Às vezes parece que o mundo da bola gosta de dormir a sesta. Não condeno, sou também um forte apreciador dessa modalidade. Mas, por vezes, essa sesta pode custar caro a alguns craques. Um exemplo disso mesmo é o lateral direito que esta época assinou pelo CD Nacional, Rúben Freitas.

Andou pelos sítios onde costumam andar os craques. Formado entre Sporting CP e SC Braga, Rúben Freitas não conseguiu chegar à equipa principal de nenhum dos emblemas. Prosseguiu o seu caminho no SC Salgueiros, do Campeonato de Portugal, e com apenas 21 anos já estava a ser um dos elementos de destaque do plantel. No fim da temporada 2013/2014 acabou por emigrar.

Primeiro Chipre, no Nikos & Sokratis, e depois Gibraltar, no Lincoln Red Imps, foram os palcos onde Rúben Freitas continuou a espalhar classe. Repare, caro leitor, que geralmente ouvimos a história dos grandes craques que jogavam à bola no meio das pedras. Rúben Freitas não se contentou com miseras pedras e foi mesmo jogar à bola no rochedo. Peço desculpa, por esta consideração que acabei de tecer.

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Regressa então a Portugal, aos 24 anos, para atuar no UD Vilafranquense, recentemente promovido ao Campeonato de Portugal. Nesta época começar a tornar-se bastante evidente que alguém andou a dormir na carreira de Rúben Freitas. Em duas épocas somou 72 jogos. Quando a equipa jogava bem, Rúben era um dos melhores em campo. Quando e equipa jogava mal, Rúben era um dos melhores em campo.

Trata-se de um jogador rápido, com um excelente cruzamento. Defensivamente sempre concentrado e muito competente. No minuto 90 continua a correr e a deixar tudo em campo. Uma autêntica máquina de trabalho. E depois destas duas épocas, chegamos à época 2018/2019 e o futebol acorda ligeiramente da sesta, porque finalmente Rúben Freitas chega aos campeonatos profissionais, pela porta do CD Mafra.

Na Segunda Liga deixou de imediato marca, visto que para além de um jogador extraordinário, é um profissional acima da média e, por isso, no final da época 2018/2019 arrecadou o prémio FairPlay da Segunda Liga. Na temporada seguinte, somou quase 30 jogos, o que, tendo em conta que jogava numa competição que não chegou ao fim, é um número bastante assinalável. Acaba a época a ser contratado pelo Nacional da Madeira para jogar na Primeira Liga.

Presentemente com 27 anos, Rúben Freitas está muito longe de ser um veterano. No entanto, deixa um sabor amargo pensar que um jogador desta qualidade demorou tantos anos a alcançar o escalão máximo do futebol português.

 

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