A competitividade da Liga é, muitas vezes, injustamente colocada em causa devido ao domínio dos denominados «três grandes» no topo da tabela – zona da tabela onde o Sporting de Braga tem-se ‘intrometido’ de forma regular e consistente.

No entanto, a luta titânica que se assiste ano após ano para fugir aos últimos lugares da tabela demonstra a competitividade que o nosso campeonato pode oferecer.

Na presente edição da Liga, a luta pela manutenção continua ao rubro, onde nenhuma das equipas da última metade da tabela tem a manutenção matematicamente assegurada .

Ferramentas de análise e previsão

Se há algo que o futebol demonstrou ao longo dos tempos é que os orçamentos não ganham jogos – e o FC Porto demonstrou precisamente isso na presente edição da Liga dos Campeões – nem existem vencedores antecipados. Porém, atualmente existem cada vez mais ferramentas e métricas que permitem aos analistas delinear previsões cada vez mais certeiras.

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Uma das métricas que vem ganhando relevância nos últimos anos são os «expected goals». Através da combinação de vários fatores (vitórias das equipas em casa ou fora, histórico de confrontos, resultados recentes, etc) é possível estimar quantos golos cada equipa marcará. Evidentemente, esta não é uma ciência exata, mas sim uma ferramenta adicional baseada em dados.

A facilidade de comunicar através das redes sociais levou ao «boom» de analistas desportivos e tipsters que divulgam os seus prognósticos aos seus seguidores. Consequentemente, os melhores casinos online em Portugal registaram um aumento significativo no volume de apostas desportivas. Esta é uma tendência que deve manter-se nos próximos anos, tendo em conta o aumento do número de casas de apostas legais em Portugal todos anos.

Dito isto, o que se pode prever na luta pela manutenção na Liga?

Histórico de pontos necessários para a manutenção

Atualmente a Liga conta com 18 equipas, algo que nem sempre aconteceu nas últimas vinte edições da Liga: entre 2006/07 e 2013/14 participaram apenas 16 equipas por edição. Assim sendo, as edições anteriormente mencionadas não serão contabilizadas na análise do histórico.

Abaixo, pode visualizar o número de pontos necessários para atingir a manutenção nas edições disputadas entre 18 equipas, desde a temporada 2000/01.

Pela análise do histórico de equipas acima e abaixo da linha de água é possível identificar duas macrotendências:

  • Entre 2000/01 e 2005/06, onde o número de pontos necessários para atingir a manutenção tende para os 35 pontos;
  • Entre 2014/15 e 2019/20, onde o número de pontos necessários para atingir a manutenção situa-se ligeiramente acima dos 30 pontos, com uma tendência crescente nas últimas duas temporadas;

Esta diferença entre as duas tendências identificadas é relevante para a análise das contas da edição atual. O maior número de pontos necessário entre 2000/01 e 2005/06 está diretamente relacionado com um número de equipas despromovidas: três. Entre 2014/15 e 2019/20 apenas duas equipas foram despromovidas, reduzindo assim o número de pontos necessários para se manter na primeira liga. Neste período, a exceção ocorreu na temporada 2018/19 na qual desceram 3 equipas para permitir a integração do Gil Vicente na edição de 2019/20.

O patamar de segurança: 15.º lugar

Na edição em curso, o 16º classificado não tem a sua presença na próxima edição da Liga assegurada. Assim sendo, urge a necessidade de analisar o número de pontos que garantiram a 15ª posição nas mesmas edições da Liga.

Embora a barreira dos 30 pontos seja frequentemente referida como o patamar a alcançar, um olhar pelas 12 temporadas analisadas mostra um cenário bem distinto. Na verdade, há um número que sobressai: 35 pontos. Este número de pontos permitiria a manutenção em 11 das 12 temporadas analisadas. Além disso, 35 foi precisamente o número de pontos alcançado pelo 15º classificado das duas últimas temporadas.

Numa análise mais abrangente permite-nos verificar que:

  • 37 pontos garantiriam a manutenção em todas as temporadas analisadas
  • 36 pontos garantiriam a manutenção em 11 das 12 temporadas analisadas
  • 35 pontos garantiriam a manutenção em 11 das 12 temporadas analisadas
  • 34 pontos garantiriam a manutenção em 7 das 12 temporadas analisadas
  • 33 pontos garantiriam a manutenção em 6 das 12 temporadas analisadas
  • 32 pontos garantiriam a manutenção em 4 das 12 temporadas analisadas
  • 31 pontos garantiriam a manutenção em 3 das 12 temporadas analisadas
  • 30 pontos garantiriam a manutenção em 2 das 12 temporadas analisadas

As equipas com a tarefa mais complicada

Com a época a aproximar-se a passos largos do seu final, algumas equipas têm uma tarefa hercúlea em mãos para garantir a manutenção, quando faltam disputar 5 jornadas:

Nacional: a equipa está a 11 pontos de atingir a marca dos 35 pontos, o que implicaria quatro dos cinco jogos em falta, incluindo vencer o Sporting ou o Benfica na 30ª e 32ª jornada, respetivamente;

Farense: a equipa está a 9 pontos de atingir a marca dos 35 pontos, o que implicaria vencer três dos cinco jogos em falta, tendo em conta que defronta o FC Porto na 32ª jornada;

Boavista: a equipa está a 7 pontos de atingir a marca dos 35 pontos, o que implicaria vencer 2 e empatar um dos cinco jogos em falta, tendo em conta que defronta o Sporting na 32ª jornada;

Embora as equipas anteriormente mencionadas estejam em pior posição para atacar a reta final da Liga, há uma segunda linha de equipas ainda na luta pela manutenção: Marítimo, Rio Ave, Famalicão e Gil Vicente. A equipa de Barcelos pode vir a ter um papel preponderante nas decisões no fundo da tabela, uma vez que, além de não defrontar nenhuma dos «três grandes», vai ainda defrontar Marítimo e Boavista, ambos na luta pela manutenção.

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