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O patinho feio, novamente, tornava-se cisne e decisivo

José Mário Fernandes · 3 min

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2017/18, época do último campeonato conquistado pelo FC Porto, foi um dos momentos altos da passagem de Sérgio Oliveira, muitas vezes visto como um patinho feio no clube, e que assim se tornou cisne. Com a lesão de Danilo, o camisola vinte e sete mereceu a aposta de Sérgio Conceição e, como retribuição, este formou, juntamente com Hector Herrera, uma dupla de respeito no setor intermédio, sendo, indiscutivelmente, peça importante na campanha histórica daquele título.

Bom, perspetivava-se que, na época seguinte, o técnico portista volta-se, novamente, as suas atenções para Sérgio Oliveira e depositasse nele níveis de confiança condizentes com o papel que o jogador havia tido na equipa meses antes.

Todavia, tal não aconteceu. Muito pelo contrário, aliás. Empréstimo ao PAOK, após um começo de temporada de poucas oportunidades no Dragão, aparentemente, por desentendimentos com o treinador azul e branco.

Facto é que, com ou sem desentendimentos, o jogador formado no FC Porto voltaria a ser opção para Sérgio Conceição e, porventura, num dos cenários mais favoráveis: Hector Herrera e Óliver Torres, dois dos melhores médios do plantel, não permaneceram no grupo e Danilo era constantemente atormentado por lesões já há algum tempo.

Feitas as contas, ultimamente, restavam apenas o próprio, Sérgio Oliveira, Matheus Uribe, Mamadou Loum e, eventualmente, Danilo Pereira. O resultado não poderia ser mais óbvio: com maior ou menor dificuldade, Sérgio haveria de ser titular.

E com isto não pretendo em nada diminuir as suas recentes exibições: o recém-eleito melhor médio do campeonato tem sido dos melhores elementos azuis e brancos nas jornadas que antecederam a atual paralisação do campeonato.

O último campeonato conquistado pelo FC Porto foi o melhor momento da passagem de Sérgio Oliveira, patinho feio no clube, e que assim se tornou cisne.
Até à paragem forçada do campeonato, Sérgio Oliveira vinha sendo aposta regular no FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Esta constatação, aliás, vem de alguém que nunca viu em Sérgio Oliveira um jogador de primeira linha do futebol português, um jogador que, a meu ver, esteve no topo da hierarquia de médios no FC Porto sendo, em termos gerais, inferior a grande parte dos restantes.

Ora, enumeremos as principais características de Sérgio Oliveira. A primeira que me surge é, claramente, as bolas paradas. Será o antigo internacional português o melhor homem que o FC Porto possui neste quesito? Alguma vez o foi? Nas duas épocas em que mais se destacou (17/18, juntamente com a atual), teve que partilhar balneário com Alex Telles, o que, convenhamos, retira-lhe automaticamente o título de “rei das bolas paradas”.

De seguida, participações em golos. Neste ponto, sou forçado a dar o braço a torcer. Atualmente, o jogador formado no FC Porto é o médio mais participativo na hora do golo. Uribe, apesar de eu acreditar que tem capacidades para tal, não tem sido homem de constantes aproximações à área contrária e Danilo e Loum possuem uma natureza mais defensiva. Nisto, o camisola vinte e sete leva vantagem.

Contudo, a verdade é que, aquando da presença de Hector Herrera na Invicta, Sérgio Oliveira, em termos brutos, não conseguiu ter a preponderância que o mexicano teve. Na sua melhor temporada em termos de golos e assistências (que vinha sendo a atual), o português alcançou a marca de quatro golos e seis assistências, números ainda distantes daquela que foi a melhor temporada do atual jogador do Atlético de Madrid (sete golos e onze assistências em 14/15).

Relativamente a visão de jogo e capacidade de passe, Sérgio encontra-se também uns furos abaixo de alguns nomes que com ele partilharam balneário em anos anteriores, como é o caso de Óliver Torres, por exemplo.

Conclusão? Sérgio Oliveira não é, nem de perto, nem de longe, um jogador diferenciado, contudo vem conseguindo conquistar algum espaço muito por conta da falta de opções de qualidade no meio-campo portista, obtendo maior destaque na época em que, possivelmente, essas lacunas são mais visíveis.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

José Mário Fernandes

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