FC Porto 0-2 Dínamo Kiev: Médio, mau, muito mau

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Difícil de explicar que se passou no Dragão nesta noite friorenta em que se jogou a 5.ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões. O Porto complicou as contas todas (que como já tinha dito no rescaldo do último jogo não eram favas contadas) e está obrigado a ganhar o próximo jogo em Stamford Bridge para depender só de si. Se quiser andar de calculadora na mão pode empatar desde que o Dínamo não ganhe em casa ao Maccabi (cenário pouco provável). Para se perceber o descalabro que foi o jogo, caso perdesse só pela diferença de 1 golo apenas precisaria de empatar em Londres… inimaginável esta noite!

O Dínamo bateu o Futebol Clube do Porto com dois golos sem resposta e nem deu hipótese aos Dragões para esboçar uma resposta visível face ao que se estava a passar no relvado. Uma equipa que foi uma sombra de si, nunca conseguiu ganhar o meio-campo e deixou-se dominar pela teia defensiva (sem “estacionar o autocarro”) dos ucranianos. A culpa não pode morrer solteira e há muitas para distribuir.

Comecemos pelo melhor Porto ou pelo médio Porto – aquele que esteve em campo até aos 20 minutos. Lopetegui deixou André no banco e entrou com Imbula, Danilo e Rúben Neves que apoiavam Brahimi, Tello e Aboubakar no ataque. Quis dar musculo Lopetegui mas a estratégia saiu-lhe muito furada. Danilo embora seja o médio mais eficaz no corte não dá velocidade ao jogo, Rúben dá velocidade e pouco choque defensivo e Imbula dá… dores de cabeça! Este Porto enganou no início com circulação de bola lenta e com algumas jogadas que até podiam levar perigo (nunca eminente!); exemplos são o remate (3’) e  cabeceamento de Danilo (7’), pontapé de Brahimi (13’) e alguns cruzamentos (19’ e 23’) para a área do Dinamo de Kiev. Uma amostra de posse de bola sem alma e a que os ucranianos responderam com perigo real geralmente com cruzamentos da direita (29’ e 33’ são oportunidades claras para os de Kiev). Este perigo era causado não só por uma noite menos inspirada de Layún (quem não esteve desinspirado?!) como pelas falhas de marcação de Imbula e pela falta de ajuda de Brahimi ao lateral. No lado oposto as coisas também não estavam famosas embora Ruben Neves e Tello fossem mais eficazes na ajuda a Maxi Pereira.

A partir dos 20 minutos entramos no mau – 11 jogadores em campo à procura de saber o que fazer à bola. Sobrava alguma ambição que dava esperança aos adeptos. O golo ucraniano surgiu de penalty aos 33 minutos, num daqueles lances que não se marca no Camp Nou, Bernabéu ou Old Trafford mas que o espanhol, rigoroso na análise às faltas portistas, assinalou. Confesso que no estádio fiquei com a sensação que foi uma decisão exagerada mas o leitor pode tirar as suas conclusões já que deve ter tido acesso a várias repetições de vários ângulos. Estava feito o primeiro, prometia ser uma noite difícil – o adversário era duro – mas havia esperança. Só se conseguiu esboçar uma reação ao golo nos últimos minutos da primeira parte embora as torres de leste resolvessem sempre o problema nos cruzamentos para a área. Quando o Porto se preparava para fazer um cruzamento o burocrata espanhol mandou todos para o balneário.

André André foi suplente frente ao Dínamo Kiev Fonte: Facebook FC Porto
André André foi suplente frente ao Dínamo Kiev
Fonte: Facebook FC Porto

A segunda parte começou com uma surpresa: Maxi saiu (sem a velocidade de outrora!) e entrou André André. O Porto organizava-se com Danilo a central, Layún na direita e Martins Indi a lateral esquerdo – provavelmente Lopetegui previu a possibilidade de ter que jogar com 3 centrais. O Porto ainda tentou fazer algo do jogo e foram várias as vezes que se aproximou da área mas a falta de clarividência no ultimo passe foi tão grande que não sobram praticamente jogadas de relevo! E à medida que os Dragões mostravam aos visitantes que estavam frágeis os ucranianos cresciam, com Junior Moraes a ganhar entre os centrais portistas, com os médios a ganharem as segundas bolas e com os centrais a não darem hipótese a Aboubakar e companhia. O único que ainda parecia que sabia o que estava a fazer em campo era o jovem capitão portista embora seja demasiado macio a defender. E mais uma vez o Dínamo foi crescendo e foi criando perigo – o Porto parecia uma equipa cansada, demasiado espaço entre linhas, jogadores que não recuperavam e passes falhados de levar à loucura os adeptos  portistas. E se achavam que já tinham visto tudo então o que se passou aos 66’ deixou todos em choque: a entrada da versão muito má!

Brahimi faz um mau passe (foram tantos!) o Dínamo de Kiev contra-ataca e Casillas “frangou”! O que se adivinhava difícil parecia agora impossível. Osvaldo e Corona entraram mas a equipa estava perdida e o Dínamo sabia ao que vinha – nunca o Porto conseguiu fazer uma jogada com pernas, tronco e membros. Aos 78’ ainda houve uma bola no poste de Shovkovsky mas o Dínamo foi sempre mais venenoso no contra-ataque do que os Dragões. O Porto perdeu a batalha do ataque, do meio-campo e da defesa e perdeu porque a estratégia foi má, as escolhas foram más e a concentração foi inexistente.

Lopetegui está a perder crédito junto dos adeptos (alguns já muito críticos), falhou ao não perceber que Imbula não está entrosado na equipa e Danilo não dá suficiente velocidade no jogo; falhou ao não conseguir posicionar as peças em campo de forma a haver sempre linhas de passe; falhou ao não corrigir a distância que havia entre linhas… o que me leva a crer que o cerne do erro não foi só a análise. Lopetegui não preparou bem a equipa a nível táctico mas essencialmente a nível mental. O Porto esteve ausente, desconcentrado – falhou recepções (a bola parecia que batia em mecos), passes, jogadas… ficou uma preparação mental por fazer! Pergunto ainda: O que adianta ter um bom porte físico quando não se é ágil, rápido nem agressivo? Veja-se o Barcelona por exemplo para se perceber que para ganhar uma bola a agilidade, rapidez e agressividade conseguem suplantar o porte físico dos adversários. A situação é crítica, o risco de ficarmos pelo caminho é sério e analisando com frieza até é o mais provável. Pode ser que o grupo tome consciência do que se passou e que brilhem em Inglaterra, resta-nos essa esperança.

 

A Figura:

Rúben Neves – Circulou a bola entre o bem e o razoável e posicionou-se bem. Faltou agressividade a defender, o menos mau portanto.

O Fora-de-jogo:

Imbula – Indescritível o jogo do franco-belga!

Pedro Nuno Silva
Pedro Nuno Silva
Portista de corpo e alma desde que se conhece e amante de futebol, quando o assunto é FC Porto luta para que no meio do coração lhe sobre a razão.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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