Miguel Valença: Mudar ou não mudar, é a questão do momento | Portugal x Geórgia

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Miguel Valença está na Tribuna VIP do Bola na Rede. É treinador de futebol inicia o seu espaço de opinião no nosso site em pleno Euro 2024. O técnico de 34 anos já orientou o Oliveira do Hospital, Anadia, Real SC, Académica e Beira-Mar.

Depois do resultado e boa exibição de Portugal, em 4-3-3, frente à Turquia, Roberto Martinez voltou a apostar no 3-4-3. Optar por um sistema com 3 centrais em que nenhum deles sobe para atrair, fixar e soltar, abdicando de uma unidade com capacidade para criar desequilíbrios e vantagens nas zonas mais adiantadas do terreno.

Dar minutos aos menos utilizados para fazer descansar os jogadores com mais tempo de jogo é normal e natural, ainda para mais num final de uma época onde muitos dos jogadores fizeram mais de 50 jogos.

A questão que fica no ar é se era preciso tanta mexida! Se nos dois primeiros jogos conseguimos ver duas abordagens diferentes, a insistência no jogo interior frente à Chéquia e o bom jogo exterior frente à Turquia, contra a Geórgia a seleção não conseguiu nenhuma das duas. Pouco entrosamento dos jogadores faz com o jogo de ligação não funcione procurando sempre os desequilíbrios individuais para criar alguma oportunidade de golo.

Kvaratskhelia
Fonte: Filipe Oliveira / Bola na Rede

Ficou bem visível, neste último jogo da fase de grupos, a falta de dinâmicas ofensivas e de equilíbrios defensivos. Ainda não existe uma identidade enraizada na seleção nacional e por isso podemos “direcionar” para a questão das opções do sistema de jogo e das posições/funções dos jogadores em campo.

Este jogo veio colocar ainda mais dúvidas naquilo que é a diversidade e conhecimento tático que Portugal pode apresentar, tanto pela falta de adaptação de alguns jogadores a determinado sistema ou posicionamento em campo, ou porque não estão habituados no clube onde jogam ou pela condição física que apresentam no momento.

No segundo jogo frente a um bloco baixo, segunda exibição menos positiva e, curiosamente, a jogar numa linha de cinco. Portugal ainda não encontrou o “antídoto” para desbloquear blocos baixos bem organizados e em linha de cinco. A derrota desta quarta-feira não é dramática nem deve servir de mote para pessimismo, mas vêm aí as eliminatórias e serve, sim, para estarmos alerta. Todas as equipas têm as suas ‘armas’ para contrariar qualquer tipo de favoritismo.

Redação BnR
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