As condicionantes da Prova Rainha

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Está aí à porta mais uma eliminatória da Taça de Portugal. Para quem não anda atento, já vamos na terceira ronda. Esta é uma eliminatória em que já entram as equipas da Primeira Liga, logo atrairá a atenção de um maior número de pessoas, numa semana exclusivamente dedicada à nossa prova rainha. E, porque é rainha, tem todo esse direito.

Vimos de uma semana eleitoral e de uma paragem para as seleções e por isso estamos com fome de bola, mas há que esperar mais uma semana para vermos aquilo de que mais gostamos: jogos das competições europeias e do campeonato. É um período demasiado prolongado admito, mas a Taça tem de se jogar e não é ela a culpada deste contexto. Contudo, existem alguns aspetos relacionados com o seu formato com os quais não concordo e penso que poderiam ser alterados, como por exemplo:

– Jogos ao fim de semana. Na minha opinião, todas as partidas deviam ser disputadas no fim de semana, neste caso ao sábado e domingo. Não faz qualquer sentido marcarem jogos para quinta e sexta à noite, ainda que existam clubes que disputam competições europeias. Neste caso, e uma vez que há um deles que joga na próxima quarta-feira, poderia muito bem jogar para a Taça no sábado à tarde e os restantes quatro – que apenas competem na outra quinta-feira – dividiam os seus jogos entre sábado e domingo.

Os tempos de descanso mantinham-se assegurados e haveria um maior interesse dos adeptos em ir ao estádio, uma vez que alguns destes jogos passariam a ser durante a tarde e ao fim de semana. Se queremos o conceito “festa da Taça”, então deviam ser criadas tais condições. Mas todos sabemos do poderio dos operadores de televisão e da possibilidade de os clubes pedirem para jogar num determinado dia. Por outro lado, não nos podemos também esquecer que dois dos conjuntos que vão competir na quinta e sexta-feira têm a sua preparação condicionada, devido aos jogadores ausentes nas seleções e que chegam pouco tempo antes das respetivas partidas.

Nesta eliminatória, as equipas da Primeira Liga não se podem defrontar
Fonte: Liga Portugal

Talvez por defrontarem equipas de divisões inferiores não se importem muito com este fator e optem por rodar os seus plantéis e dar minutos aos menos utilizados. Nada contra. No entanto, reside aqui outro aspeto com o qual não concordo e se poderia alterar:

– Sorteio puro. Nesta fase, os clubes da Primeira Liga têm de jogar na condição de visitantes, tal como aconteceu com os da Segunda Liga na ronda anterior. Com este formato, as equipas de escalões inferiores recebem as do escalão máximo e há sempre a possibilidade de haver surpresas. Porém, diminui-se a probabilidade destes conjuntos avançarem para a ronda seguinte, uma vez que o poderio das equipas teoricamente mais fortes tende a imperar. Apesar de os clubes mais pequenos poderem fazer uma boa receita, muitos ficam afastados da competição. O fator casa é normalmente visto como uma vantagem, mas julgo que este formato não é o mais correto.

Com o sorteio puro, todas as hipóteses ficariam em aberto e excluía-se a regra de os 18 primodivisionários jogarem todos fora, podendo até jogar entre si, tal como qualquer outra equipa presente. Existem sempre os prós e contras, mas penso que este tipo de sorteio faria mais sentido, tal como acontece a partir da próxima eliminatória, em que a equipa sorteada em primeiro lugar joga na qualidade de visitada.

No geral, penso que este tipo de formato, nesta eliminatória, apenas limita um maior número de clubes que competem em divisões inferiores de avançar na prova. Aliás, sou normalmente contra os condicionalismos nos sorteios, pois acaba por alterar a naturalidade e a essência, neste caso, do futebol.

Enquanto isso, venha de lá a Taça!

Foto de capa: FPF

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

André da Silva Amado
André da Silva Amadohttp://www.bolanarede.pt
O desporto em geral atrai este jovem aveirense mas é o futebol a sua maior paixão. As conversas com amigos e familiares costumam ir dar ao futebol, hábito que preserva desde sempre. Poder escrever sobre esta vertente é o que o satisfaz, com o intuito de poder acrescentar algo de positivo ao ambiente em torno do futebol nacional.                                                                                                                                                 O André escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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