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2002/03: Moreirense 2-3 Benfica – Primeira Liga Portuguesa

Resumo do Jogo – 1.º Golo2.º Golo e 3.º Golo

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15 de Setembro de 2002, tarde de sábado, imensa chuva. O estreante Moreirense, em matéria de 1.ª Divisão, recebia o Benfica no Estádio 1.º de Maio, em Braga, em virtude do seu estádio ainda não ter capacidade para acolher transmissões televisivas, em partida a contar para a 3.ª jornada da então Superliga. Manuel Machado era o treinador da equipa minhota, ao passo que Jesualdo Ferreira treinava um Benfica que não se sagrava campeão nacional desde 1994. Os muitos espectadores presentes tiveram o privilégio de assistir a um excelente jogo de futebol, muito intenso, marcado por várias alternâncias no marcador e que culminaria com um triunfo dos encarnados por 3-2.

Na altura, e eu próprio me incluo nesse lote, poucas pessoas esperariam algo de relevante de um Moreirense, equipa pertencente a uma localidade pequeníssima e sem qualquer tipo de tradição em termos futebolísticos. Contudo, talvez tenha sido este jogo a provar que dali para a frente teria que se contar com a equipa de Moreira de Cónegos, equipa essa que tinha um estilo de jogo bem definido, bem à imagem do actualmente tão conhecido Manuel Machado. Já o Benfica, apesar de estar na altura a trilhar o seu caminho de retoma, ainda era um clube com muitos problemas por resolver e ainda para mais na era do FC Porto de José Mourinho, quase intransponível em Portugal. Todavia, e com um bom início de campeonato 2002/2003, os adeptos benfiquistas renovavam as suas esperanças na hipótese de verem quebrado o jejum de títulos. Mas este desafio disputado em Braga foi o espelho daquilo que era o Benfica da época: períodos de bom futebol alternados com momentos de desorientação total. O golo madrugador de Nuno Gomes (regressado ao clube nessa temporada) logo aos 3 minutos não serviu minimamente para tranquilizar as águias, que aos 40 minutos já estavam a perder por 2-1, com tentos de Demétrios (quem não se recorda deste ponta-de-lança brasileiro que teve na passagem pelo Campomaiorense o seu momento alto da carreira) e de Armando, uma das figuras do então primodivisionário Moreirense.

No segundo tempo, autêntico assalto à baliza do internacional angolano João Ricardo, mas a verdade é que o Benfica só passou para a frente do marcador com o benefício de duas decisões polémicas de arbitragem: grande penalidade muito duvidosa a seu favor e que culminou com um golo do “especialista” Simão e golo da vitória obtido pelo malogrado Fehér, num lance que pode ter sido precedido de falta por parte do futebolista húngaro. Sendo assim, vitória arrancada a ferros por parte de um Benfica que só ganharia estabilidade com a chegada de José Antonio Camacho, meses mais tarde, perante um Moreirense que desde logo mostrou que não faria figura de corpo presente no principal escalão do futebol português, como se pode comprovar pelo facto de actualmente ainda se encontrar na alta roda do futebol luso.

2003/04: Sporting 1-0 Gil Vicente – Primeira Liga Portuguesa

Resumo do Jogo

Na noite de 29 de Setembro de 2003, em jogo respeitante à 6ª jornada do campeonato, o Sporting de Fernando Santos recebia o Gil Vicente de Mário Reis. No novíssimo Alvalade XXI, os leões viram-se e desejaram-se para derrotar a formação gilista, muito bem organizada defensivamente. Triunfo por 1-0 para a equipa da casa que não merece a mínima discussão, tal a forma como o Sporting massacrou o Gil Vicente, principalmente no segundo tempo. Num relvado em más condições, só deu Sporting ao longo de todo o jogo, mas foi à bomba que o conjunto lisboeta obteve os 3 pontos, através de um forte remate de fora da área de Rodrigo Tello quando o relógio já marcava 94 minutos de jogo.

Num Sporting que ainda contava com jogadores como João Pinto ou Pedro Barbosa, e que havia adquirido no mercado de Verão o guarda-redes Ricardo, Rochemback e Liedson, Fernando Santos tentou suplantar o domínio do super FC Porto, que nessa época viria a sagrar-se campeão europeu, mas sem sucesso. Um dos aspectos a retirar desta partida, e que durante anos foi um dos clássicos do futebol cá do burgo prendeu-se com a excelente exibição de Paulo Jorge, guarda-redes do Gil Vicente, e que por norma realizava tremendas exibições frente aos grandes. Diga-se que estamos a falar de uma altura em que o Gil Vicente nem costumava passar por grandes sobressaltos na tabela classificativa, em virtude dos seus plantéis de qualidade e que por aquele tempo praticavam bom futebol. Porém, esta partida em Alvalade foi uma daquelas em que a palavra “autocarro” ganha muita força, tal foi a forma como Mário Reis apenas montou a sua equipa com o intuito de não sofrer golos.

1996/97: Boavista 0-2 FC Porto – Primeira Liga Portuguesa

Resumo do Jogo

Derby à moda do Porto, jogo com enorme tradição no futebol português, tantas e tantas histórias para contar sobre este apaixonante desafio. Desta vez viajo até ao dia 23 de Março de 1997, tarde de domingo, velhinho Estádio do Bessa sem espaço para caber mais gente. Que saudades destes jogos em plena tarde de domingo, em que todas as telefonias deste país saíam da mesa de cabeceira. Lá, no relvado do Bessa, o Boavista orientado por Mário Reis e que contava com uns tais de Jimmy Floyd Hasselbaink e de Nuno Gomes na frente de ataque recebia um tremendo FC Porto de António Oliveira que fez desta temporada um quase autêntico passeio rumo ao tricampeonato. Todavia, em finais de Março de 97 os dragões estavam a passar por aquele que foi o seu único período de mínima crise ao longo da temporada. Estávamos na 24ª jornada e a equipa das Antas vinha de três jogos sem vencer (derrota, empate, derrota), tendo um emergente Sporting treinado por Octávio Machado à espreita (o Benfica andava pelas ruas da amargura).

Como tal, uma ida ao Bessa era tudo menos desejável, derivado da grande qualidade do plantel axadrezado. Mas o FC Porto voltou às vitórias neste desafio, naquele que muitos críticos consideram ter sido o jogo-chave da época 1996/1997 para os campeões nacionais. Mas desenganem-se aqueles que pensam que foi um Jardel (estava na sua primeira temporada ao serviço dos azuis-e-brancos), um Zahovic (outro reforço para aquela época), um Edmilson ou um Drulovic a resolver. Foi Fernando Mendes, lateral-esquerdo do FC Porto, que numa tarde inspiradíssima deu de bandeja os três pontos aos comandados por António Oliveira. Através da soberba execução de dois livres directos, Fernando Mendes garantia uma importantíssima vitória para o seu clube, que a partir dali voltou a dominar a prova a seu bel-prazer, culminando então com a conquista do tricampeonato. De referir que o Boavista acabaria por vencer a Taça de Portugal, derrotando na final do Jamor o Benfica por 3-2. Carregando nesta tónica, adoro sempre rever o resumo deste jogo, em virtude do ambiente no Bessa. O ano de 1997 não foi assim há tanto tempo, mas ai como as coisas mudaram…