam na equipa da casa, os níveis de ansiedade aumentavam entre o conjunto visitante.

José Peseiro fez sair um desastrado Corona para fazer entrar um não menos desastrado mas mais combativo Marega. Pouco depois, Evandro entrou para o lugar de André André. O brasileiro assumiu as funções de Herrera, um dos mais esclarecidos do conjunto nortenho, que baixou para junto de Danilo. Notou-se que André André não está nas melhores condições físicas – não foi tão intenso como é habitual e cometeu várias faltas por isso. Herrera deu mais frescura e mais garantias nas divididas; Evandro ofereceu outro critério com a bola no pé numa fase mais adiantada do terreno.

Ainda assim, o FC Porto não se livrou de alguns sustos – aos 65’ e 66’, em lances consecutivos, o Belenenses, pôs à prova Casillas e obrigou o guardião espanhol a duas boas intervenções – primeiro num remate de Miguel Rosa (entrou muito bem e foi o principal agitador da equipa) e depois num tiro de Sturgeon. O Belenenses nunca desistiu, foi-se acercando da baliza do adversário e tentou desesperadamente chegar ao empate – num ultimo fôlego, o treinador espanhol tirou o central improvisado Ruben Pinto, fazendo entrar mais uma unidade para o ataque, Tiago Caeiro. Aguilar e Bakic passaram a fechar o meio e a iniciar a construção de jogo do Belenenses, ficando Gonçalo Silva como um autêntico líbero.

O FC Porto teve de suar, e muito, para levar de vencida o Belenenses. Pela incapacidade de manter a posse de bola na segunda parte e pela dificuldade em “matar” o jogo, circunstâncias reconhecidas por José Peseiro na conferência de imprensa. Esse sofrimento na hora dos triunfos tem sido, aliás, regra geral nos últimos meses. Apesar de tudo, no fim de contas, o objectivo foi cumprido e os dragões estão agora provisoriamente em 2.º lugar.

A Figura:

Miguel Rosa – A sua entrada revolucionou o jogo do Belenenses – não só porque empurrou Bakic para a zona central, o que deu mais critério à equipa na saída de bola, mas porque ele próprio foi capaz de galgar metros, desafiar os defesas no um para um, rematar e assistir. A par de Carlos Martins, foi o melhor da formação do Restelo. No FC Porto, Herrera merece destaque pela abnegação que revelou e por ter sido crucial a defender (muito forte na pressão e nos duelos) e a atacar (procurando sempre a profundidade).

O Fora de Jogo:

Jesus Corona – Uma exibição desastrosa. Embora José Peseiro tenha procurado defender o jogador na conferência de imprensa, não há como maquilhar esta realidade – o mexicano falhou passe atrás de passe, fraquejou em várias recepções de bola, tomou várias decisões incorrectas e revelou-se completamente incapaz de desequilibrar. Saiu “na sua melhor fase”, disse José Peseiro, e foi substituído por um desinspirado Marega.

 

Francisco Manuel Reis

Vítor Miguel Gonçalves

As várias batalhas do Sporting

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O Sporting vai jogar esta segunda-feira em Guimarães uma das cartadas mais importantes da época, num dos jogos mais difíceis que terá na mesma. O duelo perante os Conquistadores avizinha-se bastante intenso, com muitos nervos à mistura, e onde, à partida, os “leões” terão uma grande baixa: Adrien Silva.

Digo “à partida” porque tenho uma secreta esperança de que Jorge Jesus esteja a fazer bluff quanto à impossibilidade de utilizar o capitão de equipa nesta partida. A intensidade, a agressividade e a clarividência que tem são fundamentais na máquina leonina e a sua ausência é uma valente quantidade de areia que é colocada na engrenagem. Contudo, existem duas soluções para colmatar esta lacuna: ou a entrada direta de Aquilani para o onze inicial, ou a mudança de João Mário para a posição de Adrien, com a entrada no onze de um extremo como Gelson Martins, que faça a posição de João Mário. Eu preferia ver o internacional italiano a atuar de início, num dos jogos onde terá de se esforçar mais na sua carreira. Durante o jogo, caso o resultado não esteja favorável, aí acho que se devia apostar em J. Mário no meio e num extremo rápido na ala direita.

Depois deste rápido olhar sobre a batalha de Guimarães, vou falar de outro combate que o Sporting tem tido nesta temporada: os jogos contra equipas pequenas em casa. Depois de alguns resultados negativos, os “leões” voltaram a vencer um jogo deste tipo, na passada semana, frente ao Boavista. Ainda que tenhamos de contar com a extrema agressividade e a enorme quantidade de faltas cometidas pelos elementos do Boavista (com a permissão do árbitro Rui Costa, que conseguiu o feito de não assinalar a maior parte dessas faltas), os “verde e brancos” voltaram a fazer uma exibição que, em termos ofensivos, ficou aquém daquele que tem sido o padrão normal da equipa. É preciso ser muito mais intenso e agressivo nos primeiros minutos dos encontros, para não permitir que o “inimigo” ganhe mais confiança e argumentos com o desenrolar dos minutos.

Além disto, queria deixar um reparo ao treinador: que eu saiba, não são proibidas substituições na primeira parte por falta de esforço dos jogadores que estão em campo. Assim sendo, não percebi o porquê de Teo Gutiérrez ter jogado tanto tempo frente aos “axadrezados”. Quando vi, esta semana, as declarações (claramente exageradas, tendo em conta o alvo das mesmas) de Aurelio De Laurentiis, presidente do Nápoles, em que este disse que Higuaín parece ter um tijolo nos bolsos quando está a correr, lembrei-me logo de Teo. O colombiano, esse sim, parece que tem de pedir autorização a uma perna para poder mexer a outra; faz-me bastante impressão: como é que tem tanto tempo de jogo apresentando este nível exibicional tão pobre?

Aquilani parece estar a tocar violino. Sem Adrien terá de ser carregador de pianos… Fonte: Sporting CP
Aquilani parece estar a tocar violino. Sem Adrien terá de ser carregador de pianos…
Fonte: Sporting CP

Outra batalha é perante a arbitragem suja e corrupta, para não dizer outra coisa, que continua em força no futebol. Esta semana, recebemos duas notícias positivas nessa guerra: a eleição de Gianni Infantino como novo presidente da FIFA e o anúncio de que Vítor Pereira não se vai recandidatar à presidência do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol. Esta segunda boa nova deve ter deixado muitos adeptos de futebol contentes e um restaurante da capital mais aflito, dado que poderá perder clientes na próxima época.

Ainda assim, V.Pereira não deixou de conceber mais um fim de semana habilidoso a nível de nomeações, com Cosme Machado a apitar na Luz, João Capela no Belenenses-FC Porto e Tiago Martins em Guimarães. Penso que toda a gente perceberá a ligação óbvia entre João Capela, Cosme Machado e “incompetência” (sim, as aspas foram colocadas de propósito). Já para quem não conhece Tiago Martins, recomendo dois jogos importantes que teve este ano: Benfica-Estoril e Nacional-Benfica.

Por fim, mais uma batalha na qual Bruno de Carvalho terá um papel absolutamente decisivo. Existe muita podridão a tentar ser conhecida às custas do Sporting Clube de Portugal. Alguns deles até se assumem como possíveis candidatos à presidência do clube.  Não é por acaso que, nesta semana que encerra, aconteceu um almoço num conhecido centro comercial lisboeta com Luís Filipe Vieira, Dias da Cunha, Bagão Félix, Menezes Rodrigues, entre outros. Estes foram os que apareceram numa fotografia tirada ao repasto. Contudo, houve duas caras que eu próprio vi no mesmo restaurante, a essa mesma hora: João “Mr. Burns” Gabriel e… Rui Barreiro. Sim, um dos homens que se afirmam sportinguistas, opositor de Bruno de Carvalho, almoçou com o atual presidente do Benfica e com o seu porta-voz. Penso que isto é suficiente para aquilatar as intenções deste indivíduo ao “colar-se” ao Sporting. Espero que os sócios nunca lhe dêem a mínima hipótese de ser presidente do clube. Porque, para energúmenos deste calibre, já nos bastou Godinho Lopes. Bruno de Carvalho, é preciso cuidado redobrado com este tipo de gente!

Uma última dica para os adeptos que se têm mostrado muito indignados com a atitude “verde e branca” perante as competições europeias. Mais importante que passar umas eliminatórias da Liga Europa é participar e tentar ganhar dinheiro e prestígio numa Liga dos Campeões. Ora, se o Sporting for campeão, garante também a entrada direta na “Champions” da próxima época, onde poderemos ganhar mais só por participar na fase de grupos do que se ganhássemos a Liga Europa. Ficam satisfeitos assim?

Foto de capa: Sporting CP

Carta Aberta ao: Sport Lisboa e Benfica

cartaaberta

Gaeiras, 27 de Fevereiro de 2016

Para o excelentíssimo Sport Lisboa e Benfica 

PARABÉNS, amor da minha vida! PARABÉNS, maior clube português! PARABÉNS, Sport Lisboa e Benfica!

Completas, este domingo, 112 anos de uma vida simplesmente admirável, apaixonante. Que me perdoem os meus pais pelas cartas que nunca lhes escrevi. Que me perdoem as minhas ex-namoradas pelas cartas sentimentais como esta que nunca lhes escrevi, perdoem-me grandes amigos/as pelas cartas que nunca lhes escrevi. Mas é que esta carta é especial, é um desabafo, é um deter de final de tarde perante tamanha grandeza clubística. Mal comecei a ver futebol enfeiticei-me por ti, Benfica. E não, não foi pelo maravilhoso futebol que a equipa produzia nos idos anos de 1994, 1995. Bem pelo contrário! Não jogávamos nadinha, éramos motivo de chacota, algo que se intensificou pelos anos seguintes. Porém, logo na altura, mesmo sendo um puto desinteressante, eu vi, eu percebi, eu tive a certeza de que estava na presença de uma instituição inigualável, de uma entidade com a qual me vincularia para sempre.

Era a mística, a tão soberba mística, que existe mesmo! Os tempos eram conturbados, mas o Benfica nunca deixou de ser notícia. Recorria a todos os arquivos possíveis para tentar perceber como seria viver um título futebolístico pelo clube, deliciava-me enquanto ouvia os variados testemunhos nas tertúlias benfiquistas; já era algo que me preenchia.

Foi amor à primeira vista. Aquelas camisolas encarnadas prenderam-me de imediato. Contudo, desenganem-se se pensam que falo apenas de futebol! Bastava um Benfica vs Ginásio do Sul televisionado, em andebol, para que a minha tarde de domingo já fosse positiva. E quem fala no andebol também fala no hóquei em patins, no basquetebol, no voleibol, no futsal, no atletismo, no rugby, no ciclismo, que está quase aí de regresso; em tudo.

Capaz de iluminar a noite mais cerrada, eis o clube aniversariante
Capaz de iluminar a noite mais cerrada, eis o clube aniversariante

Ser do Benfica é isto mesmo. É gritar pelo clube numa rua de Camberra e ouvir reacções; é aziar depois de um desaire inesperado em Paço D’Arcos num desafio de hóquei em patins; é passar horas e horas a rever jogadas do Eusébio, do Chalana, do João Pinto, do Carlos Lisboa, do Panchito, do Aimar; é ver os saltos do Nélson Évora, é recordar as corridas da Vanessa Fernandes; é admirar o antigo Estádio da Luz, é contemplar a nossa nova catedral; é praguejar no quarto de uma forma indecente quando o maior de Portugal não vai bem, é analisar ao pormenor todo o calendário e as partidas mais complicadas; é vasculhar toda esta sublime história, não esquecendo os momentos mais aflitivos; é pensarmos no clube todas as noites antes de adormecermos; é colocar a instituição no topo das prioridades; é faltar a eventos porventura aliciantes por força de uma final importante da Taça de Portugal de voleibol.

Ser do Benfica é único! Dir-me-ão os adeptos rivais que esta conversa cheira a mofo, que não passa de um discurso bacoco e sem sentido, mas não é assim! É a sofreguidão do comum adepto benfiquista, que festeja um 5-0 com uma intensidade ímpar, que salta 22 gradeamentos para estar o mais perto possível dos jogadores, que reza interiormente para que alguém tome a iniciativa de cantar o nosso lindo Hino num qualquer transporte público, para depois ir na onda.

Vale e Azevedo não acabou connosco, logo nunca fecharemos portas! Mesmo sendo pequeno, foi a única altura em que temi pelo futuro do Benfica. Não era para menos, tudo era sombrio, mas nunca vi a nação benfiquista a esconder-se. Aliás, só algo de monstruoso como o Benfica conseguiria reerguer-se daquela forma.

As recentes festas do título, o sucesso nas modalidades, as nossas infraestruturas, as constantes grandes assistências no templo da Luz. Aquela união impressionante depois das mortes de Fehér e Eusébio, as recepções à equipa de futebol após gloriosas noites europeias, os craques que por cá têm passado. Este é o Benfica de quem eu ouvia falar no período de infância, que me fez ocupar todas as estantes com enciclopédias sobre o clube.

Creio que o futuro será risonho, tenho quase a certeza disso. Ninguém me pressionou para ser benfiquista, foi uma escolha natural. Seria sempre do Benfica, qualquer coisa de fatal como o destino. Mas também não pressionarei ninguém a tornar-se benfiquista daqui para a frente, porque não será preciso. É impossível agradar a todos, mas a maioria dos portugueses há-de sempre preferir o nosso Glorioso, porque falamos da instituição desportiva na qual mais pessoas se revêem. Porque o Benfica é assim! É um galã nato que sem forçar conquista, arrebata, vicia, enlouquece, enfurece. É um galã nato que provoca tudo, que passar a fazer parte do centro das nossas preocupações.

112 anos, Sport Lisboa e Benfica. E vários milhões de pessoas cada vez mais apaixonadas por ti. Não sinto ciúmes, mas antes admiração por tudo isso.

Passa um magnífico dia de aniversário. A tua felicidade será a minha.

Sem mais assunto,

João Miguel Henriques Rodrigues