A Reportagem BnR sobre a viagem a Londres para o Arsenal x FC Porto

- Advertisement -
FC Porto Cabeçalho

O Bola na Rede esteve em Londres para cobrir o Arsenal x FC Porto nos oitavos de final da Champions League. Eis a reportagem da viagem.

Acordar às 4h30 da manhã é mais fácil quando se vai a Londres para o Arsenal x FC Porto. Mala no sítio, cabeça arrumada e com o símbolo do Bola na Rede ao peito. Lá íamos. O Cristiano Ronaldo costuma dizer que não segue os recordes, os recordes é que o seguem. No meu caso, é a síndrome do «claro que isto tinha de acontecer» que me segue de quando em vez. Começo por chegar ao terminal errado no aeroporto de Lisboa. Confusão inicial e resolvido. Parte-me a pega principal da mala, que levava ao ombro esquerdo. É o que é. Ao fim de duas voltas e meia ao relógio, estou em Londres.

Nem tudo é preto ou branco. Londres é cinzento e óbvio que ia estar a chover, mas pelo menos tinha o salvador guarda-chuvas. Parecia estar num filme. As cabines telefónicas inglesas, os típicos autocarros vermelhos e volumosos, os táxis antigos, os pubs clássicos e o Big Ben a bater as 12 badaladas. E os protagonistas? Aos poucos, juntavam-se mais adeptos do FC Porto, com os seus chapéus característicos, voz bem audível e uma energia incansável. Em dia de jogo com o Arsenal, sentia-se a esperança e a união. Não olhavam ao adversário, olhavam a eles mesmos e deixavam o desfecho para os jogadores e os deuses do futebol. Estavam prontos para um filme dentro de um filme. Vibes de Christopher Nolan.

Depois de uma breve visita pela cidade de Londres (que, comparando à “bola”, me recordava em simultâneo um conservadorismo e autenticidade de Sérgio Conceição), uma reportagem à casa do FC Porto, uma entrevista e uma mudança de trajeto devido ao encerramento (para variar) da paragem principal de metro que me obrigou a caminhar uns 20 minutos extra, tinha à minha frente o Emirates Stadium. O campo de batalha entre o Arsenal e o FC Porto em noite de Liga dos Campeões. Passo pelos gritos de cachecóis à venda em pequenas bancas, um modesto lago vermelho e branco e estava à porta dos Media. Seguia-se uma organização estreita: nome e órgão, mala revistada, dois cães a cheirar com um polícia a agarrar e novamente nome e órgão. De seguida, um colaborador da staff do Arsenal cumprimentou-me e levou-me por um corredor até à sala principal.

Aí estava. Uma sala em que dominava as cores vermelhas e brancas (faz sentido) compartilhada em várias pequenas divisões: um espaço de convívio, um de trabalho e outro de comida. As paredes preenchidas por capas de jornais icónicas do Arsenal e o cheiro? Puro jornalismo. Talvez seja dos jornais. «Estás com fome?», perguntaram-me. Claro que estava. Apontaram para trás de mim. Carne, peixe, batatas, salada, pão, sumo, água e sobremesa, acompanhado de uma bela dose de simpatia e educação. Era hora de rumar à tribuna. Subi umas escadas, mirei à volta e os olhos regalaram ao ver o Estádio Emirates tão perto do relvado. Era um sonho.

A zona dos jornalistas situava-se no meio dos adeptos ingleses. Escusado será dizer que se sentia tudo o que havia para sentir. Com um ecrã para ver o jogo em cada mesa e várias televisões perto, estava preparado para o ponto alto do dia: o Arsenal x FC Porto. Deu para ver o ambiente inicial, o levantar dos adeptos em rompante sempre que a bola chegava a Martin Odegaard ou Bukayo Saka, o Pepe a bater de costas no ferro, a assistência brutal de Odegaard, o sacrifício dos jogadores azuis e brancos, o empurrão de Kai Havertz a Sérgio Conceição, as oportunidades, o golo anulado e por fim, as grandes penalidades. A tensão e um final dramático em que o dragão seria derrotado.

Terminado o trabalho, era hora de conferência de imprensa, porém infelizmente não foi possível fazer pergunta tanto a Mikel Arteta como Sérgio Conceição, que lançou a bomba dos confrontos. Silêncio total. A noite terminou na zona mista, onde se viu vários jogadores do FC Porto. Um Pepe concentrado, Alan Varela a coxear em esforço, Galeno a chorar, etc. Martin Odegaard, de sorriso bem grande, apareceu também para uma breve entrevista.

Já passava da meia-noite e tinha de regressar ao quarto. Caminhei por ruas negras, adeptos radiantes e carros a buzinar. 14 anos depois, o Arsenal estava de volta aos quartos de final da Liga dos Campeões. Era noite de festa. Contei as poucas libras que tinha no bolso direito e entrei no autocarro. Na cama, fechei e abri os olhos, intervalado por cerca de oito horas e meia.  

De manhã voltei a ter sintomas da tal síndrome e o rato do computador deixou de funcionar. Comprei um novo. Depois fiquei sem bateria no computador e as fichas eram diferentes em Inglaterra. Nova busca. Trabalhei em algumas coisas, rumei para uma visita final ao Stamford Bridge e terminei no aeroporto. Era o regresso a casa. Casa física, porque, enquanto ia adormecendo no avião, recordava os vários momentos da viagem, sobretudo o tempo no Estádio Emirates, e também me sentia em casa. Não precisamente pelo estádio em si, mas pela experiência.

Diogo Lagos Reis
Diogo Lagos Reishttp://www.bolanarede.pt
Desde pequeno que o desporto lhe corre nas veias. Foi jogador de futsal, futebol e mais tarde tornou-se um dos poucos atletas de Futebol Freestyle, alcançando oficialmente o Top 8 de Portugal. Depois de ter estudado na Universidade Católica e tirado mestrado em Barcelona, o Diogo está a seguir uma carreira na área do jornalismo desportivo, sendo o futebol a sua verdadeira paixão.

Subscreve!

Artigos Populares

Imprensa turca garante interesse de Galatasaray em Alan Varela: eis os planos do FC Porto

Alan Varela está na mira do Galatasaray. FC Porto não tem intenção de vender médio argentino neste mercado de inverno.

Rafa Silva continua na mira do Benfica

O Benfica não esquece Rafa Silva. Futuro do avançado português tem sido tema de discussão na Luz e no Besiktas.

Andreas Schjelderup mais perto de trocar Benfica por clube de Itália: eis as novidades

O Parma está otimista em contratar Andreas Schjelderup ao Benfica. Emblema italiano prepara contrato até 2030 para o extremo.

Sporting pensa em empréstimo de Alisson Santos e há tem interessados em Portugal

Emprestar Alisson Santos é uma opção em cima da mesa para o Sporting. Extremo brasileiro tem interessados em Portugal.

PUB

Mais Artigos Populares

Valencia confirma regresso de Umar Sadiq a custo zero

O Valencia anunciou o retorno de Umar Sadiq a custo zero. O avançado nigeriano ajudou o clube a manter-se na La Liga na temporada passada.

Álvaro Pacheco assina pelo Casa Pia e regressa à Primeira Liga

Esta quinta-feira, o Casa Pia anunciou que Álvaro Pacheco irá assumir o comando técnico após Gonçalo Brandão ter deixado o clube.

Mudanças no Sporting: jogador de saída para a Croácia

Rúben Freire foi confirmado como o reforço do Osijek. O ala deixa o Sporting até ao final da temporada, por empréstimo.