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CF “Os Belenenses” 0-2 FC Arouca: Arouca europeu?

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Um Restelo bem composto para ver o assalto às posições da Europa no jogo contra o FC Arouca viu um jogo competitivo e emotivo.

A primeira parte teve um Belém com mais bola, mas um Arouca a saber melhor como chegar à baliza adversária. As principais oportunidades foram todas para os canarinhos, apesar de não existir nenhum remate de grande perigo.

O grande destaque desta primeira parte é mesmo a expulsão de Jubal. O defesa central brasileiro do Arouca viu dois amarelos em 15 minutos, naquela que foi apenas a primeira expulsão do jogo.

A partir daí o Belenenses passou a ter ainda mais tempo de posse de bola, mas continuou a ser pouco esclarecido, apostando muito nos cruzamentos quando tinha apenas um homem e mais baixo que os defesas da equipa de Aveiro.

Na saída para o intervalo deu-se alguma confusão entre a equipa de arbitragem e membros da equipa técnica dos arouqueses. Primeiro foi Lito Vidigal e depois o Presidente Carlos Pinho, numa conversa muito quente. A expulsão de Jubal foi considerada injusta.

Com mais um homem, o Belenenses entrou determinado e carregou, mas esbarrou na defesa sólida do Arouca, um dos pontos fortes desta equipa. Apesar de ter bola, a equipa do Restelo criava poucas oportunidades, e as poucas que criava eram remates ou cabeceamentos fáceis para Bracali. E, no Futebol, quem não marca… é uma velha máxima do Futebol, mas aplica-se neste jogo.

Um passe a cruzar a defesa de Mateus (o famoso Mateus do caso que manteve o Belenenses na primeira) para Walter, herói da vitória frente ao FC Porto, e o paraguaio tira Rafael Amorim com classe e mete para o fundo das redes. Um balde de água fria no Restelo, e a equipa da casa a ressentir-se do golo.

Lito fez uma conferência de imprensa muito focada no Belenenses

Lito fez uma conferência de imprensa muito focada no Belenenses
Fonte: Bola na Rede

Confortável com o resultado, a equipa arouquense começou a defender o resultado, recorrendo ao anti-jogo. Foram várias as situações em que os jogadores ficavam caídos no chão, principalmente Bracali, que usou e abusou do anti-jogo, ficando quase sempre no chão. Aconteceu o caso insólito de Bracali estar no chão, o árbitro não parou o jogo e o guarda-redes recuperou milagrosamente e continuou em jogo. Foram várias situações assim que foram cortando o ritmo de jogo.

No meio da polémica, o Arouca faz o segundo e mata o jogo. Um lance também polémico. Rafael Amorim é expulso por fazer falta quando o jogador do Arouca seguia isolado para a baliza. No entanto, fica a dúvida sobre se há falta ou se o jogador corta primeiro a bola. Lucas Lima marcou um belo golo de livre e sentenciou a partida. De cabeça perdida, o Belenenses bem tentou o golo que os fizesse entrar na partida, mas sem sorte. Lucas Lima evitou por duas vezes na linha o golo. Já com tanto anti-jogo e assobios, o jogo acabou. Vitória de um Arouca eficaz e que abusou do anti-jogo.

Lito Vidigal pode não reconhecer, mas este Arouca começa a assumir uma imagem de candidato à Europa. Pela primeira vez conseguem três vitórias consecutivas. A vila de Arouca é uma vila feliz e é incrível a evolução deste clube.

Na conferência de imprensa, Lito Vidigal mandou imensas indirectas a Rui Pedro Soares e, em resposta ao Bola na Rede, afirmou que o Arouca ainda tem muito para crescer no campeonato, apesar do bom momento por que passa.

Já Llorente, adjunto de Velasquez, lamentou a derrota mas, em resposta ao Bola na Rede, afirmou ter ficado satisfeito com a produção da equipa, apesar de não terem marcado.

 

Figura:

Lucas Lima – O defesa esquerdo do Arouca salvou por duas vezes a equipa de sofrer um golo certo e marcou, matando o jogo.

Fora de jogo:

Bracali – Usou e abusou do anti-jogo na parte final, tendo um episódio caricato, como já foi referido. É incrível como não viu nenhum cartão.

Reportagem de André Conde e Rodrigo Fernandes
Foto de Capa: Bola na Rede

Nada de inovador ou invulgar

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Há adeptos confusos desde o último clássico – que o FC Porto venceu com mérito e o provável auxílio do bruxo de Fafe – e que desde esse dia vivem entre a euforia e a depressão. Este resultado provocou uma instantânea inversão de sensações, materializada numa ininterrupta travessia de optimismos e pessimismos, de um e para o outro lado, capaz de atulhar por completo a Segunda Circular. Em gíria futebolística dir-se-ia que naquela noite chuvosa de sexta-feira “a bola não quis entrar” (à segunda, terceira e quarta vez); Iker Casillas foi o homem do jogo e o Benfica cometeu erros que o adversário, fazendo o que lhe competia, não desaproveitou. Numa partida equilibrada e bem disputada venceu a equipa mais competente, na defesa e no ataque. Nada de inovador, ou sequer invulgar, para a história do futebol.

A partir daquele ponto concluiu-se, imediatamente, sobre o que foi, é e será, daqui para diante, este campeonato. Caro leitor, tenho a informá-lo do seu erro de avaliação. Não se precipite, pois, como os dias seguintes vieram a confirmar, ninguém de encarnado vestido está deprimido ou pensa em desistir, por simpatia ou solidariedade, de lutar até ao fim. Ainda nada está decidido e aquela partida de Carnaval (atrasada) dos Deuses do futebol – festejada a azul e a verde como se Kelvin tivesse voltado a marcar – vale para todos: não há vitórias antecipadas, seja no Inferno, no Céu ou no Purgatório. Nada de inovador, ou sequer invulgar, para a história do futebol.

As vitórias justas e seguras pós-FC Porto confirmaram a qualidade deste grupo; Fonte: #SLBenfica
As vitórias justas e seguras pós-FC Porto confirmaram a qualidade deste grupo
Fonte: #SLBenfica

Dentro de casa
Estou habituado às reacções pela derrota. O coração benfiquista solta-se facilmente, e pior que o ter junto à boca é vê-lo aos saltos, incontrolável, cheio de emoção e nenhuma razão, batendo a mil por uma questão de vida ou de morte. Rui Vitória cometeu erros – é mau; Jonas falhou golos – é mau; Júlio César não defendeu – é mau. Esta atracção fatalista pelo abismo está gasta pelo uso e, sinceramente, encaro-a com a mesma naturalidade com que encaro a vitória seguinte, quatro dias depois, contra o Zenit, num jogo de Champions, a caminho do top oito europeu. Rui Vitória acertou – é bom. Jonas marcou – é bom. Júlio César defendeu – é bom. Nada de inovador, ou sequer invulgar, para a história do futebol.

Importa-me, sim, verificar que o Benfica detém hoje um grupo de jogadores que demonstra, a cada lance disputado, uma vontade inquebrável de vencer: o jogo e o campeonato. Esta equipa, trabalhadora e humilde, um misto de juventude e experiência, joga “à Benfica” – seja na derrota frente ao FC Porto ou nas vitórias diante do Zenit ou do Paços de Ferreira – e, por isso, merece todo o nosso respeito e apoio. Se a lógica estatística cumprir o seu papel, o triunfo na Capital do Móvel marcará o início de um ciclo que nos fará consolidar, no próximo mês, a liderança da prova. Não se preocupem, os adversários: podemos levar os três pontos, mas garantir-vos-emos lotação esgotada. Nada de inovador, ou sequer invulgar, para a história do futebol. 

Fora de casa
A vitória do FC Porto no Estádio da Luz teve o condão de fazer ressuscitar os mortos e de suspender, temporariamente, a candidatura do Benfica ao tricampeonato. Os rivais adoram quando a águia tropeça e o ruído pela comemoração é proporcional ao tempo de espera – eu compreendo (a sério!).

Pinto da Costa voltou à fina ironia e, pouco depois, o FC Porto jogou em Dortmund com um quarteto defensivo engraçado (do ponto de vista cómico e não bonitinho), chegando aliviado ao apito final, com uma desvantagem de apenas dois golos. O FC Porto continua a praticar o seu futebol, com as suas virtudes e os seus defeitos, e nem a meritória vitória na Luz permitirá alterar esse facto. Nada de inovador, ou sequer invulgar, para a história do futebol.

Depois da festa, o Sporting perdeu em casa com o Bayer Leverkusen. O “cérebro” – como certamente hão-de se recordar o termo não é meu –, que no Benfica fazia as mesmas rotações e, ainda assim, chegava às finais da Liga Europa, recordou que sabe vencer em casa dos farmacêuticos. Sabe Jorge Jesus, sei eu e sabe Cardozo (é preciso dizer porquê?). De resto, confiro apenas que o Sporting continua a praticar o seu futebol, com as suas virtudes e os seus defeitos, e nem a meritória vitória do FC Porto na Luz permitirá alterar esse facto. Nada de inovador, ou sequer invulgar, para a história do futebol.

 Foto de Capa: SL Benfica

Um novo amanhecer para Giuseppe Rossi

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“Se estiver a 50%, Rossi é uma contratação de luxo.” – Foi desta forma simples e directa que Juan Carlos Garrido, antigo treinador de Giuseppe Rossi no Villarreal CF, descreveu o regresso do internacional italiano à Liga BBVA. No passado dia 22 de Janeiro, a ACF Fiorentina de Paulo Sousa e o Levante UD acordavam a cedência de Rossi a título de empréstimo até ao final da temporada e davam também inicio à segunda aventura de Il Bambino no futebol espanhol.

Guiseppe Rossi foi figura de proa no Villarreal CF de Juan Carlos Garrido da temporada 2010-11 que o FC Porto eliminou nas meias-finais da Liga Europa. Ao lado de jogadores como Nilmar, Santi Cazorla e Borja Valero, o internacional italiano catapultou a formação da Comunidade Valenciana para uma temporada de alto nível e, fruto disso, viu o seu nome associado, na época seguinte, a alguns dos grandes colossos do futebol europeu, com especial relevo para o FC Barcelona, que terá estado muito perto de acordar a sua contratação com o Villarreal CF. No entanto, sem que nada o fizesse prever, apenas uma temporada depois, o Submarino Amarillo passou por momentos complicados que culminaram numa amarga descida de categoria, momentos esses que coincidiram com o início do calvário de lesões de Guiseppe Rossi, que nessa fatídica temporada sofreu a sua primeira lesão nos ligamentos do joelho.

O Giuseppe Rossi dos tempos do Villarreal CF tinha a Europa a seus pés Fonte: El Mundo
O Giuseppe Rossi dos tempos do Villarreal CF tinha a Europa a seus pés
Fonte: El Mundo

Com o Villarreal CF condenado a passar um ano nas agruras da Liga Adelante, em Janeiro de 2013, Rossi muda-se para a ACF Fiorentina, que deposita no versátil avançado italiano uma enorme confiança apesar de estar perfeitamente ciente de todos os problemas que lhe estavam associados. Para o talentoso avançado nascido em Teaneck, New Jersey, o ingresso no emblema de Florença foi um novo despertar, um regressar do mundo dos mortos após meses a fio fora dos relvados, e, às ordens de Vincenzo Montella, Rossi viveu seis meses de sonho. A janela de esperança que se abriu na carreira de Il Bambino não tardou muito em voltar a fechar-se e em Janeiro de 2014, num jogo contra o AS Livorno Calcio, uma nova lesão no joelho de extrema gravidade voltou a afastar Rossi dos relvados. De lesão em lesão até à chegada de Paulo Sousa ao emblema de Florença, o versátil avançado italiano foi perdendo o seu espaço nos Viola e não são de todo estranhas as reservas do técnico português no que respeita à sua utilização de forma continuada numa liga exigente como é o caso da Serie A.

Foi por esse motivo e pela necessidade de reencontrar a alegria de volta a jogar que Guiseppe Rossi regressou a Espanha, a uma liga que bem conhece e a um país que lhe reconhece talento e onde ainda mantém o estatuto de estrela. O agente do jogador italiano, Andrea Pastorello, descreveu esta mudança para o Levante UD como uma necessidade, e não um adeus, mas sim um até logo, ao clube Viola, no qual Rossi não conseguiria até ao final da temporada jogar com regularidade. Andrea Pastorello evidenciou ainda a tenacidade da equipa da Comunidade Valenciana, que segundo ele foi a que maior interesse demonstrou no craque italiano.

Rossi foi recebido em clima de festa no Estadi Ciutat de València e a sua apresentação foi digna de uma verdadeira estrela. O avançado italiano não ficou indiferente a todo este entusiasmo, nem mesmo ao abraço e às palavras enternecedoras que recebeu de José Besalduch, o famoso “El Gasolina”, que com 85 anos é porventura o adepto mais famoso do Levante UD, e, numa entrevista recente ao programa Al Primer Toque da rádio Onda Cero, Rossi descreveu o seu ingresso nos Granotes como algo “muito bonito” e manifestou toda a sua felicidade por estar de regresso ao futebol espanhol.

O abraço sentido de José Besalduch a Rossi na dia de apresentação do internacional italiano Fonte: biobiochile.cl
O abraço sentido de José Besalduch a Rossi na dia de apresentação do internacional italiano
Fonte: biobiochile.cl

O talento de Rossi dispensa apresentações e não será por demais dizer que não fossem as sucessivas lesões e estaríamos, eventualmente, na presença de um dos melhores futebolistas europeus da última década. O internacional italiano chega ao Levante UD numa altura em que a formação da Comunidade Valenciana atravessa um momento particularmente preocupante na Liga BBVA. Os pupilos de Rubi, o jovem técnico catalão que assumiu o comando da equipa no final de Outubro de 2014 após a saída de Lucas Alcaraz, ocupam, à data deste artigo, o 19.º lugar da tabela classificativa, com apenas 20 pontos obtidos em 25 jogos disputados.

Apesar da situação delicada em que se encontram é importante realçar que, para além de praticarem um futebol extremamente apelativo, o Levante UD venceu dois dos seus últimos cinco jogos para a Liga BBVA, período esse que coincide com a chegada de Rossi aos Granotes. O versátil avançado italiano teve a sua estreia contra a UD Las Palmas a 25 de Janeiro, apenas três dias depois de ter chegado ao Estadi Ciutat de València, e apesar de ter jogado apenas cerca de 20 minutos dispôs de uma boa oportunidade para marcar, mas não foi capaz de desfeitear o guarda-redes da equipa insular, Javi Varas. No entanto, não tardaria muito em chegar o primeiro golo de Rossi com a camisola de Levante UD e na semana seguinte, na visita ao sempre asfixiante Ramón Sánchez Pizjuán, o internacional italiano não foi de modas, e marcou o único tento da sua equipa na derrota por 3-1 diante do Sevilla FC.

Il Bambino ganhou-lhe o gosto e na passada sexta-feira voltou a ser figura de destaque no regresso às vitórias do Levante UD. Rossi apontou o segundo golo da sua equipa da marca de penálti e ajudou a cimentar o caminho para uma moralizadora vitória por 3-0 diante do Getafe CF antes da visita ao El Madrigal para defrontar o Villarreal CF, um jogo que certamente terá uma carga emocional muito grande para o dianteiro dos Granotes.

Rossi a festejar o seu segundo golo na Liga BBVA que aconteceu na passada 6ªfeira perante o Getafe CF Fonte: Liga BBVA
Rossi a festejar o seu segundo golo na Liga BBVA, que aconteceu na passada sexta-feira perante o Getafe CF
Fonte: Liga BBVA

Enzo Bearzot, o homem do cachimbo, que conduziu a Itália à conquista do Mundial de Futebol de 1982 em Espanha, viu em Rossi uma estrela em potência aquando da sua estreia com a selecção italiana em 2008 e deu-lhe o apelido de “Pepito”. “Pepito” porque jogava em Espanha e porque o fazia lembrar-se do “seu” Paolo “Pablito” Rossi, que havia deixado meio mundo de boca aberta nesse longínquo ano de 1982. Enzo Bearzot, esse verdadeiro pensador do futebol, não se enganou muito em relação ao “novo” Rossi, que não fossem as gravíssimas lesões de que tem sido vítima nos últimos anos e estaríamos certamente na presença de um dos melhores jogadores do mundo da actualidade.

Foto de Capa: Levante UD

A arte superior da guerra, segundo Bryan Ruiz

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Depois da derrota sofrida frente ao Bayer Leverkusen, vem aí o jogo mais importante da semana: receção ao Boavista. Este é aquele jogo que, espero eu, terá mais de 40 mil adeptos nas bancadas e onde o Sporting não pode falhar e tem de dar mais um passo muito importante rumo ao sonho.

Frente aos axadrezados, os “leões” vão defrontar uma equipa que já roubou pontos na primeira volta (“roubou” é mesmo o termo certo, tendo em conta as incidências desse encontro), e que está a jogar melhor agora, orientada pelo boliviano Erwin Sanchez. Ainda assim, o maior adversário do Sporting é a sua própria sombra.

O grupo tem tido algumas exibições mais tremidas nos jogos em casa; são exemplos disso as recentes receções a Tondela, Académica e Rio Ave. Aqui, acho que Jorge Jesus devia incutir alguns “pozinhos” importantes nas palestras antes dos próximos jogos.

O Sporting tem de entrar sempre no máximo das suas capacidades, sem dar meias horas ou primeiras partes de avanço. Se os “verde e brancos” estiverem a ganhar nos primeiros 20, 30 minutos, as exibições e as partidas serão sempre mais simples, tal como se viu na Choupana.

Assim, parece-me que Teo não pode ser titular nesta segunda-feira, porque é um jogador demasiado amorfo, que joga num ritmo muito lento, com uma excessiva calma, que obviamente irrita os adeptos que têm vontade de saltar para dentro do campo. Se fosse JJ, apostaria num trio composto por Gelson Martins, Bryan Ruiz e João Mário atrás do avançado Slimani, com o meio campo guardado por Adrien e Aquilani, devido ao castigo de William Carvalho. Assim, o Sporting poderá ter uma entrada de rompante, com ataques constantes até chegar a uma vantagem de um, dois golos.

Tal como já se viu nesta jornada, com o mergulho premiado de Jonas, a caminhada para o título terá muitos obstáculos no caminho; alguns normais, outros que apenas são “normais” para quem é beneficiado por eles. O que não pode acontecer é que o próprio Sporting crie mais complicações no seu próprio trajeto, com exibições menos bem conseguidas ou com menos atenção a todos os detalhes. Os jogadores terão de encarar os 12 jogos que faltam no campeonato como os mais importantes das suas vidas, porque só assim estarão no mesmo estado de espírito dos adeptos.

Cuidado com os amarelos, Adrien e Slimani! Fonte: Sporting CP
Cuidado com os amarelos, Adrien e Slimani!
Fonte: Sporting CP

Um problema na gestão da equipa para os próximos jogos será a folha disciplinar de Adrien Silva e Slimani. Ambos têm quatro amarelos, quando se aproximam dois jogos decisivos: deslocação a Guimarães e receção ao Benfica.

No meu ponto de vista, não seria positivo que eles “limpassem” os castigos na Cidade Berço, dada a guerra que será esse encontro, por ser num terreno complicado, frente a uma equipa muito bem orientada e em vésperas de jogo com o Benfica, ou seja, num encontro em que, com toda a certeza, teremos “artista” a apitar.

Queria ainda dedicar umas linhas a um dos ases de Jorge Jesus: Bryan Ruiz. Já vi mais de uma dezena de jogos deste craque ao vivo, mas é algo bastante difícil de descrever com toda a minúcia. O costarriquenho está, talvez, no top 5 dos jogadores mais dotados tecnicamente e mais inteligentes que já vi jogar no clube. É incrível ver a forma como lê o jogo, como passa por dois ou três adversários com uma classe brutal.

Já tinha ficado agradado em meia dúzia de jogos em que o Twente, quando ele lá jogava, defrontou o Sporting e o Benfica. Era um dos jogadores mais influentes dos holandeses nessa altura. Depois foi para Inglaterra, eclipsou-se um bocadinho e volta agora em grande esplendor, em excelente hora, para ajudar nesta luta do Sporting Clube de Portugal. A todos os que contribuíram para esta contratação, mas principalmente a Bryan Ruiz, muito obrigado! É uma honra ver atuar um jogador destes em Alvalade com a camisola verde e branca.

Foto de Capa: Sporting CP

Académica OAF 0-2 Rio Ave FC: Paciência na base de um resultado justíssimo

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19 de Setembro de 2015 diz muito sobre este jogo. Nessa data, o Rio Ave vencia fora de casa pela primeira vez, na Liga, batendo o Paços por 3-0. Um dia depois, a Académica perdia com o Boavista, em casa, José Viterbo saía do comando técnico da Académica e Gouveia assumia o comando da Briosa. Desde esse dia até hoje, o Rio Ave não mais tinha ganho sem ser no Estádio dos Arcos e a Académica não tinha perdido qualquer encontro naquela que começava a ser conhecida como a Fortaleza de Gouveia. Até hoje. Os vilacondenses impuseram a sua qualidade técnico-táctica e levaram a melhor sobre a Briosa, estacionando, provisoriamente, no tão almejado 5.º lugar e deixando a Briosa afundada no penúltimo lugar, correndo o risco de ver os seus adversários directos fugir-lhe nos encontros que ainda vão disputar.

Ambas as equipas trouxeram o mesmo figurino táctico para dentro de campo, e encaixaram no 4x3x3 do adversário, não havendo, por via desse “engate”, lugar a grandes oportunidades de perigo, com excepção de um remate de Ukra à trave depois de ganhar espaço a Rafa Soares. Fora isso, o protagonismo esteve no meio-campo, onde Wakaso, Tarantini e Bressan travaram duro duelo com Leandro, Fernando Alexandre e Nuno Piloto, numa batalha renhida… Mas com ligeiro ascendente dos primeiros, nos últimos minutos da primeira parte, que contribuiu para que a bola fugisse do centro do campo para o último terço ofensivo vilacondense. Primeiro com uma ameaça de Kuca… Concretizada mais tarde, num lance desenhado por Edimar, que galgou terreno pelo lado direito da defesa academista, antes de oferecer o golo ao cabo-verdiano.

À entrada para a segunda parte, Gouveia partiu o meio-campo e desfez o 4x3x3 para passar a jogar em 4x2x3x1 com a entrada de Gui para o lugar de Nuno Piloto. A equipa parece ter acusado o toque, e o costa-marfinense dispôs de uma boa oportunidade, estando no lugar certo para aproveitar um mau alívio de Roderick e rematar para boa defesa de Cássio. Depois disto, Rafa Soares, após a bola circular pela área vilacondense sem que ninguém soubesse o que fazer com ela, disparou para fora. Era o aviso da Académica. O sinal de que queria mudar o resultado e o rumo do jogo. Só que o Rio Ave, como equipa matreira e experiente que é, soube manietar esta reacção e nem mesmo quando Gouveia forçou a barra, colocando Rabiola e Rafa Lopes para os lugares de Nii Plange e de Gonçalo (passou a jogar num 4x4x2 declarado), a Briosa soube conseguir ganhar forças para sair das teias tácticas em que se via amarrada. Mérito, muito, para Pedro Martins. O treinador do Rio Ave conseguiu neutralizar o meio-campo com a ajuda de Yazalde (que veio buscar muito jogo lá atrás, em auxílio do meio-campo), e a fugacidade das alas dos estudantes com uma exibição competente dos jogadores das alas, incluindo a dos extremos, que foram muito inteligentes a defender.

O segundo golo do Rio Ave surgiu, com alguma naturalidade, ao minuto 69, com Kayembe (substituiu Ukra) a descobrir Yazalde, que, fugido à defesa da Académica numa diagonal com um rasto intenso de protagonismo, finalizou sem piedade de Pedro Trigueira. 0-2, jogo praticamente arrumado. A Briosa não baixou os braços, e ainda esteve perto de reduzir o marcador, através de Rabiola e Fernando Alexandre. Porém, ao procurar mitigar o prejuízo, expôs-se em demasia e também podia ter saído do Cidade de Coimbra vergada a uma derrota mais pesada – Kayembe e Heldon estiveram perto de ampliar.

Na sala de imprensa, Gouveia deixou um apelo à força dos sócios, mesmo depois da contestação vivida no Cidade de Coimbra
Na sala de imprensa, Gouveia deixou um apelo à força dos sócios, mesmo depois da contestação vivida no Cidade de Coimbra

O jogo terminou com cânticos de “Vocês são uma vergonha” da parte da Mancha Negra, claque afecta a Académica, e que se explicam pela frustração dos adeptos, que não vêem uma vitória da sua Briosa, que tanto carece de uma demonstração de força por parte dos seus jogadores, há quase um mês. O Rio Ave venceu, e bem, para deleite dos seus adeptos, que vêem, cada vez mais, o objectivo da Liga Europa como algo palpável.

A Figura:

Yazalde – Marcou o segundo golo, foi importante no primeiro, arrastando a marcação, entregou-se a uma batalha (a do meio-campo) que não entrava na sua área de jurisdição pelo bem da equipa, tornando-se decisivo para que o seu conjunto ganhasse ascendente, e ainda entregou o corpo ao manifesto, sendo raras as vezes em que foi desarmado e frequentes as ocasiões em que ganhou faltas cirúrgicas quando a sua equipa procurava controlar o jogo.

O Fora-de-Jogo:

Gonçalo Paciência – O ponta-de-lança da Académica esteve muito desinspirado. É certo que conseguiu desequilibrar quando foi capaz de impôr o físico e de pôr o colectivo à frente do individual; porém, isso aconteceu pouquíssimas vezes e, em muitas delas, foi o egoísmo que imperou, estando na génese de vários lances prometedores perdidos para a sua equipa (que colocou vários adeptos da casa à beira de um ataque de nervos, tendo mesmo dificuldades para sair do Estádio, sendo dos mais visados pela fúria dos associados), o mais flagrante quando o jogo ainda estava empatado a 0 – numa posição privilegiada, preferiu adornar o lance, com mais uma finta, ao invés de se focar na baliza. Ainda não tem legitimidade para exibir os tiques de vedetismo (quando a bola vem para ele, não a confia a outros companheiros que possam decidir em melhor circunstâncias) que há muito demonstra. Foi substituído aos 65 minutos.

Sala de Imprensa:

Filipe Gouveia:

“Já sabíamos que íamos ter um jogo difícil, uma equipa experiente, com jogadores rápidos e importantes nas transições, que luta pela Liga Europa. Uma equipa que se apanhou em vantagem, tornando tudo muito complicado”.

“Temos de ir à Madeira buscar estes três pontos perdidos”.

“Talvez tenha sido a nossa pior exibição, em casa”.

“Como estamos nesta situação [zona de despromoção], a bola parece que pica nos pés”.

“Tenho muita confiança neste grupo de trabalho”.

“Tirar o chapéu ao público. E deixar-lhes uma mensagem: é nos momentos difíceis que as pessoas aparecem. Isto é a Briosa”.

“Deixo um apelo para que sejam mais fortes e contidos nas redes sociais, porque há jogadores que têm família, filhos, pais… E há certas situações que são desconfortáveis. Temos de ter bom senso”.

Pedro Martins:

“Vitória importante, difícil, porque a Académica vem em crescendo, como mostram os resultados. Desde o início que quisemos mandar no jogo. A primeira parte foi bem conseguida, a segunda mais inteligente”.

“Os nossos objectivos têm sido cumpridos. Faltam 12 finais, com a Taça de Portugal”.

“A lesão do Kuca é muscular; só dentro de 48 horas saberemos a sua extensão”.

FC Paços de Ferreira 1-3 SL Benfica: Os mínimos também chegam

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Visita sempre complicada do Benfica à Capital do Móvel – ainda na época passada o Benfica adiou a decisão do campeonato lá perdendo por 1-0 -, ainda para mais sabendo-se da dificuldade de jogar na ressaca de semana europeia. Ainda assim, foi um Benfica q.b. e que soube sempre gerir o jogo sem sobressaltos de maior, muito por culpa das imensas baixas com que o Paços se apresentou para o jogo. Apenas com Carcela no lugar do ausente Gaitán, cedo se percebeu que bastaria o Benfica acelerar para criar desequilíbrios e deixar expostas as debilidades defensivas do Paços de Ferreira muito desfalcado.

Foi, pois, através do primeiro “esticão” que o Benfica deu no jogo que chegou o primeiro golo, pouco antes de o relógio bater no primeiro quarto-de-hora. Carcela e Jonas (mais um toque de classe do brasileiro…) abriram o caminho da defesa pacense e Mitroglou tratou de desbloquear o marcador à boca da baliza. Quando se podia pensar num jogo semelhante ao de Moreira de Cónegos, que o Benfica controlou de forma muito tranquila, o Paços de Ferreira conseguia, aqui e ali, dar um ar de sua graça.

Lindelof estreou-se a marcar e deixou o Benfica com o jogo na mão; Fonte: #SLBenfica Lindelof estreou-se a marcar e deixou o Benfica com o jogo na mão; Fonte: #SLBenfica
Lindelof estreou-se a marcar e deixou o Benfica com o jogo na mão
Fonte: SL Benfica

Quase sempre por Diogo Jota – claramente talhado para outros voos – e quase sempre aproveitando a passividade que o Benfica vem demonstrado no eixo do terreno. Já havia acontecido contra o FC Porto e aconteceu novamente hoje, tal a facilidade com que Diogo Jota (culpas também para Júlio César) restabeleceu a igualdade 10 minutos depois, numa boa iniciativa individual. As lesões de Lisandro e Fejsa não são, de todo, alheias a este facto que menciono. O jogo arrastou-se numa toada morna até bem perto do intervalo, altura em que Jonas furou a defesa pacense, cavou uma grande penalidade inexistente e recolocou a equipa encarnada na frente do marcador.  Confortável com o 1-2, a equipa de Rui Vitória tratou de fazer o terceiro rapidamente e acabar com a história do jogo. Lindelof estreou-se a marcar, após assistência de Jardel e deixou o Benfica bem tranquilo para o resto do jogo. Ainda deu para Salvio e Nélson Semedo terem uns minutos, face ao pouco perigo que a equipa pacense (apenas Diogo Jota, sempre ele, voltou a incomodar a baliza encarnada) demonstrou daí em diante e para Eliseu limpar os cartões para poder estar em Alvalade. Resta ao Benfica, agora, esperar por aquilo que o Sporting fará na segunda-feira, frente ao Boavista.

A Figura:

Jonas – Mesmo sem ter feito um jogo esplendoroso, a classe e categoria de Jonas também se mostraram em doses menores. Mais um golo para a conta pessoal do brasileiro e, vendo-se sem Gaitán, comandou todo o ataque encarnado ao longo dos 90 minutos.

O Fora de Jogo:

Samaris – Perdi a conta aos passes falhados pelo médio grego, que parece ainda não ter encaixado com Renato Sanches no miolo do Benfica. Espero que a recuperação de Fejsa não tarde para a fase de jogos decisivos que se aproxima.

Madeira Andebol SAD 25-26 SL Benfica: Insulares não tiveram o regresso desejado

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Primeira mão do play-off do Campeonato Nacional de Andebol; casa cheia no Funchal para a receção ao Benfica. O Madeira Andebol SAD estava motivado pelo regresso às fases finais do nacional de andebol. Nos dois jogos na fase regular do campeonato, houve vitórias para os encarnados, quer em Lisboa, quer no Funchal.

Aos sete minutos, o Benfica colocava-se a vencer pela primeira vez (3-4), com a agravante de a SAD ter ficado dois minutos sem Nuno Carvalhais. Do ataque posterior resultava o empate e a exclusão de um adversário. Recuperava a SAD a vantagem na partida.
Aos 16 minutos e 30, o Benfica recuperava a vantagem pondo-se a vencer por 6-7. Mas depressa os madeirenses empataram. Gonçalo Vieira, como é seu apanágio, lá em cima a dar espetáculo e a empatar.

Tentavam os de Lisboa, David Pinto não deixava. Começava a ferver, os adeptos percebiam que havia uma dupla a querer ajudar os visitantes. Não deixavam! Na Madeira, mandam os madeirenses. Ampliava a vantagem a SAD. A dupla de arbitragem não gostava e continuava a excluir, sem razão, jogadores azuis e amarelos. Acelerava o Benfica e, em dois ataques rápidos, empatava a partida a 10. Fidalgo, já quase sem voz, solta do banco o cartão verde. Desconto de tempo.

Atacava a SAD, já quase sem soluções. O mágico – Gonçalo Vieira -, lá da ponta esquerda, fazia a redondinha entrar na baliza adversária. Respondia o Benfica e, de sete metros, empatou. A SAD não conseguia tomar as rédeas da partida e desperdiçava. Aproveitava o Benfica, com Silva a marcar e a ir para o banco, suspenso por dois minutos. Ficava em vantagem numérica a SAD, mas desperdiçava e o Benfica ampliava o marcador – 13-14 era o resultado ao intervalo.

Será difícil aos insulares seguirem em frente na competição. Fonte: Bola na Rede
Será difícil aos insulares seguirem em frente na competição
Fonte: Bola na Rede

Começava a segunda metade, e a dupla de arbitragem continuou a manchar a dignidade da partida. Eram livres de sete metros, exclusões e faltas atacantes injustificáveis, chegando ao cume de, mesmo diante de um árbitro, a bola ter ido às pernas de um jogador do Benfica e ter continuado a partida como se nada fosse. Se a jogar contra sete já era difícil, jogar contra nove muito pior ficava. Assim sendo, o Benfica ampliava a vantagem para cinco – o resultado chegava a 13-18. A SAD, a muito custo, foi reduzindo a vantagem adversária até aos 18-20.

Com o jogo a entrar na fase crucial e decisiva, a SAD reduzia para a margem mínima: 20-21. Aos 20 minutos, empatava a SAD: 22-22. Ganhava ânimo, fôlego para o último terço da segunda metade e recuperava o apoio da massa adepta. Estava relançada a partida. Duas defesas monumentais de Luís Carvalho permitiam a vantagem da SAD. Mas, logo aos 25 minutos, e apesar da vantagem numérica dentro de campo, há uma nova cambalhota no marcador, com os encarnados a passarem para a frente.

Ainda empatou a SAD, mas, uma vez mais, a dupla de arbitragem decide marcar falta ao atacante e impedir o empate na partida. Até ao final foi um jogo impróprio para cardíacos, com golos de um lado e de outro. A dois segundos do final do jogo, livre de nove metros com Cláudio Pedroso a rematar mesmo em cima do sinal sonoro, mas com a bola a embater na defesa encarnada.

No final, 25-26, com claro prejuízo para os da casa, que viajam até à Luz em desvantagem.

 

A Figura:

Cláudio Pedroso – O lateral direito, ex-Benfica, foi o melhor jogador na tarde de hoje no Funchal. Empurrou a equipa para a frente, tentou fazer com que os da casa fossem justos e dignos vencedores na partida de hoje. Juntamente, claro está, com Gonçalo Vieira e Luís Carvalho.

O fora-de-jogo:

Arbitragem – A dupla de arbitragem que se apresentou no Funchal pecou, várias vezes, para ambos os lados. Mais foram as vezes em que pecou para o lado dos da casa. O Andebol nacional, sobretudo nesta fase decisiva, merece melhores árbitros. Não se pode deitar por água todo o excelente trabalho de formação e recuperação do moral de toda uma região que, a nível nacional e até mesmo internacional, tem vindo a dignificar a modalidade.

Foto de Capa: Bola na Rede

Missão (Quase) Impossível

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fc porto cabeçalho 2Depois do jogo de quinta-feira, a vida do FC Porto na Liga Europa parece complicada. Os azuis e brancos vão ter de fazer um jogo perfeito na próxima quinta-feira. Peseiro vai ter mais jogadores à sua disposição e pode mesmo dar-se ao luxo de apostar no onze e na táctica que bem entender. A dúvida que assombra a nação portista prende-se com o sistema de jogo que vai ser capaz de neutralizar o poderio ofensivo da equipa alemã e dar simultaneamente força ao ataque.

Parece-me óbvio que, em casa, o FC Porto vai ser uma equipa com mais espírito, garra e com mais vontade de chegar à baliza adversária. Na passada quinta-feira, a equipa portuguesa procurou envolver o Borussia Dortmund num jogo de xadrez táctico mas não conseguiu ser bem-sucedida. A equipa de Tuchel aproveitou as debilidades defensivas da defesa remodelada dos azuis e brancos e resolveu a primeira mão da eliminatória sem conceder um único golo fora. Duas vitórias para a equipa alemã num só jogo, portanto.

No jogo de dia 25, Peseiro terá de apostar no ataque mas nunca poderá descuidar o processo defensivo pois um golo do Dortmund complica, e muito, a eliminatória. Afinal, se a equipa de Reus e companhia marcar um único tento, o Porto terá de responder com quatro para ganhar a eliminatória. Maxi e Layún terão de contar com o apoio de um incansável Danilo, uma vez que, ao subirem no terreno, terá de ser o médio português a compensar as alas e a preocupar-se com a velocidade e qualidade técnica de Reus, Mkhitaryan e do goleador Aubameyang. Mas não é só Danilo que vai ter de trabalhar muito. Quem for aposta de Peseiro para o meio campo no derradeiro jogo europeu terá de saber servir o ataque no momento certo e no segundo seguinte terá de saber recuar e fortalecer um espírito de entreajuda que terá de ser gigante no Dragão. André André e Herrera parecem-me as escolhas mais acertadas para preencher o miolo da equipa. Aboubakar, Brahimi e Corona vão ter de estar inspiradíssimos para assegurar que o Porto marca pelo menos dois golos de maneira a empatar a eliminatória.

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Layún poderá voltar a ser lateral esquerdo
Fonte: Facebook Oficial FC Porto

Só para se ter uma noção do quão complicada é a tarefa do Porto, nem a repetição do brilhante jogo contra o Bayern Munique na época passada chegaria para a equipa liderada por Peseiro passar a eliminatória uma vez que até nesse jogo o Porto sofreu um golo. Talvez a solução otimista mais realista seja um empate na eliminatória e uma solução final nas grandes penalidades. Mesmo assim até essa hipótese parece ser algo irreal uma vez que a equipa alemã tem um poder ofensivo gigante e tem números muito bons (mesmo número de golos marcados pelo líder Bayern Munique).

Resta esperar que o público do Dragão esteja também ao seu melhor nível e que Peseiro monte uma “teia” táctica que consiga neutralizar o ataque do Dortmund e que ao mesmo tempo consiga dar poder de fogo ao Dragão para marcar e dar a volta a uma eliminatória que à partida parece ser quase impossível. Mas o Porto já nos habituou a grandes noites europeias e a mística que envolve o clube exige que a equipa se saiba superar nestas ocasiões.

Continuem com esta atitude!

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Depois de termos perdido com o Porto em casa, num jogo onde os erros defensivos se pagaram muito caro, temia-se o pior. Com a derrota perante o rival azul e branco, pensava-se que a confiança dos jogadores encarnados pudesse ficar abalada, o que poderia ter consequências no jogo com o Zenit. Mas nesse jogo o desfecho foi diferente. Com o Zenit, o Benfica foi uma equipa mais madura do que diante do Porto. Na terça vimos um Benfica que soube jogar consoante os momentos do jogo.

Com a posse de bola do lado dos encarnados, a turma de Rui Vitória desgastou fisicamente a equipa Russa, que ainda não tinha os índices físicos a bom nível, conseguindo marcar golo nos instantes finais da partida. Jonas, com uma cabeçada certeira, pôs o Benfica na frente da eliminatória, que se decidirá na Rússia, perante um ambiente muito adverso para a equipa vermelha e branca. Depois destes dois duelos, o Benfica joga com o Paços de Ferreira para o campeonato no sábado. Apesar de o Benfica enfrentar um Paços mais fraco do que o habitual não adivinho um jogo fácil para a turma encarnada, pois a equipa pacense está a realizar um excelente campeonato, ocupando neste momento a 6.ª posição na tabela classificativa.

O central sueco tem sido uma boa surpresa e tem mostrado ter qualidade para ser opção; Fonte: #SLBenfica
O central sueco tem sido uma boa surpresa e tem mostrado ter qualidade para ser opção
Fonte: SL Benfica

A turma de Rui Vitória tem de entrar com a mesma atitude com que entrou perante o Zenit, os jogadores encarnados têm de “matar” o jogo o mais rapidamente possível. Espero, assim, uma equipa com vontade de continuar na luta pelo campeonato, uma equipa que não treme, apesar dos percalços que pode sofrer, uma equipa forte. Mesmo sem contarmos com Gaitán contra o Paços, temos substitutos de qualidade para realizarem este jogo. Carcela é um desses substitutos, jogador que já deu provas da sua qualidade e de querer lutar por um lugar no onze.

Outro exemplo de qualidade tem sido Valter Lindelof, que tem substituído Lisandro no eixo da defesa. Perante o Porto e Zenit, o central Sueco cumpriu e realizou dois bons jogos, mostrando assim que também tem uma palavra a dizer a Rui Vitória. Até Eliseu tem vindo a surpreender-me. Apesar de ser o jogador mais fraco do onze encarnado, tem realizado exibições seguras, não cometendo erros de maior.

Depois de termos estado praticamente afastados da corrida, crescemos e hoje somos uma equipa mais forte, uma equipa cheia de confiança e, acima de tudo, hoje o Benfica é novamente uma equipa respeitada. Resta-nos assim acreditar na nossa equipa e estarmos mais unidos que nunca, porque muitos dos jogos que o Benfica irá jogar terão de começar a ser vencidos na bancada, e o jogo contra o Paços vai ser um deles.

Queria poder ser tendencioso

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Não vos vou mentir: aguardava com grande expectativa este jogo da Liga Europa, o embate do Sporting com o Leverkusen. Pensei que ia ser um grande jogo, com um Sporting dominador mas sempre atento às investidas alemãs, até porque todos nós sabemos como carbura a máquina germânica. Tinha esperanças de que, nesta minha primeira contribuição para o Bola na Rede, pudesse escrever um texto em cima de uma vitória, mas não é esse o caso.

Contudo, a minha maior desilusão foi assistir a 90 minutos de um Sporting irreconhecível. Não sou um profeta da desgraça, nem digo que esta exibição é o início de um descalabro porque não acredito que assim seja. Jorge Jesus deixou bem claro que a prioridade é o campeonato, o que sinceramente acho bem, mas daí a oferecer o jogo como prenda aos alemães vai uma ligeira diferença.

A capacidade de passar a bola ao primeiro toque, a mobilidade dos jogadores, o jogo em equipa, saber que o todo é superior ao individual, a garra e a entrega de cada um em campo, todos esses atributos que caracterizam esta equipa do Sporting, não foram vistos ontem no relvado. E com isto não quero dizer que não se tenham aplicado, mas parece-me que a frustração de nada estar a correr bem se sobrepôs à noção daquilo que era preciso fazer perante um adversário como o Leverkusen. Na defesa complicavam-se os cortes e as saídas para o ataque, e no ataque tentavam resolver-se as coisas individualmente.

Queria poder ser tendencioso, e descobrir formas de justificar um Sporting superior, mesmo que derrotado, mas não consigo. Raramente ganhámos as segundas bolas, e deixámo-nos cair num jogo tão morno que foi fácil para os alemães controlarem-no.

Aos 90 minutos, creio que faltou Gelson Martins. Irrequieto como é, podia ser ele a solução para quebrar a lentidão e a falta de ideias com que o Sporting estava em campo. Penso até que seria essa a intenção de Jorge Jesus, não fosse a lesão inesperada de Coates. No entanto a eliminatória continua em aberto, e acredito que o Sporting possa ir à Alemanha surpreender o Bayer, como fez com o Lokomotiv na Rússia.

Bryan Ruiz foi um dos exemplos de quem tentou remar sozinho contra a maré alemã. Fonte: Sporting CP
Bryan Ruiz foi um dos exemplos de quem tentou remar sozinho contra a maré alemã
Fonte: Sporting CP

Acredito que possa começar o jogo com Gelson Martins e Matheus Pereira nas alas e a dinâmica da equipa mudar completamente, porque são jogadores que a qualquer momento podem desestabilizar uma defesa. Quem sabe até se Hernán Barcos poderá ser uma surpresa na frente de ataque? Comparado a Teo, oferece mais poder físico para jogar entre os defesas.

Mas aquilo a que eu como adepto não gostaria de assistir, e creio que outros concordarão comigo, é que, mesmo dizendo que a Liga Europa não é uma prioridade, isso sirva como uma desculpa para não dar o máximo. Principalmente quando é claríssimo que o Bayer Leverkusen está ao alcance do Sporting, porque quando era aplicada velocidade nos processos de transição percebia-se que a segurança defensiva da equipa alemã tremia. O problema é que essa velocidade muito raramente foi aplicada, e quando assim foi acabou em iniciativas individuais que não deram em nada, como o Mané ou o João Mário a remarem contra uma defesa inteira, ou o Ruiz a fintar um adversário mas sem apoio para dar seguimento às jogadas.

Se o intuito é poupar os jogadores titulares, normalmente mais influentes na equipa, e visto que as competições europeias não são prioridade, então que a opção passe por uma equipa declaradamente suplente, que possa dessa forma aplicar-se a 100%, correr ao máximo, demonstrar todas as características que devem ser vistas nos relvados pisados pelo Sporting, esforço, dedicação, devoção e glória.

Não quero ser injusto para jogadores que desde o início da época têm mostrado todas essas características em campo, nem com isto dizer que não se esforçaram, mas não foi o suficiente, não foi aquilo a que nos habituaram, e não acredito que ninguém, adepto, jogador, equipa técnica ou presidente, possa ter ficado feliz, não só com o resultado: acima de tudo com a exibição.

Queria poder ser tendencioso, mas não posso. Mal que está feito não pode ser refeito, por isso, o Boavista é o próximo adversário, e aí já conta como prioridade. Tem de sentir a carga do leão.

Foto de Capa: Sporting CP