Uma das melhores histórias da Fórmula 1, dá origem a um dos melhores filmes de Fórmula 1.

Os anos 70 na Fórmula 1, particularmente no ano de 1976, tinham uma rivalidade detentora de todas as características de um filme de Hollywood a acontecer na vida real, com dois pilotos radicalmente diferentes em personalidade, que batalharam nas pistas durante os anos 70.

Esses dois pilotos eram James Hunt, um excêntrico, playboy, agressivo em pista, que aparentava nem sempre levar a sério as corridas, e do outro lado Niki Lauda, conservador, focado, metódico em pista, fazia tudo para ganhar. Geralmente, num filme, os melhores vilões são completamente o oposto do protagonista, porém, neste filme, são os dois protagonistas, nenhum deles é o vilão.

O filme aproveita a primeira metade para mostrar a ascensão dos dois pilotos à Fórmula 1, focando-se depois na temporada de 1976, onde lutaram dentro e fora de pista (figurativamente).

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Para quem não conhece a história, 1976 é uma das temporadas mais intensas da história da Fórmula 1. Niki Lauda domina a primeira metade do campeonato, mas um grave acidente, no “Inferno Verde” de Nurburgring, deixa-o com queimaduras gravíssimas em todo o corpo, incluindo queimaduras internas nos pulmões. Apesar de se agarrar à vida por um fio, contra a vontade dos médicos, Niki Lauda regressa às pistas, no Grande Prémio de Itália, apenas 6 semanas depois, claramente fora da sua melhor forma. Enquanto Lauda lutava pela vida, Hunt tratou de vencer corridas no seu Mclaren, o que levou a luta pelo campeonato a um clímax no Grande Prémio do Japão.

Esta foto é perfeita para mostrar a personalidade dos dois pilotos
Fonte: IMDB

Não vou entrar com muitos detalhes na história, porque apesar de tomar algumas liberdades em certos detalhes, o filme retrata bem o ambiente que se vivia na Fórmula 1 nos anos 70, e a personalidade dos dois protagonistas.

Olhando mais diretamente para o filme, Ron Howard (Apollo 13; Uma Mente Brilhante) faz um trabalho fantástico como realizador, ao retratar as corridas de forma bastante precisa. Isto é bastante diferente do que vemos em muitos filmes sobre desportos motorizados em que as corridas são tratadas com pouco realismo, como ir a 300 numa reta, com o carro a dar o máximo das rotações, e o piloto decide reduzir para ultrapassar (estou a olhar para ti, Ford V Ferrari).

Normalmente, neste tipo de categoria cinematográfica, há os filmes realistas com um guião muito fraco, ou filmes com uma excelente história, mas onde as corridas não fazem sentido. Ron Howard, apesar de admitir que nunca tinha visto uma corrida da Fórmula 1 antes de trabalhar no filme, consegue o equilíbrio perfeito entre história e ação, tornando o filme acessível para petrolheads e fãs de cinema no geral.

Os atores principais são Chris Hemsworth (Thor) como James Hunt, e Daniel Brühl (Sacanas sem Lei) como Niki Lauda. O nosso “Thor” faz um excelente trabalho no papel do playboy inglês com um bom coração, contudo o filme pertence ao ator Germano-Espanhol como Niki Lauda.

Para começar, Daniel Brühl é igual a Niki Lauda, mas um bom ator não pode ser só parecido fisicamente, e o ator consegue transformar-se por completo, através dos maneirismos, e até a própria voz que invocam o piloto austríaco.

No fundo, Rush é um excelente filme que consegue agradar aos fãs de desporto motorizado, mas com uma história o suficientemente interessante para agradar a fãs de cinema no geral. Há algumas liberdades criativas tomadas por Ron Howard, como por exemplo, o facto de, na verdade, James Hunt e Niki Lauda eram muito amigos fora de pista, e tinham uma relação muito positiva, mas sejamos honestos, se o filme fosse sobre eles serem os melhores amigos, não seria uma peça de cinema tão boa.

Foto de Capa: IMDB

 

Artigo revisto por Joana Mendes

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