FC Bayern Munique 4-2 (a.p.) Juventus FC: morreu o sonho italiano para renascer o de Guardiola

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O Allianz Arena recebeu, esta quarta-feira, a segunda parte daquela que foi uma eliminatória muito emocionante e competitiva, disputada entre o FC Bayern de Munique e a Juventus FC, a contar para os oitavos de final da Liga dos Campeões. Com muito sofrimento à mistura, e depois de uma magnífica reviravolta, os “bávaros” deram o melhor seguimento ao empate conseguido em Turim, numa primeira mão onde até construíram uma vantagem de dois golos, mas deixaram os pupilos de Massimiliano Allegri recuperar.

Em território alemão, o cenário foi semelhante, mas, desta vez, com o Bayern a rir por último. A Juventus colocou-se na frente do marcador logo aos cinco minutos, quando Paul Pogba aproveitou da melhor maneira um erro defensivo de David Alaba e meteu a bola no fundo das redes da baliza defendida por Manuel Neuer. O golo, porém, não serviu para espevitar a partida, que manteve uma toada muito serena, com o jogo a ser disputado, essencialmente, a meio-campo.

Ainda antes da primeira hora, Juan Cuadrado finalizou com mestria uma brilhante jogada de contra-ataque iniciada e desenvolvida por Álvaro Morata, que, depois de deixar a defesa do Bayern para trás, assistiu o internacional colombiano, que não desperdiçou. A partir daqui, a Juventus baixou as suas linhas e a equipa de Pep Guardiola teve mais espaço para pensar a sua saída de jogo com bola no pé, evidenciando, a cada minuto que passava, o seu domínio na partida; estava com mais posse e mais pressionante, isso era evidente. Contudo, a falta de oportunidades claras de golo deixaram os alemães um pouco nervosos com o resultado, que registava um surpreendente 0-2 ao intervalo.

Allianz Arena lotada num dos jogos mais emocionantes da época  Fonte: FC Bayern Munique
Allianz Arena lotada num dos jogos mais emocionantes da época
Fonte: FC Bayern Munique

Na segunda parte, o Bayern voltou a entrar algo inquieto na partida, novamente com dificuldades na fase de construção e cometendo falhas defensivas graves que poderiam comprometer a eliminatória. A Juventus, por seu lado, parecia tranquila com o rumo dos acontecimentos; tão tranquila que, a dada altura, quase abdicou de atacar. O conjunto alemão continuava a ter mais bola, mas os contra-ataques construídos pela turma de Allegri eram cada vez menos. O Bayern pressionava, mas só aos 73 minutos conseguiu materializar o domínio exercido no terreno de jogo, quando Robert Lewandowski marcou um belo golo de cabeça, depois de um irrepreensível cruzamento de Douglas Costa.

A Juve continuava na frente da eliminatória, mas o cenário já não era tão favorável. A equipa fechou-se na sua defesa, recuando ainda mais as suas linhas, mas acabou por sofrer o golo do empate já nos descontos: também de cabeça, Thomas Muller respondeu de forma exímia ao cruzamento do jovem Kingsley Coman e levou a decisão da eliminatória para prolongamento. No tempo extra, que, fruto do natural cansaço que se apoderou dos jogadores, acabou por não ser tão bem disputado como o resto da partida, o Bayern foi mais eficaz e acabou por marcar por duas vezes – Thiago Alcântara aos 108 minutos e Coman aos 110, num golo de belo efeito – fixando o resultado final em 4-2 (6-4 no total da eliminatória).

Para a história fica uma Juventus muito aguerrida e corajosa, que mostrou, uma vez mais – recordo que chegou à final da Liga dos Campeões na época passada –, ter capacidade para defrontar qualquer equipa; e fica também a sensação de que o Bayern terá de melhorar em certos aspetos, sobretudo ao nível da criação de oportunidades, se quiser voltar a reerguer o troféu de clubes mais valioso do futebol europeu. Em suma, hoje passaram, e bem, os alemães, mas a Vecchia Signora caiu de pé.

A Figura:

Pep Guardiola – Pedia-se outra acutilância ofensiva a este Bayern, que falhou muito no último passe e no último terço do terreno. Ainda assim, foi do banco que veio a receita do triunfo “bávaro”: Coman e Thiago, que entraram já no decorrer da partida, fizeram, já no prolongamento, os golos que carimbaram o passaporte do Bayern para os quartos de final da Liga dos Campeões.

O Fora-de-Jogo:

Hernanes – É difícil escolher um “elo mais fraco”, sobretudo quando todos os elementos da Juventus se esforçaram muito para passar a eliminatória, mas o internacional brasileiro esteve particularmente desligado da partida. Quando Allegri precisava de um jogador para assumir a construção de jogo ou para dar seguimento às (poucas) jogadas ofensivas da sua equipa, Hernanes não se fez notar.

Foto de Capa: FC Bayern Munique

Gonçalo Tristão Santos
Gonçalo Tristão Santoshttp://www.bolanarede.pt
O Gonçalo tem um gosto tremendo pela escrita e pela atualidade desportiva. Deixa para a lenda do futebol britânico Bill Shankly a árdua tarefa de descrever a paixão que nutre pelo desporto rei: “Algumas pessoas acreditam que o futebol é uma questão de vida ou de morte. Estou muito desiludido com essa atitude. Garanto que é muito, muito mais do que isso”.                                                                                                                                                 O Gonçalo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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