A importância de João Simões na dinâmica ofensiva e na imprevisibilidade do jogo do Sporting

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A entrada de João Simões, com apenas 18 anos, na equipa titular do Sporting tem surgido com uma grande naturalidade, tendo em conta as exibições que tem realizado ao serviço dos leões. O médio português soma atualmente 16 jogos na presente temporada, com um golo e uma assistência, mas mais do que os números, João Simões tem oferecido várias soluções ao Sporting, sobretudo na dinâmica ofensiva da equipa.

Olhando para as características do jogador, percebemos que se trata de um médio bastante completo: forte na condução de bola, competente na finalização e muito inteligente nos movimentos sem bola. Destaca-se pela capacidade de baixar no terreno para oferecer soluções diretas ou indiretas (atrair adversários) na construção, mas também pelos movimentos de ataque ao espaço, idealmente pelo lado esquerdo.

Tal como já tinha acontecido em jogos anteriores, frente ao Gil Vicente, João Simões voltou a lateralizar à esquerda em alguns momentos da construção do Sporting, ainda que sem a mesma regularidade que Hidemasa Morita apresentava. Estes movimentos permitiam libertar Matheus Reis e conceder maior profundidade ao corredor esquerdo, ao mesmo tempo que possibilitavam a Maxi Araújo flutuar para zonas interiores, onde tem sido mais influente, quer na associação, quer no ataque à área adversária. Ainda assim, como referiu Rui Borges em resposta ao Bola na Rede, o corredor esquerdo não teve a mesma dinâmica de jogos anteriores, muito devido à diferença de características entre Matheus Reis e Ricardo Mangas, sendo este último mais capaz de explorar a largura e a profundidade.

Rui Borges Sporting
Fonte: Rui Pereira / Bola na Rede

Com um Gil Vicente focado em fechar os caminhos pelo corredor central, João Simões, mesmo sem grande influência direta, procurou várias vezes os ataques à profundidade para abrir espaços na defesa gilista. Apesar das ligações no último passe não terem sido muito eficazes, o médio mostrou capacidade para oferecer soluções variadas, antecipando até a forma como o Sporting acabaria por marcar, através de Luis Suárez (Bola longa de Eduardo Quaresma, diagonal e ataque à profundidade do avançado colombiano).

Perante as dificuldades sentidas na primeira parte, Rui Borges optou por baixar Morten Hjulmand entre os centrais, criando superioridade numérica na saída de bola (3×2 frente aos avançados do Gil Vicente, Santi García e Gustavo Varela), libertando João Simões para uma posição mais adiantada. Com este ajuste, o Sporting conseguiu fixar melhor os extremos na linha média, contrariando o 4-2-4 característico do Gil Vicente de César Peixoto, ao mesmo tempo que Francisco Trincão passou a surgir com mais liberdade em zonas interiores.

João Simões Sporting
Fonte: Rafael Canejo / Bola na Rede

Este posicionamento de João Simões permite ao Sporting, sobretudo frente a equipas teoricamente inferiores, empurrar os adversários para junto da sua área e criar mais espaço no corredor central para que jogadores como Pedro Gonçalves e Francisco Trincão sobressaiam e se tornem decisivos no último passe, no remate ou no cruzamento, beneficiando da sua elevada qualidade técnica. Além disso, a maior proximidade às zonas de finalização potencia uma de outras características interessantes de João Simões: a capacidade de finalizar, como ficou bem demonstrado no belo golo apontado frente ao Santa Clara, perante Neneca, após uma excelente rotação.

O jogador formado no Sporting destaca-se também pela capacidade de transportar jogo em condução, aspeto no qual já se evidenciou esta temporada, sobretudo nos jogos da Champions League, frente a equipas mais fortes e com um maior espaçamento em campo para progredir com bola.

No fundo, é com alguma naturalidade que Hidemasa Morita, já muito elogiado por Rui Borges desde os tempos de Vitória SC e Moreirense, surge atualmente atrás de João Simões na hierarquia. O internacional nipónico é um médio muito competente com bola, sob pressão e mais posicional, mas não oferece, neste momento, a mesma imprevisibilidade ao jogo do Sporting que o jovem de 18 anos (muito menos Giorgi Kochorashvili). Com Morten Hjulmand como pilar, capitão e líder do meio-campo leonino, o Sporting encontrou em João Simões o parceiro ideal para potenciar o seu jogo nesta fase da temporada.

João Simões Sporting
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: No início da temporada, iniciou com o Luís Esteves mais numa posição de 10, mas acabou por alterar o posicionamento do médio para uma posição mais recuada. Gostaria de lhe perguntar quão importante é, para o processo ofensivo do Gil Vicente, ter um jogador como o Luís Esteves a ver o jogo de frente e no momento de construção. E, por outro lado, pergunto também se um dos fatores-chave do jogo foi a forma como o Gil Vicente ativou os corredores laterais, principalmente quando o jogo se partiu a meio da segunda parte.

César Peixoto: Sim, parte da nossa estratégia passava por fechar o espaço interior e obrigar o Sporting a jogar pelos corredores laterais, para depois acionar a pressão e dar continuidade a essa pressão. E foi algo bem conseguido, porque o Sporting quase sempre acabou por jogar por fora ou em diagonais para o espaço, e aí conseguimos eliminar muito daquilo em que o Sporting é forte, que é o jogo por dentro. Conseguimos fazê-lo, e muito bem. Acho que o Luís, jogando mais atrás, tem a ver com duas questões. Primeiro, fica mais perto de pegar no jogo e é um jogador que sabe gerir os momentos do jogo. Tem capacidade para jogar curto, jogar longo e uma grande visão de jogo. Já o Santi, que antes estava mais atrás, agora aparece mais à frente. É um jogador muito mais agressivo na primeira fase de pressão e, ofensivamente, tem mais chegada à área. É alto, tem golo, não tem feito muitos, é verdade, e eu estou sempre a puxar por ele nesse aspeto, porque tem de aparecer mais em zonas de finalização. É um jogador com golo, que consegue ter chegada à área, quase como se jogasse como um falso avançado. Acho que a equipa se enquadrou muito bem desta forma. O Luís, mais atrás, tem de trabalhar mais, mas também tem mais facilidade em pegar no jogo e intervir. O Santi, na frente, sente-se mais confortável, sobretudo nas diagonais entre o central e o lateral. Tem uma passada larga, outra dinâmica. Nós vamos analisando e construindo a nossa ideia de jogo em função das características dos jogadores e percebendo onde os podemos potenciar melhor, de acordo com aquilo que a equipa precisa. Foi um pouco isso que fizemos, não só com estes dois, mas com todos. Mais uma vez, a equipa fez um bom jogo. Foi um jogo muito coletivo, não há um jogador que se destaque muito acima dos outros. É uma equipa que, coletivamente, é forte.

Bola na Rede: Com o Gil Vicente a fechar muito o corredor central, com os extremos por dentro, que soluções procurou dar ao Sporting para explorar sobretudo o corredor esquerdo, com a ausência de Ricardo Mangas, que é bom nesses movimentos de trás para a frente e a explorar a largura? E, por outro lado, até que ponto a circulação mais rápida de um lado para atrair e explorar depois o corredor contrário poderia ter ajudado o Sporting a criar mais oportunidades?

Rui Borges: Em relação à variação, às vezes nem necessitava, até porque conseguimos facilmente chegar aos corredores e à zona intermédia do campo. Mais importante era quebrar a primeira linha de pressão deles e conseguirmos instalar-nos dentro do meio-campo do Gil, obrigá-los a estar mais baixos, mais longe da nossa baliza e nós mais perto também para os contra-ataques e perdas de bola, e fomos conseguindo fazer isso ao longo do tempo. Mais do que a variação rápida, talvez, poderíamos ter variado mais rápido, mas com bolas longas e não rasteiras, e não a passar por muitos jogadores. Quando atraíamos em algum corredor, principalmente no nosso corredor direito, poderíamos ter variado mais bolas longas e criado mais perigo no 2 para 1, até porque duas ou três das bolas que variámos e em que conseguimos ser dinâmicos à direita criámos perigo com cruzamentos. E isso faltou-nos um bocadinho na primeira parte, essa variação longa, mais do que propriamente a velocidade com que fazíamos. Até porque, na velocidade, estávamos bem. Eles estavam a fazer a tarefa que tinham de fazer, individualmente e coletivamente, naquilo que era quebrar e desgastar a primeira pressão do Gil. Faltou-nos essa variação longa mais vezes. Em alguns momentos, aumentámos o Simões para colocar mais um homem na linha de quatro deles e isso prendeu mais vezes os médios do Gil à linha de quatro. Com o Morten mais baixo, deixávamos ali um 3 para 2 na pressão, desgastámos a pressão deles sempre com muita resistência e conseguimos instalar-nos mais à frente. Depois, claro, no último terço, à esquerda fomos um pouco menos dinâmicos do que o normal na primeira parte e sentimos isso; na segunda parte melhorámos. Por isso é que eu digo que, dentro daquilo que era pedido, a equipa fez um bom jogo e esteve ligada àquilo que eram as tarefas que tínhamos de fazer para desbloquear o primeiro momento do adversário. Depois, no último terço, devíamos ter tido melhores decisões em alguns momentos, mas é o que é: há jogos em que não vamos ter sempre 80% de boas decisões. E, mesmo assim, poderíamos ter feito o 2-0; não fizemos e saímos penalizados pelo que depois foi a parte final do jogo.

Rodrigo Lima
Rodrigo Limahttp://www.bolanarede.pt
Rodrigo é licenciado em Ciências da Comunicação e está a frequentar o mestrado em Gestão do Desporto. Trabalha na área do jornalismo desportivo, com particular interesse pela análise de futebol.

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