Rio Ave FC 0-4 CD Feirense: Um assalto ao vizinho

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A CRÓNICA: CD FEIRENSE DE PRIMEIRA METEU A QUARTA E NÃO DEU HIPÓTESES 

O Rio Ave FC recebeu o CD Feirense e deslizou pela primeira vez na época 21-22, com uma derrota por 0-4. Com este resultado, a turma de Vila do Conde vê a sua liderança fugir, ao passo que a equipa da Feira toma de assalto o primeiro posto da tabela.

Os «vizinhos» da Feira deslocaram-se a Vila do Conde rotulados como «menos favoritos», não obstante, desde início, tal não se verificou, com os ‘pupilos’ de Rui Ferreira a demonstrarem – para além de ambição e da procura pelo golo – uma noção notória do que deviam fazer em campo.

A forma desinibida e igualmente intensa de operar, trouxe para jogo um CD Feirense controlador e afirmativo nas duas vertentes do jogo, tendo sido possível observar, desde a primeira posse de bola do jogo, aquilo para o que a turma da Feira vinha.

Apesar disso, e antes do primeiro tento da partida, Arthur, após uma saída descuidada, ofereceu uma oportunidade flagrante para o Rio Ave FC, ainda que não tenha repercutido em qualquer consequência. No corolário dessa ocasião, o CD Feirense – eficaz e oportunista – abriu o marcador através dos pés de Kerwin Vargas, num remate ‘em jeito’ e de belo efeito que não deu hipóteses de defesa para o guardião rioavista.

Na reação, quando se esperava uma resposta forte da equipa da casa, aconteceu exatamente o contrário. O CD Feirense apertou ainda mais, e não deu espaço para o Rio Ave FC se confortar com bola. E depois? Eu direi uma réplica de acontecimentos: o CD Feirense ampliou o marcador através de Vargas e, novamente, após um desperdício da equipa da casa.

O avançado colombiano aproveitou o excelente cruzamento de Fábio Espinho para oferecer o 0-2 à equipa da Feira e aumentou, deste modo, a esperança fogaceira que ia para os balneários com dois golos na bagagem.

Do outro lado, a desinspiração dos homens do costume, tais como Guga ou Gabrielzinho, ditou uma primeira parte igualmente desinspirada por parte dos comandados de Luís Freire. 0-2 ao intervalo.

Na segunda parte, como expectável, a toada transfigurou-se. A equipa da casa conseguiu ter (muito) mais tempo com a posse de bola, e conseguiu colocar em sentinela a defesa do CD Feirense. O Rio Ave FC acelerou, contudo, as oportunidades não apareceram e o resultado não via alterações em prol dos homens da casa.

Ora, depois de vários sustos perto da área do CD Feirense, o Rio Ave FC revelou alguma incapacidade de definição no último terço, que seria alimentada por alguns atritos e inconformidade com as decisões da equipa de arbitragem. Depois disso, o caos.

Apesar da toada se ter alterado, o CD Feirense andou sempre atrás de uma transição rápida, que ocorreria ao minuto 76: Jardel (acabado de entrar) ganhou as costas de Aderlan Santos, que não encontrou meios para travar o extremo sem ser em falta, e que resultou no segundo amarelo e consequente expulsão do central brasileiro.

Até final, reduzidos a 10 elementos, os vilacondenses apresentaram-se moribundos, enquanto a equipa da Feira continuou a atacar de forma sagaz e vertiginosa, com os contra ataques de Jorge Teixeira e Jardel a revelarem-se letais, proporcionado um resultado dilatado (0-4) e no assalto fogaceiro à liderança do Rio Ave FC.

 

A FIGURA

Kerwin Vargas – Apesar de ter atuado somente durante uma hora de jogo, fez os dois primeiros golos do encontro, e revelou uma eficácia fantástica. Quer com os pés, quer com a cabeça, o colombiano foi uma autêntica dor de cabeça para a defensiva vilacondense.

 

O FORA DE JOGO

Gabrielzinho – Depois de um jogo brilhante diante o Estrela da Amadora esperava-se mais por parte do extremo brasileiro. Esteve desaparecido durante os 90 minutos, e raramente provocou o pânico na ala direita do CD Feirense.

 

ANÁLISE TÁTICA – RIO AVE FC

O Rio Ave FC apresentou-se num 3-5-2, que alternava consoante o movimento dos avançado, sendo Zé Manuel o mais liberto dos avançados (entre dar apoio e movimentar-se na profundidade) e Pedro Mendes o mais fixo, essencialmente na procura da bola «alta» entre os centrais.

O trio do meio campo foi Zimbabwé (o mais recuado), Jota e Guga, sendo que aqui, Freire rapidamente observou problemas de entrosamento e de ligação entre os três, pelo que motivou a saída de Jota e Zimbabwé ao intervalo.

Após estar em desvantagem, o técnico luso modificou o sistema e apresentou um 4-4-2 com dois pontas de lança de raíz, arrastando Zé Manuel um pouco mais para a ala direita.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Jhonatan (4)

Costinha (5)

Hugo Gomes (5)

Aderllan Santos (3)

Pedro Amaral (6)

Zimbabwé (5)

Joca (6)

Guga (6)

Zé Manuel (6)

Gabrielzinho (3)

Pedro Mendes (6)

SUBS UTILIZADOS

Yakubu Aziz (6)

Rúben Gonçalves (5)

Ukra (6)

Alhassane Sylla (5)

Ângelo Meneses (-)

 

 

ANÁLISE TÁTICA – CD FEIRENSE

A equipa comandada por Rui Ferreira alinhou num 3-1-1-2-3 bem delineado, com os dois médios (Fall e Washington) a funcionarem como um «elástico», sempre coordenados em função da bola, e quase nunca em paralelo. De resto, a largura era proporcionada pelos alas (Diga e Zé Ricardo), com os avançados a alternarem entre movimentos de rutura e aproximação aos médios, no entanto, tendo o primor da procura pelas costas da defensiva vilacondense.

Em construção ofensiva, destaque para a saída curta entre os três centrais, que vagarosamente procuraram os espaços no setor intermediário do campo.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Arthur Augusto (6)

João Pinto (6)

Ícaro Silva (6)

Bruno Onyemaechi (6)

Latyr Fall (6)

Washington(7)

Samuel Teles (6)

Diga (7)

Zé Ricardo (6)

Kerwin Vagas (9)

Fábio Espinho (8)

SUBS UTILIZADOS

João Paulo (6)

Jorge Teixeira (5)

Cláudio Silva (6)

Jardel (7)

Manu Silva (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Rio Ave FC

BnR: Boa tarde mister, que mensagem passa à equipa depois de uma derrota tão pesada?

Luís Freire: “Não éramos os melhores do mundo, como referi tantas vezes, hoje não somos os piores. São três pontos, nada mais que isso, três pontos. Não conseguimos ser a equipa mais forte como temos sido, e o que se diz à equipa é isso: ‘Não éramos os melhores do mundo, hoje não somos os piores’, mas vamos continuar a nossa luta.

CD Feirense

BnR: Boa tarde mister, considera que a chave do jogo esteve na reação da sua equipa ao primeiro golo, isto é, ao manter o mesmo ritmo de jogo, e ao aumentar a intensidade, mesmo estando em vantagem?

Se me permite, gostaria de perguntar ao Mister ainda uma opinião sobre o potencial de Jardel, um jogador que de resto atuava no Campeonato de Portugal na temporada passada, e agora estreou-se, agitou o jogo, e marcou um golo.

Rui Ferreira: “Nós abordamos este jogo claramente com a ambição de conquistar os três pontos. Qualquer das maneiras, o facto de termos marcado o primeiro golo, levou a equipa a acreditar ainda mais, e na consequência transmitimos aos jogadores que devíamos de manter o mesmo registo. Em relação ao Jardel, ele revelou a qualidade dele e o que tem demonstrado no treino. Estava confiante que ele queria muito mostrar”.

Diogo Silva
Diogo Silvahttp://www.bolanarede.pt
O Diogo lembra-se de seguir futebol religiosamente desde que nasceu, e de se apaixonar pelo basquetebol assim que começou a praticar a modalidade (prática que durou uma década). O diálogo desportivo, nas longas viagens de carro com o pai, fez o Diogo sonhar com um jornalismo apaixonado e virtuoso.

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