Um empate que expôs os erros de Bruno Lage | Benfica

- Advertisement -
Benfica

O empate do Benfica frente ao Santa Clara voltou a expor problemas que não são novos. A equipa foi previsível, pouco criativa e incapaz de desmontar um adversário que se fechou atrás. E mais do que nos jogadores, é no modelo de Bruno Lage e na sua leitura de jogo que se encontram as maiores responsabilidades.

Logo desde início, a definição das funções em campo levantou dúvidas. Tomás Araújo foi utilizado como lateral-direito, mas sem a profundidade que Dedic costuma oferecer, acabando por prender o corredor e limitar a largura ofensiva. Ao mesmo tempo, Ivanovic recuava demasiadas vezes para receber, quando quem devia vir buscar jogo era Pavlidis, avançado mais associativo e capaz de ligar setores. Esta opção levou o Benfica a sair muitas vezes a quatro, mas com poucos homens disponíveis na frente para desequilibrar.

Franjo Ivanovic Benfica
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

No meio-campo, a ausência de Enzo na construção foi gritante. Richard Rios foi obrigado a assumir tarefas de criação que não fazem parte do seu perfil, tornando a circulação lenta e previsível. O Benfica passou demasiado tempo a trocar a bola da esquerda para a direita, sem qualquer aceleração ou criatividade pelo corredor central. Sem Dedic, a equipa perdeu ainda mais capacidade de desequilíbrio, ficando refém de cruzamentos sem qualidade e passes laterais fáceis de anular por um Santa Clara bem organizado.

A expulsão de Paulo Vítor aos 37 minutos parecia ser o momento ideal para o Benfica assumir de vez o controlo, mas a equipa não soube aproveitar. Bruno Lage demorou demasiado tempo a mexer, mantendo demasiados homens atrás da linha da bola contra dez adversários. Prestianni entrou ao intervalo, mas a mudança real só chegou aos 73 minutos, quando Sudakov foi finalmente lançado. Demasiado tarde, para um jogo que já há muito pedia um criativo em campo. A sensação é que o treinador demorou a reagir, como se tivesse receio de arriscar.

Gianluca Prestianni Benfica
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Os números falam por si: 78% de posse de bola e menos grandes oportunidades do que o Santa Clara. Um domínio estéril, sem progressão nem risco, e que mostrou a dependência excessiva do Benfica de um único jogador – Dedic. Quando o lateral não está, a criatividade desaparece quase por completo.

Há ainda um outro ponto que não pode ser ignorado: a formação. O Benfica orgulha-se de ter uma das melhores academias da Europa, mas continua a utilizá-la de forma tímida. No banco estavam jovens como Henrique Araújo, que acabou por entrar, mas faltaram opções como João Veloso ou Leandro Santos, capazes de oferecer soluções no corredor central e na ala. Jogadores formados no Seixal que poderiam ter dado outra frescura ao jogo simplesmente não são aproveitados, ficando muitas vezes como segundas escolhas ou até fora da convocatória. A pergunta impõe-se: para que serve o investimento na formação se, nos momentos em que a equipa precisa de alternativas, os miúdos não têm espaço?

É por isso difícil não apontar o dedo a Bruno Lage. O plantel tem qualidade individual e um valor de mercado muito superior ao do Santa Clara, mas isso não se traduz em eficácia dentro de campo. O Benfica já mostrou fragilidades semelhantes noutros jogos e o problema não é de nomes, mas sim de ideias. Se não houver mudanças rápidas no modelo, na forma de ler o jogo e numa maior aposta na formação, o campeonato pode ficar hipotecado demasiado cedo.

Nicolás Otamendi Benfica
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Duarte Rêgo
Duarte Rêgohttp://www.bolanarede.pt
O Duarte é licenciado em Som e Imagem e está a terminar o mestrado em Ciências da Comunicação - Media e Jornalismo. Adora fotografia desportiva e escrever notícias.

Subscreve!

Artigos Populares

Rui Borges recusa falar de reforço e indica: «A recuperação do Daniel foi fantástica»

Rui Borges analisou o duelo da 18.ª jornada da Primeira Liga. Sporting e Casa Pia defrontaram-se esta noite em Alvalade.

Álvaro Pacheco: «Este projeto é para o presente e para o futuro»

Álvaro Pacheco analisou o duelo da 18.ª jornada da Primeira Liga. Sporting e Casa Pia defrontaram-se esta noite em Alvalade.

Cassiano: «Foi uma boa evolução da equipa ao longo do jogo»

Foram lances isolados em que o Sporting explorou falhas nossas. Foi uma boa evolução da equipa ao longo do jogo. Sabemos a grandeza do Sporting. Estamos a habituar-nos às ideias do Álvaro, esta foi a primeira semana com ele, mas já tentámos colocar algumas ideias em prática. Ele quer que levemos a paixão para dentro de campo e por isso buscámos o resultado, com vontade e determinação. Acho que vão haver grandes coisas esta época.

Daniel Bragança: «Não era o cenário sonhado para o regresso, foi melhor do que aquilo que estava a espera»

Daniel Bragança analisou o duelo da 18.ª jornada da Primeira Liga. Sporting e Casa Pia defrontaram-se esta noite em Alvalade.

PUB

Mais Artigos Populares

Sporting vence Casa Pia em noite dos regressos das vitórias e das fábulas de Daniel Bragança

O Sporting começou a segunda volta com uma vitória caseira. Na receção ao Casa Pia, triunfo confortável dos leões na 18.ª jornada.

Daniel Bragança marca golo emocionante no regresso e leva Alvalade ao rubro com o 3-0 do Sporting

Daniel Bragança chegou, viu e marcou no regresso aos relvados pela equipa principal. Sporting e Casa Pia defrontam-se esta noite em Alvalade.

Girona derrota o Espanyol e mete a terceira na La Liga

O Girona foi ao Cornellà-El Prat vencer o Espanyol por duas bolas a zero, em jogo da 10.ª jornada da La Liga.