Sem Falsas Partidas

- Advertisement -

Novo ano, vida nova. Reiniciam-se as temporadas desportivas com todos, sem exceção, a declarar compromissos de grande impacto, uns de continuidade, outros de renovação.

O Sporting CP, no que ao futebol profissional diz respeito, cairia no grupo destes últimos. Aqueles que consideraram a paragem como um momento de recuperação, de alinhamento das tropas e de assimilação de conceitos, de estratégias e também de táticas de um treinador que entrou a meio do percurso sinuoso da equipa.

E sim, deve ter sido um bom período de recuperação para a equipa e sim, foi certamente uma oportunidade para todo aquele trabalho de preparação de uma segunda parte de campeonato, como compromisso com os verdadeiros objetivos desportivos da equipa.

No entanto, e ainda que o campeonato não seja nem possa ser um objetivo realístico desta época, o brio exigia que o primeiro jogo do ano, e logo em casa, fosse positivo. Fosse dada uma vitória na presença dos seus adeptos e, ainda por cima, contra um dos seus principais e eternos rivais. Mas não, isso não aconteceu.

O que aconteceu? Parece que… o Sporting CP perdeu. Para quem viu o jogo, dizem alguns: “Mas notaram-se muitas melhorias. Jogámos muito melhor. Realmente melhorámos…”, isto ou algo do género foi o que preencheu o discurso dos eternos otimistas, fação que aposto que está a diminuir nas bancadas verde e brancas.

A verdade é que não são só essas fações que abandonam os recintos desportivos do clube, mas sim, aos poucos, as demais. A sensação de ausência de rumo, de desorientação geral, leva o espetador a conseguir apenas esperar uma coisa da equipa de futebol profissional: não esperar por nada, garantir uma posição sem qualquer expectativa pois, na presente situação, não se sabe nunca o que pode acontecer.

Do meu ponto de vista, virar as costas ao clube quando ele mais precisa de apoio, apesar de não ser solução sustentável, é uma posição legítima e perfeitamente justificável de quem já há vários anos não tem mais faces a oferecer…

O grande problema da realidade existente é muito fruto da ideia errada que o clube pode ser candidato a posições para as quais notoriamente não tem condições, criando aquilo que o adepto não pode ter: expectativas.

O argentino esteve em evidência no clássico frente ao FC Porto
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Não se pode é continuar com discursos de capitalização de enganosas melhorias, que nada mais são do que rasgos de sorte ditados por um sucedâneo de acontecimentos que não têm na sua base qualquer tipo de sustentação ou planeamento. Há de chegar o momento em que as melhorias vão, efetivamente, existir e que as mesmas vão mesmo ser resultado do trabalho semanal, da qualidade do plantel e sua equipa técnica e, sobretudo, de uma estratégia global de (re)estruturar o futebol profissional mas, para já, trata-se apenas do que deu para fazer com aquilo que se tem. E isso não se pode dizer que constitua uma melhoria. Não se deve deitar a baixo? Não, claro que não. Mas também não se pode dizer que são sinais de melhoria porque isso tem o efeito pernicioso de acalentar esperanças de que, na semana seguinte, as coisas melhorarão ainda mais, como se de um gráfico de reta ascendente se tratasse. Há que olhar para os dados e perceber que a linha se move ao sabor do vento, pois não tem qualquer orientação.

A prestação da equipa de futebol sénior profissional do Sporting CP é o que dá…ou seja, nunca se sabe o que vai dar e por essa razão não se pode esperar nada. Se assim estivermos, será mais fácil renovar esperança de melhorar o clube e continuar a apoiar, ainda que o estado atual da situação não seja a melhor.

Só com uma mudança de mentalidade no presente se pode ter esperança num futuro mais risonho, pois, se assim não for, continuaremos a ser os eternos campeões das vitórias morais e das constantes conversas do “jogámos como nunca, mas perdemos como sempre”.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão 

João Pedro Maltez
João Pedro Maltezhttp://www.bolanarede.pt
Um militante no combate à monocultura desportiva nacional. Um esperançoso por um desporto melhor, a que seja garantido e reconhecido o justo retorno do seu valor social.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Neemias Queta eleito MVP e melhor marcador dos Boston Celtics após duplo-duplo e vitória contra os Washington Wizards na NBA

Neemias Queta fez uma das melhores exibições da carreira. Poste português foi o MVP da vitória dos Boston Celtics sobre os Washington Wizards.

Imprensa espanhola garante que Cristiano Ronaldo quer levar jovem do Sporting para o Almería

Cristiano Ronaldo é agora um dos investidores do Almería. Avançado português quer contratar Flávio Gonçalves junto do Sporting.

Mundial 2026: Iraque supera entraves e confirma presença na repescagem em Monterrey

A federação do Iraque garantiu que os problemas logísticos estão resolvidos. Haverá duelo decisivo frente a Bolívia ou Suriname para o dia 31 de março.

Jim Ratcliffe elogia recuperação de Michael Carrick mas não abre o jogo sobre o futuro

Jim Ratcliffe, co-proprietário do Manchester United destacou o trabalho de Michael Carrick. No entanto, o dirigente recusou confirmar a sua permanência a longo prazo.

PUB

Mais Artigos Populares

Rafa Mir quebra o silêncio após acusação de agressão sexual: «Falta menos para ser provada a minha inocência»

Rafa Mir nega insultos racistas no jogo com o Espanhol e mostra-se confiante no desfecho do processo judicial de agressão sexual.

Nikita Haikin, guarda-redes do Bodo/Glimt, renova contrato até 2027

O Bodo/Glimt anunciou este sábado a renovação de Nikita Haikin. O guarda-redes natural de Israel, estendeu o seu contrato até 2027.

Renato Nhaga rendido ao Galatasaray: «Sinto-me em casa»

Renato Nhaga destacou o ambiente acolhedor e a mística familiar que encontrou no Galatasaray. O jovem está rendido aos clube turco.