No início de dezembro, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) organizou e na minha opinião muito justamente, uma homenagem a Rui Patrício na Cidade do Futebol em Oeiras.
Patrício foi, sem dúvida, o guarda-redes mais decisivo e titularíssimo do Sporting e da seleção nacional da última década. É o guarda-redes mais internacional por Portugal com 108 internacionalizações.
Mas para melhor olharmos para a fantástica carreira de Rui Patrício temos de recuar a 19 de Novembro de 2006 quando o então treinador do Sporting, Paulo Bento decidiu apostar num jovem de 18 anos num jogo importante nos Barreiros. Os leões viriam a vencer por 1-0 diante do Marítimo e Patrício acabou por defender uma grande penalidade que mudou a sua carreira.
Porém, o mérito de Paulo Bento na ascensão da carreira de Rui Patrício não se ficou pela estreia. Como o guarda-redes salientou na homenagem e agradeceu, foi a insistência e paciência que ele teve com ele. Diante dos erros normais de um jovem guardião que estava a começar a carreira, Paulo Bento nunca o deixou cair, manteve-o na baliza leonina contra muitas vozes discordantes.
O tempo veio dar-lhe razão e Rui Patrício acabou por se tornar uma das mais destacadas figuras do clube e da seleção nacional com a confiança que Bento lhe deu naquele período complicado do início da sua carreira.
Depois seguiu-se uma década de ouro de Rui Patrício no clube e na seleção, incluindo a épica participação no Euro 2016. No torneio teve um papel essencial com algumas defesas inacreditáveis, nomeadamente na final com a França contribuiu para a nossa maior conquista até ao momento de um título a nível internacional de seleções.


No entanto, neste “conto de fadas” surgiu uma mancha em 2018 com a invasão de gente fanática à Academia do Sporting que provocou a separação entre o guardião e o seu clube de uma vida. Ao contrário de muitos na altura eu não o vou julgar, Fez o que considerava melhor para ele e para sua família e isso não podemos contestar.
Depois da sua saída de Alvalade, passou por vários clubes medianos da Europa como o Wolverhampton de Inglaterra, a Roma e a Atalanta de Itália, mas não mais conseguiu atingir o brilhantismo alcançado de leão ao peito.
Essa conturbada saída acabou por criar-lhe demasiados anticorpos devido ao clima que se vive atualmente no nosso futebol, que não lhe permititram terminar a carreira onde justamente a tinha começado, no Sporting.
Chegou-se a falar a determinada altura principalmente depois da saída de Antonio Adán do regresso de Patrício, mas acabou por não se concretizar exatamente por esses anticorpos.


Na globalidade da sua carreira, Rui Patrício deixa um legado de respeito, educação e honestidade, valores que rareiam no futebol atual.
Talvez tenha faltado um pouco o reconhecimento internacional ao guarda-redes jogando num clube internacional de ponta, mas não deixou de ter uma carreira extraordinária.
Mas vale a pena refletir porque isso nunca aconteceu. Na minha opinião, é porque é uma pessoa demasiado discreta que nunca se pôs em bicos de pés e raramente deu muitas entrevistas, ao contrário de outros que fazem o que for preciso para ganharem notoriedade.
O guarda-redes da seleção nacional portuguesa pode não ter tido a carreira fulgurante que se adivinhava, mas ganhou o mais importante, o coração dos portugueses.

