Duas provas, duas vitórias para Ogier e Meeke a parecer que será a maior dor de cabeça para o francês, isto apesar de Ogier ter 56 pontos e Meeke 1, algo que pode parecer muito confuso para quem não acompanhou as provas de Monte Carlo e Suécia.
Sebastien Ogier, como já era de esperar, dominou Monte Carlo, e se na Suécia se podia pensar que desse hipóteses aos nórdicos ficou provado que continuaria a ser superior, tendo o francês o máximo de pontos possíveis. Ogier não tem mesmo adversário à sua altura, fazendo a mesma ligação homem-máquina que Loeb fazia.
No segundo lugar do campeonato está outro homem da marca alemã. Andreas Mikkelsen teve um segundo e um quarto lugar e com 33 pontos e é o homem mais perto do líder do WRC. O norueguês, que ficou em terceiro no ano passado, está a começar bem o ano, mas terá muitas dificuldades em conseguir alguma vitória este ano, pelo menos se estiver em luta direta com Ogier.
Mas, indo buscar Kris Meeke, o britânico da Citroën foi o único a dar luta a Ogier em Monte Carlo, e na Suécia chegou a ser segundo na prova. Mas duas pedras – uma em cada prova – fizeram-no desistir e atrasar-se muito, daí apenas um ponto na classificação, isto quando é o único piloto que já esteve na frente de um rali este ano – se tirarmos Ogier, claro. Convém recordar que a marca francesa não vai fazer todo o WRC, pelo que no México Meeke não estará presente. Na mesma onda temos Latvala, que ainda não tem pontos esta temporada em mais um arranque difícil do finlandês. O n.º2 da Volkswagen não tem tido um início fácil, com vários toques. O México está quase aí; vamos ver se finalmente pontua.
Ostberg será que devolve as vitórias à Ford? Fonte: Mads Ostberg
Mads Ostberg, que voltou à M-Sport este ano, tem tido um bom início de temporada com um quarto e um terceiro lugar. Numa equipa que muito tem dado aos ralis mas que tem tido poucos resultados vamos ver se consegue ter o melhor não-Volkswagen; para já estão bem encaminhados pelo norueguês. Já Camilli parece que vai dar muitas dores de cabeça a Malcolm Wilson. O que não vai dar dores de cabeça é o R5 EVO; parece que a Skoda vai ter boa concorrência desta vez.
Quanto ao novo i20, tem sido um carro competitivo e melhor que o anterior i20. Paddon tem sido uma verdadeira surpresa para mim: não que não soubesse da sua qualidade, mas porque não pensava que conseguisse ser o melhor Hyundai. Dani Sordo tem os mesmos 18 pontos que Paddon e Neuville vai com 15, estando a marca coreana a apenas cinco pontos da Volkswagen.
No México (4 a 6 de março) a luta vai ser novamente pelo segundo lugar. Em condições normais será para Latvala, mas Paddon, Mikkelsen e Ostberg vão tentar lutar por este lugar. Vamos é ver se Latvala não sai de estrada ou dá algum toque que comprometa mais uma prova.
Se há alturas boas para ganhar, o último jogo na Madeira foi o melhor exemplo disso.
Aproveitar a vitória de um FC Porto que parecia encostado às cordas, mas que se reergueu e provar estar na corrida, era obrigatório.
Admito que começa a parecer estranho estar no topo, falta de hábito que nos provoca arrepios na barriga e nos obriga a recuar uma data de anos, até à última vez, essa em que gritámos mais alto e vencemos.
Este sucesso desportivo tem, na minha modesta opinião, um grande responsável que se senta diariamente na sua “cadeira de sonho”. Bruno de Carvalho ressuscitou o Sporting Clube de Portugal, assumindo todos os riscos, que à data, eram mais que muitos, preso a um ideal de vitórias, com a mira apontada ao sucesso.
O Presidente adepto como muitos gostam de o chamar, é alguém que, quanto mais não seja, apelou à devoção sportinguista e uniu todos em redor de um bem maior.
A estrutura leonina ganhou experiência e astúcia, e personalizou-se não apenas no nosso Presidente. Está nas garras de cada leão que vai ao estádio, assiste às vitórias e volta ao trabalho no dia seguinte, estranhando a falta de “sapos engolidos” outrora.
E hoje creio que toda a dinâmica criada em volta do Sporting CP é a maior e mais merecida vitória de todos os que trabalham em prol desse objetivo.
Seria injusto responsabilizar uma só pessoa por isso, essa mesma que recebe (merecidamente) os louros, mas não o incomoda partilhá-los com o resto dos elementos diretivos. E sim, num clube como tudo na vida é o grupo que conta, é a heterogeneidade que torna tudo tão efetivo.
Depois de Soares Franco, José Eduardo Bettencourt e Godinho Lopes, era quase impossível ter alguém tão incompetente ao leme de um grande navio a precisar de uma reforma gigante que o fizesse voltar a águas profundas, sem receio de embater nas ondas de frente, confiante na força e coragem dos seus marinheiros.
O vai e vem de jogadores, uns que nunca o foram, outros que deixaram saudade, mas que a crise financeira do clube não permitiu que ficassem; o estádio quase sempre meio cheio; a descrença; a seca de títulos. O panorama adivinhava-se cinzento e a tristeza ia-se apoderando das conversas mais envergonhadas à porta de Alvalade.
As vitórias conseguidas em Paços de Ferreira e na Madeira têm que ter seguimento nos jogos em casa frente a equipas de menor dimensão Fonte: Sporting CP
Faltava-nos essa tal de estrutura tanta vez discutida aquando da vinda de Jorge Jesus para o Sporting CP. O que é a estrutura? Como funciona? Como se constrói?
A resposta a esta última interrogação é muito mais complexa do que aparenta. Primeiro porque não tem uma resposta correta, depois porque cada um interpreta o termo à sua maneira.
Se ganharmos a estrutura está ótima de saúde, se perdermos, abaixo com ela.
Uma verdade à La Palisse, convenhamos.
Quando os alicerces de qualquer edifício não são os mais sólidos, mais tarde ou mais cedo vamos ter problemas, e deixando a Filosofia um pouco de lado, são comparações que me parecem credíveis e oportunas, não foi apenas a mudança de treinador que nos deu estabilidade.
Um grupo repleto de prata da casa aliado à chegada de bons jogadores potenciou a qualidade da equipa, comandada também por um excelente treinador, que conhece o futebol português como poucos.
Estamos onde queria chegar: A estrutura tornou tudo isto possível.
O balneário está mais blindado que nunca, a confiança é evidente, a empatia entre as bancadas e os jogadores está a tornar-se apaixonante, o respeito dos adversários é uma realidade que há muito estava perdida e a sede de vitórias é do tamanho do mundo verde e branco, de todos os que torcem e sofrem pelo Sporting CP, em Portugal ou no estrangeiro, a vinte ou a três mil quilómetros.
No final da época, mesmo que não ganhemos nada, teremos orgulho na equipa e no clube e sorriremos nas tristezas porque sabemos que centenas de pessoas, trabalham diariamente, para que mais cedo ou mais tarde voltemos ao topo do futebol europeu. A estrutura também vence campeonatos.
“Trifon Ivanov irá permanecer na história do futebol búlgaro como um dos melhores defesas de sempre (…). Antes de ser um grande jogador, Trifon era um grande homem com um grande coração e sempre pronto a ajudar…”- Foi com estas sentidas palavras que a Federação Búlgara de Futebol se despediu de Trifon Ivanov, o antigo internacional por aquele país da península dos Balcãs, que faleceu na noite da passada sexta-feira, dia 12 de Fevereiro, vítima de ataque cardíaco.
Trifon Ivanov é um nome que certamente não é estranho a todos aqueles que seguem futebol há pelo menos duas décadas. Se Ivanov é um nome relativamente banal para a parte leste do velho continente, Trifon é quase imediatamente associado àquele defesa central búlgaro das décadas de 1980 e 1990, que tinha um cabelo comprido e mal cortado e uma barba desarranjada que lhe conferiam um ar que misturava rebeldia com um certo quê de desleixo. Trifon era assim, o improvável jogador de futebol profissional, que brilhou ao mais alto nível no Mundial de Futebol de 1994 nos Estados Unidos da América, onde contribuiu – e de que forma! – para que a selecção búlgara atingisse as meias-finais da competição, onde caiu às mãos da poderosa Itália de Roberto Baggio e seus pares.
Trifon Ivanov nasceu em 1965 na chamada cidade dos Czares, a misteriosa e emblemática Veliko Tarnovo, que serviu de capital ao Segundo Império Búlgaro entre o século XII e o XIV. O jovem rebelde começou a sua carreira FC Etar na sua cidade natal, mas aos 23 anos de idade mudou-se para a capital para representar o poderoso PFC CSKA Sofia. Ivanov esteve durante dois anos ao serviço dos Армейците, onde privou, entre outros, com Hristo Stoichkov e Emil Kostadinov, e onde viveu o período no qual o clube havia perdido o direito de se denominar CSKA Sofia e dava pelo nome de Sredets, após a batalha campal na qual se tinham envolvido uns anos antes na final da Taça da Bulgária contra o Levski Sofia.
Trifon Ivanov ao serviço do Real Betis no inicio da década de 1990 Fonte: 7dnifutbol.bg
A queda do governo comunista de Todor Zhivkov e a atribulada transição democrática no antigo aliado de ouro da URSS lançaram a confusão no país e proporcionaram aos futebolistas de maior craveira a possibilidade de prosseguirem as suas carreiras no exterior. Trifon Ivanov assim o fez e em 1990 chegou à Andaluzia para representar o Real Betis Balompié. As “novas liberdades” ocidentais não foram fáceis de assimilar e a experiência de Trifon no emblema da Andaluzia começou da pior forma. Chegar tarde aos treinos, fumar nos balneários e conhecer como ninguém todos os recantos de diversão nocturna da cidade andaluz faziam parte das rotinas de Trifon Ivanov no Real Betis, mas nem por isso os adeptos deixavam de o admirar e de o ter em grande estima. Pouco tempo depois da sua chegada, Ivanov assumiu um peso importante na equipa e a entrega que demonstrava em todos os jogos fez com que chegasse a capitão da mesma. O “Lobo Búlgaro”, como era conhecido à conta do seu aspecto pouco convencional, insultava os adversários, jogava duro, mas com o coração, e, de quando em vez, punha em prática o seu forte pontapé de fora da área, através do qual conseguiu apontar vários golos. Entre 1990 e 1993, Ivanov participou em pouco mais de meia centena de jogos oficiais com o Real Betis, mas a sua indisciplina e a falta de consistência exibicional fizeram com que durante esse período fosse emprestado em duas ocasiões, primeiro ao FC Etar e depois ao PFC CSKA Sofia.
Ivanov não conseguia encontrar a estabilidade necessária para o desenvolvimento da sua carreira e em 1993 mudou-se de malas e bagagens para o futebol suíço para representar o Neuchâtel Xamax FCS, mas a experiência helvética não durou muito tempo. Em 1995, após mais um empréstimo ao PFC CSKA Sofia, Trifon assinou pelo SK Rapid Wien, onde passou, eventualmente, alguns dos melhores tempos da sua carreira e teve a possibilidade de jogar a final da extinta Taça dos Clubes Vencedores das Taças contra o poderoso Paris Saint-Germain FC, que os gauleses venceram por 1-0 com um golo de Bruno N’Gotty.
Trifon Ivanov a estender a mão a Roberto Baggio no Mundial de 1994 Fonte: revistaplacar
Ivanov pendurou as botas em 2001, quando representava o Floridsdorfer AC, um clube modesto dos escalões inferiores do futebol austríaco, que era, segundo dizem, propriedade de um amigo seu.
Trifon desligou-se do mundo do futebol e investiu o seu dinheiro no mercado dos combustíveis. Engordou e envelheceu rapidamente, mas nem por isso deixou de fumar e de beber mais do aquilo que devia. A rebeldia dos seus verdes anos continuava lá e nem o facto de uma vez ter alegadamente comprado um tanque de guerra para se divertir com os amigos serviu para saciar esse seu lado mais selvagem. Trifon Ivanov foi um outcast, um homem que o sistema autoritário não conseguiu vergar, mas que também não soube encontrar um espaço para si nas ditas liberdades ocidentais. Trifon foi grande, mas foi grande à sua maneira e a sua morte deixou indubitavelmente o mundo do futebol bastante mais pobre. СБОГОМ, Трифон Иванов! (ADEUS, Trifon Ivanov!)
O Sporting iniciou ontem, com nota artística, um ciclo de jogos bastante difíceis. Os “leões” bateram de forma clara e justa o Nacional da Madeira por 4-0, regressando à liderança isolada da Liga.
Na Choupana, onde averbou a única derrota do campeonato até agora, frente ao União da Madeira, os pupilos de Jorge Jesus (JJ) entraram fortes no jogo, com um golo de Slimani, e a partir daí foi um desfile de classe e liderança.
João Mário esteve ao seu nível e até marcou um golo; Adrien e William estiveram irrepreensíveis no controlo das operações a meio campo; Slimani fez o que lhe competia, e Bryan Ruiz voltou a abrir o livro (o túnel a Rui Correia que resulta no primeiro penalti é simplesmente genial). Sobre os golos, um apontamento importante: o primeiro surgiu de um pontapé de canto que foi batido de forma rara no Sporting desta época – no lado esquerdo do ataque, pelo pé direito de João Mário.
Geralmente, JJ tem preferido que seja um jogador canhoto a bater do lado esquerdo e um destro do lado direito. Ou seja, cantos batidos com a bola a fugir da baliza. Eu prefiro a forma como foi batido este canto do golo, com o arco a fazer a bola aproximar-se da baliza e, assim, qualquer desvio é sempre mais perigoso e mais capaz de resultar em golo.
A nível defensivo, nota extremamente positiva para a nova dupla de centrais, formada por Sebastián Coates e Ruben Semedo. Ambos estiveram impecáveis, sem grandes invenções no plano técnico e seguros perante Salvador Agra e Soares, os atacantes nacionalistas.
Zeegelaar também está a melhorar de jogo para jogo, o que é um alívio para as hostes leoninas, que temiam problemas graves devido à lesão de Jefferson. Um último realce para Carlos Mané. Gosto muito de o ver jogar na equipa do Sporting, é um elemento acarinhado pela massa associativa e que merece mais oportunidades, deixando um pouco para trás o mais jovem do grupo, Matheus Pereira.
Adrien e Slimani, o comandante e o atirador deste Sporting Fonte: Sporting CP
Um facto curioso é que, se olharmos para os cinco jogos até agora decorridos na segunda volta, em comparação com os encontros frente a essas mesmas equipas na primeira metade da competição, o Sporting conseguiu sempre melhores resultados fora de casa. Frente ao Tondela, vitória fora e empate caseiro, o mesmo cenário nos encontros frente ao Paços de Ferreira e Rio Ave.
No balanço dos encontros com Académica e Nacional, podemos verificar que os “leões” venceram ambas as partidas, mas as vitórias fora de casa foram sempre mais dilatadas e bem mais tranquilas do que em casa. Com o ambiente fabuloso, até mágico que se vive em Alvalade jogo após jogo, é difícil de perceber esta ideia, mas é matéria de facto: o Sporting tem-se dado melhor a jogar fora de portas. Espero que, na próxima segunda feira, esta lógica seja invertida, dado que empatámos no Bessa e não seria nada bom ter outro mau resultado em casa.
Os dois próximos jogos do campeonato, essa receção ao Boavista e a visita a Guimarães, são fulcrais. A equipa de Jorge Jesus regressou à liderança isolada e estes serão os dois jogos que antecedem a receção ao Benfica. Três jornadas que poderão dar um alento importantíssimo na corrida pelo título. Com certeza, não me esqueci dos jogos da Liga Europa. As duas partidas com o Bayer Leverkusen vão ser bastante duras e competitivas, ao bom estilo alemão, e Jorge Jesus terá de gerir com pinças a utilização dos seus quatro ases de trunfo: João Mário, Adrien Silva, Bryan Ruiz e Slimani.
Estes quatro jogadores são o motor e a grande força atual do Sporting, sem qualquer margem para dúvidas. E quando me refiro à gestão de utilização, não falo só da gestão física; a gestão disciplinar também está no meu pensamento. William, Adrien e Slimani estavam em risco de exclusão se vissem o cartão amarelo; apenas o médio defensivo o viu, ficando assim castigado para o jogo com o Boavista. Assim sendo, Slimani e Adrien estão em risco de falhar a batalha de Guimarães ou o dérbi com o Benfica. Sinceramente, não quero que fiquem fora de nenhum deles, mas não me parece que isso vá acontecer, até porque o argelino ainda poderá ser castigado por uma daquelas agressões que só são agressões para um lado.
Na Liga Europa, acho que o Sporting terá de tentar passar esta eliminatória, mas mantendo o foco principal na Liga. Ricardo Esgaio, devido às ausências de Zeegelaar e Jefferson, deverá ser titular na próxima quinta-feira pelo flanco esquerdo da defesa. Carlos Mané, Aquilani e Gelson Martins seriam, na minha ótica, outros elementos a ter em linha de conta para as partidas com os germânicos. Considero que o campeonato tem de ser, absolutamente, o foco total do grupo leonino. É esta competição que dará mais gozo aos adeptos em vencer e é nesta competição que terão de jogar sempre os melhores, sem quaisquer poupanças.
Uma última nota para os jogos em Alvalade: os jogadores têm de entrar sempre a todo o gás, sempre à procura de marcar o mais rapidamente possível. Só assim tornarão as partidas mais simples e só assim o sonho ficará mais perto das mãos… está na hora, Sporting!
O Euro 2016 terminou hoje em Belgrado e coroou um novo campeão, depois da vitória da Itália em 2014. Ao longo destes últimos 11 dias vimos um total de 12 equipas a lutar com as suas armas para tentar levar o troféu de campeão para casa, e no final apenas sobraram duas equipas para disputar o cetro, após ultrapassarem todos os seus obstáculos até à grande final: Espanha e Rússia, sendo de salientar que a equipa do Cazaquistão se tornou o primeiro estreante da história a garantir uma medalha, ao levar de vencida a turma da casa, a Sérvia, por 5-2, no jogo de atribuição dos terceiro e quarto lugares.
A grande surpresa pela positiva desta competição é obviamente a equipa leste-europeia do Cazaquistão, que demonstrou todo o seu potencial ao surpreender a Itália, nos quartos-de-final, e levou para casa a medalha de bronze, apoiada no talento dos jogadores brasileiros naturalizados cazaques, que formam a espinha dorsal da equipa desta nação.
As grandes desilusões acabam por ser a formação transalpina, a par da seleção de Portugal, pois, se por um lado a campeã em título caiu aos pés da grande surpresa da competição, nós não conseguimos impor a nossa qualidade como uma das grandes potências continentais e ficámos atrás da Sérvia na fase de grupos, apanhando logo a Espanha nos quartos-de-final.
O espanhol Miguelin foi um dos melhores marcadores do torneio Fonte: UEFA
Na grande final, que decorreu durante o dia de hoje, a Espanha impôs-se com facilidade diante de uma equipa russa desfalcada pelo castigo aplicado a Eder Lima, resultante da expulsão na meia-final, por claros 7-3, num jogo sem grande história e onde a Espanha pareceu sempre mais forte do que o coletivo russo.
É de realçar também que os jogadores espanhóis Mário Rivillos e Miguelin dividiram a Bota de Ouro relativamente ao melhor marcador, ao somarem seis golos e quatro assistências, seguidos pelo seu compatriota Alex, que também marcou seis golos mas só somou duas assistências, levando assim a Bota de Prata, e pelo sobejamente conhecido Ricardinho, que marcou os mesmos golos mas não somou qualquer assistência e leva por isso a Bota de Bronze, merecendo destaque redobrado pois conseguiu este feito em apenas três jogos.
Com esta conquista, a Espanha eleva para sete as vitórias em campeonatos europeus e reconquista um troféu que havia sido conquistado pela última vez em 2012.
O Sporting CP regressou ao Estádio da Madeira – local onde perdeu pela única vez no campeonato – sabendo que no caso de pontuar frente ao CD Nacional voltaria a assumir a liderança isolada do campeonato português. Ultrapassadas as ameaças de novo adiamento de uma partida do Nacional devido ao nevoeiro, os leões apresentaram-se no relvado com uma novidade no onze. Jorge Jesus “corrigiu” o erro do jogo frente ao Rio Ave e deixou Teo no banco, sendo Ruiz o parceiro de ataque de Islam Slimani.
Após a exibição triste e sem cor na passada segunda-feira em Alvalade, o jogo na Choupana começou da melhor maneira com um grande cabeceamento de Slimani, correspondendo da melhor forma ao primeiro canto da partida. Aos três minutos, Super Sli dava ao Sporting a liderança no jogo e no campeonato; o golo madrugador deu tranquilidade à equipa de Jorge Jesus na partida, acabando por mostrar um registo de jogo que já não se via desde a vitória em Paços de Ferreira.
Com Ruiz próximo de Slimani e Bruno César na esquerda, o Sporting era uma equipa mais entrosada e móvel, colocando desta forma a defensiva insular em sentido e criando muito perigo para Gottardi. Perto dos vinte minutos, Slimani isola Ruiz, que bate o guardião da equipa da casa, mas a equipa de arbitragem anula (mal) o golo do costa-riquenho.
Do lado insular, Willyan e Salvador eram insuficientes para contrariar o ímpeto dos leões, tentando em velocidade surpreender a defesa leonina. William Carvalho voltou a estar bem nesta primeira parte, melhor no capítulo defensivo do que a construir jogo, algo que ficava sempre a cargo de Adrien Silva, Ruiz e João Mário. Sinal positivo também para João Pereira, muitas vezes o “patinho feio” da equipa de Jorge Jesus mas que conseguiu entrosar-se nas jogadas de ataque dos leões.
Até ao intervalo, registo apenas de um remate ao lado de Carlos Mané, que substituiu o lesionado Bruno César, não aproveitando da melhor forma um passe de morte de Slimani.
Slimani – sempre ele – voltou a dar vantagem aos leões com um excelente golo de cabeça Fonte: Sporting CP
O reatamento da partida trouxe poucas novidades para o jogo; o Sporting continuou a ser dominante, não deixando a equipa de Manuel Machado sair com a bola controlada do seu próprio meio-campo. Com dez minutos disputados, Bryan Ruiz – já dentro da área do Nacional – faz um túnel a Rui Correia, que acaba por cortar a bola com a mão; na transformação da grande penalidade Adrien bate Eduardo Gottardi e coloca os verdes-e-brancos ainda mais na frente do jogo. O jogo acabou por ficar fechado e a equipa alvinegra – uma sombra do Nacional doutras épocas – cada vez mais desconcentrada ofereceu mais um golo aos leões, desta vez apontado por João Mário, após remate à barra de Islam Slimani.
Com o terceiro golo, os leões acabaram por baixar os níveis de intensidade na partida, baixando a pressão perto da área de Gottardi e gerindo a posse de bola, passando a jogar mais em contra-ataque. Jorge Jesus aproveitou para fazer descansar Adrien e Zeegelaar, colocando em campo Aquilani e Schelotto, e foi mesmo o italo-argentino que conseguiu ganhar (mais) um penalti – a falta de Sequeira foi fora da área -, dando a oportunidade a Slimani de bisar na partida e aproximar-se de Jonas na lista de melhores marcadores.
Vitória justíssima dos leões, e por números que se adequam ao que se passou em campo. O Sporting voltou a responder de forma positiva a uma deslocação que poderia ter contornos complicados e, à semelhança do que se passou em Paços de Ferreira, a mostrar que é uma equipa preparada para lutar até ao fim pelo título.
A Figura:
Islam Slimani – Começam a faltar as palavras para descrever a entrega ao jogo do avançado argelino. Slimani é um exemplo de trabalho, de dedicação e esforço, com o bónus de ser o melhor avançado do Sporting desde a saída de Liedson. Uma injustiça será feita se castigarem o ponta de lança leonino.
O Fora-de-Jogo:
CD Nacional – Vir jogar à Choupana foi, durante muitas épocas, um momento de aflição para o Sporting CP e para qualquer equipa do campeonato português. Esta equipa insular é uma fraca imagem do Nacional que contava com Rúben Micael, Benaglio, Salino, Mateus ou Rondón.
Isco não entrará de início neste sábado no jogo que opõe o Real Madrid ao Athetic de Bilbao; jogará Kovacic. E não sou eu que o digo; foi o próprio Zidane que resolveu divulgar tal informação na conferência de imprensa de antevisão ao jogo, porque diz querer dar descanso a Isco. Vendo o ar surpreendido dos jornalistas perante tal revelação pré-jogo, Zidane acrescentou: “Estou a dizer isto… Porque quero dizer”. Mas eu sei que não é só por isso.
A explicação de Zidane não tem sentido. Isco era muito pouco utilizado com Benítez, nos dois meses anteriores à chegada do treinador francês. Jogou apenas 41 minutos, repartidos por dois jogos. É certo que, desde a mudança de treinador, Isco tem sido sempre titular, mas o Real está a jogar apenas uma vez por semana, ou seja, jogou cinco vezes nas últimas cinco semanas, e em três delas nem sequer fez os 90 minutos. Por que raio é que é necessário dar-lhe descanso? Aos 23 anos não aguenta jogar uma vez por semana? A explicação não cola, e ainda fará menos sentido se considerarmos os tempos de utilização de Modric e Kroos, que, esses sim, talvez agradecessem uma pausa.
Isco celebra um golo com a camisola do Real Madrid Fonte: Facebook Oficial de Isco
Além disso, Kovacic nem sequer é um jogador com o mesmo perfil que Isco; tem mais características de médio-centro, enquanto Isco é mais desequilibrador e costuma jogar mais descaído para uma ala, embora também possa jogar ao meio. Se a opção de Zidane tivesse como único objetivo dar descanso ao jogador malaguenho, o seu substituto deveria ser alguém com o mesmo estilo de jogo.
Na minha opinião, a verdadeira razão por que Zidane vai trocar Isco por Kovacic prende-se com o reforço do meio campo. O Bilbao, ainda que desfalcado e jogando no Bernabéu, é um adversário mais difícil do que os anteriores que se têm atravessado no caminho do Real nos últimos tempos e parece-me fazer sentido que Zidane pretenda ter alguém a ajudar mais Kroos e Modric no centro do terreno. Mas o Real Madrid é um clube muito especial, em que reconhecer isto poderia não soar bem: por isso, Zidane inventou a desculpa do cansaço e lançou-a já com antecedência, para evitar que começassem a surgir muitas questões amanhã (sábado) quando o onze fosse revelado. Deixar uma estrela no banco (e estamos a falar de Isco, que está longe de ser Ronaldo ou Bale) é mal visto em Madrid, ainda que seja com o objetivo de melhorar o rendimento coletivo.
Agora, é esperar que Bale continue lesionado mais tempo. Não que Bale seja mau jogador, obviamente, mas porque jogar com Bale, Benzema, Ronaldo, James e Isco contra equipas mais fortes é um suicídio. Um dos (muitos) azares de Benítez foi ter tido todas as estrelas à disposição na semana em que recebia o Barcelona. Assim, “teve” de entrar com a equipa super ofensiva que os adeptos tanto queriam e abdicar do seu estimado Casemiro. Aquele 0-4 foi o princípio do seu fim.
Depois de um desaire inesperado em casa contra o Arouca, eram poucos os que acreditavam que o FC Porto conseguisse fazer frente ao melhor ataque do campeonato e à equipa que estava a jogar melhor futebol nas últimas jornadas. A equipa azul e branca apresentou-se na Luz com dez dos seus habituais 11 titulares. Chidozie estreou-se com a camisola dos Dragões e aproveitou a ausência de Maicon e Marcano para ser um dos melhores jogadores em campo. O Benfica contava com a sua máquina goleadora afinada e com o onze que goleou o Belenenses na última jornada. Só a chuva é que tinha ambição de tentar incomodar o clássico mas nem isso estragou o que foi um grande jogo de futebol.
O Porto procurou assumir o jogo desde o início, mostrando que a derrota contra o Arouca estava para trás das costas e que estava na Luz para reentrar na luta pelo título. Depois de um começo de grande intensidade e de uma oportunidade falhada por Pizzi, foi dos pés de Renato Sanches que saiu o passe para o golo do grego Mitroglou, que dava a vantagem ao Benfica aos 18 minutos de jogo. A resposta da equipa da Invicta não tardou e surgiu com um grande remate fora da área de Herrera. Golo merecido dos azuis e brancos, uma vez que entraram em campo com vontade disputar o jogo e de encostar o Benfica.
Herrera voltou a ameaçar a baliza de Julio César da mesma forma uns minutos depois mas, desta vez, o remate saiu ao lado. O Benfica procurou responder mas, infelizmente para a equipa encarnada, o jovem nigeriano Chidozie estreou-se a um grande nível e mostrou-se perfeito na defesa, uma vez que interceptou muitos passes e não abriu espaço para falhas de marcação ou de posicionamento. Antes do intervalo, Iker Casillas fez uma das muitas intervenções que efetuou ao longo do jogo, a um remate de Jonas. A primeira parte foi muito disputada e o empate era considerado o resultado mais justo dadas as oportunidades criadas pelo Benfica e pela vontade e entrega do FC Porto.
Na segunda parte o Benfica entrou mais forte, falhando sobretudo no momento da decisão. Valeu uma noite inspiradíssima de Iker Casillas, que defendeu os remates de Gaitán (52′), Mitroglou (68′) e até um corte defeituoso do defesa central Indi (67′). O jogo começou a tornar-se partido na última meia hora, e, com um Brahimi e Corona pouco inspirados, o Porto dependeu muito da consistência do seu meio-campo e no domínio de Danilo Pereira, que estava em todo o lado e procurou envolver-se em todas as fases do jogo.
O Momento da Reviravolta
Foi aos 64 minutos que Aboubakar consumou a reviravolta azul e branca e estabeleceu o que viria a ser o resultado final. O Porto mostrava-se mais eficaz e mais objectivo do que o Benfica, que na fase final do jogo já apresentava um enorme desgaste e falta de clareza nas decisões. Com as substituições de José Peseiro, o Porto continuou a dominar o meio campo e a ter poder ofensivo com os frescos Marega e Varela. A equipa encarnada não conseguiu criar oportunidades nos últimos minutos para desespero dos adeptos, e o Porto conseguiu uma vitória arrancada “a ferros” mas que é importantíssima na luta pelo título.
É de realçar a arbitragem de Artur Soares Dias, que desempenhou de forma exemplar o seu papel, deixando jogar e ignorando as manhas típicas de Clássico por parte dos jogadores de ambos os lados.
A Figura:
Iker Casillas – O guarda-redes espanhol voltou a ser feliz no Estádio da Luz depois de defesas decisivas. Foi o melhor jogador em campo com toda a justiça.
O Fora-de-Jogo:
Nicolas Gaitán – Desde que voltou de lesão o argentino não tem estado ao nível a que habituou os adeptos benfiquistas. Hoje teve uma exibição pobre muito devido à grande exibição de Maxi e de Chidozie.
Esta manhã, no sobrelotado metropolitano de Lisboa, as conversas centravam-se, quase exclusivamente, no clássico de mais logo; era assim onde eu estava, mas também, como mais tarde pude confirmar, nos locais de trabalho ou de lazer um pouco por todo o país. Naquela carruagem, os dois homens que conversavam sob a minha atenção dissimulada não discutiam que equipas utilizar, nem sequer qual seria o vencedor do jogo, mas apenas e só qual a diferença que o marcador assinalaria (a favor do SL Benfica) depois de disputados os 90 minutos; a conclusão foi, no mínimo, curiosa: “seria engraçado se fossem meia dúzia”. Na altura, ao ouvi-los, recordei outros momentos de excesso de confiança – o futebol (tal como a vida) já nos ensinou, a todos nós, que nada nos é oferecido assim, de mão beijada, e que é preciso respeitar o adversário do princípio ao fim. Sobretudo se o rival se chama FC Porto e o seu orgulho se encontra ferido.
O Benfica perdeu e, apesar de se poder queixar, essencialmente, de si próprio – depois de um festival de golos falhados e da incompreensível incapacidade para travar as transacções ofensivas do adversário – é justo referir que o FC Porto realizou, esta noite, a sua melhor exibição deste ano e, muito provavelmente, do campeonato. Os dragões foram competentes em (quase) todos os momentos, na defesa e no ataque, com destaque para Iker Casillas, que provou, finalmente, no nosso país, pertencer ao lote dos grandes nomes da história do futebol mundial. A luta pelo título continua em aberto e, na verdade, agora com três envolvidos. Ontem à noite, na Luz, o FC Porto fê-lo por merecer.
A receita utilizada pelas duas equipas não surpreendeu. Por um lado, o Benfica, com mais posse de bola, um jogo apoiado numa circulação envolvente, de trás para a frente, capaz de criar desequilíbrios e inúmeras situações de concretização em superioridade numérica na frente de ataque; por outro, o FC Porto, defendendo à zona, apoiando-se num miolo combativo capaz de potenciar a velocidade dos homens da frente, em rápidas transacções ofensivas, com lançamentos para as costas das laterais contrárias. O destaque dos “onzes” vai, essencialmente, para as apostas em Lindelof, do lado dos visitados, e no nigeriano Chidozie, no lado dos visitantes; os dois “centrais” cumpriram os seus papéis, sentindo, todavia, algumas dificuldades em vários momentos da partida.
O Benfica entrou confiante e personalizado, à imagem das jornadas anteriores, onde somou um notável registo de invencibilidade. Com o “Inferno” a apoiar, parecia que, mais cedo ou mais tarde, se chegaria a uma conclusão satisfatória. Pizzi, bem cedo, deixou o aviso, mas foi aos 18 minutos, fechando um período de superioridade territorial, que o estádio “explodiu” pela primeira (e única) vez: num lance de insistência, Renato Sanches – o melhor dos encarnados – ganhou na raça e serviu Mitroglu, que, só com Casillas pela frente, não perdoou.
O golo de Mitroglu deu vantagem ao Glorioso; o pior veio depois
Pensou-se que o Benfica poderia partir para uma noite tranquila, confirmando o favoritismo que lhe era atribuído. A “febre” do golo, porém, afectou toda a equipa, que, estranhamente, nos dez minutos que se seguiram, não mais conseguiu pegar no jogo, permitindo ao opositor controlar o esférico e, sobretudo, empurrar a linha intermédia encarnada para junto da sua defesa. O FC Porto, até então inofensivo, teve a oportunidade para se chegar junto da baliza de Júlio César e, aos 28 minutos, sem surpresa, Herrera teve tempo e espaço para, à entrada da área, desferir um remate à flor da relva (molhada), bem junto à base do poste do guardião brasileiro, que, apesar do esforço, nada pôde fazer para evitar o empate.
Ao contrário do que se poderia esperar, este golo fez bem à equipa do Benfica, que, rapidamente, recuperou o seu registo. Comprovando as suas qualidades técnicas, individuais e colectivas, os encarnados foram em busca de repor a vantagem e, até ao intervalo, apenas uma desusada ineficácia ofensiva permitiu que o placard não sofresse alterações. Foi uma mão cheia de oportunidades flagrantes que Jonas (34’), Mitroglu (37’) e Samaris (43’) – e até Corona (39’), naquilo que seria um notável auto-golo –, não tiveram arte ou engenho para concretizar, levando ao desespero os 65 mil presentes nas bancadas e os muitos milhões espalhados pelos quatro cantos do mundo. Ao intervalo, o FC Porto podia agradecer o empate a Iker Casillas e, sejamos justos, à dose de sorte que o destino lhes reservou.
Balde de água gelada
A segunda parte acabou por se revelar uma grande desilusão. O Benfica não mais conseguiu superar o desperdício e, gradualmente, foi-se notando a quebra anímica – e rapidamente física – que afectou todo grupo, preso pelas correntes da desinspiração e do azar. Na etapa complementar, o FC Porto foi melhor, perante umas águias já menos esclarecidas, mal posicionadas e desajeitadas no capítulo do passe e do remate. Contra a corrente, Gaitán, aos 52 minutos, num contra-ataque na sequência de um canto favorável ao FC Porto, quase marcou – nova intervenção de Iker Casillas –, mas, na verdade, eram os dragões que, nesta fase, chegavam com mais perigo junto da baliza contrária. Pela ala esquerda, Brahimi e Aboubakar foram ensaiando, uma e outra vez, a jogada que, aos 65 minutos, resolveu a contenda.
Com o coração – apoiados num notável apoio do público –, o Benfica tentou salvar pelo menos um ponto, no entanto, a equipa, em desvantagem, revelou demasiada ansiedade na hora de pensar o jogo ofensivo, resolvendo mal, quase sem excepções, as situações de que dispôs. A melhor oportunidade do Benfica para chegar à igualdade chegou dos pés de Bruno Martins Indi (67’), que, num remate fulminante contra a sua própria baliza, quase recolocava as coisas como no início; o lance proporcionou a defesa da partida, acabando apenas por confirmar Iker Casillas como o melhor em campo.
O “Inferno” da Luz apoiou a equipa do princípio ao fim
O Benfica voltou a fraquejar diante de um adversário do “seu” campeonato. Apesar de estar tudo em aberto, a verdade é que as contas ficam agora bem mais complicadas na corrida ao título. Faltam 11 jogos para o final e, neste momento, não há margem para errar. Em desvantagem no confronto directo com o FC Porto (e, claro, com o Sporting), o Benfica terá de vencer, praticamente, todos os seus jogos até ao fim, caso queira regressar ao Marquês e festejar o tão ansiado tricampeonato. Não é impossível – como ficou provado bem recentemente –, mas é preciso atentar no que hoje correu menos bem, corrigindo, rapidamente, algumas situações que, certamente, serão melhor detalhadas nos dias que se seguem. Se é verdade que os campeonatos se ganham contra os “pequenos”, não me recordo de nenhum campeão que tenha perdido todos os seus jogos contra os adversários directos – é preciso vencer em Alvalade!
A Figura:
Iker Casillas realizou a melhor exibição desde que chegou ao Dragão. O guarda-redes espanhol provou deter ainda as qualidades que o fizeram atingir o patamar de lenda de um colosso como o Real Madrid. Finalmente, os adeptos podem enviar um agradecimento a Julen Lopetegui.
O Fora-de-Jogo:
Rui Vitória falhou a toda a linha. Demorou a corrigir posições, permitindo que a equipa se enredasse na estratégia montada por José Peseiro. A meio da segunda parte, em desvantagem, a equipa já não dependia do colectivo. As substituições não resolveram os problemas – no meio, agravaram-nos – e a decisão de fazer entrar um Salvio sem ritmo, para um jogo desta importância, parece-me, no mínimo, caricata.
Ora então cá estou eu, e pela primeira vez desde que pertenço a esta equipa, a escrever estando o meu clube… em Primeiro (Afinal não mudou muito). Mas é um primeiro que não sabe tão bem, até porque nestas coisas sou um bocado egoísta. Gosto de estar sozinho. Como se costuma dizer, antes sozinho, do que com companhias que não nos apraz ter (para ser mais soft).
Ah, mas como eu estava a dizer, estamos em primeiro. Pois é, em primeiro… Estou a reforçar até para alguns Sportinguistas que andam por ai de cabeças baixas, a dizer que agora gostavam era de ser adeptos de um clube rival, que o seu antigo clube já não presta… (Desculpem se interpretei mal as vossas palavras).
Falando também para os que são adeptos e sócios desse clube rival, que agora têm o prazer de nos fazer companhia no topo da tabela, como segundos… Virão dizer que não são segundos mas primeiros, porque as regras do meio do campeonato não são iguais… blá, blá blá… Vou-vos então fazer uma proposta, e vejam lá se não estou a ser amigo…
Se estão contentes por estar no lugar que estão, uma vez que já rejubilam pelas redes sociais, como se tivesse ganho, sugiro que fiquemos então de mãos dadas (e nem sabem o que me custa) até ao fim da última jornada. Em compensação ainda vos deixamos empatar em Alvalade. O que acham? Ficariam felizes, não? Tenho a certeza que se estão felizes agora, também o ficarão depois. Eu ficaria.
Voltando aos que querem agora poder ser adeptos de outros clubes, porque não se sentem bem a apoiar o seu clube, principalmente quando ele precisa ser apoiado. Aviso-vos só que tenham cuidado, porque os outros podem não vos aceitar lá no lado deles. E no fim das contas podem estar tão baralhados entre esses dois amores, que podem nem conseguir festejar em nenhum dos lados.
Apesar de possível, uma vitória do Benfica em Alvalade que anule o resultado da primeira volta afigura-se difícil Fonte: Sporting CP
Concordo que não se concorde com tudo o que é feito no nosso clube, até porque nem tudo é perfeito, tudo ali é feito por seres humanos “cheinhos” de falhas (não se riam o outros, porque também as têm). Temos uma direcção de pessoas, com falhas, que erram, a quem só peço que errem menos que os rivais. Temos uma equipa técnica, imagine-se, composta por pessoas, que falham, e como falham, não fosse eu um dos grandes críticos desde sempre, mas que com certeza, e porque têm pessoas diferente a ajudá-los, poderão falhar menos vezes. Por fim, temos uma equipa de futebol, composta por pessoas, que falham, mas têm falhado tão pouco se compararmos com o que têm falhado em anos anteriores.
Os campeões também se fazem disso. Falharem, mas aprenderem com as falhas e melhorarem. E como melhoraram…
Como as pessoas são afectadas no seu desempenho, tanto fisicamente como psicologicamente, é natural que em determinadas fases se tomem decisões menos acertadas, os passes não sejam tão acertados, as fintas não sejam como desejam, mas tudo isso faz parte do processo, e é passageiro. A nossa equipa está agora a ter esse momento menos bom, outros ainda o terão. E por isso é que só no fim se fazem as contas.
Mas falando ainda de pessoas, que reagem conforme a sua forma física ou todo o ambiente que os rodeia, quero ainda falar aqui de como será difícil para jogadores que estavam a fazer tudo bem, não verem o seu esforço recompensado, só porque alguém que por ali andava era incompetente, ou só porque queria fazer birra contra o Sporting. É que será muito complicado para um jogador perceber que não valerá a pena esforçar-se, porque outras forças valem mais do que o jogo jogado. Forças que pesam mais na resolução do vencedor do que a própria competência dos jogadores e jogo de equipa, dentro do campo de futebol.
Notou-se já, nos últimos jogos, que os jogadores do Sporting não estão tão confiantes, já não acreditam que valha a pena lutar contra determinadas forças. Pode ser também uma baixa de forma da equipa, mas muito também ajudou as decisões injustas contra eles, que por consequência se tornaram decisões injustas a favor de outros.
E quanto a decisões, e jogadas de bastidores, quero só fazer algumas referências, já que todas as semanas é uma enxurrada que não lembra ao diabo.
Jorge Jesus tem agora uma dificuldade acrescida no banco de suplentes Foto: Sporting CP
Todos sabemos que por cá muito se pode denunciar, que de pouco ou nada valerá. É a justiça cega na sua definição mais extrema. Mas como sou teimoso, vou ser um daqueles que vai continuar a tentar, não se vá dar o caso de haver por ai um qualquer investigador isento que acorde.
São considerações sobre este Futebol a brincar que parecem não matar, mas moem, e que no final das “contas” poderão vir a fazer todo o sentido:
– Tribunal vem agora dar razão a BdC relativamente a castigo que teve de cumprir há um ano. O castigo está cumprido, de que vale agora esta decisão? Limpa o cadastro? Daqui retiro só a rapidez de processos e decisões da justiça em Portugal.
Relativamente a esta rapidez, continuamos a aguardar também pela decisão quanto a Slimani. Mas neste caso terá mais a ver com oportunidade.
– Ao que parece, e duvido muito que tudo isto tenha acontecido, o futebol está a ficar muito mais justo. Parece que alguém anda a regularizar os salários de determinadas equipas de futebol, e por consequência surge o futebol bonito recheado de goleadas. É assim que o queremos.
– Equipas que parecem saber jogar futebol, aparecem destruturadas, com adaptações, jogadores vindos de lesões (sem ritmo), e que até ilibam agressões de jogadores adversários. Não há nada, siga… O dente, a gente depois resolve.
Há tanto amor no ar. Mas é assim que se quer o futebol.
– Notícias com títulos dando a entender que treinadores vão visitar equipas adversárias ao hotel, quando o que a notícia realmente relata é que esse treinador vai visitar familiares que por acaso estão no mesmo hotel dessa equipa. Tenho a certeza, no entanto, que isto é inocente. São títulos para fazer ganhar cliques no site, eu sei, mas saberão também que muitos nem lêem a notícia, e o que fica é que um treinador do Sporting foi ao hotel do Rio Ave antes do jogo entre as duas equipas. Mas no sporting nem essas manobras são bem feitas, até porque empatamos (e não goleamos como outros). Como disse o nosso treinador, deve ter ido lá passar a táctica ao adversário (Escândalo à vista).
– A dita “estrutura” só vem contrapor algumas das opiniões emitidas por BdC. Serão só as que lhes assentam? Ou serão só as que não lhes assentam? Deve ser só nos dias que o “Mr. Burns” acorda com vontade de trabalhar.
– Então um jogador valoriza-se numa bela quantia de milhões, sem jogar, mas só porque muda de clube? Entendo agora porque há jogadores que em 2 meses passam de “100 mil reis” para 80 milhões. Tudo faz sentido. O mercado é que manda, não é verdade? Talvez não.
– Todas as semanas vem alguém ligado a um outro clube de futebol, vir dizer que conhece tão bem, mas tão bem o treinador do Sporting, que quase sabem a que horas ele se levanta para fazer as suas necessidades fisiológicas. Ou o nosso treinador pensa em voz alta, ou estes senhores têm poderes extra-sensoriais.
Pedro Guerra, e outros “senhores” paineleiros, têm a lição bem estudada Fonte: TVI
São um tipo de gente que se está a desenvolver, que se move pelas sombras, que caçam em grupos organizados, com ataques concertados. Alguns desses elementos são de algum modo anti-sociais, usando pirotecnia contra os da própria espécie, mas no geral estão todos bastante bem organizados quanto ao objectivo delineado. Têm também um poder de persuasão para com outras raças, levando-os a fazer algo em seu benefício. Estão a ficar bastante aperfeiçoados.
Podem dizer quanto queriam que somos beneficiados. Posso aceitar que em alguns casos o sejamos. O problema é que há outros que são mais beneficiados que nós, e nós muito mas prejudicados que eles. Não é de agora. Não me falem de balanças equilibradas no fim dos campeonatos, que equilíbrio é o que menos há por estas bandas.
Não tentem mandar areia com a conversa de que os grandes serão sempre mais beneficiados, porque apesar de ser verdade, entre os grandes existem grandes desequilíbrios quanto à balança Prejuízo/beneficio.
O ataque é diário, e todos os dias sai um soldado ou marechal à rua com o discurso encomendado, para que a “isenta” comunicação social lhe dê o devido destaque.
Nós, ou pelo menos eu, vamos continuar a tentar, que no mínimo alguém investigue uma pontinha do novelo. Um dia acontecerá.
Até em águas calmas e “limpidas” se costuma acumular “lodo”. E basta só aparecer alguém para remexer um pouco, e logo esse “lodo” se revela. Alguém tinha que o fazer, e está a ser feito. Depois depende de quem olha, se quer ver ou não. Se não se importa de mergulhar em águas “porcas”, isso já são outros quinhentos, ou outros milhões.
Ah, e para acabar como comecei, e para que saibam que continuo a apoiar o meu Sporting, devo dizer que… CONTINUAMOS EM PRIMEIRO. E espero acabar o campeonato nesse lugar. Se não acabar, é porque uma outra equipa foi mais competente em todos momentos e campos em que é possível decidir um campeonato. Devia haver só um, não é verdade? Seus Brincalhões ;).