SL Benfica 2-2 AFC Ajax: Viagem a Amsterdão não vai ser passeio

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A CRÓNICA: LIGADOS À CARGA

Dia de Liga dos Campeões. Primeira mão dos oitavos-de-final. A noite é de gala e a D. Elisabete recorreu ao equipamento de sempre que nem o glamour das grandes noites de futebol europeu a fez trocar: pano de limpeza numa mão e o spray desinfetante com que o ensopa na outra.

Salvo estabelecimento de um acordo publicitário com esta plataforma, não designarei a marca do produto de limpeza em causa, mas, para satisfação dos mais curiosos, tem nome igual ao da equipa neerlandesa que se apresentou no Estádio da Luz. A D. Elisabete vinha à espera de uma limpeza, mas o que encontrou já estava a brilhar.

Cheirava bem, a Champions, no Estádio da Luz e o SL Benfica parecia vir empenhado em dizer à Europa que é construído de história. Aos encarnados, o ambiente ia servindo de combustível para um início equilibrado.

Sabe-se, no entanto, que o nível de vida nos Países Baixos é bem mais interessante para quem deseja adquirir esse luxo que carbura e gera movimento. O que aos neerlandeses durou o jogo todo, aos portugueses serviu apenas para meia-hora.

Enquanto o combustível servia SL Benfica e AFC Ajax da mesma forma, Tadic aproveitou uma equipa das águias desorganizada por uma perda de bola de Grimaldo, que quis correr um risco para o qual ainda não tinha avaliado as consequências.

Com recurso aos pingos da reserva, ainda a meio da primeira parte, Jan Vertonghen teve forças para lutar por uma bola que parecia perdida após um canto. A partir daí, o belga desferiu um golpe, que teve tanto de passe como de remate, contra Haller que nem teve oportunidade de se afastar da bola para que esta não tomasse o caminho da própria baliza.

Empenhado em redimir-se, o costa-marfinense deu nova vantagem à equipa que venceu o grupo do Sporting CP na fase de grupos da Liga dos Campeões. A partir daí, o gás do SL Benfica foi-se e o que mais se ouvia das bancadas era os adeptos a vociferar “chuta” e os “olés” dos neerlandeses.

A capacidade que os portugueses têm para se meterem em problemas, desta feita de ordem internacional, provavelmente, ligaram um Nord Stream 3 lá de uma origem duvidosa do leste ao Estádio da Luz, tal foi a energia com que os encarnados vieram para a segunda parte.

Nunca tiveram a baliza a salvo, é certo, mas, na segunda parte, foram várias as vezes em que deixaram Pasveer em apuros.

Do susto à consumação do ato, foi um caminho longo que só aos 72 minutos de jogo se verificou. Yaremchuk viu a bola à sua disposição e cabeceou-a com tanta intenção que até ele próprio entrou na baliza.

Com tudo igualado, a viagem do SL Benfica a Amsterdão promete não ser para ver as paisagens. Há trabalho a fazer para seguir em frente.

 

A FIGURA

SL Benfica AFC Ajax
Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede

Steven Berghuis Essencialmente na primeira parte, o pé esquerdo fez maravilhas que poucos conseguem e que tornaram o AFC Ajax muito capaz a nível ofensivo. Talvez por a bola não ter estado tantas vezes na sua posse, a equipa tenha caído de rendimento.

 

O FORA DE JOGO

SL Benfica AFC Ajax
Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede

Álex Grimaldo A pressão de defender Antony colou-o à retaguarda. Daí não foi capaz de mostrar os atributos ofensivos que o caracterizam. Fica marcado pelo erro no primeiro golo.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Nélson Veríssimo meteu dedo na dimensão tática do jogo. O SL Benfica apresentou-se em 4-3-3 com Gonçalo Ramos a desempenhar o papel de terceiro médio, ao lado de Taarabt e à frente de Weigl.

A defender, o camisola 88 foi também o elemento que mais variou o posicionamento. Se o AFC Ajax tentasse sair a três, pressionava Edson Álvarez, caso contrário, baixava.

No lado direito da defesa, Gilberto foi a mostra do respeito pelo adversário. À confiança de que Otamendi, Vertonghen e Weigl teriam capacidade para resolver sarilhos vindos do corredor exterior preferiu salvaguardar o miolo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Odysseas Vlachodimos (5)

Gilberto (5)

Nicolás Otamendi (6)

Jan Vertonghen (6)

Álex Grimaldo (5)

Julian Weigl (5)

Adel Taarabt (7)

Rafa Silva (6)

Everton (5)

Gonçalo Ramos (6)

Darwin Núñez (7)

SUBS UTILIZADOS

Roman Yaremchuk (6)

Paulo Bernardo (-)

Valentino Lázaro (-)

Diogo Gonçalves (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – AFC AJAX

Na Luz, viu-se um AFC Ajax audaz na forma como se dispôs no campo. Erik ten Hag deu características diferentes das habituais ao meio-campo.

A entrada de Gravenberch no onze alterou a configuração habitual dos visitantes para um 4-3-3. O jovem neerlandês trouxe menos capacidade de rasgo, mas maior controlo da gestão da bola, e partiu de uma zona mais adiantada do terreno.

Para gerar espaço para os cruzamentos de Daley Blind pela esquerda, Tadic explorou com mais afinco o corredor central. No lado oposto, a situação contrária, Mazraoui subiu por dentro de modo a que Antony pudesse receber a bola à largura e aí ser criativo.

No processo de construção, destaque para Timber. O central parecia um autêntico médio a provocar os defesas para lhe saírem ao caminho para libertar, com segurança, num companheiro livre.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Remko Pasveer (5)

Noussair Mazraoui (7)

Jurrien Timber (7)

Lisandro Martínez (6)

Daley Blind (6)

Edson Álvarez (7)

Ryan Gravenberch (5)

Steven Berghuis (7)

Antony (6)

Dusan Tadic (7)

Sébastien Haller (7)

SUBS UTILIZADOS

Davy Klaassen (5)

Nicolás Tagliafico (5)

Devyne Rensch (-)

 

BNR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

 

SL BENFICA

O Bola na Rede foi impedido de fazer questões ao treinador do SL Benfica, Nélson Veríssimo.

 

AFC AJAX

Bola na Rede: Hoje o Haller marcou novamente. Acha que tem o nível necessário para ser o melhor marcador da Liga dos Campeões?

Erik ten Hag: Fez um bom golo. Tem capacidade para isso.

Bola na Rede: Que erros o AFC Ajax tem que evitar na segunda mão para eliminar o SL Benfica?

Dusan Tadic: Precisamos de evitar as transições. Sofremos um golo assim. Falámos nisso. Precisamos também de ser mais capazes com bola e trabalhar nos detalhes.

Francisco Grácio Martins
Francisco Grácio Martinshttp://www.bolanarede.pt
Em criança, recreava-se com a bola nos pés. Hoje, escreve sobre quem realmente faz magia com ela. Detém um incessante gosto por ouvir os protagonistas e uma grande curiosidade pelas histórias que contam. É licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e frequenta o Mestrado em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.

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