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Como a Argentina está a inovar e o exemplo que Portugal pode seguir

Marcos Brea · 3 min

Liga Argentina
Foto: CA Boca Juniors

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A Liga Profesional Argentina concluiu esta semana, vendo coroado como campeão o CA Boca Juniors. No entanto, algumas pessoas podem achar estranho o facto do campeonato ter apenas 27 jornadas.

A verdade é que a estrutura da principal competição na Argentina tem toda uma lógica e está relacionada com a Copa de la Liga (Taça da Liga Argentina).

A Copa de la Liga Argentina tem um formato muito interessante e acaba por tornar a competição relevante, algo que em Portugal não acontece.

Neste seguimento, a época desportiva teve início em fevereiro através da Copa de la Liga. Nela estavam as 28 equipas divididas por dois grupos, sendo que as equipas apenas jogam uma vez, independentemente de ser em casa ou fora.

Dessa maneira as equipas seguiam uma estrutura de campeonato e passavam apenas quatro equipas de cada grupo. A partir daí as equipas defrontam-se em eliminatórias, sendo que o vencedor da Competição garante uma vaga na Copa Libertadores, a competição internacional máxima Sul-Americana.

Apesar da recompensa ser alta, ainda há outro fator a ter em conta, estando também relacionado com a qualificação para as competições continentais.

No final da temporada, tanto as performances do campeonato como as da taça da liga são tomadas em conta, sendo que as três equipas que mais pontos efectuarem no total avançam para a Copa Libertadores, excluindo as três equipas que garantem automaticamente uma vaga na Libertadores (vencedores da Liga Profesional, Copa de la Liga e Copa Argentina).

Após a conclusão da Copa de La Liga, inicia o campeonato com as 28 equipas, havendo somente uma mão, ou seja, 27 jornadas.

O campeonato deste ano foi longo, foi competitivo e um se não o mais cativante na luta pelo título desde que Aguero decidiu a Premier League em 2012.

Durante a temporada inteira, nunca houve um líder isolado por mais do que um ou dois jogos de diferença. Várias equipas ocuparam a liderança, mas a verdadeira corrida pelo título acabou por ser entre o Club Atlético Tucumán, Boca Juniors e o Racing Club de Avellaneda.

Jornada após jornada, surgiam novos obstáculos e mudanças na tabela. Todos os olhos estavam no Atlético Tucumán enquanto lideravam a tabela e perseguiam o seu lugar na história ao vencer o título pela primeira vez. Contudo, nas últimas jornadas não aguentaram a pressão, sem conseguir vencer um único jogo nas últimas quatro jornadas.

A equipa terminou em quarto e essa posição em qualquer lado seria bom, porém, o Decano fez uma exibição pouco competente na Copa de la Liga e, somando tudo, o Tucumán não se conseguiu qualificar para a Copa Libertadores nem para a Copa Sudamericana.

Acaba assim por motivar as equipas a competir ao melhor nível nas duas competições, algo que pode ser explorado na Taça da Liga em Portugal.

No final, a luta pelo título foi decidida até aos últimos minutos. O Racing jogou contra o maior rival do Boca (CA River Plate), enquanto o Boca defrontou o maior rival do Racing (CA Independiente).

La Academia teve o título nos pés através de uma grande penalidade no minuto 89, porém falhou e o Boca acabou por ser o campeão no final.

Esta temporada foi extraordinária para os amantes do futebol argentino, com novas estruturas, campanhas surpreendentes, competitividade ao mais alto nível e, com a emergência de jogadores como Enzo Fernández em Portugal ou Julián Alvarez em Inglaterra, será o momento perfeito para analisar um país histórico que continua a inovar.

Marcos Brea

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