[tps_title]10.º 1997/98: Benfica 3-0 FC Porto[/tps_title]
Fonte: RTP
Estávamos na 32.ª jornada, antepenúltima deste campeonato, com o todo-poderoso FC Porto de António Oliveira a visitar a Luz uma semana depois de ter garantido o tetracampeonato. Clássico calmo, sem nada em jogo? Bem pelo contrário. As águias despacharam os dragões por três golos sem resposta, numa bela exibição. Contudo, o que mais ficou na memória desta tarde de sol na antiga Luz foi o monumental sururu a caminho do final do desafio, tendo como principais protagonistas Graeme Souness, polémico técnico do Benfica, e o matador Mário Jardel. Estaladas, cuspidelas, um autêntico momento à sul-americana que acabou por arrastar quase todos os jogadores.
Toda a gente sabe que jogar num clube grande é (ou deveria ser) estar sempre no limite de tudo… No limite do esforço, no limite das forças, no limite da dedicação… Mas, quando se fala do Sporting Clube de Portugal, é estar SEMPRE no limiar do abismo, prestes a cair…
Sim, não estou contente com o empate em casa frente ao Rio Ave (mais um), mas é impressionante como este empate gerou um buzz à volta da equipa que me parece claramente desproporcionado. O capitão Adrien Silva renovou contrato “facilmente”… William Carvalho também deu o sim à renovação, evitando assim casos de problemas no futuro… O Sporting Clube de Portugal desejou as melhoras rápidas ao capitão dos eternos rivais da segunda circular, numa atitude que me parece que deveria existir sempre no futebol português…
Mas do que se fala? De uma discussão de Bruno Paulista com Jorge Jesus no final de um jogo de treino com os russos do Lokomotiv. Fala-se de que Jesus está descontente e que pode bater a porta ainda antes do final da época (e até parece que no final da época já é garantido) porque não teve os jogadores que queria no mercado de Inverno. Fala-se de casos de Aquilani, Teo e Schelotto, que não estão contentes no clube.
Fala-se do castigo a Slimani, que pode sair a qualquer momento, mas que todos desconfiam de que saia antes do dérbi contra a equipa das águias. E este caso já “cheira mal”… Não por estar a ser investigado, mas pelo tempo de duração, é inadmissível que ainda se esteja a avaliar tanto tempo depois de ter acontecido.
Os dois símbolos do Sporting Clube de Portugal, capitão e vice-capitão, não tiveram qualquer problema numa rápida renovação com a equipa onde foram (bem) formados Fonte: Sporting CP
Fala-se da revogação da decisão do Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol por parte do Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), que suspendeu o presidente dos verde-e-brancos por um mês, por “infrações disciplinares graves”, passando a decisão para “infrações disciplinares leves”.
Tudo isto não mata mas mói. Desfoca os jogadores do que realmente interessa e pode abrir uma brecha na união leonina. Nada acabou, nada está perdido.
Mas é incompreensível e inadmissível como tudo isto sai e normalmente sempre contra os mesmos. Os Football Leaks desta vida preocupam-se tanto com todo e qualquer contrato e acordo do Sporting mas não têm essa mesma preocupação com tudo o que acontece no futebol português…
Os dois símbolos do Sporting Clube de Portugal, capitão e vice-capitão, não tiveram qualquer problema numa rápida renovação com a equipa onde foram (bem) formados.
Por isso, bravos guerreiros do Apocalipse, esta mensagem é simplesmente para vocês:
Continuam no topo e nada está perdido… “Na curva, nós a cantar, no campo, vocês a lutar, juntos vamos vencer… Sporting, até morrer!”
Porque quem verdadeiramente interessa está nas bancadas todos os jogos e grita a plenos pulmões: “Nós acreditamos em vocês.”
Foram tantas as dificuldades, os obstáculos que se nos apresentaram que agora é tarde demais para deixar de acreditar!
Daqui a uns meses, André Carrillo, o melhor jogador do Sporting, vestirá de encarnado e, por essa altura, prevejo enfrentar um misto de sensações que, para já, me são desconhecidas, mas que, suponho, surgem naturalmente quando os fins são alcançados por meios que gostaríamos de ter podido contornar ou evitar. Daqui a uns meses, André Carrillo, o melhor jogador do Sporting, será, obviamente, um dos melhores jogadores do Benfica – desbaratando todos e quaisquer maus-olhados – e, nesse momento, estarei, pela primeira vez, no outro lado da barricada, já não no papel do adepto traído, mas no daquele que recebe o profissional de futebol que, admirado e acarinhado, escolheu trocar o clube que lhe deu tudo aquilo que tem, que o ajudou a crescer, pessoal e profissionalmente, que, no fundo e resumindo, fez dele aquilo que é, por um emblema rival. Para já, sei apenas que dói e que, por regra, a motivação destas opções prendem-se, essencialmente, com questões de ordem financeira. Porém, sei, igualmente, que nem sempre é o dinheiro a ditar tais desfechos.
Sofri, bem recentemente, com Maxi Pereira; sofri, conscientemente, pela primeira vez, com Paulo Sousa e Pacheco e sofri, fundamentalmente, com João Vieira Pinto, no epílogo de um pesadelo que ainda hoje evito recordar. No entanto, abro hoje uma excepção. João Vieira Pinto era de outro universo, o “capitão” incontestável do Glorioso e – provavelmente os mais novos não o saberão – um dos melhores jogadores do mundo da sua geração, que, apenas por opção individual, recusou abandonar o seu país e o “seu” clube, pese as propostas milionárias de vários tubarões europeus que, à altura, por si bateriam recordes de transferência à escala global. O seu caso é, por isso, uma excepção – a sua mudança para o Sporting nada teve a ver com dinheiro.
O talento de André Carrillo é incontestável e entusiasma Fonte: Facebook de André Carrillo
A história conta-se rapidamente: o Benfica era presidido por João Vale e Azevedo, homem vibrante, benfiquista extravagante, que festejava de um salto, de braços no ar e aplausos ruidosos, os golos da sua equipa, espalhando a polémica pelos camarotes dos clubes rivais – criticava-se o perfil de presidente/adepto, adoptado sem papas na língua. Como linha programática do seu mandato, assumiu a luta contra os poderes instalados no futebol português, dentro do clube, onde contestou os barões que quase o haviam destruído – reduzindo a intenções qualquer oposição interna –, e fora dele, denunciando a corrupção e apelando à revolução em prol da verdade desportiva. A sua vontade de contribuir para a mudança, para fazer o clube voltar a vencer, tornou-se imediatamente contagiante e, dessa forma, conquistou dos adeptos um apoio esmagador. A Luz voltou a encher e, finalmente, o bom futebol regressou, com José Mourinho, o melhor treinador português em Portugal, ao leme da equipa. Vale e Azevedo devolveu-nos, ainda, o futuro, iniciando as obras do Centro de Estágios, no Seixal, e reactivando a secção de ciclismo.
Eram tempos de alento e esperança na luta contra um jejum que já contava três anos (vejam só como nos habituaram mal). Perante a ilusão, cultivada por entre o caos e a incerteza (e, sinceramente, o hábito da derrota), era difícil não acreditar; admito-o frontalmente: era impossível não adorar um presidente que, resumindo, era um de nós, que queria, apenas e só, aquilo que todos nós queríamos. No entanto, João Vale e Azevedo detinha, na verdade, uma agenda pessoal que, naturalmente, se viu descortinada e que, rapidamente, demonstrou colidir com os nossos interesses colectivos – no final e tudo somado, apenas a dimensão do rombo acabou por surpreender. Quando o turbilhão era ainda dúbio ao exterior, João Vieira Pinto, o único símbolo que restava, tornou-se numa consciência incómoda dentro do clube. O melhor jogador do Benfica (um dos melhores da nossa história), idolatrado por milhões, foi então despachado através de uma simples e inacreditável rescisão de contrato. Livre para assinar por outro clube, voltou a rejeitar o ouro estrangeiro, optando novamente pelo seu país e pela cidade a que, há muitos anos, chamava de lar, tornando-se, poucos dias depois, jogador do Sporting. JVP foi vítima das circunstâncias e, conhecendo o Benfica como ninguém, deverá ter agradecido a oportunidade de se libertar do jugo de um louco.
Mas isto são dores de benfiquista; relatos do passado. Agora, as atenções estão centradas em André Carrillo e na sua escolha. As suas razões, para já, não são totalmente claras. Sei que a paixão exacerbada em torno desta questão não permitirá, nos próximos tempos, chegar a nenhuma conclusão racional. Neste período, André Carrillo continuará a ser difamado e ameaçado e, em Alvalade, terá o tratamento dado ao traidores, com um estádio inteiro, de dedo acusador em riste, a apupá-lo – pois, se até a João Vieira Pinto o destino reservou tal momento no regresso à Catedral. Provavelmente, André Carrillo parecerá perturbado, tal como Luís Figo – símbolo leonino e expoente máximo da traição (futebolisticamente falando, que seja claro!) – na primeira visita a Camp Nou vestindo de “blanco”; mas André Carrillo superará o desafio e, tal como nos exemplos anteriores, ocupará no seu novo clube, com naturalidade, a vaga que o seu talento permitir. Só o tempo, que tudo cura, explicará as razões de André Carrillo, tal como, para os benfiquistas, explicou as de João Vieira Pinto, hoje já perdoado. André Carrillo teve a oportunidade de se libertar. As suas razões? Eu não sei… mas desconfio.
Meia casa no início deste Marítimo – Portimonense, talvez por ser dia de semana – dia de trabalho – ou por ser um jogo transmitido em canal aberto. Apesar de tudo, entusiasmados pela possibilidade da segunda presença consecutiva do Marítimo na final da Taça da Liga, estava um ambiente polvoroso e subtropical.
Na primeira jogada do encontro por parte dos visitantes, Fidelis recebe lá no alto, tira dois adversários do caminho e serve Pires, que aplica, de pé direito, um remate potente, que bate Salin e coloca o Portimonense na dianteira do marcador. Aos oito minutos, os da casa começavam a pressionar, e na direita do ataque Rúben Ferreira cruzou para a área e depois de alguma confusão rematava João Diogo. O Marítimo afastava o Portimonense para canto e continuava. Tiago Rodrigues chutava com força. Insistiam e não desistiam, os verde-rubros. À passagem do quarto de hora, Edgar Costa bate o livre na direita, servindo Romário, que chuta com a bola a bater na defesa dos de Portimão. Ainda suspiravam de alívio os visitantes e Edgar Costa introduzia a bola na baliza de Carlos Henriques, não sem antes a levar ao ferro superior. Empatava o Marítimo – relançava-se no jogo!
Depois de quinze minutos mornos, Dyego Sousa, ainda com o calor do Carnaval do Brasil, decide dar um ar da sua graça, fazendo meio golo, tirando de chapéu a bola do alcance de Carlos Henriques e servindo Éber Bessa, que colocava o Caldeirão à mais alta temperatura. Estava na frente o “Herói do Almirante Reis”. Dois minutos depois respondia o Portimonense com um remate de Lumor, sem grande perigo para a baliza de Salin. Na resposta, de contra-ataque, Edgar Costa cruza para a área, onde Patrick remata, levando a bola ao poste esquerdo. Até ao final da primeira metade, destaque apenas para uma falta feia de Kanazaki, que quase atirava Dyego Sousa para o gabinete médico do Marítimo.
Os madeirenses sorriram no final
Estavam jogados quatro minutos na segunda parte e o Portimonense criava o primeiro lance de perigo, com Ryuki a cruzar para a área, onde apareceu o japonês Kanazaki a cabecear para Salin encaixar. Aos oito minutos, João Diogo e Tiago Rodrigues a combinar na direita, com o médio a rematar forte mas por cima da baliza dos alvinegros. Aos 20, e já depois de ter sido assistido após um choque violento com Ricardo Pessoa, Dyego Sousa cai no relvado, saindo de maca. Entrava Baba, debaixo de um uníssono coro de aplausos. Com um jogo claramente controlado pelo Marítimo, o Portimonense tentava chegar à baliza dos madeirenses, com Pires, à passagem da meia-hora do segundo tempo, a rematar por cima da baliza de Salin. Nem 30 segundos depois, Ryuki, depois de enorme confusão na área, remata, mas com a defesa dos da casa a afastar.
Do meu lado esquerdo um relatador eufórico e efusivo, do meu lado direito uma claque de fazer inveja a muitos outros. À minha frente, e apesar de mais pausado nesta segunda metade, um bonito jogo de futebol. Levantava-se a placa que mostrava o número da perfeição, o do melhor do mundo. 7. Eram sete os minutos de compensação, e era o 7 Alex Soares a querer empurrar os da casa para a frente. Num lance de contra-ataque, servia Edgar Costa, que, pela esquerda, a tratar a redondinha como só ele sabe, tira três – sim, três! – do caminho e serve Babagol! Estava feito, ao cair do pano, o 3-1. Era a explosão nas bancadas, à qual nem os mais calmos e passivos conseguiam fugir. “Estamos na final”, já se ouvia. E está! Está, sim senhor! O Marítimo volta a Coimbra! Sai um bilhete postal da Madeira para Coimbra, em correio prioritário. Pela segunda vez, Nelo Vingada leva o Marítimo a uma final de uma competição, depois de em 2001 ter empurrado os verde-rubros para o Jamor. Quem sai, de cabeça mais do que erguida, e vendeu cara esta derrota é o Portimonense. Numa competição feita claramente para que à final cheguem os grandes, este Portimonense é um grande! Enorme! Foi lindo de se ver e de sofrer.
A Figura:
Rúben Ferreira e Edgar Costa – Mudem as regras. Mudem já as regras de trânsito! Dêem, por favor, prioridade a quem vem da esquerda! Esta esquerda do Marítimo merece! São madeirenses? São, sim senhor! São bons? Obviamente que são! Rúben Ferreira e Edgar Costa são meninos de bairro. Parecem trocar a bola que nem dois miúdos na rua que liga o bairro de uma ponta à outra. É lindo, é um hino vê-los jogar! Com dois jogadores deste calibre, sem desprimor para todos os outros, especialmente o regressado – ainda bem que te foste embora, Ivo! – João Diogo, este Marítimo tem de jogar mais! E tem obrigação de subir na tabela classificativa da Liga e sonhar com o caneco em Coimbra.
O Fora-de-jogo:
João Capela – Quase em linha. Já por várias vezes visitámos esta capelinha. Sem condições para ser internacional – depois do que fizeram ao Marco Ferreira, raios! – João Capela não teve influência no resultado, isto porque dentro de campo os outros 22 não quiseram nem deixaram. Volta para o Seminário, João, por favor.
Sala de Imprensa
Nelo Vingada
Foi um Nelo Vingada como há muito o conhecemos aquele que chegou à Conferência de Imprensa ao princípio da noite de hoje. O treinador do Marítimo começou por frisar o caminho que toda a estrutura verde-rubra fez para chegar à final da Taça CTT, dando especial ênfase ao ex-treinador Ivo Vieira. “É preciso saudar e lembrar os jogadores que jogaram antes, assim como o Ivo Vieira, que permitiu, com o seu trabalho, à equipa que chegasse a este jogo com caráter decisivo. É preciso que se projete este sucesso em todos e não apenas na equipa de hoje”, disse.
O técnico português admitiu que o jogo desta tarde foi complicado. “Sabíamos que o jogo contra o Portimonense ia ser complicado, sobretudo porque os nossos adversários só perderam um jogo fora”. Finalizou dizendo que o Marítimo venceu por ter sabido ter cuidado e respeito para com o adversário, princípio do qual, de resto, segundo Vingada, o Marítimo nunca abdicará.
No que diz respeito ao adversário desejado, o treinador do Marítimo limitou-se a dizer que vai esperar e que o importante é aproveitar mais esta final.
José Augusto
Orgulhoso dos seus jogadores – o contrário não podia estar -, o treinador do Portimonense disse que o ambiente desta tarde no Estádio do Marítimo foi fundamental para a derrota da sua equipa. “É um estádio difícil, com um ambiente muito hostil para os adversários, e isso foi fundamental na tarde de hoje”, salientou José Augusto, que concluiu dizendo que o Portimonense sofreu uma derrota “pesada” porque “no momento em que o jogo estava a 2-1, tínhamos era de arriscar e tentar dar a volta”.
Foi ao fim de quinze derrotas consecutivas – e três etapas do circuito mundial – que Portugal conquistaria as suas primeiras (duas) vitórias.
Inserido num grupo difícil, que incluía Nova Zelândia, Austrália e Canadá, Portugal iniciou a aventura de Sidney com partidas frente à equipa da casa, os Wallabies, e frente aos All Blacks.
Os jogos seriam semelhantes e Portugal perderia de forma clara em ambos – 7-24 frente à Austrália, com ensaio de Adérito Esteves e conversão de Pedro Leal, e 5-40 ante a Nova Zelândia, com ensaio de Adérito Esteves – após acumular os erros do costume: ineficácia defensiva e falta de entrosamento – o que, frente a potências do rugby mundial, se paga caro. É de destacar que Adérito Esteves atingiria o seu ensaio número 100 frente aos All Blacks – o português, nascido em São Tomé em Príncipe, já marcou mais de 500 pontos em jogos a contar para o Circuito Mundial de 7s!
A etapa ficou marcada pelo ensaio número 100 de Adérito Esteves Fonte: World Rugby Sevens Series
De seguida viria a primeira vitória dos Linces nesta edição do Circuito Mundial: depois de uma pesada derrota frente ao Canadá no passado fim-de-semana – na altura Portugal perderia por uma diferença de 35 pontos – os Linces, que até sairiam para o intervalo a perder, entraram cheios de garra na etapa complementar e deram a volta ao resultado após um show de jogo à mão, para gáudio das bancadas. Para a História ficará um excelente 26-17 a favor dos portugueses, após ensaios de Tiago Fernandes (dois), Vasco Ribeiro e Miguel Lucas (e duas conversões a cargo de João Belo, e outra por Pedro Leal).
No segundo dia de competição Portugal mediria forças com o Japão, nos quartos-de-final da Bowl. A primeira parte ditaria um duelo bastante equilibrado, com Portugal a marcar através de Vasco Ribeiro e Adérito Esteves (conversão do último ensaio por Pedro Leal) e a sair para o intervalo com uma igualdade no marcador: 12-12. No segundo tempo os Linces acelerariam os processos de jogo e os nipónicos não conseguiriam acompanhar o ritmo. Primeiro, Miguel Lucas a fazer o toque de meta, com Pedro Leal a completar com uma transformação, e logo de seguida João Belo a marcar – no espaço de um minuto! – dois ensaios e a converter um deles. 31-17: estava garantida mais uma vitória lusa, a segunda na etapa.
Com a vitória frente ao Japão, Portugal garantiu as meias-finais da Taça Bowl, tendo pela frente a Samoa. Foi então que alguns erros lusos voltariam a aparecer, os Linces falhariam vários lances atacantes, perdendo oportunidades flagrantes de ensaio, e não iriam além de um 14-10 – com ensaios de Pedro Leal e Adérito Esteves – a favor dos samoanos. Samoanos esses que em nada foram superiores à equipa portuguesa, muito menos em termos de fair-play, aquela que deveria ser a maior virtude do rugby… E a qual a equipa da Samoa não soube respeitar.
A etapa ficou marcada pelas primeiras vitórias de Portugal no circuito e pelo ensaio número 100 de Adérito Esteves, mas é hora de destacar, também, o extraordinário crescimento de jovens atletas como é o caso de João Belo, Miguel Lucas, Vasco Ribeiro e Tiago Fernandes, que têm consolidado a sua qualidade com grandes exibições – um sinal de que, apesar de alguns jogos menos bem conseguidos, este deverá continuar a ser o caminho a seguir.
A Nova Zelândia venceu mais uma etapa, ao derrotar a selecção da Austrália na final da Cup numa partida frenética: os Wallabies estiveram sempre na frente do marcador, mas um ensaio de Rieko Ioane, um minuto depois do tempo de jogo, entregou a taça aos All Blacks.
… O Mundo talvez não saiba que pelo Sporting eu sou doente; obviamente que não sabe. Mas, mais que isso, eu sei de que família faço parte: a família sportinguista.
Cada vez tenho mais orgulho do clube que escolhi de pequenina. Transmite-me valores com os quais me identifico mas, principalmente, transmite-me união. Podemos ser aqueles que não são campeões há 14 anos, ou aqueles que não festejaram um tricampeonato; admito até que somos aquele colosso europeu, com que nos tentam ridicularizar. Mas, a todos estes que se sintam afetados pela frase anterior, digo-vos uma coisa: não nos envergonhamos da coletividade que somos.
Das vezes em que estive no estádio para assistir a um jogo da Liga dos Campeões, não ouvi o hino desta competição. Que as mentes geniais que circulam pela Internet não venham a pensar que foi por não chegar a tempo, ou por estar atenta a outras coisas. Foi porque, novamente, a união dos sportinguistas se fez ouvir; fez ouvir a sua revolta e mostrou desagrado com o que se passa. Não há muitos estádios em que se possa ver isso. Consigo até chegar ao ponto de nos comparar com grandes claques europeias: temos o nosso próprio You’ll Never Walk Alone (e que tantos arrepios e emoções me traz à flor da pele!) , gastamos vozes, ficamos roucos e afónicos, para mostrar que queremos alcançar a glória; eu chego ao ponto de me aperceber de que dou uma de Jorge Jesus e começo a cantar que farei o que puder pelo meu Sporting.
Jogadores e adeptos querem chegar à glória Fonte: Sporting CP
É incrível o que um clube faz, não é? Para não falar das faixas que existem por todo o planeta de vilas, cidades, países (!) que querem o Sporting campeão; atrevo-me mesmo a adaptar o velho ditado: um sportinguista em todos os cantos; são leões que, para além de não esquecerem o seu país, não esquecem o seu clube. São pessoas que merecem uma vénia pela sua força de vontade, por também não desistirem do meu Sporting do coração. Todos aqueles que se mostram mestres de Photoshop ou Paint acabam por também se sentir afetados por estes gestos. Fazem mossa, mostram que estamos cá para ficar! Podem dizer que somos ridículos, mas, se sermos ridículos significa apoiarmos algo que nos é tão querido, então prefiro ser ridícula! Prefiro ser ridícula a não conseguir perceber que não é por não ganhar títulos que tenho de desistir de apoiar o meu clube; felizmente, foi outro valor que o Sporting me passou: não desistir… Há muitos por aí que não sabem o que isso é.
Gostaria também de deixar um desafio às claques sportinguistas: vamos dar mais e melhor! Mais ainda, até que as vozes doam, até que se calem todos! Estamos ao nível das melhores claques europeias; vamos subir a fasquia! O jogadores merecem, o clube merece e nós, como adeptos, merecemos! Vamos mostrar a garra do leão!
Por fim, a todos os outros, um conselho: não tenham mais olhos que barriga. O feitiço pode-se sempre virar contra o feiticeiro e bestiais podem-se tornar bestas. E preparem-se: isto só agora começou. Só queremos uma coisa: que o Mundo saiba que pelo Sporting somos doentes e que faremos o melhor para que o vejamos sempre na frente.
O jogo com o Rio Ave mostrou um Sporting pouco dinâmico, que fez o suficiente para ganhar o jogo mas que, ao mesmo tempo, esteve longe de ser demolidor. A equipa não está no seu melhor período e, apesar de continuar a ser líder, deixou de estar isolada e tem um calendário mais difícil do que o rival Benfica. Os principais problemas da equipa – uns exclusivos do último jogo, outros nem tanto – são a meu ver cinco, e podem ser divididos da seguinte forma: três questões mais recorrentes, uma realidade incompreensível e outra de carácter potencialmente irreparável. Aqui ficam:
OS TRÊS PROBLEMAS RECORRENTES DO SPORTING:
– Entrada entorpecida em campo… outra vez
O Sporting tarda em resolver os seus jogos. E se dissermos que, esta época, os leões já foram 8 vezes para o intervalo empatados em jogos do campeonato, e o Benfica apenas 5? E se a isso juntarmos que, desde que Luís Filipe Vieira pressionou os árbitros, após o jogo com o Rio Ave – isto é, cingindo-nos apenas a 2016, uma vez que essa partida foi a última de 2015 – o Benfica foi para o intervalo por 3 vezes a ganhar por 2 ou mais golos, e o Sporting somente uma? Acrescente-se a desvantagem dos leões por 0-2 ao intervalo com o Braga, por 0-1 com o Tondela a jogar com 10, e ainda o golo do empate (irregular, mas que contou) da Académica em Alvalade no início do segundo tempo, e encontramos uma parte da explicação para os recentes resultados negativos do Sporting.
Pouco interessa para o caso o “factor-colinho” – adensado precisamente desde essas palavras natalícias de Vieira, que tiveram repercussões práticas nos jogos contra Guimarães, Nacional e Arouca. A verdade é que, nesse mesmo período desde o início do ano civil, os únicos jogos em que o Benfica não foi para o intervalo em vantagem foram a deslocação à Cidade-Berço e o jogo fora com o Estoril. Ao contrário, nessas mesmas 7 jornadas, o Sporting teve apenas 3 jogos relativamente tranquilos: com o Porto (e aqui a tranquilidade é discutível, porque se tratava de um clássico e porque o golo da confirmação só aconteceu a cinco minutos do fim), com o V. Setúbal e com o Paços de Ferreira.
Qual é, pois, a consequência prática de a equipa não resolver cedo os seus jogos? Não é difícil adivinhar: maior pressão, ansiedade e sobrecarga física, resultantes de um campeonato invariavelmente disputado em contra-relógio. Jogadores como Aquilani ou Matheus Pereira têm tido menos minutos do que seria expectável, em parte porque, precisando o Sporting de marcar, a entrada de um e de outro em campo nem sempre é oportuna (embora por razões diferentes).
E é bom que tenhamos uma coisa bem presente: no campeonato português, em que 90% das equipas recuam as suas linhas e jogam para o empate com os grandes, é crucial marcar cedo. Para isso, a procura do golo tem de ser incessante desde o início. Marcando o primeiro, a probabilidade de se seguirem mais golos, em virtude de o adversário ser obrigado a subir, é muito alta. Há também que ter em conta, no entanto, que a escolha dos titulares tem influência no ritmo do jogo, porque há atletas mais imprevisíveis, explosivos e rápidos a atacar a mais pequena nesga de terreno que o adversário conceda, e outros talhados para um estilo mais paciente e de posse, óptimo para gerir resultados mas não tanto para sobrecarregar adversários que desmontam pouco o bloco. Ao Sporting faltam atletas que caibam na primeira descrição e sobram-lhe futebolistas que encaixem na segunda.
– Pouca largura e profundidade
Pouco mais há a dizer quando os flancos são quase exclusivamente explorados pelos laterais. A procura do espaço interior é benéfica porque confunde marcações e aproveita espaços “mortos” entre linhas, mas torna-se algo contraproducente quando é explorada até à exaustão sem que haja um plano B mais veloz e directo. Ou seja, um extremo ágil, que não descure a capacidade de vir para o meio, mas que tenha grande qualidade no 1×1 e seja capaz, portanto, de baralhar as defesas com a imprevisibilidade das suas decisões (“Será que vai tocar para o lado ou partir para cima do defensor? Será que é preferível o defesa sair de posição e atacar a bola ou fazer contenção?”). O Sporting tem um plano A, mas o plano B é insuficiente. E, quando as alas estão entregues a Bryan Ruiz e João Mário (não está em causa a qualidade dos jogadores em questão), isso torna-se ainda mais claro.
Não há volta a dar: Carrillo faz muita falta, e não é por ser uma pessoa sem carácter, de espírito fraco e ludibriada por um traficante de seres humanos, aliás, “empresário de jogadores”, que deixa de ser um grande futebolista. A sua falta pode não ser sentida no jogo X ou Y – o que leva logo vários adeptos a entrar numa falsa euforia por quererem fazer crer que o jogador era prescindível – mas é muito notada numa competição de regularidade. E quem diz Carrillo diz qualquer jogador totalmente desenvolvido, como o mercenário peruano já era, e que sirva de contraponto malabarista e explosivo a um modelo que privilegia o jogo interior e que, em virtude dos jogadores disponíveis, é um tudo-nada previsível demais. Gelson evoluiu mais rápido do que eu esperava e Matheus também já foi importante, mas não é de todo a mesma coisa.
Não se entende que Bryan tenha sido deslocado para a esquerda para Teo entrar no 11 Fonte: Sporting CP
– Insistência em William Carvalho
Sei que é fácil “jogar no Euromilhões à segunda-feira”, ou seja, criticar as opções do treinador a posteriori. É por isso que admito que também eu teria iniciado o jogo com William, porque continuo com esperanças de que ele volte a ser o que era. Contudo, ontem foi o tira-teimas: uma vez mais, o médio não acrescentou nada à equipa. William nunca foi veloz, é certo. Mas, actualmente, junta à lentidão na aceleração, que sempre teve – e que, por si só, não é um ponto fraco caso seja bem compensada – a lentidão de pensamento ede processos. Erra passes (só nos primeiros 15 minutos foram 4), chega atrasado a lances onde antes era intransponível, transporta demasiado a bola em vez de a fazer circular, arrisca quando deve jogar simples e toca curto e de forma redundante para o lado quando deve virar o flanco de jogo.
O que se passa com William? Arrisco uma explicação: os seus predicados ofensivos (isto é, com bola para construir) não pioraram mas, num esquema de apenas dois médios, são mais solicitados. O mesmo se pode dizer da aceleração e velocidade, por forma a chegar a tempo de parar transições potencialmente perigosas. Como tal, e sabendo também que atrás de si tem apenas a linha defensiva – bastante subida, por sinal – William tende a resguardar-se mais. O problema é que, não participando de forma palpável na construção, e mais ainda numa equipa orientada para o ataque continuado, o médio perde o estatuto de insubstituível. Aquilani, por exemplo, garante melhor qualidade de jogo ofensivo em partidas de sentido único, e tem justificado mais minutos.
Como consequência, o português modificou um pouco o seu jogo e isso, como não poderia deixar de ser, nota-se em campo. Optar por William numa partida em que o Sporting tem o estatuto de claro favorito é, neste momento, jogar com um a menos. A evolução de Adrien deve chegar para as compensações defensivas, tendo o Sporting a ganhar com o regresso de João Mário à sua posição de origem. Na maioria dos jogos fora, em que os adversários se apresentam, por norma, um pouco mais afoitos, entenderei melhor a titularidade de William. Em Alvalade, chega.
O PROBLEMA INCOMPREENSÍVEL:
– Titularidade de Teo Gutierrez (e as mexidas que isso implica)
Teo poderia ter conquistado os adeptos caso, à semelhança de Bryan Ruiz, compensasse o baixo ritmo e a pouca explosão com uma inteligência ímpar e com velocidade de pensamento e de execução. Mas não é o caso. Teo revela-se um jogador de fogachos que, como se não bastasse, disfarça bem a vontade de jogar em Alvalade, se é que a tem. Até à hora do jogo, estava longe de imaginar que o prémio que Jesus lhe daria pelos acontecimentos natalícios seria a titularidade. Tal decisão podia justificar-se caso Teo fosse o jogador imprescindível que nunca mostrou ser; assim, soa apenas a fetiche de JJ. E quem o conhece bem sabe que é comum ele tê-los – César Peixoto, André Almeida e Ola John foram apenas alguns.
A titularidade de Teo parece ser teimosia do treinador, que procura provar que estava certo quando pediu a contratação do colombiano. O problema é que passa a mensagem de que não jogam os melhores nem os mais comprometidos com o grupo e, pior, mexe em peças que deveriam manter-se intactas para encaixar o “seu” atleta. Depois de vários meses a actuar do lado esquerdo, Bryan Ruiz aproveitou a ausência de Teo para mostrar que rende muito mais no meio, o seu habitat natural. Deslocando-o novamente para o flanco canhoto, Jesus não só rebobina desnecessariamente a cassete da época como priva o Sporting de alguém mais veloz e agitador na ala, tão importante neste tipo de jogos em casa. É bom que JJ perceba que Teo não pode ser titular e que Bryan é melhor no centro, porque este ano não há margem para teimosias.
Nesta altura, aliás, seria de esperar que já se tivesse tornado nítido para todos que o Sporting precisa de começar as partidas caseiras com pelo menos um extremo: Bruno César tem estado bem, por que razão não jogou? Com o resultado empatado, por que motivo Gelson não entrou ao intervalo ou, no máximo dos máximos, em vez de Barcos? Esperar até menos de 20 minutos do fim pareceu-me excessivo. O onze do jogo de ontem pareceu uma remodelação um tanto apressada para encaixar Teo como titular a todo o custo… e a equipa ressentiu-se de ter um jogador que já não jogava para o campeonato desde 13 de Dezembro.
“Só damos pela falta de algo quando já não o temos”. Montero oferecia qualidades únicas ao Sporting Fonte: Sporting CP
O PROBLEMA POTENCIALMENTE IRREPARÁVEL:
– Saída de Fredy Montero
O Sporting enfraqueceu. Saiu um avançado mal-amado, mas de características únicas e que era um bom complemento de Slimani nos jogos em que era preciso marcar e o adversário já estava desgastado. Montero servia-se da sua técnica, inteligência, velocidade de pensamento e de execução para aproveitar os espaços curtos como ninguém, ora fazendo recepções e remates irrepreensíveis ora recebendo e colocando de imediato a bola bem redondinha nos pés de colegas. A sua magia e imprevisibilidade eram uma espécie de antídoto contra equipas mais fechadas – a esmagadora maioria. Este texto do blog Lateral Esquerdo mostra bem a importância do colombiano.
O “mal” de Montero foi ter marcado “demasiados” golos nos primeiros três meses em que cá esteve, fazendo muitos acreditar que ele era aquilo que nunca foi: um novo Jardel. Ainda assim, em dois anos e meio fez 37 golos. A sua saída fez com que aumentem tanto a dependência da inspiração de Bryan como da cabeça de Slimani – e, portanto, de um jogo exterior que é, nesta altura, deficitário. Pelas características que tem, Barcos será sempre substituto do argelino, e o próprio Teo também não é um segundo avançado (até JJ o disse numa entrevista). Com a venda de Montero os leões tornaram-se, portanto, uma equipa mais previsível. O atleta tem legitimidade para querer sair, mas esta transferência, ainda para mais no último suspiro do mercado, foi incompreensível. Em virtude das qualidades técnicas ímpares do jogador, raras no plantel do Sporting e no nosso campeonato, temo que seja também irreparável.
A fechar, uma curiosidade: em 3064 minutos disputados em 2014/15, Slimani marcou 18 golos. Montero, seu suplente, jogou 2159 minutos (menos 905 do que o colega, o que equivale a mais de 10 jogos completos) e marcou 15 golos. Quase o mesmo registo para alguém que, para além de não ser titular, não gozava do mesmo estatuto perante os adeptos. Talvez por não ser alto, nem atlético, e de não festejar tanto quando marcava. Esta época, Montero já tinha ajudado a resolver 4 jogos. Mas um é “matador”, o outro é o “gajo apático que anda a dormir”. Vá-se lá perceber esta lógica… É o que dá quando se julga o livro pela capa – ou, neste caso, o jogador de futebol pelos seus festejos.
O clássico de sexta-feira está aí à porta, e o coração dos adeptos já começa a palpitar. Já se combina o encontro na tasca do costume para se ver o jogo com os amigos. O SL Benfica joga em casa e vai no seu melhor momento da época. O FC Porto, por outro lado, vai na sua pior altura. Para a equipa da Luz a única dúvida que se levanta é a dupla de centrais. Qual será? Teremos Lisandro recuperado a tempo? Lindelof manterá a titularidade, ou Rui Vitória irá adaptar Samaris? Estas questões remetem-nos para uma discussão importante, talvez a mais importante desde a crise no lado esquerdo da defesa encarnada: quem irá suceder a Luisão?
O Luisão é mais do que um jogador. Já nos tempos de Jesus era uma peça vital. Sabe comandar a equipa, transmite garra e não dá um lance por perdido. Sente a camisola como poucos e incute isso aos recém-chegados – viu-se no jogo de estreia de Renato Sanches, em que este saltou do banco, já em período de descontos, e fez uma troca de bola simbólica com o capitão. Para mim é o jogador mais icónico do Benfica desde que sou vivo, mas não posso ser cego. O capitão da Luz, o homem que sempre ficou e viu os seus parceiros partirem, já não vai para novo; as lesões já demoram mais a cicatrizar, o ritmo competitivo demora mais a ser alcançado, e, depois de duas épocas incríveis, o rendimento já não é o mesmo.
Para mim, há quatro centrais de grande nível no Benfica: Jardel, Lisandro Lopez, Lindelof e Fábio Cardoso (este último emprestado ao Paços de Ferreira). Para mim, quem cumprirá o papel de Luisão, ou seja, quem vai ser o patrão da defesa, o comandante atrás da linha do meio-campo, será Jardel. O brasileiro soube esperar tranquilamente pela sua oportunidade e ao mesmo tempo ir aprendendo. Cresceu imenso e tornou-se um central de grande craveira. A questão acaba por me fugir e muda: quem será o novo companheiro de Jardel?
A minha resposta vai ser suspeita. Lisandro Lopez. Eu nutro uma grande admiração por este jogador, sobretudo pela forma como ele vibra pelo Benfica. Sente-se que tem amor à camisola; os gritos pela equipa, a raça, o jogo de cabeça e a sua idade fazem antever um futuro patrão da defesa encarnada. É um jogador à Benfica.
Fábio Cardoso, Jardel e Lindelof são opções para render Luisão Imagens: SL Benfica
Apesar disso não devemos desconsiderar as outras duas opções, especialmente porque Jardel não é muito mais novo do que Luisão, e outra vaga não se tardará a abrir pelo ciclo do tempo. Lindelof é um jogador que pode fazer três posições: defesa-central, defesa-direito e médio-defensivo. Não faz lembrar ninguém? Vejo-o mais como André Almeida, um jogador da casa que conhece muito bem o clube e que irá crescer dentro dele. A maior vantagem do sueco é a sua margem de progressão, que é imensa. Não nos esqueçamos de que no Europeu de sub-21 fez grandes prestações a defesa-direito. Por isso deixa-me mais reticente na escolha. Falta ainda Fábio Cardoso, um jogador do qual eu sou um grande fã. Fábio tem tudo para regressar do Paços de Ferreira e vingar no Benfica. Obviamente terá de ser paciente, mas já mostrou ser um jogador muito trabalhador e muito dedicado, que aproveitou muito bem estes dois empréstimos consecutivos. É um jogador da formação, que dará mais força à marca ‘made in Seixal’ . Nos jogos que vejo da equipa do Paços e dos jogos que vi dele no Benfica B, fiquei com muito boa impressão. É um jogador raçudo.
Tudo isto são suposições, claro. Até se reformar, Luisão ainda dará muitas alegrias ao Benfica. Muitos jogadores entrarão e sairão porque hoje em dia é raro encontrar lealdade como esta, compromisso como este e dedicação como esta. Serve este texto para relembrar o que Rui Vitória tem mostrado desde que começou 2016: que dentro do Benfica há muitas opções viáveis e de qualidade. Construímos um grande plantel, que tem crescido muito, e cada vez mais temos jogadores que vêm e que ficam apaixonados pelo clube que os abraça. É normal, quem não ficaria depois de usar sobre as costas o manto encarnado?
Claro que poderia ir para o Barcelona, tirar uma selfie porreira com o Lionel Messi, colocar as imagens no Instagram e conseguir milhões de likes ficando satisfeito comigo próprio… Mas eu não sou assim. Seria melhor jogar pelo Everton. – Andriy Yarmolenko
Foi desta forma que, sem papas na língua e com uma grande dose de honestidade, Andriy Yarmolenko, a estrela mais cintilante do futebol ucraniano na actualidade, abordou um possível ingresso no clube catalão no próximo Verão. Numa entrevista recente a um órgão de comunicação social do seu país, Yarmolenko abordou não só a possibilidade de deixar o FC Dynamo Kyiv no final da temporada, assim como uma eventual mudança para o FC Barcelona ou para um emblema da Premier League, neste caso concreto, o Everton FC. Os Toffees são, de acordo com os media, uma das equipas mais bem colocadas para assegurar a contratação do versátil extremo ucraniano no próximo Verão e, a julgar pela afirmação de Yarmolenko, tudo poderá estar bem encaminhado para que isso aconteça.
Na passada edição da UEFA Europa League, o número 10 do Dynamo Kyiv foi um dos responsáveis pela eliminação do emblema da cidade de Liverpool nos 16 avos-de-final da competição, apontando um golo e contribuindo com duas exibições de elevado nível em ambas as eliminatórias. Desde esses jogos, o treinador do emblema inglês, Roberto Martínez, ficou com excelentes referências relativamente a Yarmolenko e, na conferência de imprensa da passada semana de antevisão do encontro com o Stoke City FC para a Premier League, quando o questionaram sobre as afirmações de avançado ucraniano, Martínez respondeu assim: “Todos sabemos que o Yarmolenko é um dos melhores futebolistas da sua geração no seu país. Ele é um capitão e um líder e tem as suas próprias ambições. (…) Esse tipo de afirmações agrada a todos aqueles que fazem parte do Everton, mas não podemos falar de um jogador que não faz parte da nossa equipa.”
Yarmolenko, a estrela do futebol ucraniano, que preferiria jogar com regularidade no Everton FC do que ser suplente de luxo no FC Barcelona Fonte: static.independent.co.uk
Yarmolenko nasceu em Leninegrado (actual São Petersburgo), filho de pais ucranianos naturais do Oblast de Chernigov, no norte da Ucrânia. A sua permanência na cidade fundada por Pedro “O Grande” foi relativamente curta, uma vez que, pouco depois do seu nascimento, a sua mãe abandonou o emprego que lhe tinha sido oferecido em São Petersburgo para regressar à sua cidade natal. Yarmolenko, que nasceu ainda durante a era soviética, representou sempre a Ucrânia ao mais alto nível, quer nos escalões mais jovens, Sub-19 e Sub-21, quer na selecção principal, mas nem tudo foi fácil para o versátil extremo do FC Dynamo Kyiv.
Yarmolenko teve a sua primeira passagem pelas academias do Dynamo após ter completado 13 anos de idade, mas o sonho de representar o outrora gigante europeu cedo se desvaneceu, uma vez que o jovem Andriy não se mostrava à altura dos índices físicos exigidos pelo clube. Foi com uma elevada dose de descrença e desânimo que Yarmolenko regressou aos clubes da região onde vivia, e foi ao serviço do FC Desna Chernigov que teve a sua estreia a nível profissional. Em 2006, no entanto, Yarmolenko, que continuou a ser seguido de perto pelos olheiros do Dynamo, regressou ao emblema de Kiev, primeiro para representar a equipa de reservas e para, passado apenas um ano, se estabelecer na primeira equipa, onde chegou a ser apelidado de o “novo Sheva”, alcunha dada ao antigo Bola de Ouro ucraniano Andriy Shevchenko.
Yarmolenko é actualmente um dos melhores futebolistas do leste da Europa. O internacional ucraniano é extremamente versátil e pode assumir várias posições no sector atacante, podendo actuar como extremo, do lado direito ou do lado esquerdo, ou assumindo porventura posições mais interiores, actuando como segundo avançado no apoio ao ponta de lança. Andriy já realizou quase 300 jogos pelo Dynamo Kyiv, onde apontou mais de uma centena de golos, 32 dos quais na última temporada e meia.
O que reserva o futuro a Yarmolenko? Será ele o grande reforço do Everton FC na próxima temporada? Fonte: liverpoolecho.co.uk
Yarmolenko prometeu aos responsáveis do clube manter-se ao serviço do Dynamo Kyiv até que o clube voltasse a adquirir o estatuto que teve no passado e conseguisse voltar a ser campeão da Ucrânia, feito que foi alcançado na temporada passada pela mão de Serhiy Rebrov. Andriy é um atleta leal ao clube que o fez crescer enquanto futebolista e já garantiu que não irá forçar a sua saída, procurando, em vez disso, uma oferta que seja não só atractiva para ele, mas também para o emblema de Kiev.
As possibilidades de mercado para um atleta com a qualidade de Yarmolenko parecem ser infindáveis, mas é quase certo que Andriy não estará disponível para fazer parte de uma equipa onde não jogue com regularidade ou para se contentar em ser suplente de luxo de um qualquer gigante do velho continente. O actual camisola 10 do Dynamo é, acima de tudo, um jogador ambicioso que, segundo as suas próprias palavras, quando não joga duas vezes por semana, não consegue libertar as suas emoções e a sua energia, e por isso deixa a sua família à beira de um ataque de nervos.
Sara Correia, 23 anos, é a capitã da equipa sénior feminina de Voleibol do Carnide Clube, recentemente campeão regional. Estivemos à conversa com Sara Correia a propósito dessa conquista e dos objetivos desta época.
Bola na Rede: Há quanto tempo estás no CC?
Sara Correia: Olá. Bem, quanto ao Carnide, estou envolvida no projeto desde que este ainda era apenas um “sonho”, há cerca de dois anos, 2014. Fomos bastante ambiciosos e acho que até posso mesmo dizer teimosos. Não é fácil, no momento em que nos encontramos, conseguir criar algo, sem grandes estruturas e apoios, mas encontramos o Carnide Clube, um clube já com bastante história, disposto a ter uma nova modalidade, um novo desafio. O primeiro passo estava dado, já tínhamos uma “casa”, uma identidade. “Mobilar a casa”, isso sim, já foi mais trabalhoso e exigiu um esforço de todos nós, treinadores, secção, colaboradores, para que tudo estivesse pronto para o início de uma nova época, em setembro. Encontrar um pavilhão, elaborar protocolos, recrutar atletas, comprar material, escolher equipamentos, escolher equipas técnicas, horários de treino, documentação… Todo um trabalho que exige bastante de cada um dos envolvidos.
BnR: Como foi o início deste ano com a chegada de um novo treinador, novas jogadoras e uma nova realidade?
SC: Foi um início diferente, bastante empolgante, pois a chegada de novas jogadoras com grande valor, a juntar às atletas que já tínhamos, foi bastante positivo para o grupo. Sabíamos, todas, que o trabalho poderia vir a ser bem mais aliciante a níveis competitivos. Na época anterior acabámos um grupo relativamente curto, com apenas nove atletas, e tínhamos consciência de que era preciso mais jogadoras. Quanto ao novo treinador, o Luís, é alguém que tenho o prazer de conhecer desde a minha infância, alguém de quem me recordo de ver já como treinador quando comecei a dar os meus primeiros toques na bola, isto há 11 anos. Com estes dois fatores, jogadoras novas e treinador novo, tudo se começava a compor para subirmos como equipa, mais um degrau nesta nossa aventura.
BnR: Como foi passar de treinadora/atleta a só atleta?
SC: Acho que esta é a pergunta fundamental. Não foi difícil essa passagem, mas ao mesmo tempo foi essencial. Na época anterior, eu tinha, inicialmente, apenas o papel de treinadora da equipa sénior feminina mas, por questões administrativas, faltava-me uma atleta para o primeiro jogo da época, precisamente a única jogadora que tinha para essa posição, que por acaso era a posição em que eu jogava. Acho que fiz apenas um treino com a equipa antes do primeiro jogo, pois achei sempre até à última que conseguiria inscrever a jogadora em questão, mas tal não aconteceu… Fui jogar. Já não treinava há mais de quatro anos, quanto mais estar preparada para jogar. Foi duro, bastante duro. Mas, depois, aquele “bichinho” parece que estava a começar a despertar passados tantos anos, e foi impossível parar. Então acumulei a função treinadora/atleta, por vezes, não escondo, bastante complicado de gerir. O gosto por ter voltado a jogar e partilhar o campo com aquelas jogadoras, como minhas colegas, falava bem mais alto. Por isso, poder agora ser uma delas a 100% é o melhor.
BnR: Quais as maiores dificuldades nesse novo processo?
SC: A maior dificuldade mesmo neste novo processo fui eu própria. Fisicamente não estava em condições, pelo tempo todo em que estive parada, e a época anterior tinha sido um acumular de lesões atrás de lesões pela minha falta de condição física, mas não dava para parar. Tinha de acelerar todo o processo para poder acompanhar a equipa e estar preparada. Tínhamos objetivos bastante concretos.
BnR: Já em competição, qual o momento mais difícil e o melhor momento no campeonato regional?
SC: Qualquer equipa passa sempre por bons e maus momentos, nós não somos excepção, mas são desses momentos que tiramos o que é um “bom” ou “mau” grupo. Mas, falando mais em concreto, o momento mais difícil por que passámos foi mesmo quando, na segunda jornada, sofremos a nossa primeira, e única, derrota. Tínhamos os olhos todos sobre nós, a pressão do início ao fim, e quando saímos desse jogo, meu Deus, parecia que estava tudo errado. Teríamos nós criado expectativas demasiado altas para nós mesmas? A semana que se seguiu, de treinos, continuava a refletir esse sentimento, ansiedade, irritação, desconforto. O que iria acontecer a seguir? Quanto ao melhor momento, foi sem dúvida alguma a vitória depois da derrota. Foi um jogo difícil, um jogo ganho pela margem mínima, 3-2, e o último set por 17-15. Aqui foi sem dúvida o ponto de viragem, foi aqui que escolhemos o nosso caminho: sermos um grupo.
BnR: Quais eram as expectativas no início do Campeonato Regional?
SC: As expectativas eram mais que muitas. Trabalhámos bastante, temos uns treinadores que nos orientam e preparam os jogos minuciosamente, e o objetivo era claramente apurarmo-nos para a segunda fase do campeonato em primeiro lugar e sermos campeãs regionais. Isso seria fruto do que iríamos dar de nós e ser enquanto equipa.
BnR: Quais os objectivos para esta segunda fase e o que esperas das restantes equipas do grupo?
SC: Não espero facilidades, nem podemos sequer pensar nisso. Temos presente que esta segunda fase irá ser bastante dura e terá de haver um esforço acrescido de cada uma de nós. É um tudo ou nada; em seis equipas, passa apenas uma para a Final do Campeonato Nacional. O objetivo é novamente apurar; começamos esta fase com todas as equipas de igual para igual e nós só dependemos de nós próprias para continuarmos a sonhar.
BnR: Como é ser capitã das Seniores Femininas do CC?
SC: É a melhor coisa do mundo. Há coisas difíceis de explicar e esta é uma delas. Não trocava a minha família por nada deste mundo, mas ser capitã desta equipa é ter uma nova família, uma família que podemos escolher. Tão diferentes, tão iguais.