Grande derby de Lisboa, não foi? Dirigentes reunidos na bancada de mãos dadas, treinadores aos beijinhos antes, durante e depois do jogo. Jogadores abraçados a combinarem onde iam tomar um copo depois da partida e os adeptos todos bem comportados sem qualquer incidente. Pareciam aqueles jogos que combino todas as terças-feiras com os meus amigos. Trocamos elogios durante a semana, combinamos quem vai e fica de fora, jogamos e durante o jogo inventamos faltas como o Pizzi inventa sempre qualquer coisa e no fim do jogo vamos todos beber minis para o barraco mais próximo.

E a forma como Peseiro preparou a equipa? Como classificar aquela falta de ambição, aquelas substituições e o facto de ir ouvir Tony Carreira no caminho para casa como se tivesse ganhado. O treinador leonino faz-me lembrar o meu pai quando aposta na lotaria. Quase que ganhava o primeiro prémio mas nem um número acerta.

Pela primeira vez senti falta do Jesus. Aqueles típicos mind games com mais pontapés na gramática do que Cristo fora chicoteado e os boatos que alimentavam a polémica e deixavam todos irados. Ah, que falta fazes, Bruno Carvalho! Onde já se viu um presidente dar uma entrevista ao canal concorrente? Só mesmo o Sousa Cintra, aquele velhinho senil que quer irmandade em vez de uma guerra crónica que deixa o CM criar enredos mais promissores que as músicas da Maria Leal.

E aquele abraço entre o Tiago Fernandes e o Gedson com direito a post no instagram e tudo? Incrível!! Como pode haver amizade entre o “estado lampiónico” e a “lagartagem”?

E os adeptos? Que meninos!! Não combinaram um fight para ver quem é a claque mais máscula do país. Estou decepcionado. Ninguém foi ao hospital levar soro. Qualquer dia vão dizer que posso ir à bola com os filhos e que um Benfica-Sporting deixou de ser um jogo de alto risco. Ai, futebol moderno, que tão mal me fazes. Sem pancadaria um jogo torna-se chato. E durante a semana falamos sobre o que? Não me digam que vão começar a falar do e-toupeira e a pôr velas ao pé da estátua do Eusébio reclamando a inocência do Vieira. A comunicação social nem manchete fez, começando já a proteger o senhor presidente que se encontra doente e sem capacidades para responder. Portanto, deixem-se de palermices, estamos todos unidos contra a pacificação dos derbies e estamos totalmente a favor da corrupção do nosso futebol.

Este foi o golo que provocou mais ereção nos homens que as fotos de Mia Khalifa
Fonte UEFA

A norte, a Invicta foi invadida pela cidade berço num grande jogo de futebol, onde o que mais me deixou espantado não foi a reviravolta do Vitória. O que me deixou de boca aberta foi mesmo o jogo ter terminado sem o Sérgio Conceição ter sido expulso ou o Maxi Pereira sem tentado tirar uma canela aos adversários. Para mim, a culpa foi do Marega! O maliano estava mesmo preso ao chão devido aos bolsos cheios de libras.

Lá por fora, Rafael Leão foi visto a procurar emprego com Rúben Ribeiro. Os dois portugueses tiveram no centro de emprego francês a tentar uma vaga na charcutaria mais próxima. No futebol já não há esperança. Talvez a venda de enchidos se associe mais ao cabelo do Rúben e à roupa da feira do relógio que o Rafael costuma comprar.

E Cristiano ainda não fez qualquer golo em Turim, mas, já acalmou os adeptos. Os golos são como as barrigas de aluguer, quanto mais pago mais filhos saem – avisou o astro português. Itália entrou em delírio e mais de metade das cresces colocaram letreiros “Juve no, Ronaldo faz-me um filho” em resposta à manchete da Gazzetta dello sport. Creio que assim que o primeiro golo aparecer vai haver mais natalidades em Turim do que em toda a Itália.

Sendo assim, arrebenta a bolha porque a ironia debandou tanto neste texto que fui contactado pelo Pedro Chagas para trocarmos ideias no seu novo projecto.

Foto de Capa: Liga Portugal

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