Estoril 2-2 FC Porto: A teimosia tem limites… e consequências

- Advertisement -

eternamocidade

O futebol está longe de ser uma ciência exata: nem sempre por se ter melhores jogadores se ganha, nem sempre por se criar oportunidades infinitas se vence e nem sempre por se começar a ganhar se consegue gerir um jogo. Apesar do futebol não ser matemática, há coisas que, semana após semana, se tornam difíceis de perceber: depois de uma exibição com tanta qualidade em Bilbau, aquilo que seria normal é que Lopetegui mudasse o menos possível. Com a ausência por fadiga muscular de Tello, aquilo que todos esperavam é que a troca do espanhol por Ricardo Quaresma fosse a única alteração que o técnico espanhol fosse fazer. Seria o mais lógico, o mais natural e, muito provavelmente, o melhor para a equipa do FC Porto.

Ao contrário do que era expectável, Lopetegui decidir retirar um coelho da cartola e lançar Adrián López em campo, em detrimento do médio Óliver Torres. Depois do erro de palmatória cometido frente ao Sporting, para a Taça de Portugal, o treinador portista decidiu repetir o brilhante feito do jogo da Taça e mais uma vez errou. Perdeu o meio-campo, deixou que Herrera fosse o único homem a construir jogo ofensivo e, sobretudo, colocou um jogador a menos em campo porque, salvo outra opinião, por esta altura ainda não sei se Adrián entrou ou não na Amoreira, esta noite. Do lado do Estoril, José Couceiro retirou o lesionado Kléber do onze e colocou Babanco de início, oferecendo maior consistência ao meio-campo e deixando Tozé como falso “9”.

O início da partida demonstrou rapidamente as dificuldades do FC Porto: com Casemiro encostado aos centrais na primeira fase de construção, apenas Herrera foi o elo de ligação entre o meio-campo e o ataque. Do mexicano até aos quatro homens da frente era um autêntico buraco, com Brahimi e Quaresma a serem os únicos capazes de baralhar as marcações canarinhas. Jackson Martinez nunca conseguiu adaptar-se ao sistema de dois avançados na área, enquanto Adrián não foi mais do que uma sombra durante os 60 minutos em que esteve em campo. Mesmo com uma exibição profundamente desinspirada nos primeiros minutos do jogo, a questão individual voltou a evidenciar-se e, como não raras vezes esta temporada, Brahimi decidiu fazer mais uma jogada brilhante e assinar o primeiro golo dos portistas no Estoril. Apesar do golo portista aos 20 minutos, a vantagem não foi boa conselheira para os azuis e brancos, que apenas 6 minutos depois viram Kuca fazer o empate para os canarinhos. Com tanto equilíbrio durante a primeira meia hora, o empate era o resultado mais ajustado tendo em conta o que Estoril e FC Porto faziam. O certo é que o golo do extremo cabo-verdiano foi um bom tónico para os portistas, que, até ao intervalo, podiam ter chegado à vantagem no marcador, por Brahimi, Quaresma e Jackson.

2
Jackson Martínez voltou a ficar em branco e o FC Porto deixou pontos na Amoreira
Fonte: lebuteur.com

A segunda parte trouxe um Estoril menos afoito e um FC Porto mais balanceado no ataque. Com Herrera em plano de destaque, a equipa de Lopetegui entrou muito mais pressionante sob o adversário e, apesar de não ter criado grandes oportunidades de golo junto da baliza de Kieszek, adivinhava-se que o golo dos portistas poderia surgir a qualquer momento. Do lado canarinho, era por demais evidente a estratégia de contra-ataque sustentada na velocidade de Kuca, Sebá e Tozé, que ainda assim tiveram poucas oportunidades de levar perigo à área de Fabiano. Ainda assim, e após as entradas de Quintero e Aboubakar para as saídas de Casemiro e Adrián, o Estoril começou a ter mais espaço entre linhas, o que foi aproveitado por Esiti, Diogo Amado e Babanco para criar mais problemas aos portistas. Numa dessas oportunidades, Fabiano acabou mesmo por fazer falta sobre Tozé, dando a possibilidade ao jogador emprestado pelo FC Porto de cometer uma pequena “traição” ao seu clube ao fazer a reviravolta para o Estoril-Praia, aos 81 minutos.

Com pouco mais de 10 minutos para jogar e com uma equipa completamente partida em campo, apenas a alma e determinação portistas impediram que o resultado na Amoreira fosse ainda pior. Aos 92 minutos, após mão de Yohan Tavares na área estorilista, Óliver isolou-se perante Kieszek e restabeleceu a igualdade. Até ao apito final de Artur Soares Dias, destaque apenas para um remate de Jackson que o guarda-redes polaco impediu que resultasse numa vitória portista.

Com este empate – repetição do resultado da época passada – o FC Porto cai para o 3.º lugar do campeonato, a 1 ponto do V. Guimarães, a 3 do Benfica e com 5 de vantagem para o Sporting. Esta noite na Amoreira o FC Porto só se pode queixar de si próprio por não ter levado um resultado melhor. E quando digo FC Porto, quero sobretudo deixar o reparo a Lopetegui: este resultado negativo deve-se a ele e a uma alteração completamente disparatada na equipa, retirando Óliver, colocando Adrián e desvirtuando um modelo tático que tinha resultado em Bilbau e que podia e devia ter-se mantido. Lopetegui quis inventar e com isso perdeu 2 pontos. E assim, às vezes, se perdem campeonatos.

 

A Figura

Yohan Tavares – O central do Estoril-Praia foi uma completa barreira às investidas portistas e não foi por acaso que Jackson Martinez passou, durante a maior parte do tempo completamente, ao lado do jogo.

O Fora-de-Jogo

Lopetegui/Adrián López – A teimosia de Lopetegui voltou a dar mau resultado e a aposta em Adrián fez com que o FC Porto tenha sido uma equipa completamente alterada relativamente ao que tinha feito em Bilbau. Depois de uma exibição quase perfeita em Espanha, não havia por que mudar. O treinador fê-lo e leva apenas 1 ponto para casa para recordar. Quanto ao suposto “avançado” espanhol, não há muito mais que possa dizer. É que perante tanta mediocridade, às vezes nem sequer as palavras fazem sentido. 

Redação BnR
Redação BnRhttp://www.bolanarede.pt
O Bola na Rede é um órgão de comunicação social desportivo. Foi fundado a 28 de outubro de 2010 e hoje é um dos sites de referência em Portugal.

Subscreve!

Artigos Populares

A mitologia e mística do Jamor a favor do Torreense ou como explicar uma vitória histórica na Taça de Portugal

Até ao Jamor houve mérito e, na tarde que mais bem retrata o futebol português, a conquista inédita e histórica teve, como único fator, o mérito. O Torreense soube, da sua maneira, ser superior ao Sporting e foi assim que conquistou a Taça de Portugal.

Antecipa-se um calendário exigente para o Benfica na Europa: eis os possíveis adversários na 2.ª pré-eliminatória da Europa League

O Benfica inicia a época mais cedo, disputa três pré-eliminatórias para chegar à fase de liga da Europa League e prevê-se um percurso complicado.

Sporting vive Taça de Portugal exigente com quatro prolongamentos ao longo da Prova Rainha

O Sporting teve uma Taça de Portugal marcada pela exigência máxima, e disputou quatro prolongamentos ao longo da Prova Rainha.

Luís Tralhão aborda 2º golo do Torreense contra o Sporting: «Fui a única pessoa que não me levantei»

Luís Tralhão esteve presente em conferência de imprensa após o Torreense conquistar a Taça de Portugal. Lê o que o técnico disse.

PUB

Mais Artigos Populares

Petro de Luanda é campeão angolano e decisões da prova ficam definidas: eis todos os resultados da última jornada do Girabola e a classificação...

O Petro de Luanda confirmou mais uma conquista do Girabola e fecharam as principais contas do campeonato angolano após a última jornada.

Luís Tralhão deixa mensagem para Rui Borges: «O que dizer desta equipa que fez um trabalho fantástico ao longo da época»

Luís Tralhão esteve presente em conferência de imprensa após o Sporting conquistar a Taça de Portugal. Lê o que o técnico disse.

Pedro Proença deixa mensagem ao Torreense

Pedro Proença deixou uma mensagem a felicitar o Torreense. A equipa conquistou a sua primeira Taça de Portugal.