José Mourinho fez a antevisão do FC Porto x Benfica. Clássico joga-se no Dragão para os quartos de final da Taça de Portugal.
José Mourinho fez a antevisão do Clássico entre o FC Porto e o Benfica para os quartos de final da Taça de Portugal. O técnico das águias quer ver os encarnados a regressar às vitórias e a chegar às meias-finais da prova.
«Não queríamos ter tido estes dias para trabalhar, queríamos ter jogado no sábado [final da Taça da Liga]. Em função da eliminação, tivemos este tempo para treinar e penso que o utilizámos bem. Treinámos bem, podemos pensar no jogo com o FC Porto. Foi bom em termos de trabalho».
«Versão do FC Porto? Ser um jogo a eliminar obriga a que haja um vencedor. Eventualmente terá nuances diferentes do jogo do campeonato, especialmente por esse momento. A não derrota era importante para as duas equipas. Neste caso, o empate não serve a nenhuma equipa. Pode proporcionar um jogo diferente. Desde a pré-época que o FC Porto tem um perfil de jogo e de jogador que não me parece que seja uma entrada, uma saída, uma alteração, que provoque alterações no que são como equipa. É fácil com base em data, número e percentagens de analisar o FC Porto. Mesmo o leigo ou quem pensa que sabe muito de futebol percebe a equipa que são».
«Diálogo com a equipa depois da eliminação? O diálogo correu muito bem. Não consigo ser quem querem que vocês sejam, do seu mundo e com opinião. Não consigo ser como homem ou como treinador. Não consigo jogar mal e dizer que joguei bem, não consigo aceitar mediocricidade. Cheguei onde cheguei a ser Mourinho e vou ser Mourinho até ao fim. Não me parece que as críticas que vendem como telenovela tenham sido exatamente assim. Esqueceram-se rapidamente que no dia anterior tinha dito que gostava de ganhar a competição, não por mim, mas pelos adeptos e pelo grupo fantástico. Repito: eu amo aqueles gajos. Mas não consigo ser diferente e atirar areia para os olhos das pessoas. A relação com os jogadores atuais e que tive em mais de duas décadas de futebol com os meus grupos é das coisas mais bonitas que tenho da minha carreira. Não falo de 100% dos meus jogadores, graças a Deus, porque alguma coisa estaria errada. Tenho jogadores com 22 ou 23 anos a contactar-me frequentemente para coisas de carreira, relação igual com jogadores de 40 e 50 anos. Trabalham-se perceções, haters, pessoas dúbias, pagas para fazer um trabalho incompatível à atividade profissional. Cheguei onde cheguei como sou. Os meus jogadores, na sua maioria, jogam bem. Sou capaz de dizer que um jogador ‘não jogou nada’, mas também de fazer o que fiz com o Dahl. Quiseram matá-lo depois do Leverkusen e disse que nele não se toca, é ele e mais 10. A maioria dos jogadores gosta de mim e tem uma boa relação e atitude comigo. Não consigo ter nos painéis gente paga por mim para falar bem por mim. Como jogador chegou o Ronaldo, o senhor Eusébio e o Figo onde cheguei, como treinador, em Portugal, cheguei eu. Por mim».
«Sudakov e transição defensiva? Os erros individuais pagam-se. Tenho mais facilidade ou dificuldade dependendo do perfil do erro individual. O golo do Zalazar tem mérito próprio, mas demérito nosso. São erros que, com outro jogador e outra história, experiência e formação, teria mais dificuldade em aceitar. Num momento em que se fala do Sudakov, da forma atual, dificuldades ao nível físico e sem pausa no inverno, digo o contexto onde cresceu e viveu. Não é de altíssima competição ou nível de responsabilidade. Veio da Ucrânia, com um processo de treino com enormes dificuldades, não quero nem pensar em ter uma pessoa que amo, quanto mais várias, num cenário de guerra, sem saber se volto a falar com ele. Não imagino o que tem influência num jovem jogador. O Sudakov tem crítica, mas tem apoio. Não lhe digo que fez bem em deixar o Zalazar rebentar tudo, mas não o posso crucificar. Se calhar temos de pôr ali alguém com mais responsabilidade defensiva, mas também alguém que os faça pensar que se podem lixar».
«Substituto de Otamendi? Ou o António Silva ou o Gonçalo Oliveira. Não posso garantir que o António vai jogar, mas não posso mentir que não vai jogar. Estão convocados o António, o Gonçalo, o Tomás e o João Fonseca, a pensar que o António poderá não jogar. Não é uma situação que está clara».
«Uma vitória significará as meias-finais da Taça de Portugal, uma derrota significa que é o FC Porto, e que ficamos de fora. Se ganharmos e estivermos na meia-final, regressamos com felicidade, no primeiro dia de trabalho regressaremos com um sorriso, se perdermos, com a cara fechada dos últimos dias, mas com responsabilidade para preparar o jogo com o Rio Ave com profissionalismo e atitude. Neste período, a alegria foi pouca coisa».
O FC Porto x Benfica joga-se esta quarta-feira no Estádio do Dragão. O duelo tem apito inicial para as 20h45.

